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Acne

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Acne
Acne na testa de um jovem na puberdade
Classificação e recursos externos
CID-10 L70.0
CID-9 706.1
DiseasesDB 10765
MedlinePlus 000873
eMedicine derm/2
MeSH D000152
Star of life caution.svg Aviso médico

Acne é uma condição cutânea de longa duração caracterizada por áreas de pontos negros, pontos brancos, pústulas, pele oleosa e possibilidade de aparecimento de cicatrizes.[1] [2] As consequências na aparência podem provocar ansiedade, diminuição da autoestima e, em casos extremos, depressão e pensamentos de suicídio.[3] [4]

Estima-se que 80% dos casos tenham origem genética.[2] O papel da dieta enquanto causa ainda não é claro.[2] A higiene ou a luz do sol não parecem ter qualquer influência.[2] No entanto, o tabagismo aumenta o risco de vir a desenvolver acne e a sua gravidade.[5] O acne afeta principalmente a pele com elevado número de glândulas sebáceas, como o rosto, a parte superior do peito e as costas.[6] Durante a puberdade, em ambos os sexos, o aparecimento do acne deve-se muitas vezes ao aumento da quantidade de andrógenos como a testosterona,[7] estando também envolvida a bactéria Propionibacterium acnes.[7]

Estão disponíveis muitas opções de tratamento destinadas a melhorar a aparência do acne, entre as quais alterações ao estilo de vida e medicação. Ingerir hidratos de carbono simples em menor quantidade, como o açúcar, pode ajudar.[8] Os tratamentos mais comuns são a aplicação tópica de peróxido de benzoílo, ácido salicílico e ácido azelaico.[9] Estão também disponíveis antibióticos e retinoides tópicos e orais.[9] No entanto, é possível que possam provocar resistência antibiótica.[10] Em mulheres, algumas pílulas contraceptivas orais combinadas podem ser benéficas no tratamento.[9] A isotretinoína oral geralmente só é administrada em casos graves devido aos efeitos secundários.[9] Alguns especialistas recomendam o tratamento agressivo e numa fase precoce de modo a diminuir o impacto a longo prazo na pessoa.[4]

O acne ocorre de forma comum durante a adolescência, estimando-se que afete entre 80 a 90% dos adolescentes no mundo ocidental.[11] [12] [13] Nalgumas sociedades rurais a prevalência é menor.[13] [14] Em 2010, estima-se que o acne tenha afetado 650 milhões de pessoas à escala global, o que o torna a 8ª doença mais comum em todo o mundo.[15] O acne pode também surgir antes e após a puberdade.[16] Embora a doença seja muito menos comum em adultos do que na adolescência, cerca de metade das pessoas na casa dos 20 e 30 anos continuam a ter acne,[2] e cerca de 4% continuam a ter a partir dos 40 anos.[2]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Acne nódulo-cístico grave.

O acne é geralmente classificado como ligeiro, moderado ou grave, conforme a gravidade. Este tipo de categorização pode ser um fator importante para determinar um regime terapêutico adequado.[12] O acne moderado é definido pela presença de pontos negros e brancos limitada ao rosto, com ocorrência ocasional de lesões inflamadas.[12] O acne pode ser considerado de alguma gravidade quando se verifica maior número de pápulas e pústulas inflamatórias no rosto em comparação com os casos moderados, e quando também se verificam lesões de acne no tronco.[12] Por último, diz-se que ocorre acne grave quando as lesões características do rosto são nódulos e cistos e se verifica envolvimento extensivo da região do tronco.[12] Alguns dos nódulos de grande dimensão eram enteriormente denominados cistos, tendo sido usado o termo "nódulo-cístico" para descrever casos graves de acne inflamatório.[17]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Entre as características mais comuns do acne estão a seborreia (aumento da secrção das glândulas sebáceas), presença de comedões (pontos negros ou brancos), pápulas, pústulas, nódulos (pápulas de grande dimensão) e possibilidade de ocorrência de cicatrizes.[1] [18] A aparência do acne varia consoante a cor da pele. A doença pode provocar problemas psicológicos e sociais.[12]

Cicatrizes[editar | editar código-fonte]

Anatomia de um folículo piloso.

