Herpes

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Herpes
Herpes labial no lábio inferior, em que são visíveis as bolhas.
Classificação e recursos externos
CID-10 A60, B00, G05.1, P35.2
CID-9 054.0, 054.1, 054.2, 054.3, 771.2
DiseasesDB 5841 33021
eMedicine med/1006
MeSH D006561

Herpes simples, também denominado apenas herpes, é uma doença viral causada pelo vírus da herpes simples.[1] As infeções são classificadas de acordo com a parte do corpo infetada. A herpes labial afeta a boca ou a face, podendo causar pequenos grupos de bolhas ou apenas inflamação da garganta.[2][3] A herpes genital pode apresentar sintomas quase impercetíveis ou bolhas que se rompem e provocam pequenas úlceras, que se curam ao fim de duas a quatro semanas. As bolhas podem ser precedidas por formigueiro ou dores intensas. O herpes manifesta-se em ciclos alternados de períodos de doença ativa seguidos de períodos sem sintomas. O primeiro episódio é geralmente o mais grave e pode estar associado a febre, dores musculares, gânglios linfáticos inflamados, e dores de cabeça. À medida que o tempo passa, os episódios de doença ativa diminuem de frequência e gravidade.[1] Entre outras doenças causadas pelo vírus da herpes simples estão o panarício herpético quando afeta os dedos,[4] queratite herpética quando afeta os olhos,[5] encefalite herpética quando afeta o cérebro,[6] e herpes neonatal quando ocorre em recém-nascidos, entre outras.[7]

Existem dois tipos de vírus de herpes simples: o de tipo 1 (VHS-1) e o de tipo 2 (VHS-2).[1] O VHS-1 causa com maior frequência infeções orais, enquanto que o VHS-2 causa com maior frequência infeções genitais.[2] Os vírus são transmitidos pelo contacto direto com fluidos corporais ou feridas de uma pessoa infetada. A doença é contagiosa mesmo nos períodos em que não manifesta sintomas. Pode ser transmitida de mãe para filho durante o nascimento. A herpes genital é considerada uma infeção sexualmente transmissível.[1] Após a infeção, os vírus são transportados ao longo dos nervos sensoriais para as células nervosas, onde passam a residir até ao resto da vida do hospedeiro.[2] Entre as causas de recorrência estão a diminuição da função imunitária, stresse e exposição à luz do sol.[2][8] O diagnóstico de herpes oral e genital tem por base os sinais e sintomas.[2] O diagnóstico pode ser confirmado com uma cultura viral ou pela deteção do ADN do vírus no fluido das bolhas. Os exames de sangue para a presença de anticorpos contra o vírus podem confirmar uma infeção anterior, mas serão negativos nos casos de novas infeções.[1]

Não existe vacina e após a infeção a doença não tem cura.[1] Embora o método mais eficaz de evitar infeções genitais seja evitar o sexo vaginal, oral e anal, a utilização de preservativo diminui o risco.[1] Os sintomas podem ser tratados com paracetamol e lidocaína de aplicação tópica.[2] Os tratamentos com antivirais, como o aciclovir ou valaciclovir, podem diminuir a gravidade dos episódios sintomáticos.[1][2] A utilização diária de antivirais por uma pessoa infetada pode também diminuir o risco de contágio.[1]

A prevalência entre adultos de portadores do vírus de herpes simples, tanto do tipo 1 como 2, é de entre 60 e 95%.[9] O VHS-1 é geralmente adquirido durante a infância.[1] À medida que a idade avança, aumenta a prevalência do vírus.[9] A prevalência de VHS-1 entre a população de baixos rendimentos é de 70–80%, enquanto que entre a de rendimentos mais elevados é de 40–60%.[9] Estima-se que em 2003 cerca de 536 milhões de pessoas (16% da população estivessem infetadas com VHS-2, sendo a prevalência maior entre mulheres e nos países em vias de desenvolvimento.[10] A maior parte dos portadores de VHS-2 não se apercebe da infeção.[1]

Virologia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Vírus do herpes simples

Vírus Herpes Simples do tipo 1 (VHS-1) e 2 (VHS-2)

  • Grupo: Grupo I (DNA)
  • Família: Herpesviridae
  • Subfamília: Alphaherpesvirinae
  • Gênero: Simplexvirus
  • Espécie: Herpes simplex vírus 1 (VHS-1)
  • Espécie: Herpes simplex vírus 2 (VHS-2)

