Endometriose

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Endometriose
Áreas mais comuns de serem atingidas pela endometriose.
Classificação e recursos externos
CID-10 N80
CID-9 617.0
OMIM 131200
DiseasesDB 4269
MedlinePlus 000915
eMedicine med/3419 ped/677 emerg/165
MeSH D004715
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Endometriose (de endo-, dentro; -metri- = útero; -ose = condição ou doença) é uma doença feminina caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero.[1] [2] Seus principais sintomas são dor pélvica e infertilidade, quase metade da mulheres acometidas tem dor pélvica crônica, enquanto em 70% a dor ocorre durante a menstruação. Dor durante o sexo também é comum e a infertilidade ocorre em até metade das pessoas.[3] A endometriose pode ter efeitos sociais e psicológicos.[4] Os sintomas menos comuns incluem sintomas urinários ou intestinais e cerca de 25% das mulheres não apresentam sintomas.[3]

A causa não é totalmente clara, [3] os fatores de risco incluem ter um histórico familiar da doença. A endometriose mais frequentemente ocorre nos ovário,trompa de falópio, ligamento largo e fundo de saco posterior, mas pode ocorrer em qualquer parte do corpo como bexiga ou intestinos.[5] As áreas de endometriose sangram a cada mês, o que resulta em inflamação e cicatrização.[3] Outras causas de sintomas semelhantes incluem: síndrome do intestino irritável, cistite intersticial, e fibromialgia.[3]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas mais comuns são dismenorreia, dispareunia e dor pélvica crônica não menstrual (acíclica).[6] A dor pode variar desde leve a grave ou cólicas de dor aguda que ocorrem em ambos os lados da bacia, na área inferior das costas e área retal e até mesmo até as pernas. A quantidade de dor que a mulher sente se correlaciona com a extensão ou estágio (1 a 4) da endometriose, porém há casos em que algumas mulheres têm pouca ou nenhuma do, apesar de ter extensa endometriose ou endometriose com cicatrizes, enquanto que outras mulheres podem ter dor severa, apesar de terem apenas algumas pequenas áreas de endometriose.[7] Os sintomas de dor relacionada à endometriose podem incluir:[8]

  • Dismenorréia - cólica muito dolorosa, às vezes incapacitantes durante o período menstrual; a dor pode piorar ao longo do tempo (dor progressiva), dores nas costas inferiores também ligados à pelve
  • Dor pélvica crônica - normalmente acompanhado de dor lombar ou dor abdominal
  • Dispareunia - sexo doloroso
  • Disúria - urgência em urinar, freqüência e esvaziamento por vezes doloroso

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

A predisposição genética desempenha um papel na endometriose.[9] Filhas ou irmãs de mulheres com endometriose estão em maior risco de desenvolver a endometriose; baixos níveis de progesterona podem ser genéticas e pode contribuir para um desequilíbrio hormonal.[10] Há uma incidência de cerca seis vezes maior em mulheres com um parente de primeiro grau afetado.[11]


Tipos[editar | editar código-fonte]

Pílulas contraceptivas podem diminuir a chance de recorrência de endometriose.[12]

Os locais comuns da endometriose são: ovários, peritônio pélvico, trompas e nas áreas entre o útero, vagina e o reto (septo retovaginal). Sendo menos comum no intestino, bexiga, diafragma, vagina e parede abdominal.Dependendo da área afetada será classificada por uma subcategoria do CID-10:

  • N80.0 Endometriose do útero
  • N80.1 Endometriose do ovário
  • N80.2 Endometriose da trompa de falópio
  • N80.3 Endometriose do peritônio pélvico
  • N80.4 Endometriose do septo retovaginal e da vagina
  • N80.5 Endometriose do intestino
  • N80.6 Endometriose em cicatriz cutânea
  • N80.8 Outra endometriose
  • N80.9 Endometriose não especificada

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O ginecologista pode suspeitar de uma endometriose na sua paciente que estiver com infertilidade sem explicação. O exame físico pode indicar a presença da doença. O médico pode fazer o toque vaginal em busca de espessamento e/ou dor em ligamentos útero-sacros e nódulo em fundo de saco de Douglas.

Em geral, a confirmação da doença pode ser feita através da videolaparoscopia ou utilizando substâncias como anticorpos antiendométrio, propeptídeo protocolágeno tipo III, proteína C reativa, anticorpos anticardiolipina, proteína sérica amilóide A, CA19-9, CA15-3, antígeno carcinoembrionário, alfa-feto-proteína e beta-2-microglobulina, entre outras.[13] Os marcadores bioquímicos, biofísicos e moleculares não apresentam sensibilidade adequada para o diagnóstico da endometriose. Os exames complementares ajudam a identificar presença de lesões de endometriose ovariana ou profunda infiltrativa [14] Outros exames como a ultrassonografia e a ressonância magnética nuclear também podem ser utilizados.

