Celulite

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Celulite
Celulite
Classificação e recursos externos
CID-10 L03
MedlinePlus 002033
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A Celulite, Adipose edematosa ou Lipodistrofia ginoide é caracterizada por irregularidades naturais da pele causadas pelo modo que a gordura e o tecido fibroso se organizam. É encontrando-se usualmente nas nádegas e partes posteriores das coxas. [1]. As ondulações da pele, são descritas com aspecto de "casca de laranja" ou de ricota. Embora alvo da indústria da estética e da preocupação de muitas mulheres, essa celulite não se caracteriza uma doença, sendo uma forma natural de o organismo armazenar gordura superficial [1]. Faz-se presente no corpo da grande maioria das mulheres, até 90% tem celulite em algum momento da vida, sendo comum mesmo em mulheres magras e jovens. É menos comum em homens, mas pode afetar até 10% deles em algum momento da vida.[2]

O termo celulite também se refere à infecção bacteriana do subcutâneo, geralmente pelo Staphylococcus aureus coagulase positivo, que é caracterizada por uma área eritematosa de bordos mal definidos, dolorosa, levemente inchada. Requer tratamento farmacológico; com penicilinas penicilinases-resistentes.

A celulite aparece principalmente na região dos glúteos, coxa, abdómen, nuca e braços.

Causas[editar | editar código-fonte]

A celulite resulta sobretudo de predisposição genética, estímulos hormonais (principalmente estrógenos e catecolaminas), debilidade das fibras colágenas, a organização natural das células de gordura e uma inflamação sutil por insuficiência do sistema microcirculatório (capilares sanguíneos). A aparência piora com a idade, com o peso e sedentarismo.[3]

O tecido adiposo é um tecido frouxo, que requer a presença de tecido fibroso para ser sustentado. Em cerca de 1/4 da população feminina, esse tecido estende-se no meio e por sobre o tecido adiposo formando firmes tranças e dispondo a camada gordurosa em estratos, o que resulta em uma aparência externa lisa. Nos 3/4 restantes, o tecido adiposo naturalmente não encontra-se tão tensionado pelas fibras, e distribui-se de forma não estratificada em torno dessas. O resultado é a celulite[1].

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Muitos tentam erradicar a celulite engajando-se em um processo de emagrecimento, e fazendo dietas específicas. Embora o emagrecimento possa trazer alguma melhoria estética, esse, por si, não é um tratamento para a celulite. Muitas pessoas magras são portadoras de celulite, e emagrecer não é suficiente para se erradicar as mesmas. Há de se considerar ainda que várias pessoa bem gordas não têm celulite, exibindo uma pele lisa e hidratada.[1]

A erradicação do consumo do leites de animais e derivados (queijos, manteigas, iogurtes, coalhadas), que causam inflamação das células, pode trazer o benefício do fim de cólicas e da própria celulite, além de melhorias na pele [4] [5] [6] [7]. O glúten, carnes, linguiça, embutidos, e biscoitos recheados (ricos em gordura trans) também colaboram para aumento da celulite[8].

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Outros fatores[9] como o excesso de peso, o sedentarismo e o cigarro, estão em primeiro no ranking dos fatores que mais causam a celulite, seguidos por stress, baixa ingestão de líquidos, consumo de álcool e a pré-disposição genética.

Todos esses fatores associados ao fator principal que é a falta de uma alimentação correta, causam a celulite na sua forma mais agressiva, deixando a pele com aspecto ondulado e sem saúde.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Mesmo que os que a consideram doença concordem que essa traz pouca ou nenhuma implicação clínica, a celulite, em essência por questões culturais, traz grandes preocupações estéticas às mulheres, muitas vezes levando a quadros de constrangimentos quando faz-se necessária a exposição corporal pública, por exemplo mediante o uso de trajes curtos ou de banho. Apoio é usualmente procurado no sistema de saúde; e o médico que realiza a avaliação da celulite é geralmente o dermatologista.

O diagnóstico da celulite é dividido em graus:[10]

  • grau 0: Sem ondulações ou irregularidades na pele ao ficar de pé ou deitado, mas ao pinçar a região surgem as ondulações, mas não covinhas ou depressões;
  • grau 1: Sem ondulações e irregularidades na pele ao ficar de pé ou deitado, mas ao pinçar a região surgem as ondulações e também covinhas e depressões;
  • grau 2: Ondulações, rugosidades, depressões e covas espontaneamente se fica de pé, mas não deitada;
  • grau 3: Ondulações, rugosidades e covinhas estão presentes mesmo deitado.