Os vírus do hepes simples são dois vírus da família dos Herpesvírus, com genoma de DNA bicatenar (dupla hélice) que se multiplicam no núcleo da célula-hóspede, produzindo cerca de 90 proteínas víricas em grandes quantidades. Têm nucleocapsídeo de simetria icosaédrica e envelope bilipídico. Têm a propriedade de infectar alguns tipos de células de forma lítica (destrutiva) e outras de forma latente (hibernante). Os HSV1 e 2 são líticos nas células epiteliais e nos fibroblastos, e latentes nos neurônios, donde são reativados em alturas de fragilidade do indivíduo, como estresse, febre, irradiação solar excessiva, trauma ou terapia com glucocorticóides (corticosteróides).

A produção de proteínas víricas pelas células tomadas pelo vírus têm três fases: na primeira, produzem-se as proteínas envolvidas na replicação do seu genoma e essa replicação ocorre; na segunda, há produção de proteínas reguladoras víricas que regulam o metabolismo da célula para maximizar o número de vírions produzíveis; e na terceira, há produção das proteínas do nucleocapsídeo e construção das novas unidades virais, após o qual a célula é destruída pela grande quantidade de vírus que é fabricada.

Os HSV1 e HSV2 são muito semelhantes, mas apresentam algumas diferenças significativas. O HSV1 tem características que o levam a ser particularmente infeccioso e virulento para as células da mucosa oral. O HSV2 tem características de maior virulência e infecciosidade para a mucosa genital. No entanto, o HSV1 também pode causar herpes genital e o HSV2, herpes bucal.[carece de fontes?]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Após infecção da mucosa, o vírus multiplica-se produzindo os característicos exantemas (manchas vermelhas inflamatórias) e vesículas (bolhas) dolorosas (causadas talvez mais pela resposta destrutiva necessária do sistema imunitário à invasão). As vesículas contêm líquido muito rico em vírus e a sua ruptura junto à mucosa de outro indivíduo é uma forma de transmissão (contudo também existe vírus nas secreções vaginais e do pênis ou na saliva). Elas desaparecem e reaparecem sem deixar quaisquer marcas ou cicatrizes. É possível que ambos os vírus e ambas as formas coexistam num só indivíduo.

Os episódios agudos secundários são sempre de menor intensidade que o inicial (devido aos linfócitos memória), contudo a doença permanece para toda a vida, ainda que os episódios se tornem menos freqüentes. Muitas infecções e recorrências são assintomáticas, mas os danos neurológicos não cessam.

Herpes Oral ou Labial[editar | editar código-fonte]

Herpes labial

A infecção por herpes simples 1 normalmente é oral, mas pode ocorrer da pessoa ter o vírus e apenas eclodir dias, meses ou até anos depois e produz gengivoestomatite (inflamação das gengivas) e outros sintomas como febre, fadiga e dores de cabeça. O vírus invade os terminais dos neurónios dos nervos sensitivos, infectando latentemente os seus corpos celulares no gânglio nervoso trigeminal (junto ao cérebro). Quando o sistema imunitário elimina o vírus das mucosas, não consegue detectar o vírus quiscente dos neurônios, que volta a ativar-se em períodos de debilidade, como estresse, trauma, imunossupressão ou outras infecções, migrando pelo caminho inverso para a mucosa, e dando origem a novo episódio de herpes oral com exantemas e vesículas dolorosas.

Complicações raras são a queratoconjuntivite do olho que pode levar à cegueira e à encefalite. Esta cursa com multiplicação do vírus no cérebro, especialmente nos lobos temporais com convulsões, anormalidades neurológicas e psiquiátricas. É altamente letal, e 70% dos casos resultam em morte, apenas 20% dos sobreviventes não apresentam sequelas neurológicas. Raramente é causada pelo HSV2.

Algumas plantas medicinais podem ser usadas no combate aos sintomas do herpes labial. Os óleos essenciais de melissa têm sido descritos como eficazes no combate ao vírus. Preparações à base de óleos essenciais de tomilho, manjerona, junípero dentre outras também podem auxiliar no combate à doença[11].

Medicamentos alopáticos para o herpes labial incluem cremes e pomadas à base de aciclovir. Outros antivirais que podem ser usados são o valaciclovir, o penciclovir e famciclovir[12]. É sempre importante consultar seu medico ou seu dentista antes do uso de qualquer medicamento, seja ele fitoterápico ou não.