As cicatrizes do acne são o resultado da inflamação da camada dérmica da pele provocada pelo acne, estimando-se que ocorram em 95% das pessoas com a doença.[19] A cicatriz é criada pela resposta anormal de reparação que se segue à inflamação dérmica.[19] A probabilidade de ocorrer cicatrização é maior nos casos de acne nódulo-cístico, mas pode ocorrer em qualquer forma de acne.[19] A classificação das cicatrizes de acne baseia-se no facto da resposta anormal de reparação posterior à inflamação provocar ou depósito excessivo de colagénio ou, por outro lado, provocar perda de colagénio no local da lesão de acne.[19]

As cicatrizes de acne atróficas são o tipo mais comum de cicatrizes de acne e derivam da perda de colagénio durante a resposta de cicatrização. As cicatrizes atróficas podem ser do tipo "picador de gelo" (ice-picker), onduladas (rolling) ou com depressão acentuada (boxcar). As cicatrizes do tipo "picador de gelo" são geralmente estreitas (largura < 2 mm) e profundas, prolongando-se até à derme. As cicatrizes onduladas acentuadas são maiores do que as do tipo "picador de gelo" (4-5 mm de largura) e têm forma semelhante a uma onda. As cicatrizes com depressão acentuada são redondas ou ovais, com margens bem definidas e cuja largura varia entre 1,5 e 4 mm.[19]

As cicatrizes hipertróficas são menos comuns e são caracterizadas por maior quantidade de colagénio após a resposta anormal de reparação anormal.[19] São cicatrizes firmes e elevadas em relação à pele.[19] [20] As cicatrizes hipertróficas restringem-se aos limites originais da ferida, enquanto que as cicatrizes queloidianas podem formar tecido fibroso para além destes limites. As cicatrizes queloidianas de acne geralmente ocorrem em homens e no tronco, e não no rosto.[19]

Pigmentação[editar | editar código-fonte]

A hiperpigmentação pós-inflamatória é geralmente o resultado de acne cístico ou nodular (inchaços dolorosos que permanecem no interior da pele). Estes inchaços muitas vezes deixam uma mancha vermelha, mesmo após a lesão original ter sido resolvida. A hiperpigmentação pós-inflamatória ocorre com maior frequência em pesssoas com tom de pele escuro.[21] A alteração de cor da cicatriz não é permanente e pode ser prevenida evitando a irritação do nódulo ou cisto. Estas cicatrizes podem desaparecer com o tempo. No entanto, se não forem tratadas pode durar meses, anos ou tornarem-se permanentes em casos de lesão das camadas mais profundas da pele.[22] A utilização diária de protetor solar de fator 15 ou superior pode diminuir a pigmanteção associada ao acne.[22]

Causas[editar | editar código-fonte]

Genéticas[editar | editar código-fonte]

A predisposição de determinadas pessoas para o acne pode ser explicada em parte por uma componente genética, a qual tem sido apoiada por estudos em gémeos e estudos que analisaram a prevalência de acne entre parentes do primeiro grau.[23] A genética da susceptibilidade ao acne é provavelmente poligénica, uma vez que a doença não obedece ao padrão clássico de herança mendeliana. Existem vários genes possivelmente relacionados com o acne, incluindo polimorfismos no factor de necrose tumoral alfa, IL-1 alpha e CYP1A1[11]

Hormonal[editar | editar código-fonte]

A atividade hormonal, como o ciclo menstrual e a puberdade, podem contribuir para a formação de acne. Durante a puberdade, o aumento das hormonas sexuais, denominadas andrógenos, provoca o crescimento das glândulas foliculares, fazendo com que produzam maior quantidade de sebo.[6] [24] Durante a gravidez verifica-se um aumento semelhante de andrógenos, aumentando também a produção de sebo.[25]

