Cancro do estômago

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Cancro do estômago
Uma úlcera estomacal suspeita que foi diagnosticada como câncer na biópsia e que foi posteriormente ressecada.
Classificação e recursos externos
CID-10 C16
CID-9 151
OMIM 137215
DiseasesDB 12445
eMedicine med/845
MeSH D013274

Cancro do estômago (português europeu) ou câncer de estômago (português brasileiro) é o cancro que se desenvolve no revestimento do estômago.[1] Os sintomas iniciais podem incluir azia, dor na parte superior do abdómen, náuseas e perda de apetite. Os sinais e sintomas das fases mais avançadas incluem, entre outros, perda de peso, pele e olhos amarelados, vómitos, dificuldade ao engolir e sangue nas fezes. [2] O cancro pode-se espalhar do estômago para outras partes do corpo, principalmente para o fígado, pulmões, ossos, revestimento do abdómen e gânglios linfáticos.[3]

A causa mais comum de cancro do estômago é a infeção pela bactéria Helicobacter pylori, responsável por 60% dos casos.[4][5][6] Alguns tipos de H. pylori apresentam maior risco do que outros. Entre outras causas comuns estão o consumo de picles e o tabagismo. Cerca de 10% dos casos são familiares e entre 1 e 3% dos casos devem-se a síndromes genéticos herdados dos pais. A maior parte dos casos de cancro do estômago são carcinomas gástricos. Este tipo pode ser dividido em vários subtipos. No estômago podem também desenvolver-se linfomas e tumores mesenquimais. Na maior parte dos casos, o cancro do estômago desenvolve-se em estádios ao longo de anos.[5] O diagnóstico é geralmente realizado por biópsia de uma amostra recolhida por endoscopia. Posteriormente, a imagiologia médica permite determinar se a doença se espalhou para outras partes do corpo.[2]

Uma dieta mediterrânica e a cessação tabágica diminuem o risco de cancro. Existem indícios de que o tratamento da H. pylori diminui o risco futuro.[5][7] É possível curar muitos dos casos detectados nos estádios iniciais.[5] O tratamento pode incluir uma combinação de cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapia dirigida.[2] Quando tratado em estágios avançados podem ser recomendados cuidados paliativos.[5] O prognóstico é geralmente pouco positivo, sendo a taxa de sobrevivência a cinco anos global inferior a 10%. Isto deve-se principalmente ao facto de maior parte das pessoas só detetar a condição em estádios avançados.[8] Nos Estados Unidos a taxa de sobrevivência a cinco anos é de 28%,[9] enquanto na Coreia do Sul é de mais de 65% devido à existência de um programa de rastreio.[5]

O cancro do estômago é a quinta principal causa de cancro em todo o mundo e a terceira causa de morte por cancro, o que corresponde a 7% dos casos e 9% das mortes.[10] Em 2012 a doença ocorreu em 950 000 pessoas e foi a causa de 723 000 mortes.[10] Antes da década de 1930 era a causa mais comum de morte por cancro na maior parte do mundo.[11][12][13] Desde então que a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir em várias regiões do mundo.[5] Acredita-se que esta diminuição se deva à diminuição do consumo de alimentos salgados e conservados em vinagre a partir da introdução da refrigeração de alimentos.[14] O cancro do estômago é mais comum na Ásia Oriental e na Europa de Leste. É duas vezes mais comum em homens do que em mulheres.[5]


Tipos[editar | editar código-fonte]

Corte longitudinal de um adenocarcinoma do estômago.

O carcinoma gástrico, derivado das células da mucosa, constitui mais de 90% dos cancros do estômago. Mais raramente podem surgir certos tipos de linfomas ( 4% dos casos); tumor carcinoide (3%) ou tumores do estroma gastrointestinal (2%). Estas outras neoplasias não são geralmente denominadas na linguagem comum como cancros do estômago apesar de terem a sua origem neste órgão.[15]

Causas[editar | editar código-fonte]

O principal factor de risco para o surgimento do carcinoma é a infecção durante décadas pela bactéria Helicobacter pylori, que causa uma gastrite atrófica persistente, muitas vezes com formação de úlcera péptica. As úlceras pépticas não tratadas podem degenerar devido à grande taxa de multiplicação das células da mucosa, que tentam cicatrizar a lesão, aumentando a sua taxa de mutação (quanto maior o número de divisões com cópia do DNA maior a probabilidade de alterações genéticas).

Outros factores de risco significativos são[16]:

  • Tabagismo;
  • Histórico familiar de câncer;
  • Dieta rica em defumados, conserva, sal e gorduras;
  • Obesidade;
  • Pólipos no estômago;
  • Anemia perniciosa;
  • Sangue tipo A
  • Infecção pelo vírus de Epstein-Barr;
  • Exposição constante a poeira de carvão, metal, madeira, borracha ou amianto.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Inicialmente os sintomas são os de uma possível úlcera péptica gástrica ou de gastrite, contudo a grande maioria das úlceras pépticas não são cancerosas. Mesmo assim, a maior parte dos diagnósticos é efectuada aquando do diagnóstico de uma úlcera gástrica. As úlceras cursam com dor após as refeições e falta de apetite e se não são tratadas podem a longo prazo degenerar em carcinomas. É frequentemente assintomático na fase inicial, o que explica o seu mau prognóstico.

