Verruga genital

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: "Crista-de-galo" redireciona para este artigo. Para a planta da família Boraginaceae, veja Heliotropium.
Verruga genital
Caso grave de verrugas genitais em redor do ânus de uma mulher
Sinónimos Condiloma acuminado, verruga venérea, verruga anal, verruga ano-genital
Especialidade Infectologia
Sintomas Lesão na pele, geralmente rosa, que se projecta para o exterior[1]
Início habitual 1-8 meses após exposição[2]
Causas VPH tipos 6 e 11[3]
Método de diagnóstico Baseado nos sintomas, confirmado por biópsia[3]
Condições semelhantes Molusco contagioso, pólipo fibroepitelial, condiloma plano, carcinoma espinocelular[1]
Prevenção Vacina contra o VPH, preservativo[2][4]
Tratamento Medicação, crioterapia, cirurgia[3]
Medicação Podofilina, imiquimod, ácido tricloroacético[3]
Frequência ~1% (EUA)[2]
Classificação e recursos externos
CID-10 A63.0
CID-9 078.11
DiseasesDB 29120
MedlinePlus 000886
eMedicine derm/454 med/1037
MeSH D003218, D003218
A Wikipédia não é um consultório médico. Leia o aviso médico 

Verrugas genitais são uma infeção sexualmente transmissível causada por alguns tipos de vírus do papiloma humano (VPH).[4] São geralmente de cor rosada e projectam-se para o exterior da superfície da pele.[1] Geralmente causam poucos sintomas, embora em alguns casos possam ser dolorosas.[3] Na maior parte dos casos aparecem de um a oito meses após exposição ao vírus.[2] As verrugas são o sintoma mais evidente de infeção genital por VPH.[2]

A causa de verrugas genitais é geralmente a infeção pelos tipos 6 e 11 do VPH.[3] O vírus é transmitido por contacto directo da pele, geralmente durante um ato sexual genital oral ou anal com um parceiro infetado.[2] O diagnóstico baseia-se geralmente nos sintomas e pode ser confirmado por biópsia.[3] Os tipos de VPH que causam verrugas não são os mesmos que causam cancro.[5]

A utilização de preservativo e algumas vacinas contra o VPH podem prevenir as verrugas genitais.[2][4] As opções de tratamento incluem pomadas à base de podofilina, imiquimod ou ácido tricloroacético.[3] Em alguns casos pode ser recomendada a crioterapia ou cirurgia.[3] Após o início do tratamento, as verrugas genitais geralmente desaparecem no prazo de seis meses.[2] Sem tratamento, cerca de um terço dos casos resolve-se de forma espontânea.[2]

Cerca de 1% da população dos Estados Unidos apresenta verrugas genitais.[2] No entanto, muitas pessoas encontram-se infetadas sem manifestar sintomas.[2] Sem vacinação, praticamente todas as pessoas sexualmente ativas contraem algum tipo de VPH em dado momento da vida.[5][6] A doença é conhecida desde pelo menos a época de Hipócrates em 300 a.C.[7]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Sinal inicial

Os sinais de HPV incluem[8]:

  • Verrugas cinzas ou cor de pele
  • Podem ser minúsculas ou espalhadas por todo o corpo
  • Várias verrugas juntas podem assumir uma forma de couve-flor
  • Podem causar coceira ou desconforto
  • Podem causar sangramento durante a relação sexual, ao urinar ou evacuar
  • Podem regredir sozinhas ou crescer cada vez mais
  • Podem estar escondidas dentro do canal urinário, dentro da vagina, no colo do útero ou reto, dificultando seu reconhecimento e retardando a procura de ajuda médica.

Causas[editar | editar código-fonte]

Vírus do papiloma humano

Geralmente é causada pelo vírus HPV, da família Papilomaviridae do tipo 6 ou 11 (90% dos casos). Esses tipos, tem baixo risco de serem cancerígenos. A maior parte dos cânceres por HPV são causados pelo tipo 16 e 18, mas diversos tipos de vírus podem ser transmitidos simultaneamente.[9]

A transmissão do vírus é mais provável na relação sexual com penetração (de qualquer tipo) , mas pode ocorrer também por outros tipos de contato com pele ou língua de outra pessoa portadora do vírus. A maioria dos adultos sexualmente ativos possuem o vírus, mas na maioria dos casos o sistema imunológico mata o vírus sem causar verrugas.[10]

Verrugas vaginais podem causar complicações e serem transmitidas ao recém-nascido durante o parto.[11]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Existem evidências que a camisinha previne a infecção por via sexual, mas não é 100% eficaz.[12] Os tratamentos não eliminam o vírus completamente, sendo comum que novas verrugas apareçam.

