Minhoca

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Minhoca fora da terra

Minhoca fora da terra
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Annelida
Classe: Oligoqueta
Ordem: Haplotaxida
Subordem: Lumbricina

As minhocas são animais anelídeos da classe Oligoqueta, ordem Haplotaxida, distribuídas pelos solos húmidos de todo o mundo, algumas de apenas centímetros e outras com um a dois metros de comprimento, casos nos quais são conhecidas como minhocuçus. O seu corpo é formado por anéis (segmentos corporais). São ainda conhecidas por serem animais com vários corações, e podem ter entre dois a quinze pares de corações.[1][2]

Elas vivem enterradas (são animais subterrâneos), escavam galerias e canais, buscando abrigo e restos vegetais, seu principal alimento, ingerido com grandes quantidades de terra. Elas são, portanto, animais detritívoros, pois se alimentam de detritos de várias origens, que compõem o húmus. As minhocas constantemente excretam terra, devido ao seu sistema digestivo simples.

As minhocas têm o corpo cilíndrico, alongado, com a boca e o ânus, em extremidades opostas; e um anel mais claro, o clitelo, mais próximo da boca.

Passando o dedo na sua região ventral, de trás para a frente, sentimos que a pele do animal é áspera, devido à presença de fileiras de microscópicas cerdas de quitina. As minhocas fixam as pontas das cerdas no solo, facilitando o seu deslocamento, quando contrai a forte musculatura da parede do corpo.

Minhoca no anzol como isca de pesca

A epiderme das minhocas é coberta por uma fina cutícula de quitina e produz bastante muco, o que as torna viscosas, diminuindo o atrito com o solo e facilitando o deslocamento. O muco ainda protege a pele quando em contato com substâncias tóxicas ou nocivas e garante a umidade indispensável para as trocas dos gases respiratórios em toda a superfície do corpo. Esta é a chamada respiração cutânea.

As minhocas são frequentemente usadas como isca (viva) na pesca à linha. Diferente do que algumas pessoas pensam, a cobra-cega não é minhoca e possui uma classificação bem distinta.

Os órgãos internos da minhoca[editar | editar código-fonte]

Existem Mais de 8000 especies de minhocas As minhocas têm um sistema digestivo completo, que inicia na boca e termina no ânus. Na sua porção anterior, há uma grande câmara, o papo, e, em seguida, uma moela, que tritura o alimento. Segue-se um longo intestino, até o ânus, no último segmento.

O sistema circulatório é fechado, com uma grande rede de vasos muito finos, os capilares, sob a pele, para a troca de gases com o ambiente. É o mesmo tipo de circulação dos vertebrados. O sangue das minhocas é vermelho, por causa da hemoglobina, o mesmo pigmento encontrado nos glóbulos vermelhos dos vertebrados.

Em cada segmento do corpo há uma câmara interna, cheia de um líquido aquoso. Daí são retiradas substâncias de excreção, através de órgãos especiais que se abrem na pele, por poros microscópicos.

O sistema nervoso é representado por gânglios na cabeça e ao longo da região ventral do corpo. Os gânglios são formados por grupos de células nervosas que funcionam como centros de coordenação das diversas funções no corpo do animal.

Circulação[editar | editar código-fonte]

A circulação é do tipo fechada, ou seja, o sangue é totalmente canalizado. Possui dois vasos sanguíneos principais, um dorsal e um ventral, que são ligados transversalmente por 5 vasos contráteis, que funcionam como 5 corações. A distribuição de nutrientes e de gás oxigênio/carbônico no corpo de uma minhoca é feita pelo sangue.[3].

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As minhocas são seres sexuais e hermafroditas incompletos, pois cada indivíduo tem testículos e ovários, no entanto, o animal não se reproduz sozinho, dependendo sempre da união com outro para a troca de espermatozoides, o que é chamado de fecundação cruzada. Na cópula, os dois animais se unem pelo clitelo, que produz bastante muco, fazendo a troca de espermas. Após a troca de espermas, os dois vermes separam-se e cada um deles produz um casulo cheio de ovos, que é depositado no chão e, após alguns dias, nascem os vermes deste casulo.

Minhocas copulando

A época reprodutiva das minhocas é definida mais por condições meteorológicas, que propriamente meses do ano. Quando o ambiente e a temperatura são favoráveis, que ocorre habitualmente nos períodos quentes e húmidos, e de uma forma geral à noite, as minhocas procuram um parceiro para fecundar. Cada minhoca, em condições ideais, pode deixar de 100 a 140 descendentes em um ano.

Sistema Digestivo[editar | editar código-fonte]

As minhocas tem tubo digestivo completo, ou seja, inicia na boca e termina no ânus.

Sistematizando: 1-Boca→ Capturar o alimento 2-Faringe muscular→ auxilia na entrada do alimento e maceração do alimento 3- Esôfago→ Ponte entre a faringe e o papo 4- Papo→ Armazenar o alimento e inicio da digestão química 5- Moela→ Triturar o alimento. Tem a parede muscular mais forte e separa a matéria orgânica da matéria inorgânica.

Sistema respiratório[editar | editar código-fonte]

O sistema respiratório das minhocas funciona nas partes externas de seu corpo.

Famílias[editar | editar código-fonte]

Uma minhoca em seu túnel subterrâneo

Espécies brasileiras[editar | editar código-fonte]

No Brasil existem em torno de 26 espécies de minhoca classificadas em 18 famílias (sendo a mais comum a família Glossoscolecidae). A maioria das espécies mais frequentes em solo brasileiro são estrangeiras, e foram introduzidas por fins comerciais (tais como a Eisenia fetida, originária do oeste dos EUA, e a Eudrilus eugeniae, originária da África). Dentre as espécies nativas destacam-se a Glossoscolex giganteus, a primeira espécie descrita no Brasil (em 1836 por Rudolf Leuckart, com espécime encontrada no Rio de Janeiro); a Pontoscolex corethrurus, considerada a espécie mais comum em solo brasileiro; e Rhinodrilus alatus, conhecido popularmente como minhocuçu, endêmico do cerrado central do estado de Minas Gerais e que tem em média 60 cm de comprimento.

Minhocas como alimento dos nativos das Américas[editar | editar código-fonte]

As minhocas, assim como outros invertebrados faziam parte da dieta dos ameríndios[4].

Índios do Acre comiam, crua ou assada, a minhoca por eles chamada de daracubi, muito comum em igapós[5].

Referências

  1. «Minhoca pode ter quinze pares de corações | Superinteressante». Superinteressante. 31 de agosto de 1996 
  2. «É verdade que as minhocas têm vários corações? | Mundo Estranho». Mundo Estranho. 18 de abril de 2011 
  3. Fabiana Santos Gonçalves. «Anelídeos (Annelida)». Consultado em 04 de março de 2013  Verifique data em: |access-date= (ajuda)
  4. CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  5. PEREIRA, Nunes (1892-1985). Panorama da alimentação indígena: Comidas, bebidas & tóxicos na amazônia brasileira. Rio de Janeiro, Livraria São José. 1974, 412 p.

Ver também[editar | editar código-fonte]