Existem várias hormonas que têm sido associadas ao acne, entre as quais os andrógenos testosterona, di-hidrotestosterona (DHT) e desidroepiandrosterona (DHEAS), assim como o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-I) e hormona do crescimento.[26] O uso de esteroides anabolizantes pode ter ação idêntica.[27]

É pouco comum o desenvolvimento de acne entre os 21 e 25 anos de idade.[28] O acne em mulheres adultas pode ser devido à gravidez ou à síndrome do ovário policístico.[29]

Infeções[editar | editar código-fonte]

A Propionibacterium acnes é o organismo anaeróbio de que se suspeita contribuir para o desenvolvimento de acne, embora o seu papel exato no processo não esteja ainda claro.[23] [30] Existem sub-estirpes específicas de P. acnes associadas à pele normal, enquanto outras estão associadas ao acne inflamatório moderado e grave.[31] Não é ainda claro se estas espécies pouco desejáveis evoluem no local ou são adquiridas, ou possivelmente ambas as situações, dependendo da pessoa. Estas estirpes têm a capacidade de se adaptar, alterar ou perpetuar o ciclo anormal de inflamação, produção sebácea e obstrução dos poros.[32] A infeção pelo parasita acarídeo Demodex está também associada ao desenvolvimento de acne.[18] [33] No entanto, não é ainda claro se a erradicação destes ácaros provoca melhorias na doença.[33]

Estilo de vida e alimentos[editar | editar código-fonte]

Fumar aumenta o risco de desenvolver acne.[5] Para além disso, a gravidade da doença aumenta em função do número de cigarros que a pessoa fuma por dia.[5] A relação entre a dieta e o acne é pouco clara, uma vez que não existem evidências de qualidade.[34] No entanto, uma dieta com elevada carga glicémica está associada ao agravamento do acne.[8] [35] Existem evidências fracas de uma associação positiva entre o consumo de leite e o aumento da prevalência e gravidade da doença.[33] [36] [37] [38] Outras associações, como o chocolate ou o sal, não são comprovadas por evidências.[36] No entanto, o chocolate também contém uma quantidade assinalável de açúcar, que pode levar a uma carga glicémica elevada, e é muitas vezes preparado com leite. Pode também existir uma relação entre o acne e o metabolismo da insulina. Um ensaio verificou existir uma relação entre o acne e a obesidade.[39] Quando excedida a dose diária recomendada, a vitamina B12 pode desencadear erupções acneiformes ou exacerbar o acne existente.[40]

Psicológicas[editar | editar código-fonte]

Embora a relação entre o acne e o stresse ainda seja alvo de debate, a investigação indica que o aumento de gravidade no acne está associada a um maior nível de stresse.[41] [42]

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

Formação de comedões (pontos negros e brancos) nos poros da pele. Animação.

O acne desenvolve-se em resultado de bloqueios nos folículos pilosos. Pensa-se que estes bloqueios ocorram devido a quatro processos anormais: uma produção de sebo superior ao normal (influenciada por andrógenos); depósitos de queratina em excesso que causam a formação de comedões; colonização dos folículos pela bactéria Propionibacterium acnes; e a libertação local de químicos pró-inflamatórios na pele.[31]

As alterações patológicas iniciais são o depósito em excesso da proteína queratina e de sebo no folículo piloso, o que provoca a formação de um tampão, ou microcomedão.[6] Durante a adrenarca, o aumento da quantidade de desidroepiandrosterona provoca o alargamento das glândulas sebáceas e aumenta a produção de sebo. Um microcomedão pode aumentar de tamanho para formar um comedão aberto (ponto negro) ou fechado. A cor negra de um ponto negro deve-se à oxidação da melanina, o pigmento da pele.[12]

