Menopausa

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Menopausa
Tecido com padrão Ukara Ekpe, tingido em segredo por mulheres da Cultura Igbo após a menopausa.[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 N95.0
CID-9 627.2
DiseasesDB 8034
MedlinePlus 000894
eMedicine article/264088
MeSH D008593

Menopausa é o momento na vida de maior parte das mulheres em que os períodos menstruais cessam de forma permanente, deixando assim de poder engravidar.[2][3] A menopausa ocorre geralmente entre os 49 e 52 anos de idade.[4] Os profissionais de saúde muitas vezes definem menopausa como a situação em que a mulher não apresenta qualquer hemorragia vaginal durante pelo menos um ano.[5] Pode também ser definida por uma diminuição da produção de hormonas nos ovários.[6] Em mulheres foram submetidas a uma cirurgia para remoção do útero, mas que ainda possuem ovários, pode-se definir menopausa como tendo ocorrido no momento da cirurgia ou no momento em que os níveis hormonais diminuem.[6] Quando o útero é removido, os sintomas geralmente manifestam-se mais cedo, em média aos 45 anos de idade.[7]

Ao longo do intervalo de tempo que antecede a menopausa, geralmente os períodos de uma mulher tornam-se irregulares, o que significa que o intervalo de tempo entre eles pode ser mais curto ou mais longo ou que a quantidade de fluxo menstrual pode ser maior ou menor de período para período. Durante este intervalo, muitas vezes as mulheres sentem ondas de calor que duram entre trinta segundos e dez minutos, e podem estar associadas a arrepios, suor e rubor da pele.[8] As ondas de calor muitas vezes desaparecem após um ou dois anos.[3] Entre outros sintomas estão secura vaginal, dificuldade em adormecer e alterações de humor.[8] A gravidade dos sintomas varia de mulher para mulher.[3] Embora seja comum a crença de que a menopausa está associada a um aumento das doenças cardiovasculares, esse aumento deve-se à própria idade e não existe uma relação direta com a menopausa. Em algumas mulheres, a menopausa pode melhorar algumas condições anteriormente presentes, como endometriose ou períodos dolorosos.[3]

Na maior parte dos casos a menopausa é uma alteração natural do corpo.[9] Em fumadoras, a condição pode ocorrer mais cedo.[5][10] Entre outras causas estão a cirurgia para remoção de ambos os ovários ou alguns tipos de quimioterapia.[5] A nível fisiológico, a menopausa tem origem na diminuição da produção das hormonas estrogénio e progesterona pelos ovários.[2] Embora geralmente não seja necessário, o diagnóstico de menopausa pode ser confirmado pela medição dos níveis hormonais no sangue ou na urina.[11] A menopausa é o oposto da menarca, o momento em que ocorre o primeiro período da mulher.[12]

Geralmente não é necessário tratamento específico para a menopausa. No entanto, alguns dos sintomas podem melhorar com determinadas medidas. As ondas de calor podem melhorar evitando o consumo de tabaco, cafeína e bebidas alcoólicas. Para a dificuldade em adormecer recomenda-se dormir num quarto fresco ou com a ajuda de uma ventoinha e a realização de exercício físico.[13] Alguns medicamentos também podem melhorar os sintomas, como a terapia de substituição hormonal, clonidina, gabapentina ou inibidores seletivos de recaptação de serotonina.[13][14] EMbora a terapia hormonal fosse anteriormente prescrita de forma rotineira, atualmente não está recomendada em pessoas com sintomas significativos devido à preocupação com os efeitos secundários.[13] Não existem evidências de qualidade que confirmem a eficácia dos tratamento de medicina alternativa,[3] embora haja alguns indícios no caso das isoflavonas de soja.[15]

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A menopausa acontece quando os ovários cessam a produção de estrógenos, ao passo em que a capacidade reprodutiva diminui. Como o organismo naturalmente adapta-se aos níveis variáveis dos hormônios, vão surgindo em graus variados sintomas circulatórios como ondas de calor e palpitações, sintomas psicológicos, como aumento da depressão, ansiedade, irritabilidade, variações de humor e falta de concentração e, finalmente, sintomas de atrofia, como secura vaginal e urgência na urinação.

Além desses sintomas, a mulher também pode apresentar ciclos menstruais cada vez mais espaçados, escassos e irregulares.

Tecnicamente, a menopausa reporta à cessação do ciclo menstrual; considerando-se que esta redução dá-se num processo gradual, que leva normalmente cerca de um ano - mas pode durar, nalguns casos, de menos de seis meses a mais de cinco anos - é chamada por Climatério. O uso popular, entretanto, fez com que o termo menopausa fosse mais usado.

