Dermatite

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Dermatite
Exemplo de dermatite moderada
Classificação e recursos externos
CID-10 L20 ao L30
CID-9 692
OMIM 603165
MedlinePlus 000853
eMedicine Derm/38 Ped/2567
MeSH D004485

Dermatite, também denominada eczema, é um grupo de doenças que causa inflamação da pele.[1] Estas doenças são caracterizadas por prurido e vermelhidão da pele.[1] Nos casos de curta duração podem ocorrer pequenas bolhas, enquanto nos casos de longa duração a pele se pode tornar mais espessa.[1] A área de pele afetada pode variar entre muito pequena e o corpo inteiro.[2][1]

Entre o grupo de doenças estão a dermatite atópica, dermatite de contacto alérgica, dermatite de contacto irritante e dermatite de estase.[1][2] A causa precisa da dermatite é muitas vezes pouco clara.[2] Acredita-se que a doença envolva uma combinação de irritação, alergia e estase das veias. O tipo de dermatite é geralmente determinado com base no historial clínico e na localização do eritema. A dermatite de contacto alérgica pode ocorrer devido a uma breve exposição a substâncias a que a pessoa é alérgica.[1]

O tratamento de dermatite atópica é feito geralmente com cremes hidratantes e pomadas de esteroides.[3] As pomadas de esteroides são geralmente de intensidade média a elevada e recomenda-se que sejam usadas durante menos de duas semanas de cada vez, já que podem ocorrer efeitos adversos.[4] Nos casos em que se verifique infeção da pele, podem ser recomendados antibióticos.[2] O tratamento da dermatite de contacto consiste geralmente em evitar a exposição ao alergénio ou substância irritante.[5][6] Os anti-histamínicos podem ser usados para induzir o sono e evitar o prurido durante a noite.[2]

Estima-se que em 2013 a dermatite tenha afetado 334 milhões de pessoas em todo o mundo.[7] A dermatite atópica é o tipo de dermatite mais comum e tem geralmente início durante a infância.[1][2] A dermatite de contacto é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.[8] A dermatite de contacto alérgica afeta cerca de 7% das pessoas em algum momento da vida.[9] A dermatite de contacto irritante é comum, sobretudo no contexto de determinadas profissões, embora os números exatos sejam incertos.[10]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Dermatite herpetiforme não é causada pelo vírus da Herpes, apenas é semelhante a ela, na verdade é causada pela má absorção do glúten.[11]

Os eczemas e dermatites são abordados pelo Dicionário Internacional de Doenças como sinônimos, e estão no L20 ao L30:[12]

L20 - Dermatite atópica
L20.0 Prurigo de Besnier
L21 - Dermatite seborreica
L22 - Dermatite das Fraldas
L23 - Dermatites Alérgicas de Contato
L24 - Dermatite de contato por irritantes
L25 - Dermatite de contato Não Especificada
L26 - Dermatite Esfoliativa (Pitiríase rubra)
L27 - Dermatite Devida a Substâncias de Uso Interno
L28 - Líquen Simples Crônico e Prurigo
L29 - Prurido
L30 - Outras Dermatites
Dermatite seborreica pode ser causada por excesso de vitamina A ou falta de B2 ou B6 ou por fungos. Mais frequente em pessoas com imunidade baixa, e é seriamente agravada por fatores psicológicos.[13]

Existem também dermatites classificadas em outras partes do CID:[12]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Um episódio isolado geralmente ocorre por alergia, enquanto casos crônicos podem ocorrer por fungos, bactérias, vírus ou problemas imunológicos

Os principais sintomas são:

  • Manchas avermelhadas (eritema)
  • Inchaço (edema)
  • Secreção na pele
  • Pele ressequida
  • Formação de crosta
  • Prejuízo na qualidade do sono

Os outros sintomas vão depender da origem do eczema. Manchas também causam prejuízo significativo na socialização, um problema sério para crianças com dermatites frequentes que são estigmatizadas e excluídas do convívio social.

Causa[editar | editar código-fonte]

A principal causa é a hipersensibilidade, nesse caso sendo chamada de dermatite atópica, que possui fatores hereditários mas só são ativados por um estímulo que desencadeie a alergia (como leite,[14] camarão ou pólen).[15] Podendo ser originada por fatores de ordem interna ou externa, variando de acordo com a resposta imune de cada organismo, ao ambiente em questão.

