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Bartonelose

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Bartonellosis
Bartonella
Especialidadeinfecciologia
Classificação e recursos externos
CID-111C11
CID-10A44
CID-9088.0
DiseasesDB1249
eMedicinemed/212
MeSHD001474
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Bartonelose se refere às doenças infecto-contagiosas causadas por bactérias do gênero Bartonella. Bartonellas são bactérias gram-negativas, flageladas (10 ou mais flagelos), intracelulares facultativas, aeróbias obrigatórias e oportunistas. Usam artrópodes que se alimentam de sangue, como pulgas, mosquitos e carrapatos, como vetores.[1] A transmissão da doença para humanos se dá através da arranhadura ou mordedura de cães e gatos e, mais raramente, pela arranhadura em espinhos, lascas de madeira, dentre outros[2].

Histórico

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Os primeiros registros de bartonelose remontam ao século XIX, nos Andes peruanos, onde Bartonella bacilliformis foi identificada como agente da febre de Oroya, doença endêmica em regiões de altitude elevada. Durante a Primeira Guerra Mundial, B. quintana foi responsável por surtos da chamada “febre das trincheiras”, transmitida por piolhos em condições precárias de higiene. Já B. henselae passou a ser reconhecida, a partir da década de 1990, como a principal causa da doença da arranhadura do gato, que ocorre após contato com gatos domésticos infectados. [3]

Classificação

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Cada espécie de Bartonela causa uma doença diferente[4][5]:

Espécie de Bartonella Portador Doenças
Bartonella bacilliformis humanos verruga peruana (doença de Carrion)
Bartonella quintana humanos Febre das Trincheiras, bacteremia, angiomatose bacilar, endocardite
Bartonella henselae gatos Doença da arranhadura do gato, bacteremia, angiomatose bacilar, endocardite
Bartonella elizabethae roedores Endocardite
Bartonella grahamii ??? Retinite
Bartonella vinsoni cachorros Endocardite e bacteremia
Bartonella washonsis roedores Miocardite
Bartonella clarridgiae gatos Bacteremia
Bartonella rochalimae humanos Síndrome similar à verruga peruana

Epidemiologia

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As infecções por Bartonella apresentam distribuição mundial. B. bacilliformis permanece restrita a regiões andinas do Peru, Equador e Colômbia. B. quintana está associada a populações vulneráveis, especialmente pessoas em situação de rua, sendo transmitida pelo piolho humano.

Pesquisas brasileiras ampliaram o conhecimento sobre os vetores da doença. Um estudo conduzido na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) detectou DNA de B. henselae em 19,6% dos carrapatos Amblyomma sculptum coletados no campus, indicando um possível novo vetor de relevância epidemiológica[6]. Além disso, há relatos de bacteremia assintomática em doadores de sangue, o que levanta a hipótese de transmissão transfusional[7] [8](DRUMMOND et al., 2022).

Fisiopatologia

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A bartonelose pode se manifestar de diferentes formas clínicas:

  • Doença da arranhadura do gato (B. henselae): caracterizada por febre, mal-estar e linfadenopatia regional, geralmente autolimitada.
  • Febre de Oroya (B. bacilliformis): infecção aguda com anemia hemolítica intensa, podendo ser fatal se não tratada.
  • Angiomomatose bacilar (B. henselae ou B. quintana): forma crônica observada em pacientes imunossuprimidos, especialmente portadores de HIV, com lesões proliferativas na pele e órgãos internos.
  • Outras manifestações: endocardite, osteomielite, hepatosplenomegalia e retinite também são descritas. Estudos recentes têm sugerido uma possível relação entre a infecção por Bartonella e problemas reprodutivos, como infertilidade e abortos de repetição, indicando a possibilidade de transmissão vertical (SILVA; DRUMMOND; VELHO, 2023).

Diagnóstico

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O diagnóstico pode ser feito por diferentes métodos:

  • Hemocultura, que, embora tradicional, apresenta baixa sensibilidade devido ao crescimento lento da bactéria.
  • Sorologia e PCR, que atualmente são as técnicas mais utilizadas pela sua sensibilidade e especificidade.
  • Imunohistoquímica, importante no diagnóstico diferencial de lesões cutâneas, especialmente na angiomomatose bacilar, que pode ser confundida com sarcoma de Kaposi [9] (VELHO; DRUMMOND; SILVA, 2019).