A menopausa natural, ou fisiológica, é aquela em que ocorre como uma parte natural do processo de envelhecimento normal da mulher. A menopausa pode, entretanto, derivar de procedimentos cirúrgicos, tais como a histerectomia, quando esta envolve a remoção dos ovários.

O início comum da menopausa se dá por volta dos 50 anos, mas algumas mulheres entram na menopausa numa idade menor, especialmente se elas sofreram algum tipo de câncer ou outra doença séria em que houve uso de quimioterapia.

A menopausa prematura (ou falência prematura dos ovários) são as menopausas que ocorrem em idades inferiores a 40 anos, e tem sua incidência em cerca de 1% das mulheres. Outras causas de menopausa prematura incluem Doença auto-imune, doenças na tireóide, e Diabete Mellitus. A menopausa prematura é diagnosticada medindo-se os níveis de FSH (do inglês: follicle stimulating hormone - hormônio folículo-estimulante) e do LH (do inglês: luteinizing hormone - hormônio luteinizante) - os níveis desses hormônios serão mais altos se a menopausa ocorre. Índices de incidência de menopausa prematura elevados foram encontrados em casos de gêmeas idênticas e fraternas: aproximadamente 5% delas são afetadas pela menopausa precoce antes dos 40 anos de idade. As razões disto não são compreendidas, completamente. Transplantes do tecido ovariano entre gêmeas idênticas tiveram êxito no restabelecimento da fertilidade.

O risco de osteoporose aumenta no pós-menopausa, especialmente nas mulheres caucasianas de ascendência europeia.

Ao contrários dos seres humanos, os animais raramente experimentam a menopausa. Isto pode ser explicado facilmente em razão de seu curto período de vida. Estudos recentes, porém, identificaram a menopausa em gorilas, com idade em torno de 44 anos.

Graduação dos sintomas[editar | editar código-fonte]

Sendo diferenciados os graus dos sintomas mais comuns da menopausa, os médicos alemães H. S. Kupperman e M. H. G. Blatt propuseram uma tabela onde estes pudessem ser mensurados, em 1953, à qual foram acrescentados novos itens pelas médicas B. Neugarten e Ruth Kraines, em 1964. A presença maior ou menor desses sintomas auxilia no diagnóstico da presença da menopausa [1].

Tabela Kupperman-Blatt Graduação
Sintoma Leve Moderado Alto
Onda de calor 4 8 12
Parestesia 2 4 6
Insônia 2 4 6
Impaciência e nervosismo 2 4 6
Depressão 1 2 3
Cansaço 1 2 3
Artrodinia e/ou Mialgia 1 2 3
Cefaleia 1 2 3
Palpitação 2 4 6
Zumbidos 1 2 3
Totais 17 34 51

Os sintomas são considerados leves se a soma destes for até 19; serão moderados, de 20 a 35 e, finalmente, fortes acima de 35.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

A menopausa é um estágio natural da vida, não uma doença ou disfunção, e desta maneira não necessita automaticamente de nenhum tipo de tratamento. No entanto, quando os efeitos corporais são severos e prejudiciais, pode-se aliviá-los com tratamento medicamentoso.

Terapia de Reposição Hormonal (HRT)[editar | editar código-fonte]

Na terapia de reposição hormonal (HRT), um ou mais estrogênios, usualmente em combinação com progesterona (e algumas vezes com testosterona) são administrados para compensar parcialmente a redução dos níveis destes hormônios no organismo, e também na tentativa de manutenção dos níveis naturais durante a perimenopausa. HRT era o tratamento mais usado para os sintomas da menopausa até a publicação de dois estudos nacionais de larga escala, em 2002. Estes estudos, um realizado pela Women’s Health Initiative dos Estados Unidos, e outro pela Million Woman Study da Inglaterra, investigaram os efeitos da HRT na saúde de mais de um milhão de mulheres. Os estudos demonstraram que o uso da HRT aumenta significativamente o risco de ataque cardíaco, ocorrência de trombos vasculares, acidente vascular cerebral e câncer de mama. Após a publicação destas descobertas, o órgão americano FDA (Food and Drug Administration) passou a recomendar que as mulheres que queiram usar a HRT, optem pela menor dose e tempo de tratamento possíveis. Também é recomendado que as mulheres que sentem ondas de calor tentem alternativas à HRT como tratamento de primeira escolha.