Em casos graves e crônicos podem aparecer nódulos e endurecimento da pele.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Farmacológicos[editar | editar código-fonte]

O mercado de produtos voltados à estética faz circular milhões e milhões em moeda corrente todos os anos, e a celulite não poderia deixar de ser alvo do interesse desse mercado. Nesse nicho de mercado, diversas formas de tratamento são propagandeadas como eficazes para a celulite; mas em verdade muito poucas apresentam resultados confiáveis e cientificamente aceitáveis.[1]

Cremes prometendo erradicação da celulite em curtos intervalos de tempo há aos montes, e uma pesquisa publicada no European Journal of Dermatology revisou os 32 cremes anticelulite mais difundidos no mercado. Nos produtos testados, notoriamente ao estilo roleta russa, mais de 263 ingredientes diferentes foram encontrados, alguns dos cremes possuindo até 31 ingredientes distintos. Em cerca de 1/4 dos cremes havia produtos que poderiam causar reações alérgicas graves o suficiente para deixarem sequelas permanentes em quem a eles fosse alérgico.[1]

Entre os fabricantes de cremes anticelulite e similares os seguintes ingredientes são usualmente considerados detentores de poderes "mágicos": cafeína, tretinoína, dimetilaminoetanol, retinol e aminofilina. Nenhuma das substâncias têm a ação prometida, contudo. A que aproxima-se de fornecer algum resultado perceptível é a tretinoína: ela estimula a circulação de sangue na derme, aumentando a produção de colágeno e o espessamento da epiderme. A epiderme mais grossa mascara a celulite. A substância não age assim sobre a celulite em si.[1][11][12]

Quanto aos cremes, os dermatologistas são unânimes: nenhum vai fazer a celulite desaparecer; no máximo vão hidratar e tornar a pele reluzente.

Outros[editar | editar código-fonte]

Existe apenas um tratamento que realmente funciona a curto prazo: a intervenção mecânica direta. A lipoaspiração consiste na remoção das regiões gordurosas responsáveis pela celulite, e extirpam, em um primeiro momento, o mal pela raiz [1]. Contudo os acompanhamentos pós-cirúrgicos têm demonstrado que as células adiposas remanescentes podem crescer e se reproduzir com rapidez suficiente para piorar a aparência da celulite, de tal modo que intervenção frequentemente não compensa, um desperdício de milhares de dólares.

Perder peso sem fortalecer as fibras colágenas também pode piorar a aparência da celulite. Fortalecer a musculatura com aeróbica e dieta pode reduzir as celulites, mas elas voltam poucas semanas depois da interrupção dos exercícios. Não existem exercícios eficientes para queimar gordura localizada, os exercícios aeróbicos consomem a gordura de acordo com a ordem em que foram depositadas, assim quanto mais antiga uma gordura, mais difícil de remover. O ganho de peso faz as celulites mais visíveis.[13]

Tomar sol pode fazer as celulites ainda mais visíveis, enquanto alguns produtos de bronzeamento sem sol podem camuflar temporariamente se coloração normal da pele é clara.

Segundo a professora Lisa M. Donofrio, dermatologista na Universidade de Yale, talvez o melhor tratamento para celulite seja mesmo o psicológico: o de se entender que a celulite é natural; e o de aprender a enxergá-la assim.[1].

Referências

  1. a b c d e f g h i Kruszelnicki, Karl - Grandes Mitos da Ciência - Editora Fundamento - São Paulo, SP - 2013. ISBN 978-85-395-0164-9
  2. http://www.huffingtonpost.com/entry/myths-about-cellulite_us_559e90b2e4b05b1d028fca2a
  3. Avram, Mathew M (2004). "Cellulite: A review of its physiology and treatment". Journal of Cosmetic and Laser Therapy. 6 (4): 181–5. PMID 16020201. doi:10.1080/14764170410003057.
  4. Nutrition facts, Acne e câncer
  5. [/watch?v=L8lJ2d1DQvw You Tube, O mito do leite e derivados - Porque estamos sendo enganados]
  6. Daniela Carvalho
  7. Banco de saúde
  8. Celulite pode ser alergia
  9. «o que causa celulite». 9 de março de 2015. Consultado em 9 de abril de 2015 
  10. Celulite. Portal Banco de Saúde. Tudo sobre celulite: Guia Completo
  11. Piérard-Franchimont, Claudine et al. A randomized, placebo-controlled trial of topical retinol in the treatment of cellulite - Amrerican Journal of Clinical Dermatology - p. 369-374 - nov-dez de 2000.
  12. Sainio, Eva-Lisa et. al. - Ingredients and safety of cellulite creams, European Journal of Dermatology, p. 596 a 603, dez. de 2000.
  13. http://www.huffingtonpost.com/entry/myths-about-cellulite_us_559e90b2e4b05b1d028fca2a