Dismenorreia

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Dismenorreia
Classificação e recursos externos
CID-10 N94.4-N94.6
CID-9 625.3
Star of life caution.svg Aviso médico

A Dismenorreia AO 1990, também conhecida como cólica menstrual, é uma dor pélvica que ocorre antes ou durante o período menstrual, que afeta cerca de 50% das mulheres em idade fértil. Pode ser primária ou secundária, dependendo da existência ou não de alterações estruturais do aparelho reprodutivo.

  • A dismenorreia primária é aquela que ocorre sem que haja lesões nos órgãos pélvicos. Geralmente, ocorre nos ciclos menstruais normais e logo após as primeiras menstruações na adolescência, podendo cessar ou reduzir significativamente quando a mulher atinge a faixa dos 20 e poucos anos. Em alguns casos isso só ocorre após a gravidez. É causada pelo aumento da produção de prostaglandinas pelo útero, que provocam contrações uterinas dolorosas.
  • A dismenorreia secundária está relacionada a alterações do sistema reprodutivo, que podem ser endometriose, miomas uterinos, infecção, anormalidades na anatomia do útero ou da vagina de origem congênita. Outra causa da dismenorreia secundária é o uso de dispositivo intrauterino (DIU) como método anticoncepcional. Geralmente começam a surgir dois anos depois da menarca.

Factores de risco[editar | editar código-fonte]

A maioria das mulheres irá sofrer deste grau de debilitação pelo menos uma vez durante sua época reprodutora. O risco aumentado está associado com idade mais jovem e histórico médico de qualquer uma das enfermidades associadas com a dismenorreia secundária.

Dismenorreia primária[editar | editar código-fonte]

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

A dismenorreia primária ocorre durante os ciclos ovulatórios normais. Mulheres com dismenorreia primária têm a atividade do músculo uterino aumentada com aumento da contractilidade e frequência das contrações. Prostaglandinas são lançadas durante a menstruação devido à destruição das células endometriais e ao lançamento resultante de seus conteúdos.

Acredita-se que a liberação de prostaglandinas e de outros mediadores inflamatórios no útero é um dos principais fatores causadores da dismenorreia (Wright et al. 2003). Os níveis de prostaglandina mostraram-se ser muito maiores em mulheres com dor menstrual aguda do que em mulheres que apresentam pouca ou nenhuma dor menstrual. Drogas que inibem a produção de prostaglandinas, como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) Naproxeno, Ibuprofeno e Ácido mefenâmico, podem proporcionar alívio para o desconforto e outros sintomas associados à liberação excessiva de prostaglandinas, como náusea, vômito e dor de cabeça.

Aspectos clínicos[editar | editar código-fonte]

A cólica associada com a dismenorreia geralmente começa poucas horas antes de iniciar o sangramento e pode continuar por alguns dias. A dor geralmente é descrita como sendo na porção inferior do abdômen, possivelmente se irradiando para as pernas e região lombar. Outros sintomas associados à dismenorreia primária são náusea e vômito, diarreia, lombalgia e enxaqueca.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Drogas anti-inflamatórias não-esteroides (AINEs), como o ibuprofeno e naproxeno, são muito eficientes no tratamento da dismenorreia primária (Andreoli et al. 2004). Como já foi afirmado, a sua eficiência é devido à sua habilidade em inibir a síntese de prostaglandinas. Entretanto, muitos AINEs podem causar transtornos gastrointestinais como efeitos colaterais. Os contraceptivos orais às vezes também são indicados, já que eles reduzem o fluxo menstrual e inibem a ovulação.

Os contraceptivos orais são uma terapia de segunda-linha a menos que a mulher também esteja buscando contracepção, neste caso eles seriam uma terapia de primeira-linha. Os contraceptivos orais são 90% eficientes em melhorar a dismenorreia primária e funcionam ao reduzir o volume de sangramento menstrual e inibindo a ovulação. Pode levar até 3 meses para que os contraceptivos orais tornem-se eficientes. Norplant e Depo-provera são também eficientes já que estes métodos frequentemente induzem a amenorreia.

Tratamentos alternativos[editar | editar código-fonte]

Para os 10% dos pacientes que não respondem aos medicamentos satisfatoriamente aos AINEs e/ou contraceptivos orais, uma ampla variedade de terapias alternativas tem provado ser eficientes, incluindo estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS), acupuntura, ácidos graxos ômega-3, nitroglicerina transdérmica, thiamine, e suplementos de magnésio.