Modulador seletivo do receptor de estrógeno (SERM)[editar | editar código-fonte]

SERM constituem uma nova classe de drogas que agem seletivamente como agonistas ou antagonistas dos receptores de estrogênio no organismo. FitoSERM são SERM oriundos de fonte botânica, fazendo-os relativamente mais seguros que outros tipos de tratamento disponíveis.

Suplementos dietéticos alternativos[editar | editar código-fonte]

Suplementos dietéticos alternativos oferecem alívio intenso a moderado dos sintomas da menopausa. Alguns suplementos de fontes botânicas, como os fitoestrogênios, são conhecidos por exercerem efeitos estrogênicos no organismo, gerando alívio relativamente moderado dos sintomas da menopausa. Os suplementos fitoestrogênicos incluem isoflavonas de soja, red clover (Trifolium pratense), black cohosh (Cimicifuga racemosa) e yam (inhame selvagem, Dioscorea villosa). Note que efeitos adversos hepáticos severos têm sido descritos com o uso de black cohosh.[16] Outras mudanças dietéticas também possuem um efeito positivo no alívio das ondas de calor. Estas incluem evitar o consumo de cafeína, bebidas quentes, chocolate, comidas apimentadas e álcool.[17] Acredita-se que certas ervas também possam ajudar.[18]

Referências

  1. Chuku, Gloria (2005). Igbo women and economic transformation in southeastern Nigeria, 1900–1960 (Paragraph 3: Routledge). p. 73. ISBN 0415972108. 
  2. a b «Menopause: Overview». Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. 2013-06-28. Consultado em 8 March 2015. 
  3. a b c d e «Menopause: Overview». PubMedHealth. 29 August 2013. Consultado em 8 March 2015. 
  4. Takahashi, TA; Johnson, KM (May 2015). «Menopause.». The Medical clinics of North America [S.l.: s.n.] 99 (3): 521–34. doi:10.1016/j.mcna.2015.01.006. PMID 25841598. 
  5. a b c «What is menopause?». Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. 2013-06-28. Consultado em 8 March 2015. 
  6. a b Sievert, Lynnette Leidy (2006). Menopause : a biocultural perspective [Online-Ausg.] ed. (New Brunswick, N.J.: Rutgers University Press). p. 81. ISBN 9780813538563. 
  7. International position paper on women's health and menopause : a comprehensive approach DIANE Publishing [S.l.] 2002. p. 36. ISBN 9781428905214. 
  8. a b «What are the symptoms of menopause?». Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. 6 May 2013. Consultado em 8 March 2015. 
  9. «What causes menopause?». Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. 6 May 2013. Consultado em 8 March 2015. 
  10. Warren, volume editors, Claudio N. Soares, Michelle (2009). The menopausal transition : interface between gynecology and psychiatry [Online-Ausg.] ed. (Basel: Karger). p. 73. ISBN 978-3805591010. 
  11. «How do health care providers diagnose menopause?». Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. 6 May 2013. Consultado em 8 March 2015. 
  12. Wood, James. «9». Dynamics of Human Reproduction: Biology, Biometry, Demography Transaction Publishers [S.l.] p. 401. ISBN 9780202365701. 
  13. a b c «What are the treatments for other symptoms of menopause?». Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. 2013-06-28. Consultado em 8 March 2015. 
  14. Krause, MS; Nakajima, ST (March 2015). «Hormonal and Nonhormonal Treatment of Vasomotor Symptoms.». Obstetrics and Gynecology Clinics of North America [S.l.: s.n.] 42 (1): 163–179. doi:10.1016/j.ogc.2014.09.008. PMID 25681847. 
  15. Franco, Oscar H.; Chowdhury, Rajiv; Troup, Jenna; Voortman, Trudy; Kunutsor, Setor; Kavousi, Maryam; Oliver-Williams, Clare; Muka, Taulant (21 June 2016). «Use of Plant-Based Therapies and Menopausal Symptoms». JAMA [S.l.: s.n.] 315 (23): 2554–63. doi:10.1001/jama.2016.8012. PMID 27327802. 
  16. Vitetta L, Thomsen M, Sali A (2003). «Black cohosh and other herbal remedies associated with acute hepatitis». Med. J. Aust. [S.l.: s.n.] 178 (8): 411–2. PMID 12697018. 
  17. «Hot Flash, Hot Flashes - Menopause and What's a Hot Flash?». 
  18. Effect of yoga on cognitive functions in climacteric syndrome: a randomised control study. Chattha R - BJOG - 01-JUL-2008; 115(8): 991-1000

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]