Os comedões são o resultado do entupimento das glândulas sebáceas com células de pele mortas e sebo, um óleo natural da pele.[6] Nestas condições, a Propionibacterium acnes, uma bactéria comensal que ocorre naturalmente, pode provocar inflamação dentro e à volta do folículo. Isto provoca lesões inflamatórias (pápulas, pústulas infetadas ou nódulos) na derme à volta do comedão ou microcomedão, o que por su avez provoca vermelhidão e pode provocar cicatrização ou hiperpigmentação.[6] [43] [44] O acne grave é inflamatório, embora o acne também possa ser não inflamatório.[28]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Existem várias escalas para medir a gravidade do acne vulgar, entre as quais:

  • Escala de Leeds: quantifica e categoriza as lesões entre inflamatórias e não inflamatórias, variando entre 0 e 10,0.[45]
  • Escala de Cook: utiliza fotografias para determinar a gravidade entre 0 e 8.[46]
  • Escala de Pillsbury: classifica a gravidade entre 1 (menos grave) e 4 (mais grave).[47]

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

As condições semelhantes incluem, entre outras, rosácea, foliculite, queratose pilar, dermatite perioral e angiofibroma.[12] A idade é um dos fatores que pode ajudar o médico a diferenciar estas doenças. As doenças de pele como a dermatite perioral e a queratose pilar tendem a ocorrer com maior frequência na infância, enquanto que a rosácea tende a ocorrer com maior frequência em adultos mais velhos.[12] A vermelhidão facial espoletada pelo consumo de álcool ou comida condimentada é sugestiva de rosácea.[48] A presença de comedões pode também auxiliar os profissionais de saúde a distinguir o acne de doenças de pele com aparência semelhante.[9]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Existem diversos tratamentos para o acne, incluindo peróxido de benzoílo, antibióticos, retinoides, medicamentos anti-seborreicos, medicamentos antiandrogénicos, tratamentos hormonais, ácido salicílico, hidroxiácido, ácido azelaico, nicotinamida e sabonetes queratolíticos.[49] Os tratamentos podem ser agrupados em quatro grupos, de acordo com a forma como atuam: normalização da descamação da pele e da produção de sebo no poro de modo a impedir o seu bloqueio; morte da bactéria P. acnes; efeito anti-inflamatório; e manipulação hormonal.[6]

Entre os tratamentos médicos mais comuns estão as terapias de aplicação tópica, como os retinoides, antibióticos e peróxido de benzoílo, e as terapias sistémicas, como os retinoides orais, antibióticos orais e agentes hormonais.[12] [50] Outros procedimentos, como a fototerapia ou terapia laser, não são considerados tratamentos de primeira linha e geralmente têm apenas um papel auxiliar devido ao seu elevado custo e poucas evidências de eficácia.[50]

Medicação[editar | editar código-fonte]

Peróxido de benzoílo[editar | editar código-fonte]

Pomada de peróxido de benzoílo, um dos tratamentos de primeira linha mais comuns.

O peróxido de benzoílo é um tratamento de primeira linha para acne leve a moderado devido à sua elevada eficácia e poucos efeitos adversos (sobretudo dermatite por irritação). Atua contra a bactéria P. acnes, ajuda a prevenir a formação de comedões (pontos negros e brancos) e tem propriedades anti-inflamatórias.[6] Nos casos em que se verificam efeitos adversos, estes geralmente incluem desidratação da pele, ligeira vermelhidão e esfoliação ocasional.[51] Este medicamento aumenta a sensibilidade à luz do sol, pelo que se recomenda o uso de protetor solar durante o tratamento para prevenir queimaduras solares. Tem-se verificado que o peróxido de benzoílo tem praticamente a mesma eficácia dos antibióticos mas, ao contrário destes, não provoca resistência antibiótica.[51] O peróxido de benzoílo pode ser combinado com um antibiótico ou retinoide de aplicação tópica, como a associação peróxido de benzoílo/Clindamicina e peróxido de benzoílo/adapaleno, respetivamente.[21]

Antibióticos[editar | editar código-fonte]

