Opioide

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Um opioide é qualquer composto químico psicoativo que produza efeitos farmacológicos semelhantes aos do ópio ou de substâncias nele contidas, embora não sejam quimicamente aparentados. Os opioides agem sobre receptores opioides, com efeitos similares aos da morfina, por exemplo.[1]

Entre as substâncias opioides, incluem-se os alcaloides naturais, bem como os produtos semissintéticos ou totalmente sintéticos e os peptídeos opioides endógenos. O termo opioide é frequentemente usado, de modo impróprio, para indicar os opiáceos, isto é, os alcaloides que podem ser encontrados no ópio, um látex extraído das cápsulas da papoula (Papaver somniferum), como também nos seus derivados semissintéticos. No entanto, os opiáceos existem em número mais limitado em relação à família dos opioides.

Os opioides agem por intermédio de ligações a receptores específicos (receptores dos opioides), que se encontram principalmente no sistema nervoso central (SNC), no sistema nervoso periférico (SNP) e no trato gastrointestinal. Essas substâncias, interagindo com o receptor especifico, agem prevalentemente como moduladores das sensações dolorosas mas também como fatores de transcrição, por intermédio de receptores nucleares específicos. Todas as moléculas opioides podem ser bloqueadas por antagonistas específicos e, em particular, pela naloxona.[2]

Os opioides estão entre as drogas mais antigas do mundo: o uso terapêutico da papoula do ópio é anterior à história documentada. Os efeitos analgésicos dos opioides se devem a uma diminuição da percepção da dor, ou seja, a uma maior tolerância à dor. Os efeitos colaterais dessas substâncias incluem sedação, depressão respiratória,[2] obstipação e um forte sentimento de euforia. Podem causar a supressão da tosse - sendo efetivamente empregados na prática clínica com essa finalidade - mas, ao mesmo tempo, a ação antitussígena pode ser considerada como um efeito colateral indesejado. O paciente pode desenvolver dependência ainda durante o tratamento, seguindo-se a síndrome de abstinência se o uso dessas substâncias for interrompido repentinamente. A euforia produzida por essas substâncias é, todavia, um dos principais motivos para o uso não médico dessas substâncias, com eventual abuso e dependência.

Referências

  1. Hemmings, Hugh C.; Egan, Talmage D. (2013). Pharmacology and Physiology for Anesthesia: Foundations and Clinical Application: Expert Consult - Online and Print (em inglês). [S.l.]: Elsevier Health Sciences. p. 253. ISBN 1437716792. Opiáceo é o termo mais antigo, classicamente usado em farmacologia, para designar qualquer droga derivada do ópio. Opioide, um termo mais recente, é aplicado a todas as substâncias, naturais ou sintéticas, que se ligam a receptores opioides (incluindo a|antagonistas). No original: Opiate is the older term classically used in pharmacology to mean a drug derived from opium. Opioid, a more modern term, is used to designate all substances, both natural and synthetic, that bind to opioid receptors (including antagonists). 
  2. a b «Evitando a depressão respiratória por opioides»  Por Bruno Lagoeiro. PEBMED, 24 de setembro de 2015.
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