Líquido amniótico

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O líquido amniótico (LA) é um líquido que envolve o embrião, o qual preenche a bolsa amniótica. Esta última normalmente forma-se na segunda semana de gravidez, assim que se forma, enche-se de líquido amniótico que inicialmente é apenas água proveniente da mãe. O LA é um importante componente do ambiente intra-uterino. Sua produção e sua absorção dependem de uma série de mecanismos interdependentes entre o feto, a placenta, as membranas e o organismo materno. Sua coloração, propriedades físicas , volume e composição são propriedades importantes para a analise da qualidade do líquido, e variam ao longo do desenvolvimento do feto .

FUNÇÕES[editar | editar código-fonte]

O LA é considerado uma das estruturas fundamentais para o auxílio ao desenvolvimento do feto, o qual protege o mesmo contra choques mecânicos, permite o seu crescimento simétrico, funciona como barreira contra infecções, impede a aderência entre o embrião e o âminio, além de ajudar a controlar a temperatura corporal do embrião, permite que o feto se mova livremente no ventre o que auxilia no desenvolvimento muscular do feto, ajuda também na prevenção da compressão do cordão umbilical, e funciona como depósito de excretas fecais do feto.[1][2]

ANÁLISES CLÍNICAS[editar | editar código-fonte]

O LA é um importante componente do ambiente intra-uterino. Sua produção e sua absorção dependem de uma série de mecanismos interdependentes entre o feto, a placenta, as membranas e o organismo materno. Algumas propriedades são fundamentais para analisar a qualidade do líquido amniótico, entre eles estão a sua coloração, propriedades físicas, volume e composição.

Para a analise dessas propriedades do líquido amniótico, duas técnicas são mais utilizadas durante a gravidez: amniocentese e amnioscopia.[1]

Amniocentese consiste na introdução de uma agulha longa através da parede abdominal da mãe para a retirada do líquido amniótico, sendo que o volume do líquido retirado depende da idade do feto e do motivo do exame. Esta técnica é utilizada para detectar principalmente: doenças congênitas, defeitos de tubo neural, idade gestacional e maturidade fetal pulmonar, sendo indicada principalmente a mulheres acima de 35 anos devido à maior probabilidade de anormalidades cromossômicas fetais (síndrome de Patau e Edwards), além de tornar possível o estudo do DNA (paternidade).

Já a Amnioscopia, é um método endoscópico de observação da câmara amniótica, permitindo observá-la pelo canal cervical e através das membranas do pólo inferior do ovo

COLORAÇÃO[editar | editar código-fonte]

Para realizar a análise das propriedades do líquido, é feito inicialmente a analise macroscópica do mesmo, em que uma das características analisadas é a sua colocação. Normalmente, sua cor se encontra ausente, ou seja, incolor ou acinzentada, principalmente nos primeiros meses de gestação, no entanto, nos últimos meses torna-se opaco, devido a presença de partículas em suspensão.  Estas partículas são constituídas por lipídios que, ao aumentarem no decorrer da gestação, vão intensificar a turvação. Caso esta cor esteja alterada, esta tem significado patológico.

Uma das principais alterações da coloração do líquido ocorre quando o mesmo se encontra com uma cor Amarelo-alaranjada, devido à presença de bilirrubina em casos de anemia hemolítica ou Amarelo-acastanhada , devido à presença dos eritrócitos maternos ou fetais e à hemossiderina e hemotoidina resultante de hemor ragia; ou então Esverdeada, devido à estercobilina, presente no mecônio, traduzindo sofrimento fetal.[3]

PROPRIEDADES FÍSICAS[editar | editar código-fonte]

Além disso, o líquido amniótico pode ser analisado a partir de suas características físicas através do seu aspecto, sendo classificado em:[3]

Tipo I: Líquido amniótico sem partículas de suspensão

Tipo II: Líquido amniótico com escassas e pequenas partículas em suspensão.

Tipo III: Líquido amniótico com grandes e abundantes partículas em suspensão.

Tipo IV: Líquido amniótico com grandes e abundantes partículas em suspensão e com filamentos, com aspecto viscoso.