A acupuntura é usada para tratar a dismenorreia, e estudos revelaram que ela "reduziu a percepção subjetiva da dismenorreia" (Jun/2004). Entretanto o pequeno número de estudos deixam ainda dúvidas sobre a eficiência da acupuntura para problemas ginecológicos (White 2003).

A quiropraxia tem sido sugerida como um tratamento de aproximação (Chapman-Smith, 2000). Pressupõe-se que tratar subluxações na espinha pode fazer com que os nervos que saem da espinha se tornem menos agravados e então diminuindo os sintomas da dismenorreia assim como outros sintomas como dores estomacais crônicas e dores de cabeça. Entretanto a revisão sistemática mais atual de estudos publicados concluiu que não há evidência que a manipulação da espinha é mais efetiva que uma manipulação falsa (placebo) (Proctor et al., Cockraine review 2006).

Dismenorreia secundária[editar | editar código-fonte]

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

Os mecanismos que causam a dor da dismenorreia secundária são variados e podem ou não envolver prostaglandinas. Algumas causas da dismenorreia secundária são endometriose, inflamação pélvica, fibroma, adenomiose, cistos ovarianos e congestões pélvicas (Hacker et al. 2004). A presença de um DIU (dispositivo intrauterino) para contracepção também pode ser uma potencial causa da dor menstrual, embora o DIU geralmente leve a dor pélvica somente no momento de sua inserção. Algumas mulheres também consideram que o uso de absorvente interno aumenta as cólicas e a dor.

Aspectos clínicos[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da dismenorreia secundária podem variar de acordo com a sua causa, mas geralmente a dor associada com a dismenorreia secundária não é limitada ao tempo entre as menstruações como a dismenorreia primária. Além disso, a dismenorreia secundária é menos relacionada ao início do sangramento na menstruação, é mais observada em mulheres mais velhas, e é associada a outros sintomas como a infertilidade.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento mais efetivo para a dismenorreia secundária é a identificação e o tratamento das causas da dor, embora o alívio proporcionado pelos AINEs pode frequentemente ser útil.

A primeira linha de tratamento é médica (por exemplo, inibidores da sintetase de prostaglandinas, contracepção hormonal, danazol, progestinas). Se possível, a desordem causadora ou anormalidade anatômica é corrigida, consequentemente aliviando os sintomas. A dilatação de um orifício externo do útero que for estreito pode dar um grande alívio (e permite diagnosticar se uma curetagem uterina é necessária). Miomectomia, polipectomia ou dilatação e curetagem podem ser necessários. A interrupção dos nervos uterinos por neurectomia pré-sacral e a divisão dos ligamentos sacrouterinos pode ajudar determinados pacientes. A hipnose também pode ser útil. As técnicas de Medicina tradicional chinesa fazem parte das diversas formas de combater a Dismemorreia.

A endometriose é uma causa comum da dismenorreia secundária. De fato, em aproximadamente 24% das mulheres que reclamam de dor pélvica é descoberta posteriormente uma endometriose. Este problema geralmente está associado com a infertilidade. Se o alívio da dor for o objetivo, as opções médicas incluem contracepção hormonal, danazol, agentes progestacionais, e agonistas do GnRH.

Problemas relacionados[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Andreoli, Thomas E., Charles C. J. Carpenter, Robert C. Griggs, and Joseph Loscalzo. CECIL Essentials of Medicine, 6th ed. Saunders, 2004. ISBN 0-7216-0147-2
  • Chapman-Smith, David A. "The Chiropractic Profession." NCMIC Group Inc., 2000. ISBN 1-892734-02-8
  • Hacker, Neville F., J. George Moore, and Joseph C. Gambone. Essentials of Obstetrics and Gynecology, 4th ed. Elsevier Saunders, 2004. ISBN 0-7216-0179-0
  • Jun E. (2004). "[Effects of SP-6 acupressure on dysmenorrhea, skin temperature of CV2 acupoint and temperature, in the college students]". Taehan Kanho Hakhoe Chi 34 (7): 1343-50. PMID 15687775.
  • Proctor M, Hing W, Johnson T, Murphy P. (Jul 19 2006). "Spinal manipulation for primary and secondary dysmenorrhoea". Cochrane Database Syst Rev 3: CD002119. PMID 16855988.
  • White A. (2003). "A review of controlled trials of acupuncture for women's reproductive health care.". J Fam Plann Reprod Health Care 29 (4): 233-6. PMID 14662058.
  • Wright, Jason and Solange Wyatt. The Washington Manual Obstetrics and Gynecology Survival Guide. Lippincott Williams and Wilkins, 2003. ISBN 0-7817-4363-X

Ligações externas[editar | editar código-fonte]