Pessoas vulneráveis a dermatites frequentemente possuem um defeito na filagrina, uma proteína estrutural da pele, fundamental para a manutenção de uma função barreira normal.[16]

Fatores psicológicos como estresse excessivo ou situações traumáticas podem desencadear uma dermatite por somatização. Outras possíveis causas incluem fatores hormonais (como a menstruação), a troca do leite materno pelo industrial (uma das principais causas em bebês), pode ser desencadeado por certas vacinas (geralmente na infância e sem graves consequências) e pode ocorrer por atrito com certos materiais (fibras sintéticas). Pacientes acamados há muito tempo geralmente desenvolvem eczema por não mudarem muito de posição, mantendo as mesmas partes do corpo em contato constante com o tecido.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é essencialmente clínico e consiste na localização das lesões e dos sintomas levando em conta a idade do doente, o carácter crônico ou agudo da doença e o histórico pessoal ou familiar de alergias. A biópsia cutânea pode ser útil no diagnóstico diferencial mas raramente é necessária.[17]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Exemplos de manchas na pele causadas por psicossomatização.

Uso de cremes com corticoide, como hidrocortisona, é recomendado para o tratamento de episódios agudos e hidratação da pele mas não para episódios crônicos pelo risco de repercussões graves quando o tratamento é interrompido subitamente.[17] Uma alternativa são os inibidores da calcineurina como pimecrolimus e tacrolimus.[18]

Deve-se, também, evitar coçar a pele para prevenir agravamento da infecção. A melhor opção é procurar um bom dermatologista que indique que quais remédios você deve usar. Paciência, acompanhamento médico e cuidado são muito importantes.

As infecções bacterianas, geralmente por Staphylococcus aureus, devem ser tratadas com antibioterapia sistêmica, como cefalosporinas de 1.a geração ou as penicilinas. A limpeza deve ser feita gentilmente, o banho deve ser rápido e morno e em seguida aplicar um emoliente (creme hidratante) com alta oleosidade.[17]

Anti-histamínicos sedativos podem ser usados para controlar o prurido e coceira, e assim permitir um sono mais revigorante.[19]

Quando as causas envolverem fatores psicológicos como ansiedade, compulsões, transtornos de humor, transtornos somatoformes ou traumas psicológicos é necessário acompanhamento psicológico de longo prazo.[20]

Não há evidência que óleo de peixe, óleo de borragem ou outros, bem como suplementos vitamínicos ou minerais tenham qualquer eficácia terapêutica na dermatite alérgica.[19] Alguns dermatologistas também podem recomendar fototerapia e ciclosporina ou outros imunossupressores dependendo do caso.

Um alergologista pode fazer testes com diversas substâncias para descobrir as causas de crises alérgicas frequentes.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A dermatite mais comum é a atópica. Em bebês aparece geralmente na face, joelhos ou mãos.[17]

É bastante comum na infância e adolescência, afetando cerca de um em cada nove jovens (11%-15%), mas provavelmente muitos casos não são diagnosticados.[21] Também é frequente em profissionais de saúdes, pessoas responsáveis pela limpeza e lactantes. Atinge cerca de 5-10% dos adultos.[22]

Em alguns países, como a Inglaterra, 15-20% das crianças já foram diagnosticadas com eczema em algum momento e o índice para adultos é semelhante ao nosso (5-10%).[23] Enfermeiras desenvolvem dermatites pelo menos uma vez em 85% dos casos, sendo mais comum nas que lavam as mãos frequentemente com álcool gel ou sabão bactericida, pois seu uso regular danifica a pele.[24] Entre profissionais de saúde a média varia entre 10 e 45%, sendo considerado uma séria doença ocupacional.[25]

