Gravidez ectópica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Gravidez ectópica
Fotografia laparoscópica, olhando para baixo em direção ao útero (assinalado pelas setas azuis). Na trompa de Falópio esquerda está em desenvolvimento uma gravidez ectópica (assinalada pelas setas vermelhas). A trompa direita encontra-se normal.
Classificação e recursos externos
CID-10 O00
CID-9 633
DiseasesDB 4089
MedlinePlus 000895
eMedicine med/3212 emerg/478 radio/231
MeSH D011271

Gravidez ectópica é uma complicação da gravidez em que o embrião se forma fora do útero.[1] Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal e hemorragia vaginal, embora apenas menos de metade das mulheres é que apresentem ambos os sintomas. Esta dor pode ser descrita como cortante e localizada, ou dor persistente e difusa, ou ainda semelhante a cãibras. A dor pode ainda espalhar-se para o ombro no caso de ocorrer hemorragia para o abdómen.[2] As hemorragias graves podem causar ritmo cardíaco acelerado, desmaio ou choque circulatório.[1][2] Exceto em situações muito raras, o feto de uma gravidez ectópica é incapaz de sobreviver.[3]

Entre os fatores de risco para uma gravidez ectópica estão a doença inflamatória pélvica, muitas vezes devido a clamídia, fumar, uma cirurgia anterior às trompas de Falópio, história de infertilidade e uso de reprodução medicamente assistida. As mulheres que anteriormente tiveram uma gravidez ectópica apresentam um risco muito maior de vir a ter outra. 90% das gravidezes ectópicas desenvolvem-se nas trompas de Falópio e são denominadas gravidezes tubárias.[4] A nidação pode também ocorrer no colo do útero, ovários ou no abdómen.[2] Uma gravidez ectópica é geralmente diagnostica com recurso a ecografia e análises ao sangue para deteção de gonadotrofina coriónica humana. Para confirmar o diagnóstico pode ser necessária a repetição dos exames em diversos momentos. A ecografia vaginal apresenta maior precisão. Entre outras condições que apresentam sintomas semelhantes estão o aborto espontâneo, a torção de ovários e a apendicite.[2]

A prevenção consiste em diminuir os fatores de risco, como tratar as infeções por clamídia.[5] Embora algumas gravidezes ectópicas se resolvam sem tratamento, à data de 2014 esta abordagem ainda não estava bem estudada. O tratamento pode consistir em medicamentos ou cirurgia. Pode ser administrado metotrexato, que é mais eficaz quando os níveis de gonadotrofina coriónica humana são baixos e o embrião é ainda pequeno. A cirurgia é recomendada quando existe rutura da trompa, quando existe batimento cardíaco fetal ou quando os sinais vitais da mãe são instáveis.[4] A cirurgia pode ser laparoscópica, com uma incisão mínima, ou laparotómica, através de uma incisão maior.[1] Com tratamento, o prognóstico é geralmente bom.[4]

Em países desenvolvidos, a taxa de gravidezes ectópicas é de 1–2%, embora possa chegar aos 4% entre pessoas em programas de reprodução medicamente assistida.[1] É a causa mais comum de morte durante o primeiro trimestre de gravidez, sendo responsável por 10% do total de mortes.[4] Embora nos países desenvolvidos o prognóstico tenha vindo a melhorar, nos países em desenvolvimento ainda são insatisfatórios.[5] O risco de morte entre países desenvolvidos é de 0,1–0,3%, enquanto nos países em desenvolvimento é de 1–3%.[6] A primeira descrição conhecida de uma gravidez ectópica foi feita pelo médico andaluz Abulcasis no século XI.[5] O termo "ectópico" significa "fora do local".[7]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Por vezes a gravidez ectópica pode não ser notada, e os primeiros sintomas podem incluir:

  • Atraso menstrual;
  • Sangramento vaginal e;
  • Dor pélvica.

Ocorrendo a ruptura da gravidez ectópica, há hemorragia dentro da cavidade abdominal, com ocorrência de dor abdominal de intensidades variáveis, além de tonturas, dor no pescoço, ombro e desmaio[8].