Os antibióticos de aplicação tópica são frequentemente usados no tratamento de acne leve a moderado.[12] Os antibióticos de administração oral estão indicados em casos moderados a graves de acne inflamatório devido à sua atividade antimicrobiana contra a bactéria P. acnes e às suas propriedades anti-inflamatórias.[6] [12] [51] [2] No entanto, com o aumento da resistência da P. acnes em todo o mundo, os antibióticos estão gradualmente a perder a eficácia.[51] Entre os antibióticos mais usados, tanto tópicos como orais, estão a eritromicina (categoria B), clindamicina (categoria B), metronidazol (categoria B) e tetraciclinas como a doxiciclina e a minociclina.[25] O uso de eritromicina e clindamicina é considerado seguro durante a gravidez devido à absorção sistémica desprezível.[25] A nadifloxacina e a dapsona são outros antibióticos tópicos que podem ser usados no tratamento de acne em mulheres grávidas, embora tenham sido sujeitos a menos estudos.[25] Recomenda-se que, assim que a doença mostrar sinais de melhoria, sejam interrompidos os antibióticos orais e sejam usados retinoides tópicos.[9]

Ácido salicílico[editar | editar código-fonte]

O ácido salicílico (categoria C) é um beta-hidroxiácido com propriedades bacteriostáticas e queratolíticas.[52] [53] O ácido salicílico abre ainda os poros obstruídos e promove a descamação das células epiteliais da pele.[52] No entanto, o ácido salicílico é menos eficaz do que a terapêutica de reinoides.[12] Em indivíduos com tipos de pele mais escura que usam ácido salicílico, tem-se observado hiperpigmentação.[6]

Ácido azelaico[editar | editar código-fonte]

O ácido azelaico tem demonstrado ser eficaz em casos de acne leve a moderado, quando aplicado de forma tópica em concentrações de 20%.[43] É necessária a aplicação duas vezes ao dia durante seis meses, tendo este tratamento a mesma eficácia do peróxido de benzoílo a 5%, isotretinoina a 0,05% e eritromicina a 2%.[54] Pensa-se que a eficácia do ácido azelaico no tratamento de acne se deva às suas propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias e antiqueratinizantes.[43] Embora possa ocasionalmente causar irritação da pele, é na generalidade um fármaco bastante seguro.[55]

Hormonas[editar | editar código-fonte]

Em mulheres, o acne pode ser melhorado com o uso de qualquer pílula contraceptiva oral combinada.[56] Em teoria, as combinações que contêm progestinas de terceira ou quarta geração, como o desogestrel, norgestimate ou drospirenona, podem ser as mais benéficas.[56] Os antiandrógenos, como o acetato de ciproterona e a espironolactona, têm também sido usados no tratamento de acne.[25] As terapias hormonais não devem ser usadas durante a gravidez ou amamentação, uma vez que estão associadas a determinadas doenças congénitas, como a hipospádia ou feminização do feto masculino.[25]

Retinoides tópicos[editar | editar código-fonte]

Os retinoides tópicos são medicamentos com propriedades anti-inflamatórias que atuam ao normalizar o ciclo de vida das células dos folículos.[6] Constituem um tratamento de primeira linha para pessoas com tom de pele escuro e são conhecidos por proporcionar uma rápida melhoria da hiperpigmentação pós-inflamatória.[21] Esta classe de fármacos inclui a tretinoína (categoria C), o adapaleno (categoria C) e o tazaroteno (categoria X).[25]

Retinoides orais[editar | editar código-fonte]

A isotretinoína é bastante eficaz no tratamento de acne grave e acne moderado resistentes a outros tratamentos.[12] As melhorias são observadas geralmente após um ou dois meses de utilização. Após o tratamento inicial, cerca de 80% das pessoas indicam terem tido melhorias e mais de 50% indicam remissão completa.[12] Cerca de 20% das pessoas necessitam de um segundo tratamento.[12] Podem, no entanto, ocorrer uma série de efeitos adversos: pele seca, sangramento nasal, dores musculares, aumento das enzimas do fígado e aumento da quantidade de lípidos no sangue.[12] Se usado durante a gravidez, existe um risco elevado de anormalidades no bebé, pelo que as mulheres em idade fértil são aconselhadas a usar contracepção durante o tratamento. Não existem evidências claras de que o uso de retinoides orais aumenta o risco de efeitos secundários do foro psiquiátrico, como depressão ou suicídio.[12]