Existe vacina contra o HPV. A vacina Gardasil previne o aparecimento de verrugas e de diversos cânceres.[13] Diversos países estão vacinando gratuitamente meninas, inclusive o Brasil. Desde 2014 meninas de 11 a 13 anos podem ser vacinadas em 3 doses e a partir de 2015 meninas de 9 a 11 anos também podem ser vacinadas.[14]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento pode ser cirurgia local, que pode ser feita por ablação, congelamento, laser, eletro-cauterização ou com um bisturi para remover as verrugas queratinizadas ou a base de pomadas como a Imiquimod, Podofilina, Podofilox ou ácido tricloroacético.[15]

Atualmente está sendo testada uma vacina anti-HPV desenvolvida em laboratórios de engenharia genética e produzida com partículas artificiais semelhantes ao vírus, semelhante ao desenvolvido com a vacina da Hepatite B. Infecção causada por um grupo de vírus (HPV - Human Papilloma Viruses) que determinam lesões papilares (elevações da pele) as quais, ao se fundirem, formam massas vegetantes de tamanhos variáveis, com aspecto de couve-flor (verrugas).

Os locais mais comuns do aparecimento destas lesões são a glande, o prepúcio e o meato uretral no homem e a vulva, o períneo, a vagina e o colo do útero na mulher.

Em ambos os sexos pode ocorrer no ânus e reto, não necessariamente relacionado com o coito anal.

Com alguma frequência a lesão é pequena, de difícil visualização à vista desarmada, mas na grande maioria das vezes a infecção é assintomática ou inaparente (sem nenhuma manifestação detectável pelo paciente).

As verrugas genitais são normalmente vistas somente de 1 a 6 meses depois de uma pessoa ter sido infectada.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento de verrugas é mais comum em mulheres que em homens. Estima-se que 42% das mulheres tem verrugas genitais em algum momento de suas vidas e 7% verrugas orais.[9] É mais comum entre os jovens sexualmente ativos. O número de portadores é difícil de estimar por diversos motivos, dentre eles que muitos dos portadores não tem sintomas, mas estudos indicam que mais de 30% (entre 17 e 82%) da população sexualmente ativa está infectada e 1% desenvolvem verrugas genitais ao ano mesmo em países desenvolvidos.[16]

Aos 50 anos, 80% das mulheres já possuem evidência imunológica de haverem sido infectadas em algum momento de suas vidas. Estima-se que a maioria das transmissões é feita por homens que não sabem que estão infectados e/ou não tem sintomas.[17]

  1. a b c Ferri, Fred F. (2017). Ferri's Clinical Advisor 2018 E-Book: 5 Books in 1 (em inglês). [S.l.]: Elsevier Health Sciences. p. 1376. ISBN 9780323529570 
  2. a b c d e f g h i j k Juckett, G; Hartman-Adams, H (15 de novembro de 2010). «Human papillomavirus: clinical manifestations and prevention.». American Family Physician. 82 (10): 1209–13. PMID 21121531 
  3. a b c d e f g h i «CDC - Genital Warts - 2010 STD Treatment Guidelines». www.cdc.gov (em inglês). 28 de janeiro de 2011. Consultado em 2 de janeiro de 2018 
  4. a b c «Genital warts». NHS. 21 de agosto de 2017. Consultado em 2 de janeiro de 2018 
  5. a b US National Cancer Institute. «HPV and Cancer». Consultado em 2 de janeiro de 2018 
  6. US Centers for Disease Control. «Genital HPV Infection - Fact Sheet». Consultado em 16 de novembro de 2017 
  7. Syrjänen, Kari J.; Syrjänen, Stina M. (2000). Papillomavirus infections in human pathology. Chichester [u.a.]: Wiley. p. 1. ISBN 9780471971689 
  8. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/genital-warts/basics/symptoms/con-20019380
  9. a b http://www.cancer.gov/cancertopics/factsheet/Risk/HPV
  10. http://www.bashh.org/documents/86/86.pdf
  11. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/genital-warts/basics/complications/con-20019380
  12. Veldhuijzen, NJ; Snijders, PJ; Reiss, P; Meijer, CJ; van de Wijgert, JH (December 2010). "Factors affecting transmission of mucosal human papillomavirus.". The Lancet infectious diseases 10 (12): 862–74. doi:10.1016/s1473-3099(10)70190-0. PMID 21075056.
  13. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/genital-warts/basics/prevention/con-20019380
  14. http://www.hpvonline.com.br/sobre-hpv/vacina-prevencao/hpv-e-vacina/
  15. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/genital-warts/basics/treatment/con-20019380
  16. http://www.cdc.gov/std/HPV/2004HPV%20report.pdf
  17. Koutsky LA, Galloway DA, Holmes KK. Epidemiology of genital human papillomavirus infection. Epidemiologic Reviews 1988; 10:122-163.