Se o cancro não é detectado na fase inicial, ele dissemina-se, primeiro directamente para a parede do duodeno ou esófago, e depois via cavidade peritoneal, via sanguínea e linfática para qualquer órgão, formando metástases, especialmente no fígado e pulmão. Estes estágios avançados têm pior prognóstico.

Sintomas comuns das fases mais avançadas são a dor permanente e intensa na região, central logo abaixo das costelas, do estômago (região epigástrica), por vezes irradiando para as costas; falta de apetite e emagrecimento rápido (caquexia típica de qualquer condição maligna). Se o tumor está localizado no piloro do estômago, pode haver estenose com vómitos após as refeições, que aliviam as dores. A perda continua de pequenas quantidades de sangue pode passar despercebida mas também pode causar anemia microcítica por défice de ferro. Por vezes em casos avançados a massa tumoral pode ser sentida directamente pela palpação. Outro sintoma possível é a ascite.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico do carcinoma do estômago é geralmente feito após queixas semelhantes às de úlcera gástrica. É feita endoscopia com recolha de amostras por biópsia, cuja análise histológica permite distinguir uma úlcera benigna de uma cancerosa.

A avaliação de grau de metastização hepático é feita através de um exame de tomografia computadorizada.

>http://www.cancer.org/cancer/stomachcancer/detailedguide/stomach-cancer-risk-factors</ref>

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento é cirúrgico, mas apenas em casos detectados nos estágios mais iniciais é provável a cura. Por vezes é efectuada uma gastrectomia parcial, mas frequentemente todo o estômago é removido (gastrectomia), sendo feita uma anastomose (ligação) entre o esófago e o duodeno. O paciente fica limitado a alimentos pastosos e líquidos por toda a vida.

Em casos em que já ocorreu metástase disseminada, o tratamento é com quimioterapia ou meramente paliativo, com administração de opioides.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A incidência do carcinoma gástrico varia muito de acordo com os países, provavelmente devido a diferenças no tipo de alimentação. Nos Estados Unidos (cerca de 3 mortes em 100.000 pessoas por ano), Reino Unido, França e Alemanha, por exemplo, a incidência é muito menor que no Japão, Chile ou Portugal, que com 29 mortes por 100.000 pessoas por ano tem uma das taxas mais elevadas do mundo para este tipo de cancro. É em todo o mundo uma das principais causas de morte por cancro (câncer) .

A doença afecta duas vezes mais homens que mulheres, tende a surgir após a quinta década de vida e afeta mais latinos, orientais e negros do que brancos não-latinos.<ref

Referências

  1. «Stomach (Gastric) Cancer». NCI. Consultado em 1 July 2014. 
  2. a b c «Gastric Cancer Treatment (PDQ®)». NCI. 2014-04-17. Consultado em 1 July 2014. 
  3. Ruddon, Raymond W. (2007). Cancer biology 4th ed. (Oxford: Oxford University Press). p. 223. ISBN 9780195175431. 
  4. Sim, edited by Fiona; McKee, Martin (2011). Issues in public health 2nd ed. (Maidenhead: Open University Press). p. 74. ISBN 9780335244225. 
  5. a b c d e f g h World Cancer Report 2014 World Health Organization [S.l.] 2014. pp. Chapter 5.4. ISBN 9283204298. 
  6. Chang, A. H.; Parsonnet, J. (2010). «Role of Bacteria in Oncogenesis». Clinical Microbiology Reviews [S.l.: s.n.] 23 (4): 837–857. doi:10.1128/CMR.00012-10. ISSN 0893-8512. PMC 2952975. PMID 20930075. 
  7. «Stomach (Gastric) Cancer Prevention (PDQ®)». NCI. 2014-02-27. Consultado em 1 July 2014. 
  8. Orditura, M; Galizia, G; Sforza, V; Gambardella, V; Fabozzi, A; Laterza, MM; Andreozzi, F; Ventriglia, J; Savastano, B; Mabilia, A; Lieto, E; Ciardiello, F; De Vita, F (February 2014). «Treatment of gastric cancer.» (PDF). World Journal of Gastroenterology [S.l.: s.n.] 20 (7): 1635–49. doi:10.3748/wjg.v20.i7.1635. PMC 3930964. PMID 24587643. 
  9. «SEER Stat Fact Sheets: Stomach Cancer». NCI. Consultado em 18 June 2014. 
  10. a b «Chapter 1.1». World Cancer Report 2014 World Health Organization [S.l.] 2014. ISBN 9283204298. 
  11. Hochhauser, Jeffrey Tobias, Daniel (2010). Cancer and its management 6th ed. (Chichester, West Sussex, UK: Wiley-Blackwell). p. 259. ISBN 9781444306378. 
  12. Khleif, Edited by Roland T. Skeel, Samir N. (2011). Handbook of cancer chemotherapy 8th ed. (Philadelphia: Wolter Kluwer). p. 127. ISBN 9781608317820. 
  13. Joseph A Knight (2010). Human Longevity: The Major Determining Factors Author House [S.l.] p. 339. ISBN 9781452067223. 
  14. Moore, edited by Rhonda J.; Spiegel, David (2004). Cancer, culture, and communication (New York: Kluwer Academic). p. 139. ISBN 9780306478857. 
  15. American Cancer Society - Stomach cancer
  16. http://www.webmd.com/cancer/stomach-gastric-cancer
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