Georges Cuvier

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Georges Cuvier
História natural, paleontologia, anatomia
Nacionalidade França Francês
Nascimento 23 de agosto de 1769
Local Montbéliard
Morte 13 de maio de 1832 (62 anos)
Local Paris
Atividade
Campo(s) História natural, paleontologia, anatomia
Instituições Museu Nacional de História Natural (França)

Georges Cuvier (Montbéliard, 23 de agosto de 1769Paris, 13 de maio de 1832) foi um naturalista da primeira metade do século XIX, tendo desenvolvido métodos e programas de pesquisas para várias áreas da história natural.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu nome verdadeiro era Jean Leopold Nicolas Fréderic Cuvier.[1]

Procurando atingir a compreensão das leis naturais que regem o funcionamento dos seres vivos ele formulou as leis da Anatomia Comparada, que possibilitaram as reconstruções paleontológicas. A partir daí, os fósseis poderiam passar a pertencer a um sistema de classificação biológica, único, em conjunto com os organismos vivos[2] . Através da Anatomia Comparada, Cuvier pôde comprovar que as ossadas fósseis de mamutes e mastodontes diferiam das ossadas dos elefantes viventes, asiáticos e africanos, e que portanto pertenciam a espécies distintas. Desta forma estabeleceu, definitivamente, a ocorrência do fenómeno da extinção[3] , visto que não haveria possibilidade de que aqueles enormes quadrúpedes fossem encontrados em alguma região remota do Globo, já bem explorado naquele momento.[4]

Foi um dos mais influentes defensores do Catastrofismo, publicando a obra de divulgação principal desta teoria: Discurso sobre as Revoluções na Superfície do Globo (1812-1825).[5] Georges Cuvier é frequentemente relacionado à figura de opositor das ideias transformistas, como por exemplo as de Lamarck e de portanto ter barrado o surgimento do evolucionismo na França[5]

Estudou em Stuttgart (Alemanha), durante quatro anos, até 1788, quando então foi trabalhar na Normandia como tutor em uma família da nobreza, que havia se transferido para a região de Caen durante o período crítico da Revolução Francesa. Em 1795 mudou-se para Paris e assumiu no Museu Nacional de História Natural (França), as funções de assistente de Jean-Claude Mertrud [6] . Em 1796 foi eleito membro do Institut de France, e em 1800 começou a lecionar no Collège de France. Com a morte de Mertrud em 1802, tornou-se titular da cadeira de Anatomia Animal, no Museu de Paris.[7] Nesta intituição, Cuvier empreendeu uma profusão de estudos comparativos que resultaram no reconhecimento de seus métodos, pela comunidade científica da época, a qual viria a aderir ao seu programa científico para o estudo dos fósseis.[http://ufsc.academia.edu/FFaria 1]

Cuvier defendia a ideia de que os organismos eram formados de partes complexas interrelacionadas, que não podiam ser alteradas sem que o todo perdesse a sua harmonia. Não acreditava na Teoria da Evolução Orgânica, pois , para ele, as modificações necessárias para tal fenómeno ocorrer, seriam inviáveis, de acordo com as leis da Anatomia Comparada. Para refutar as ideias transformistas, comparou gatos e Ibis mumificados, trazidos pela expedição de Napoleão Bonaparte ao Egito, concluindo que não apresentavam diferenças anatômicas com os representantes atuais, mesmo com o decorrer de milhares de anos.[8] Em sua época, acreditava-se que a Terra teria a idade de alguns milénios, apenas.

Além de sua eminência no campo das ciências, ocupou diversos cargos na Administração Pública, sendo que em 1808 foi nomeado, pelo Imperador Napoleão Bonaparte, Inspector-Geral da Educação, cargo com o qual promoveu a reforma no sistema de ensino francês, a qual vigora até os dias de hoje.[9] Nos últimos dias de sua vida, Cuvier combateu as ideias de Geoffroy Saint-Hilaire sobre a unidade de composição orgânica, em uma polémica, acompanhada pelo público através de jornais e revistas da época. Morreu durante uma epidemia de cólera, que assolou Paris, porém a causa foi um acidente vascular cerebral.[10] Foi sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, Paris na França.[11]

Racismo[editar | editar código-fonte]