Tratamento

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Dependendo da espécie muitos antibióticos podem ser usados, inclusive macrolídios e tetraciclinas. Imunodeprimidos devem ser tratados com gentamicina, rifampicina ou ciprofloxacina para evitar bacteriemias. Algumas cepas de B. henselae são resistentes a penicilina, amoxicilina e similares.[10]

Prevenção

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As medidas preventivas incluem:

  • Controle de vetores (pulgas, carrapatos e piolhos).
  • Cuidados de higiene com gatos domésticos, especialmente filhotes.
  • Educação em saúde sobre zoonoses e boas práticas no convívio com animais.

A prevenção também envolve vigilância ativa em bancos de sangue, considerando a possibilidade de infecções assintomáticas e transmissão transfusional. [11]

Saúde pública e Atualidades

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A Bartonelose é considerada uma zoonose emergente e negligenciada, com crescente reconhecimento na interface entre saúde humana e animal. Sob a perspectiva One Health, seu estudo envolve médicos, veterinários e pesquisadores ambientais.

Nos últimos anos, pesquisadores brasileiros têm contribuído significativamente para o avanço do conhecimento sobre o tema. A equipe da UNICAMP e colaboradores identificaram não apenas a presença da bactéria em vetores e humanos assintomáticos, mas também sua possível relação com distúrbios reprodutivos e hepatite criptogênica, ampliando o espectro clínico antes conhecido [12](SILVA; DRUMMOND; VELHO, 2023; DRUMMOND et al., 2022).

Referências

  1. Walker DH (1996). Rickettsiae. In: Barron's Medical Microbiology (Barron S et al., eds.) (4th ed.). Univ of Texas Medical Branch. ISBN 0-9631172-1-1.
  2. Todeschini Pires de Albuquerque, Karina (2002). «Doença de Arranhadura do Gato». Revista Médica do H.S.E. Consultado em 8 de novembro de 2019 
  3. Mada, Pradeep Kumar; Zulfiqar, Hassam; Joel Chandranesan, Andrew Stevenson (2025). «Bartonellosis». Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. PMID 28613624. Consultado em 10 de outubro de 2025 
  4. http://emedicine.medscape.com/article/213169-overview
  5. acomo V, Kelly PJ, Raoult D (2002). "Natural history of Bartonella infections (an exception to Koch's postulate)". Clin. Diagn. Lab. Immunol. 9 (1): 8–18. doi:10.1128/CDLI.9.1.8-18.2002. PMC 119901. PMID 11777823.
  6. GUSMÃO, Allisson (2021). «Prevalência de Bartonella spp. em carrapatos coletados na Universidade Estadual de Campinas». XXIX Congresso de Iniciação Cientifica da Unicamp (PDF). São Paulo: Unicamp 
  7. DRUMMOND, Marina (2021). XXIX Congresso de Iniciação Cientifica da Unicamp (PDF). São Paulo: Unicamp 
  8. Drummond, Marina Rovani; Santos, Luciene Silva dos; Fávaro, Renata Soalheiro; Stucchi, Raquel Silveira Bello; Boin, Ilka de Fátima Santana Ferreira; Velho, Paulo Eduardo Neves Ferreira (18 de jul. de 2022). «Cryptogenic hepatitis patients have a higher Bartonella sp.-DNA detection in blood and skin samples than patients with non-viral hepatitis of known cause». PLOS Neglected Tropical Diseases (em inglês) (7): e0010603. ISSN 1935-2735. PMC 9292087Acessível livremente. PMID 35849566. doi:10.1371/journal.pntd.0010603. Consultado em 10 de outubro de 2025 
  9. «Diagnóstico da infecção por Bartonella spp.: a propósito de um caso de angiomatose bacilar». www.scielo.br. doi:10.1590/s0365-05962006000400007. Consultado em 10 de outubro de 2025 
  10. Rolain JM, Brouqui P, Koehler JE, Maguina C, Dolan MJ, Raoult D (2004). "Recommendations for treatment of human infections caused by Bartonella species". Antimicrob. Agents Chemother. 48 (6): 1921–33. doi:10.1128/AAC.48.6.1921-1933.2004. PMC 415619. PMID 15155180.
  11. Mada, Pradeep Kumar; Zulfiqar, Hassam; Joel Chandranesan, Andrew Stevenson (2025). «Bartonellosis». Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. PMID 28613624. Consultado em 10 de outubro de 2025 
  12. «XXXI Congresso de Iniciação cientifica Unicamp» (PDF). Ocorrência da infecção por Bartonella sp. Em mulheres inférteis e com aborto de repetição. 2023  line feed character character in |periódico= at position 66 (ajuda)