Síndrome do cólon irritável

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Síndrome do cólon irritável
Classificação e recursos externos
CID-10 K58
CID-9 564.1
DiseasesDB 30638
MedlinePlus 000246
eMedicine med/1190
MeSH D043183

A síndrome do cólon irritável (ou síndrome do intestino irritável), cólon espástico ou doença intestinal funcional, abreviado em português como SCI ou SII e, em inglês, como IBS (irritable bowel syndrome) é uma doença funcional crónica, ou seja, não há lesão orgânica presente no intestino, mas causa grande desconforto nas pessoas que a apresentam. Segundo alguns médicos, por vezes chega a causar uma incapacidade comparável a deficientes motores. A SCI apresenta o início dos sintomas mais comummente na juventude e é caracterizada por dor abdominal com cólica, distensão abdominal por gases, obstipação ("intestino preso", constipação severa, obstrução intestinal) ou diarreia.

Desta forma, o ponto inicial do tratamento da síndrome do cólon irritável é a mudança de estilo de vida, o que levaria a uma diminuição do estresse e da ansiedade. Nesse sentido considera-se a conexão da síndrome do cólon irritável com desequilíbrios da serotonina no organismo, motivados por diversos fatores. A serotonina atua tanto no humor quanto regulando os movimentos peristálticos do intestino[1].

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os principais sintomas são[2]:

  • Dores e inchaço abdominais;
  • Flatulência;
  • Muco nas fezes;
  • Diarreia ou prisão de ventre durante um período prolongado.

É comum a sensação de esvaziamento incompleto do conteúdo intestinal após a evacuação.

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

Como não existem lesões responsáveis pelo aparecimento da síndrome, o diagnóstico é feito clinicamente, com base na interpretação dos sintomas relatados ao médico, que diante de exames complementares exclui a possibilidade de patologias mais graves. Muitas vezes os sintomas apresentados também podem ocorrer no câncer de cólon e em doenças inflamatórias intestinais como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn, sendo importante o exame da colonoscopia a fim de subsidiar um diagnóstico diferencial. Entre os critérios que podem auxiliar no diagnóstico pode-se citar os critérios de Manning (1978), e os critérios de Roma III (2006).

De um modo geral o diagnóstico diferencial da síndrome do intestino irritável deve excluir:

Prevalência[editar | editar código-fonte]

A prevalência no Brasil usando os critérios de critérios de Roma III é de 15% entre homens e 30% entre mulheres.[3]No mundo a média gira em torno de 7 e 20% da população.[4]

Já a prevalência de intensa dor de barriga com diarreia ou constipação sem lesão tecidual significativa atinge 43% da população do Brasil, mais que o dobro da média do resto do mundo.[5]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Dieta[editar | editar código-fonte]

A dieta deve ser verificada. Algumas evidências indicam que uma dieta com menos gordura e rica em fibras diminui os problemas intestinais.[6]

Apesar das variações individuais, as quais são muitas, alguns alimentos parecem produzir maiores disfunções gastrointestinais. São eles[7]:

  • Café;
  • Chocolate (que contenha leite ou gordura);
  • Frituras;
  • Refrigerantes;
  • Derivados de leite (queijos, manteiga, iogurtes, coalhadas) mesmo quando não há intolerância a lactose;
  • Bebidas alcoólicas.

Há alguns casos isolados, da forma diarreica, em que uma dieta que exclui o glúten, laticínios (leite e derivados) e soja tem se mostrado eficaz na supressão dos principais sintomas. A hipótese mais plausível é a de que algumas proteínas contidas nestes alimentos seriam de difícil digestão para os portadores da síndrome.[8][9]

A dieta Low FODMAP ou dieta pobre em FODMAP é uma nova abordagem alimentar que está a ser utilizada para controlar os sintomas associados à SII. A dieta com baixo teor de FODMAP está a tornar-se mundialmente aceite como a principal estratégia de gestão dos sintomas da SII, bem como de outros distúrbios gastrointestinais.[10]

Os FODMAPs (sigla para Oligosacarídeos, Dissacarídeos, Monosacarídeos e Polióis Fermentáveis) encontram-se numa grande variedade de alimentos que são dificilmente absorvidos pelo intestino delgado. Estes hidratos de carbono mal absorvidos são por sua vez fermentados por bactérias do intestino, produzindo gases. A pesquisa atual indica fortemente que este grupo de hidratos de carbono contribui para os sintomas associados à SII. [11]

A Dra. Sue Shepherd desenvolveu a dieta low FODMAP em 1999. Ela provou, através da sua tese de doutoramento pioneira, que limitar o consumo de FODMAPs na dieta é um tratamento eficaz para quem tem sintomas associados à SII.[12]

Outro recurso valioso é o trabalho realizado pela equipa de investigação da Universidade Australiana Monash . Esta dieta foi também adoptada com sucesso no Reino Unido pela Universidade King´s College London.