VOLUME[editar | editar código-fonte]

Outra característica importante está relacionada com o volume do líquido amniótico, sendo que este se relaciona com algumas patologias como poliidrâmnio e oligoidrâmnio. O poliidrâmnio é o acúmulo patológico de líquido amniótico, associado a uma elevada morbimortalidade materna e perinatal. Considera-se poliidrâmnio quando o volume amniótico ultrapassa os 2.000ml, sendo que as causas principais que levam a este aumento são malformação fetal, distúrbios genéticos, diabetes melito, sensibilização Rh e infecções congênitas.[1][4]

COMPOSIÇÃO[editar | editar código-fonte]

Com relação a analise microscópica, os principais componentes presentes nesse líquido estão em suspensão ou em dissolução. Entre os elementos em suspensão estão as células esfoliadas do âmnio, oriundas principalmente do feto, e também lanugem e gotículas de gordura. Já os elementos em dissolução , encontra-se substâncias orgânicas, como  proteínas, aminoácidos, alfa- fetoproteínas, substâncias nitrogenadas não-proteicas, lipídios , carboidratos, vitaminas , enzimas, bilirrubina, hormônios e as prostaglandinas, e inorgânicas como os eletrólitos , os quais estão relacionados com a idade gestacional. [1]

Vale ressaltar também, que o líquido amniótico é rico em células escamadas que delimitam a cavidade amniótica e também células oriundas do feto. No entanto, a base morfológica da citologia amniótca está estritamente relacionada ao feto, como o desenvolvimento intra-uterino da pele , mucosas respiratórias e digestivas, das coberturas geniturnárias e de todas as cavidades em contato com esse líquido. Isso possibilita então, analisar a fisiologia de cada epitélio, seus ritmos de crescimento e maturação, podendo diagnosticar : maturidade fetal, gestação de alto risco, morte fetal, infecções ovulares, sexo fetal , além de determinará o grupo sanguinio fetal no líquido amniótico em gestações de 37 a 40 semanas.[1]

Além disso, a composição do líquido amniótico muda com a idade gestacional, no inicio da gravidez o líquido se encontra isotônico em relação ao sangue materno e fetal. Com a queratinização da pele fetal, a passagem do líquido através da pele fetal fica bastante reduzida. Nesse período, a urina fetal é mais hipotônica do que no inicio da gestação, tornando assim o LA hipotônico em relação ao sangue fetal.[5]

DIAGNÓSTICO[editar | editar código-fonte]

O LA pode fornecer inúmeras informações sobre a saúde fetal, podendo ser utilizado também para o diagnóstico de anormalidades genéticas no líquido amniótico, o qual é realizado através de cultura de células. A amostra é obtida entre 14 e 20 semanas de gestação, uma vez que as células coletadas são cultivadas e lisadas para análise cromossômica, determinando-se seu conteúdo enzimático para avaliar defeitos de metabolismo. Além disso, a doença hemolítica do recém-nascido, síndrome resultante de incompatibilidade Rh entre o sangue materno e o fetal, pode ser diagnosticada no líquido amniótico.[1]

Outros aspectos que podem ser diagnosticados com a analise do LA estão relacionados com a citologia e a citopatologia amniótica, os quais podem diagnosticar: maturidade fetal, gestação de alto risco, morte fetal, infecções ovulares e sexo fetal. Dessa forma, a análise do líquido amniótico reforça a importância da realização adequada de um pré-natal.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. a b c d e f Campana, Sabrina Goncalves Universidade Federal de Santa Catarina Brasil. Diagnostico laboratorial do liquido amniotico. [S.l.: s.n.] OCLC 71171756 
  2. Dertkigil, Márcia San Juan; Cecatti, José Guilherme; Cavalcante, Sérgio Ricardo; Baciuk, Érica Passos; Bernardo, Ana Lurdes A (2005-12). «Líquido amniótico, atividade física e imersão em água na gestação». Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil. 5 (4): 403–410. ISSN 1519-3829. doi:10.1590/s1519-38292005000400003  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. a b Rebelo, Irene, author. Líquido amniótico e suas perspetivas clínicas : alterações analíticas e significado clínico. [S.l.: s.n.] ISBN 9789727577958. OCLC 903672335 
  4. Kobayashi, Sergio (2005-12). «Avaliação ultra-sonográfica do volume do líquido amniótico». Radiologia Brasileira. 38 (6): V–VI. ISSN 0100-3984. doi:10.1590/s0100-39842005000600002  Verifique data em: |data= (ajuda)
  5. Machado, Maria Regina Marrocos; Cecatti, José Guilherme; Santos, Fernanda Fioravante Azank dos; Marussi, Emílio Francisco; Parpinelli, Mary Ângela (2003). «Variação do volume de líquido amniótico por idade gestacional segundo algumas variáveis sociodemográficas e obstétricas em gestações de baixo risco». Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 25 (9): 639–646. ISSN 0100-7203. doi:10.1590/s0100-72032003000900004