Espironolactona[editar | editar código-fonte]

A espironolactona, um antagonista da aldosterona, é um tratamento de acne eficaz em mulheres adultas, embora não seja aprovado para esta finalidade em alguns países. Pensa-se que a eficácia da espironolactona no tratamento do acne se deva à sua capacidade de bloquear os recetores de andrógenos em doses elevadas. Pode ser usada com ou sem um contraceptivo oral.[21]

Terapia combinada[editar | editar código-fonte]

A terapia combinada, usando em conjunto medicamentos de diferentes classes, cada um com um diferente mecanismo de ação, tem demonstrado ser uma abordagem mais eficaz no tratemento de acne em relação à monoterapia. As combinações mais usadas são: antibiótico + peróxido de benzoílo, antibiótico + retinoide tópico ou retinoide tópico + peróxido de benzoílo.[25]

Procedimentos[editar | editar código-fonte]

A extração dos comedões pode ser temporariamente benéfica em indivíduos que não melhoram com tratamento normal.[9] Um dos procedimentos para alívio imediato é a injeção de corticosteroides no comedão inflamado.[6]

A fototerapia é um método que consiste na emissão de pulsos intensos de luz na área afetada, muitas vezes precedida pela aplicação de uma substância fotossenssíbilizante, como o ácido aminolevulínico.[57] Pensa-se que este processo mate as bactérias e diminua o tamanho e atividade das glândulas sebáceas.[57] À data de 2012, as evidências disponíveis para a fototerapia e terapia laser são insuficientes para recomendar o seu uso em tratamentos de rotina.[9] A fototerapia é bastante dispendiosa e, embora aparente proporcionar alguns benefícios a curto prazo, não existem dados que permitam concluir a sua eficácia a longo prazo ou em casos graves de acne.[6] [58]

A dermoabrasão é um procedimento terapêutico eficaz para diminuir a aparência de cicatrizes atróficas superficiais dos tipos ondulado e de depressão acentuada.[19] No entanto, as cicatrizes do tipo "picador de gelo" não respondem bem ao tratamento com dermoabrasão devido à sua profundidade.[19] No entanto, este procedimento é doloroso e apresenta o potencial de diversos efeitos adversos, como o aumento da fotossensibilidade da pele, vermelhidão e diminuição da pigmentação da pele. Com a introdução do resurfacing laser, esta terapia caiu em desuso.[19] Não existem evidências de que a microdermoabrasão seja eficaz.[9]

O resurfacing a laser poder ser usado para diminuir as cicatrizes provocadas pelo acne.[59] O resurfacing por fototermólise fracionada ablativa a laser apresenta maior eficácia para a diminuição da visibilidade das cicatrizes de acne em relação à fototermólise não ablativa; no entanto, está associado a uma maior prevalência de hiperpigmentação pós-inflamatória (com duração de cerca de um mês), vermelhidão facial (geralmente 3-14 dias) e dor durante o procedimento.[60]

A visibilidade das cicatrizes de acne também pode ser diminuída com peelings químicos.[19] Entre os peelings leves incluem-se aqueles à base de ácido glicólico, ácido láctico, ácido salicílico, solução de Jessner ou uma concentração reduzida (20%) de ácido tricloroacético. Estes tipos de peeling afetam apenas a camada epidérmica e podem ter utilidade no tratamento de cicatrizes superficiais de acne e das alterações na pigmentação resultantes do acne inflamatório.[19] Em concentrações superiores de ácido tricloroacético (30-40%), o peeling é considerado de potência média e afeta a pele até à derme papilar.[19] Em concentrações superiores a 50%, considera-se peeling profundo.[19] Os peelings químicos médios a profundos apresentam maior eficácia em cicatrizes atróficas profundas, embora sejam mais susceptíveis de provocar efeitos adversos, como alterações na pigmentação da pele, infeções ou milium.[19]