Medicação[editar | editar código-fonte]

Conforme o tipo da Síndrome do Cólon Irritável, que podem incluir tendências a constipação ou a diarreia, considera-se os seguintes tratamentos medicamentosos:

  • Antiespasmódicos: devem ser empregados com cuidado nos casos de obstipação;
  • Agentes que aumentam o bolo fecal como dieta rica em fibras: os estudos mostram, contudo, que nem sempre uma dieta rica em fibras auxilia no tratamento, podendo piorar a flatulência. Usualmente as fibras estão indicadas no tratamento da obstipação;
  • Agentes antidiarreicos: contra-indicados na obstipação;
  • Antidepressivos tricíclicos: contra-indicados na obstipação;
  • Antagonistas do receptor 5HT3 da serotonina: indicados apenas na diarreia;
  • Antagonistas do receptor 5HT4 da serotonina: indicados na obstipação e no quadro de constipação crónica.
  • A hortelã está dentro de um dos alimentos fitoterápicos a entrar na lista oficial de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), publicada pelo Ministério da Saúde, sendo utilizada no tratamento da Síndrome do Cólon Irritável.
  • Anticolinérgicos: apenas em caso de diarreia.

Referências

  1. Drauzio Varella (09-10-2007). «Síndrome do intestino irritável». Consultado em 2007-12-26. 
  2. http://www.mayoclinic.com/health/irritable-bowel-syndrome/DS00106/DSECTION=symptoms
  3. http://www.gastrojournal.org/article/S0016-5085(08)61001-X/abstract
  4. https://ubithesis.ubi.pt/bitstream/10400.6/852/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20de%20Mestrado%20Integrado%20em%20Medicina%20S%C3%ADndrome%20do%20intestino%20irrit%C3%A1vel.pdf
  5. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-2036.2006.02989.x/abstract;jsessionid=62098A6A806AD64EAE316A356DD617C5.f02t04
  6. Caldarella MP, Milano A, Laterza F, Sacco F, Balatsinou C, Lapenna D, Pierdomenico SD, Cuccurullo F, Neri M (2005). «Visceral sensitivity and symptoms in patients with constipation- or diarrhea-predominant irritable bowel syndrome (IBS): effect of a low-fat intraduodenal infusion». Am J Gastroenterol [S.l.: s.n.] 100 (2): 383–9. PMID 15667496. 
  7. Van Vorous, Heather. Eating for IBS. 2000. ISBN 1-56924-600-9. Excerpted with author's permission at Help for Irritable Bowel Syndrome (see IBS Diet Section)
  8. NANDA R, JAMES R, SMITH H; et al. (1989). «Food intolerance and the irritable bowel symdrome». Gut [S.l.: s.n.] 30 (8): 1099–104. 
  9. ATKINSON, W.; SHELDON, T. A; SHAATH, N.; et al. (2004). «Food elimination based on IgG antibodies in irritable bowel syndrome: a randomized controlled trial». Gut [S.l.: s.n.] 53 (10): 1459–64. 
  10. Dietary triggers for IBS symptoms – the low FODMAP diet approach. Biesiekierski J, Yao, C. Digestive Health Matters. 2011; V20N2: 9-14.
  11. Irritable Bowel Syndrome: Contemporary Nutrition Management Strategies. Gerard E. Mullin, Sue J. Shepherd, Bani Chander Roland, Carol Ireton-Jones and Laura E. Matarese. JPEN J Parenter Enteral Nutr 2014 38: 781.
  12. A Diet Low in FODMAPs Reduces Symptoms of Irritable Bowel Syndrome. Emma P. Halmos, Victoria A. Power, Susan J. Shepherd, Peter R. Gibson, Jane G. Muir. Gastroenterology 2014;146:67.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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