Sarah Saartjie Baartman

Cuvier foi um dos pensadores científicos dominantes na França, concordando com os preconceitos raciais da época, e sua influência foi bem relevante.[12] Naquele contexto,ele pesquisou os africanos negros que ele considerava “a raça humana mais degradada, cujas formas são grosseiras, e cuja inteligência não agrega nada e não leva um governo regular”[13] . Pouco depois da morte de Saartjie Baartman, ele prosseguiu com sua dissecação[14] em nome do progresso do conhecimento humano. Ele elaborou um molde completo de seu corpo e separou seu esqueleto, e também seu corpo e seus órgãos genitais, colocados em jarras de formol e exposto no "Museu do Homem"[15] . Em 1817, ele exibiu o resultado de seu trabalho na “Académie de médecine”. A publicação de suas “Observations sur le cadavre d'une femme connue à Paris et à Londres sous le nom de Vénus hottentote[16] atesta as teorias racistas da época. Ele fez referência particular a classificação de raças humanas através do “esqueleto da cabeça” e de uma “lei cruel que parece ter condenado a uma eterna inferioridade às raças com crânios deprimidos e comprimidos”. Saartjie Baartman é descrita através de seus traços mais parecidos com macacos do que com a raça negra: “Nossa Boximane tem um focinho mais proeminente que o dos negros, a face mais larga que o calmouque e ossos nasais mais chatos que os dois ultimos. Neste último contexto, acima de tudo, eu nunca vi uma cabeça humana mais semelhante a de macacos do que a sua”[17] .

Referências

  1. Jaussaud, Philippe & Brygoo, Édouard-Raoul (2004). Du Jardin au Museum en 516 Biographies, 2004 [S.l.: s.n.] ISBN 2-85653-565-8. 
  2. Felipe, Faria (2012). Georges Cuvier: do estudo dos fósseis à paleontologia [S.l.: s.n.] ISBN 9788573264876 http://ufsc.academia.edu/FFaria Verifique |isbn= (Ajuda). 
  3. Memória sobre as espécies de elefantes viventes e fósseis, lida na secção pública do Instituto Nacional, ao 15 germinal, ano IV2, por G. Cuvier, 1796|date=1796| Magasin Enciclopédique – Tradução: Faria, F. Felipe A. disponível em http://www.abfhib.org/Boletim/Boletim-HFB-04-n3-Set-2010.htm |isbn=ISSN 1982-1026
  4. Cuvier, Georges (1830). Discours sur les révolutions de la surface du Globe,1830 [S.l.: s.n.]  Texto "Edmond D'Ocagne" ignorado (Ajuda)
  5. a b Rudwick, Martin (1997). Georges Cuvier, Fossil Bones, and Geological Catastrophes,1997 [S.l.: s.n.] ISBN 0-226-73106-5.  Erro de citação: Invalid <ref> tag; name "Rudwick" defined multiple times with different content
  6. A carta de Cuvier à J.-C. Mertrud: uma introdução à Anatomia Comparada |date=1805| disponível em http://www.academia.edu/5506301/A_carta_de_Cuvier_a_J.-C._Mertrud_uma_introducao_a_Anatomia_Comparada
  7. Caponi, Gustavo (2008). Georges Cuvier: um fisiologo de museu, 2008 [S.l.: s.n.] ISBN 2-85653-565-8.  |Limusa|
  8. |Coleman, William (1964). Georges Cuvier: Zoologist, 1964 [S.l.: s.n.] ISBN 2-85653-565-8. Harvard University press =
  9. Outram, Dorinda | Georges Cuvier: Vocation Sciences and Authority in Post-Revolutionary France= (1984). [S.l.: s.n.] ISBN 0-7190-1077-2.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  10. Taquet, Philippe (2006). Georges Cuvier: naissance d'un génie, 2006 [S.l.: s.n.] ISBN 2-7381-0969-1. |Odile Jacob|
  11. Georges Cuvier (em inglês) no Find a Grave
  12. a edição de março da Ciência da Cultura França 18 de novembro de 2010
  13. George Cuvier, Recherches sur les ossements fossiles, Vol. 1, Deterville, Paris, 1812, p. 105.
  14. George Cuvier, Recherches sur les ossements fossiles, Vol. 1, Deterville, Paris, 1812, p. 105.
  15. François Clarac, Jean-Pierre Ternaux (dir.), Encyclopédie historique des neurosciences : du neurone à l'émergence de la pensée, De Boeck Université, 2008, p. 531
  16. Mémoires du Muséum d'histoire naturelle, Volume 3, Belin, Paris, 1817, p. 259-274
  17. Mémoires du Muséum d'histoire naturelle, Volume 3, Belin, Paris, 1817, p. 271.
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