Pederismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pessoa com lesão no pescoço causada pelo Paederus.

Pederismo é o denominação preferível da dermatite causada pela hemolinfa do inseto popularmente chamado de potó,[1] também chamada de pederose ou dermatite Paederus),[2]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Os efeitos tóxicos do potó foram conhecidos mais largamente na medicina ocidental há cerca de cem anos, mas encontra-se descrito na medicina chinesa há cerca de 1.200 anos.[3]

Os casos de dermatites causadas pelo potó ocorrem em diversas partes do mundo, mas a maior delas verificou-se no Peru, quando em 1998 o fenômeno climático El Niño causou um crescimento anormal da vegetação e, no começo do ano seguinte, levou mais de 1400 pessoas a necessitarem de atendimento médico por causa das lesões pelo Paederus irritans, num caso que se tornou epidêmico.[2][1]

O surto ocorreu na região peruana de Piura, afetando os 13 municípios da província de Morropón e ainda o distrito de Canchaque na província de Huancabamba, como consequência das mudanças favoráveis no habitat dos insetos, em que as chuvas se prolongaram no meses iniciais de 1999, e o ataque dos potós da espécie irritans recebeu da população o nome de "latigazo" (chicotada).[1]

Caracteres clínicos[editar | editar código-fonte]

Uma vez ocorrido o contato da pederina com a pele a dermatite vem a manifestar-se num período entre 18 a 24 horas, com diagnóstico eminentemente clínico,[2] como a seguir descrito.

As lesões são em geral lineares, como o desenho do leito de um riacho ou uma chibatada, formando vesículas ou pústulas na área central da lesão;[2] elas seguem o caminho formado quando o inseto foi arrastado durante o ato de coçar, e podem atingir 15 cm de comprimento.[1]

A dermatite vesicante pode ser confundida clinicamente com outras causas, tais como queimaduras, herpes simples ou a zóster, celulite orbitária ou dermatite de contato alérgico aguda.[2]

Somente depois de 8 a 10 horas do contato é que surge o eritema e durante os dois dias seguintes a lesão provoca uma sensação de queimadura e prurido; após estas 48 horas é que surgem vesículas e bolhas que vão crescendo até que, em mais dois dias, se umbilicam; após 6 a 8 dias do contato as vesículas e bolhas esfoliam, deixando no lugar escaras pigmentadas por mais 20 a 60 dias.[1] A mão contaminada pela pederina pode, se levada aos olhos, causar lesões na mucosa ocular como conjuntivite e/ou blefarite.[1]

Um exame anatômico da patologia exibe a formação de bolhas intra-epidérmicas com múltiplos buracos, e necrose da epiderme; as lesões podem apresentar desde a necrose aguda até uma acentuada acantose; focos distantes com atrofia e desprendimento da camada espinhosa da pele (acantólise), sugere que isto possa também ser efeito indireto da pederina.[1]

Efeitos e tratamento[editar | editar código-fonte]

As áreas lesionadas podem provocar uma limitação funcional do local atingido que têm os sintomas dolorosos aumentados pelo sol, calor, suor e contato com as vestes.[1]

A cura ocorre após várias semanas, deixando no local uma cicatriz de cor escura.[1]

Os cuidados são superficiais com sulfato de magnésio e creme de Darier e, se ocorrem infecções secundárias, mister o uso de antibióticos.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j Victor Alva-Dávalos, Victor Alberto Laguna-Torres, A. Huamán1, R. Olivos1, M. Chávez1, C. García1 e N. Mendoza (Jan./Feb. 2002). «Dermatite epidêmica por Paederus irritans em Piura, Perú, 1999, relacionada ao fenômeno El Niño». Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.35 no.1 Uberaba. Consultado em 7 de abril de 2014  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. a b c d e Luis Tincopa, Jenny Valverde, Hernán Agip G, Aurora Cárdenas (jan–jun 1999). «Características Clínicas Y Epidemiológicas del Brote Epidémico de Dermatitis de Contacto por Paederus irritans». Dermatología Peruana - VOL. 9, Nº 1. Consultado em 7 de abril de 2014 
  3. Kanamitsu, K.; Frank, J.H. (Março 1987). «Paederus, Sensu Lato (Coleoptera: Staphylinidae): Natural History and Medical Importance». Journal of Medical Entomology, Volume 24, Number 2,pp. 155-191(37) (depois em: Digital Commons da University of Nebraska - Lincoln. Consultado em 7 de abril de 2014