Medicina alternativa[editar | editar código-fonte]

Têm sido investigados diversos produtos naturais para o tratamento de pessoas com acne,[61] [62] embora não haja evidências que apoiem a sua eficácia.[63] No entanto, tem sido sugerida a aplicação tópica de óleo de melaleuca.[64]

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O acne geralmente melhora substancialmente por volta dos vinte anos de idade, embora possa persistir durante a vida adulta.[49] É possível que algumas das cicatrizes se tornem permanentes.[12] Existem evidências de qualidade que apoiam a ideia de que o acne tem impactos psicológicos negativos, afeta o humor, diminui a auto-estima e está associado a um risco acrescido de ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.[33]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

À data de 2010, o acne afetava em todo o mundo cerca de 650 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 9,4% da população.[65] É ligeiramente mais comum em mulheres (9,8%) do que em homens (9,0%).[65] No mundo Ocidental, o acne afeta cerca de 90% da população durante a adolescência e pode persistir durante a idade adulta.[12] Após os 25 anos de idade, o acne afeta 54% das mulheres e 40% dos homens.[25] Considerando todo o período de vida, o acne tem uma prevalência de 85%.[25] Cerca de 20% destes casos são moderados ou graves.[23] Em pessoas com mais de 40 anos, 1% dos homens e 5% das mulheres apresentam ainda sintomas de acne.[12]

A prevalência aparenta ser menor em sociedades rurais.[14] Embora o acne afete pessoas de praticamente todos os grupos étnicos,[66] aparenta estar ausente das populações indígenas da Papua Nova Guiné e do Paraguai.[23]

História[editar | editar código-fonte]

Nas civilizações da Antiguidade egípcia, grega e romana, o acne era tratado com enxofre.[67] Na década de 1929, foi introduzido o peróxido de benzoílo como medicamento para o tratamento de acne.[68] Na década de 1970, verificou-se que a tretinoína era um tratamento eficaz para a doença,[69] Em 1980 foi introduzida a isotretinoína como tratamento,[70] embora se tenha verificado ao longo da década seguinte que se tratava de um teratógeno capaz de provocar malformações congénitas durante a gravidez. Nos Estados Unidos, entre 1982 e 2003, cerca de 2000 mulheres engravidaram durante o tratamento com este fármaco, tendo a maior parte dos casos resultado em aborto ou aborto espontâneo.[71] [72]

Sociedade e cultura[editar | editar código-fonte]

Custo[editar | editar código-fonte]

Os custos económico e social do tratamento do acne são substanciais. Nos Estados Unidos, o acne é responsável por mais de 5 milhões de consultas clínicas e apresenta custos indiretos superiores a 2,5 mil milhões de dólares.[5]

Estigma social[editar | editar código-fonte]

O desconhecimento ou informação errada sobre as causas e factores agravantes do acne entre a população são comuns, atribuindo-se muitas vezes a culpa pela doença às próprias pessoas.[4] Esta culpabilização pode agravar ainda mais a perda de auto-estima.[4] O acne e as cicatrizes que dele resultam têm sido associadas a dificuldades de socialização significativas que podem persistir durante a idade adulta.[73]

Investigação[editar | editar código-fonte]

Em 2007 foi anunciada a primeira sequenciação do genoma de um bacteriófago da P. acnes (PA6). Os autores sugeriram aplicar esta investigação no desenvolvimento de uma fagoterapia para o tratamento de acne, de forma a superar os problemas associados ao uso continuado de antibióticos, como a resistência antibiótica.[74]

Uma vacina contra o acne inflamatório foi testada com eficácia em ratos de laboratório, mas ainda não se demonstrou ser eficaz em seres humanos.[75] No entanto, este tipo de vacina tem levantado algumas preocupações sobre o facto de se estar a criar uma vacina destinada a neutralizar uma comunidade estável e normal de bactérias da pele, capaz de a proteger da colonização por microorganismos mais nocivos.[76]

Referências

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