Herpes Genital[editar | editar código-fonte]

A infecção com o herpes simples 2 é semelhante (10% dos casos são por HSV1, o que se atribui ao aumento da prática do sexo oral). Há infecção da mucosa genital, no homem na glande do pênis, na mulher na vulva ou vagina, com exantemas e sensibilidade dolorosa. Também pode ocorrer no ânus. Outros sintomas são febre, mal-estar, dores musculares e de cabeça, dores ao urinar e corrimento vaginal ou da uretra no pênis. A maioria das infecções no entanto é assintomática.

Simultaneamente ocorre a invasão dos neurônios sensitivos com migração no interior dos axônios para os corpos celulares nos gânglios nervosos lambosacrais. Aí ficam em estado de latência sem se reproduzir, indetectáveis enquanto os vírus ativos da mucosa são destruídos pela resposta citotóxica imunitária. Após período de debilidade voltam a migrar pelos axônios para a mucosa e estabelecem novo episódio doloroso típico. As recorrências podem ser de todos os meses a raras.

Os episódios de recorrência são menos intensos e freqüentemente antes da erupção das vesículas há irritação (comichão) da mucosa. O vírus é transmitido mesmo na ausência de sintomas.

As complicações são mais raras e mais moderadas quando ocorrem somente na forma labial. Um tipo de complicação específico do HSV2 é a meningite, que é pouco perigosa, sendo a encefalite muito rara. Contudo, se a mãe infecta o recém-nascido via ascensão pelo útero na gravidez ou no nascimento, a infecção é especialmente virulenta, devido ao sistema imunitário ainda pouco eficaz do bebê. A mortalidade e probabilidade de deficiências mentais são significativas, apesar de ocorrer numa minoria dos casos.

Outras Manifestações[editar | editar código-fonte]

  • A faringite herpética causa em jovens adultos dores de garganta.
  • A infecção dos dedos em profissionais de saúde é dolorosa e adquirida pelo manuseio sem luvas das áreas infectadas de doentes.
  • A Herpes do Gladiador é uma infecção disseminada na pele (adquirida por vezes na luta corpo a corpo daí o nome).
  • E é uma doença que traz muitos incômodos e não tem cura. Apenas remédios para diminuir os sintomas.

Possível ligação com o mal de Alzheimer[editar | editar código-fonte]

Durante uma pesquisa feita no Reino Unido pela Universidade de Manchester, cientistas sugeriram uma ligação entre o vírus do herpes e o Mal de Alzheimer.

Na pesquisa os cientistas infectaram uma cultura de células do cérebro com o vírus HSV-1 e verificou-se um grande aumento na quantidade de proteína beta amiloide, proteína esta que forma placas no cérebro de doentes de Alzheimer destruindo os neurónios.

Em experiência paralela, os pesquisadores examinaram partes do cérebro de doentes que faleceram na decorrência de Alzheimer e detectaram o material genético do vírus do herpes acumulado sobre as placas de proteína beta amiloide.

Em pesquisas anteriores já se havia sugerido que o vírus HSV-1 era encontrado em 70% dos cérebros dos doentes com Alzheimer.

É possível que esta descoberta possa abrir caminho para a criação de uma vacina que previna o mal de Alzheimer.

"O Alzheimer é disparado por vários factores e a nossa pesquisa aponta que uma série de mutações genéticas e o vírus do herpes podem estar contribuindo para a doença. No futuro, as pessoas poderão ser imunizadas contra o vírus HSV-1, o que poderia ajudar na prevenção da doença degenerativa". Ruth Itzhaki, líder da pesquisa.

Diagnóstico e tratamento[editar | editar código-fonte]

  • Na maior parte dos casos o simples exame clínico permite ao médico diagnosticar o herpes. Em casos mais complexos ou menos evidentes o vírus é recolhido de pústulas e cultivado em meios com células vivas de animais. A observação pelo microscópio destas culturas revela inclusões virais típicas nas células. Na encefalite viral pode ser necessário obter amostras por biópsia.
  • Não há tratamento definitivo, embora alguns fármacos possam reduzir os sintomas e o risco de complicações.


Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A Organização Mundial de Saúde revelou um relatório no qual afirma que mais de metade da população mundial é portadora do vírus do herpes labial: segundo a organização, dois terços da população mundial com menos de 50 anos está infetada com o herpesvírus humano simples de tipo I (HSV-1).