Referências

  1. a b c d e f g Nedorost, Susan T. (2012). Generalized Dermatitis in Clinical Practice (em inglês) Springer Science & Business Media [S.l.] p. 1-3,9,13-14. ISBN 9781447128977. Consultado em 29 July 2016. 
  2. a b c d e f «Handout on Health: Atopic Dermatitis (A type of eczema)». NIAMS. May 2013. Consultado em 29 July 2016. 
  3. McAleer, MA; Flohr, C; Irvine, AD (23 July 2012). «Management of difficult and severe eczema in childhood». BMJ (Clinical research ed.) [S.l.: s.n.] 345: e4770. doi:10.1136/bmj.e4770. PMID 22826585. 
  4. Habif (2015). Clinical Dermatology 6 ed. Elsevier Health Sciences [S.l.] p. 171. ISBN 9780323266079. Consultado em 5 July 2016. 
  5. Mowad, CM; Anderson, B; Scheinman, P; Pootongkam, S; Nedorost, S; Brod, B (June 2016). «Allergic contact dermatitis: Patient management and education.». Journal of the American Academy of Dermatology [S.l.: s.n.] 74 (6): 1043–54. PMID 27185422. 
  6. Lurati, AR (February 2015). «Occupational risk assessment and irritant contact dermatitis.». Workplace health & safety [S.l.: s.n.] 63 (2): 81–7; quiz 88. PMID 25881659. 
  7. Global Burden of Disease Study 2013, Collaborators (22 August 2015). «Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 301 acute and chronic diseases and injuries in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.». Lancet (London, England) [S.l.: s.n.] 386 (9995): 743–800. PMID 26063472. 
  8. Adkinson, N. Franklin (2014). Middleton's allergy : principles and practice. 8 ed. (Philadelphia: Elsevier Saunders). p. 566. ISBN 9780323085939. 
  9. «128.4». Rook's Textbook of Dermatology, 4 Volume Set 9 ed. John Wiley & Sons [S.l.] 2016. ISBN 9781118441176. Consultado em 29 July 2016. 
  10. Frosch, Peter J. (2013). Textbook of Contact Dermatitis 2 ed. (Berlin, Heidelberg: Springer Berlin Heidelberg). p. 42. ISBN 9783662031049. 
  11. Assis, Wilanda Dantas Queiroga de; Albuquerque, Gutemberg José Ramos de.(1990) Dermatite herpetiforme de Duhring-Brocq: relato de um caso. CCS;12(1):51-6, jan. 1990-jun. 1993. ilus.
  12. a b http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/webhelp/l20_l30.htm
  13. Schwartz, Robert A.; Janusz, Christopher A.; Janniger, Camila K. (July 2006). "Seborrheic dermatitis: an overview". American Family Physician 74 (1): 125–30. PMID 16848386.
  14. Saude, Ig, Eczema
  15. Hanifin JM, Rajka G. Diagnostic features of atopic dermatitis. Acta Derm Venereol Suppl (Stockh). 1980;92:44-7.
  16. Sandilands A, Smith FJ, Irvine AD, McLean WH. Fillagrin’s fuller figure: a glimpse into the genetic architecture of atopic dermatitis. J Invest Dermatol 2007 Jun; 127 (6): 1282-4.
  17. a b c d Cristina Claro (2011) Eczema atópico na criança e no adulto. Rev Port Clin Geral 2011;27:78-82
  18. Ashcroft DM, Dimmock P, Garside R, Stein K, Williams HC. Efficacy and tolerability of topical pimecrolimus and tacrolimus in the treatment of atopic dermatitis: meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ 2005 Mar 5; 330 (7490): 516.
  19. a b Hanifin JM, Cooper KD, Ho VC, Kang S, Kreftchik BR, Margolis DJ, et al. Guidelines of care for atopic dermatitis, developed in accordance with the American Academy of Dermatology (AAD)/American Academy of Dermatology Association "Administrative Regulations for Evidence-Based Clinical Practice Guidelines". J Am Acad Dermatol 2004 Mar; 50 (3): 391-404.
  20. Hoare C, Li Wan Po A, Williams H. Systematic review of treatments for atopic eczema. Health Technol Assess. 2000;4(37):1-191. [1]
  21. Inês C. Camelo-Nunes, Gustavo F. Wandalsen, Karin C. Melo, Charles K. Naspitz, Dirceu Solé.(2000) Prevalência de eczema atópico e sintomas relacionados entre estudantes. J Pediatr (Rio J). 2004;80(1):60-4: Eczema atópico, dermatite atópica, crianças, adolescentes.
  22. Williams H, Robertson C, Stewart A, Aït-Khaled N, Anabwani G, Anderson R, et al. Worldwide variations in the prevalence of symptoms of atopic eczema in the International Study of Asthma and Allergies in Childhood. J Allergy Clin Immunol 1999 Jan; 103 (1 Pt 1): 125-38.
  23. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11134919/
  24. Larson E, Friedman C, Cohran J, Treston-Aurand J, Green S. Prevalence and correlates of skin damage on hands of nurses. Heart Lung 1997;26:404-12.
  25. Stingeni L, Lapomarda V, Lisi P. Occupational hand dermatitis in hospital environments. Contact Dermatitis 1995;33:172-6.