Podem também ser utilizados vários exames imagiológicos tais como a Ecografia, a TAC ou TC, RM entre outras.[15]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Caso uma mulher com endometriose grave deseje ter filhos, existem diversas terapias para auxiliá-la como induzir a ovulação, inseminação intrauterina ou, em casos avançados, a fertilização in vitro.[16]

O tratamento varia conforme a vontade de engravidar, a área afetada, a intensidade dos sintomas, tolerância a medicamentos e a idade da paciente.

Dentre os tratamentos possíveis mais conservadores, voltados para casos menos graves, está a administração por 6 a 12 meses de uma combinação de contraceptivos hormonais orais, somado a antiinflamatórios não hormonais de nova geração no período perimenstrual e determinados exercícios físicos [13] .

Casos moderados e graves frequentemente necessitam de cirurgia para remover as células endométricas. Além dos tratamentos cirúrgicos podem ser associados o uso injeções de hormônios ou anti-hormônios, implantes subcutâneos de bastões de medicações ou DIU impregnados por substâncias inibidoras da menstruação.[17]

Nos casos mais graves pode ser necessário a remoção de partes de órgãos como útero, ovários, tubas ou de porções do intestino. A excisão total de todas as lesões visíveis e palpáveis da doença traz melhora significativa da dor pélvica e da fertilidade.[18]


Referências

  1. Gerard J. Tortora; Bryan Derrickson (2012). Corpo Humano : Fundamentos de anatomia e fisiologia - 8ed. Artmed. p. 594. ISBN 978-85-363-2718-1.
  2. CAROL M. RUMACK; Carol M. Rumack, J. William Charboneau, Stephanie R. Wilson; J. WILLIAM CHARBONEAU. Tratado de Ultra-sonografia Diagnostica. Elsevier (medicina). p. 560. ISBN 978-85-352-1711-7.
  3. a b c d e Bulletti C, Coccia ME, Battistoni S, Borini A. . "Endometriosis and infertility". J. Assist. Reprod. Genet. 27: 441–7. DOI:10.1007/s10815-010-9436-1. PMID 20574791.
  4. Culley L, Law C, Hudson N, Denny E, Mitchell H, Baumgarten M, Raine-Fenning N. (2013). "The social and psychological impact of endometriosis on women's lives: A critical narrative review". Human Reproduction Update 19: 625–639. DOI:10.1093/humupd/dmt027. PMID 23884896.
  5. Carol M. Rumack; Stephanie r. Wilson; J. William CHARBONEAU (2012). Tratado De Ultra-Sonografia Diagnóstica. Elsevier Health Sciences Brazil. p. 5. ISBN 978-85-352-5993-3.
  6. Fernando FREITAS (1989). Rotinas em Ginecologia. Artmed. p. 143. ISBN 978-85-363-2473-9.
  7. Stratton P, Berkley KJ. (2011). "Chronic pelvic pain and endometriosis: translational evidence of the relationship and implications". Hum. Reprod. Update 17: 327–46. DOI:10.1093/humupd/dmq050. PMID 21106492.
  8. Endometriosis;NIH Pub. No. 02-2413; September 2002
  9. Fauser BC, Diedrich K, Bouchard P, Domínguez F, Matzuk M, Franks S, Hamamah S, Simón C, Devroey P, Ezcurra D, Howles CM. (2011). "Contemporary genetic technologies and female reproduction". Hum. Reprod. Update 17: 829–47. DOI:10.1093/humupd/dmr033. PMID 21896560.
  10. Kapoor D, Davila W (2005). Endometriosis, eMedicine.
  11. Giudice LC, Kao LC. (2004). "Endometriosis". Lancet 364 p. 1789–99. DOI:10.1016/S0140-6736(04)17403-5. PMID 15541453.
  12. http://www.sobrage.org.br/a13.html
  13. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas USP
  14. http://portaldaendometriose.com.
  15. http://www.manualmerck.net/?id=263 Manual Merck
  16. http://www.endometriose.org.br/site_abend/site/home.asp
  17. http://www.ginendo.com/endometriose.htm
  18. Vercellini, P.; De Giorgi, O.; Pisacreta, A. Surgical management of endometriosis. Baillieres Clin Obstet Gynaecol 2000; 14:501-23.