Em todo o mundo 3.7 mil milhões (pt) / 3,7 bilhões (br) de pessoas com menos de 50 anos são portadoras de vírus HSV-1, que é transmitido principalmente através do contacto com a boca e se manifesta através de feridas nos lábios.[13]

São muito frequentes, 60% das pessoas têm o HSV1, ainda que possam não ter tido sintomas. Estatisticamente, um quinto dos adultos terá herpes bucal e/ou genital, incluindo a Europa e os Estados Unidos.

O herpes oral, particularmente se causado por HSV1, é uma doença primariamente da infância, transmitida pelo contato direto e pela saliva. O herpes oral (HSV1) pode ser transmitido para a parte genital (HSV2) tanto pela saliva como pelo sexo oral.

No Brasil, o herpes labial atinge 85% da população, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A sintomatologia aparece em 50% dos portadores do vírus anualmente. Cerca de 5-10% sofrem com mais de seis crises de herpes anuais. Dentistas e outros profissionais de saúde que lidam com fluidos bucais estão em risco de contrair infecção dolorosa dos dedos devido ao seu contacto com os doentes.

Muitas pessoas aparentemente saudáveis e que apresentam níveis baixos de debilidade, transtornos mentais leves ou Complexo de Édipo exacerbado na fase adulta associado a sustentação da fase egoica (egoísmo, egocentrismo) podem estar sofrendo de distúrbios nos neurônios provocados tanto pelo HSV1 como pelo HSV2. Por ser incurável, tais pessoas podem ter estes sintomas aumentados à partir da meia idade, antecipando doenças típicas da fase senil.


Referências

  1. a b c d e f g h i j k «Genital Herpes - CDC Fact Sheet». cdc.gov. December 8, 2014. Consultado em 31 December 2014. 
  2. a b c d e f g Balasubramaniam, R; Kuperstein, AS; Stoopler, ET (April 2014). «Update on oral herpes virus infections.». Dental clinics of North America [S.l.: s.n.] 58 (2): 265–80. doi:10.1016/j.cden.2013.12.001. PMID 24655522. 
  3. Mosby (2013). Mosby's Medical Dictionary 9 ed. Elsevier Health Sciences [S.l.] pp. 836–837. ISBN 9780323112581. 
  4. Wu, IB; Schwartz, RA (March 2007). «Herpetic whitlow.». Cutis [S.l.: s.n.] 79 (3): 193–6. PMID 17674583. 
  5. Rowe, AM; St Leger, AJ; Jeon, S; Dhaliwal, DK; Knickelbein, JE; Hendricks, RL (January 2013). «Herpes keratitis.». Progress in retinal and eye research [S.l.: s.n.] 32: 88–101. doi:10.1016/j.preteyeres.2012.08.002. PMID 22944008. 
  6. Steiner, I; Benninger, F (December 2013). «Update on herpes virus infections of the nervous system.». Current neurology and neuroscience reports [S.l.: s.n.] 13 (12): 414. doi:10.1007/s11910-013-0414-8. PMID 24142852. 
  7. Stephenson-Famy, A; Gardella, C (December 2014). «Herpes Simplex Virus Infection During Pregnancy.». Obstetrics and gynecology clinics of North America [S.l.: s.n.] 41 (4): 601–614. doi:10.1016/j.ogc.2014.08.006. PMID 25454993. 
  8. Elad S, Zadik Y, Hewson I, et al. (August 2010). «A systematic review of viral infections associated with oral involvement in cancer patients: a spotlight on Herpesviridea». Support Care Cancer [S.l.: s.n.] 18 (8): 993–1006. doi:10.1007/s00520-010-0900-3. PMID 20544224. 
  9. a b c Chayavichitsilp P, Buckwalter JV, Krakowski AC, Friedlander SF (April 2009). «Herpes simplex». Pediatr Rev [S.l.: s.n.] 30 (4): 119–29; quiz 130. doi:10.1542/pir.30-4-119. PMID 19339385. 
  10. Looker, KJ; Garnett, GP; Schmid, GP (October 2008). «An estimate of the global prevalence and incidence of herpes simplex virus type 2 infection.». Bulletin of the World Health Organization [S.l.: s.n.] 86 (10): 805–12, A. doi:10.2471/blt.07.046128. PMC 2649511. PMID 18949218. 
  11. Plantas medicinais - Herpes Labial
  12. Tratamentos herpes labial
  13. «Mais de metade da população mundial tem o vírus do herpes labial». 
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