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas mais comuns são todos os fatores que impedem a passagem do óvulo para a cavidade uterina como[8] como:

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Um histórico de abortos anteriores, tanto naturais quanto induzidos, aumenta o risco de gravidez ectópica. Fazer outras cirurgias abdominais também aumenta o risco, especialmente quando há complicações. É comum ter múltiplas gravidezes ectópicas, com um nível de re-incidência de mais de 30%. Também é mais comum antes dos 20 anos e depois dos 40. A maioria das gestações ectópicas ocorre nas trompas em porções distais, principalmente na ampola.[9]

Complicações[editar | editar código-fonte]

A gravidez ectópica geralmente sofre interrupção (ruptura) entre 6 e 12 semanas dependendo do local onde está implantada. Os exames solicitados são exames de sangue para determinar a perda sanguínea e a presença de infecção e a ecografia pélvica transvaginal além do próprio exame de gravidez e laparoscopia.[8].

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Prevenção da gravidez ectópica esta diretamente ligada ao tratamento das doenças sexualmente transmissíveis, o uso de camisinha e planejar a gravidez para entre os 20 e 40 anos. Caso já esteja grávida é importante fazer um exame para verificar as condições do feto logo nos primeiros meses.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

No início da gravidez existe a possibilidade de usar medicamentos como metotrexato para que o embrião seja re-absorvido pela mãe ou expelido na menstruação. Complicações como hemorragia interna precisam ser tratadas com cirurgia de emergência e são risco para a vida da mãe. O tratamento cirúrgico em casos leves, pode ser convencional, envolvendo a retirada apena da gravidez ou pode ser mais radical e retirar todo o tubo afetado, reduzindo os riscos de outra gravidez ectópica, mas também reduzindo as chances de uma nova gravidez. Geralmente é realizado por laparoscopia com laparotomia.[8]

Em raríssimos casos, antes do primeiro mês de gravidez, pode ser possível transplantar com sucesso o embrião ao útero, mas é raro descobrir uma gravidez antes do primeiro mês. Porém apenas dois casos foram bem sucedidos e frequentemente envolvem maiores riscos para a vida da mãe,Alberto.[10]

Referências

  1. a b c d Kirk E, Bottomley C, Bourne T (2014). «Diagnosing ectopic pregnancy and current concepts in the management of pregnancy of unknown location». Hum. Reprod. Update [S.l.: s.n.] 20 (2): 250–61. doi:10.1093/humupd/dmt047. PMID 24101604. 
  2. a b c d Crochet JR, Bastian LA, Chireau MV (2013). «Does this woman have an ectopic pregnancy?: the rational clinical examination systematic review». JAMA [S.l.: s.n.] 309 (16): 1722–9. doi:10.1001/jama.2013.3914. PMID 23613077. 
  3. Zhang, J; Li, F; Sheng, Q (2008). «Full-term abdominal pregnancy: a case report and review of the literature.». Gynecologic and obstetric investigation [S.l.: s.n.] 65 (2): 139–41. doi:10.1159/000110015. PMID 17957101. 
  4. a b c d Cecchino, GN; Araujo Júnior, E; Elito Júnior, J (September 2014). «Methotrexate for ectopic pregnancy: when and how.». Archives of gynecology and obstetrics [S.l.: s.n.] 290 (3): 417–23. doi:10.1007/s00404-014-3266-9. PMID 24791968. 
  5. a b c Nama, V; Manyonda, I (April 2009). «Tubal ectopic pregnancy: diagnosis and management.». Archives of gynecology and obstetrics [S.l.: s.n.] 279 (4): 443–53. doi:10.1007/s00404-008-0731-3. PMID 18665380. 
  6. Mignini L (26 September 2007). «Interventions for tubal ectopic pregnancy». who.int. The WHO Reproductive Health Library. Consultado em 12 de março de 2015. 
  7. Cornog, Mary Wood (1998). Merriam-Webster's vocabulary uilder (Springfield, Mass.: Merriam-Webster). p. 313. ISBN 9780877799108. 
  8. a b c d ABC da saúde
  9. http://www.bestbets.org/bets/bet.php?id=921
  10. C J Wallace (1917). "Transplantations of Ectopic Pregnancy from Fallopian Tube to Cavity of the Uterus". Surgery, Gynecology, and Obstetrics with International Abstract of Surgery 24 (1).
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Gravidez ectópica