Endometriose

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Endometriose
Áreas mais comuns de serem atingidas pela endometriose.
Classificação e recursos externos
CID-10 N80..9
CID-9 617.0
Star of life caution.svg Aviso médico

Endometriose é uma doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de células endometriais em locais fora do útero.[1] O endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação. É um transtorno ginecológico comum, atingindo entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.

Causas[editar | editar código-fonte]

Existem três teorias. Uma teoria é que, durante a menstruação, parte do tecido endometrial menstrual ao invés de ser eliminado na menstruação, retorna ao abdômen através das trompas de Falópio por fluxo retrógrado. Esse tecido endometrial se implantaria em outros lugares e pode, eventualmente, responder aos hormônios ovarianos (estrógenos e progesterona) a cada ciclo menstrual da mesma forma que as células endometriais uterinas, ou seja, crescem no meio do ciclo e se desfazem no período de menstruação. O sistema imune e genética definiriam então se as células fora do lugar são eliminadas o não, explicando o maior risco de doenças autoimunes em mulheres com endometriose. [2]

Outra teoria sugere que existem células do peritônio que se transformam em endométrio funcional. O tecido endometrial escapar do útero, apenas cercar-se de epitélio e formação de cistos chamados endometriomas que devem ser eliminados.

A endometriose pode ser uma doença hereditária e, assim, ser causados​​, por uma predisposição genética.

Tipos[editar | editar código-fonte]

Pílulas contraceptivas podem diminuir a chance de recorrência de endometriose.[3]

Os locais comuns da endometriose são: ovários, peritônio pélvico, trompas e nas áreas entre o útero, vagina e o reto (septo retovaginal). Sendo menos comum no intestino, bexiga, diafragma, vagina e parede abdominal.[1] Dependendo da área afetada será classificada por uma subcategoria do CID-10:

  • N80.0 Endometriose do útero
  • N80.1 Endometriose do ovário
  • N80.2 Endometriose da trompa de falópio
  • N80.3 Endometriose do peritônio pélvico
  • N80.4 Endometriose do septo retovaginal e da vagina
  • N80.5 Endometriose do intestino
  • N80.6 Endometriose em cicatriz cutânea
  • N80.8 Outra endometriose
  • N80.9 Endometriose não especificada

Sinais e Sintomas[editar | editar código-fonte]

A cirurgia de endometriose pode aumentar as chances de gestação em mulheres inférteis.[4]

Cerca de metade dos casos não tem sintomas, sendo resolvidos pelo próprio organismo. Segundo uma análise da USP, nos casos com sintomas, os mais comuns são[1] :

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. As dores podem ocorrer antes ou durante o período menstrual. Ela surge de repente, trazendo transtorno físico, psíquico e social para a paciente. Aproximadamente 20% das mulheres tem apenas dor, 60% tem dor e 20% pode sentir dor tipo cólica menstrual intensa, dor abdominal durante a prática sexual.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O ginecologista pode suspeitar de uma endometriose na sua paciente que estiver com infertilidade sem explicação. O exame físico pode indicar a presença da doença. O médico pode fazer o toque vaginal em busca de espessamento e/ou dor em ligamentos útero-sacros e nódulo em fundo de saco de Douglas.

Em geral, a confirmação da doença pode ser feita através da videolaparoscopia ou utilizando substâncias como anticorpos antiendométrio, propeptídeo protocolágeno tipo III, proteína C reativa, anticorpos anticardiolipina, proteína sérica amilóide A, CA19-9, CA15-3, antígeno carcinoembrionário, alfa-feto-proteína e beta-2-microglobulina, entre outras.[1] Os marcadores bioquímicos, biofísicos e moleculares não apresentam sensibilidade adequada para o diagnóstico da endometriose. Os exames complementares ajudam a identificar presença de lesões de endometriose ovariana ou profunda infiltrativa [5] Outros exames como a ultrassonografia e a ressonância magnética nuclear também podem ser utilizados.

Podem também ser utilizados vários exames imagiológicos tais como a Ecografia, a TAC ou TC, RM entre outras.[6]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Caso uma mulher com endometriose grave deseje ter filhos, existem diversas terapias para auxiliá-la como induzir a ovulação, inseminação intrauterina ou, em casos avançados, a fertilização in vitro.[7]

O tratamento varia conforme a vontade de engravidar, a área afetada, a intensidade dos sintomas, tolerância a medicamentos e a idade da paciente.

Dentre os tratamentos possíveis mais conservadores, voltados para casos menos graves, está a administração por 6 a 12 meses de uma combinação de contraceptivos hormonais orais, somado a antiinflamatórios não hormonais de nova geração no período perimenstrual e determinados exercícios físicos [1] .

Casos moderados e graves frequentemente necessitam de cirurgia para remover as células endométricas. Além dos tratamentos cirúrgicos podem ser associados o uso injeções de hormônios ou anti-hormônios, implantes subcutâneos de bastões de medicações ou DIU impregnados por substâncias inibidoras da menstruação.[8]

Nos casos mais graves pode ser necessário a remoção de partes de órgãos como útero, ovários, tubas ou de porções do intestino. A excisão total de todas as lesões visíveis e palpáveis da doença traz melhora significativa da dor pélvica e da fertilidade.[9]

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Sérgio Podgaec e Maurício Simões Abrão. Endometriose: aspectos atuais do diagnóstico e tratamento. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=2567&fase=imprime
  2. http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/spanish/ency/article/000915.htm
  3. http://www.sobrage.org.br/a13.html
  4. http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?178
  5. http://portaldaendometriose.com.
  6. http://www.manualmerck.net/?id=263 Manual Merck
  7. http://www.endometriose.org.br/site_abend/site/home.asp
  8. http://www.ginendo.com/endometriose.htm
  9. Vercellini, P.; De Giorgi, O.; Pisacreta, A. Surgical management of endometriosis. Baillieres Clin Obstet Gynaecol 2000; 14:501-23.