Furão-pequeno

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Galictis.jpg

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Género: Galictis
Espécie: G. cuja
Nome binomial
Galictis cuja
(Molina, 1782)
Distribuição geográfica
Mapa de distribuição
Mapa de distribuição
Subespécies
G. c. cuja

G. c. furax
G. c. huronax
G. c. luteola

O furão-pequeno, Galictis cuja, é um animal pertencente à família dos furões, Mustelidae, da América do Sul. É encontrado na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru e Paraguai.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

• Galictis pode ser monogâmico.

• Os pares caçam juntos quando jovens estão sendo criados.[1]

• Os tamanhos das ninhadas são de 2-5 indivíduos.

• Os jovens podem ser precociais.[2]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Atualmente são reconhecidas duas espécies do gênero Galictis: o furão pequeno (G. cuja)[3] e o furão grande (G. vittata).[4] A taxonomia desses carnívoros é longa e complexa, mas a história taxonômica moderna, que iniciou com os trabalhos de Thomas[5][6][7], definiu duas formas de Galictis, uma maior que apresentava uma cúspide no primeiro molar inferior G. vittata, chamado de metaconídeo, e outra forma menor, que não apresentava tal estrutura dentária, G. cuja. Essas características compõem a identificação das espécies de furões durante muitos anos e ainda hoje são uma base para a distinção das espécies de Galictis.[8]

O tempo de divergência entre os táxons foi inferido entre cerca de dois a três milhões de anos. De acordo com os registros fósseis os furões provavelmente se originaram na América do Norte. Posteriormente, representantes do gênero colonizaram a América do Sul durante o grande intercâmbio biótico americano, sendo o primeiro registro neste subcontinente ocorrendo na Argentina há cerca de 3.0 – 2.5 milhões de anos.[9] Segundo a taxonomia Galictis cuja possui 4 subespécies: G. c. cuja (Molina 1782), G. c. huronax (Thomas 1921), G. c. luteola (Thomas, 1907:163) e G. c. furax (Thomas 1907), sendo que apenas a última ocorre no Brasil.

Características físicas[editar | editar código-fonte]

Galictis cuja tem um corpo fino, alongado com pescoço longo, peito estreito, pernas curtas e uma cauda curta e espessa. A cabeça é pequena e plana com orelhas redondas e largas.O topo da cabeça, as costas, os lados e a cauda são acinzentados. Já o rosto, a garganta, a barriga e as pernas são pretos sólidos ou às vezes cinza, mas menos do que o dorso. A pele é grossa, mas a camada inferior é macia e curta. Os cabelos na cauda são longos. As pernas são robustas com 5 dedos em cada pé, compostas de garras curtas que são curvas e afiadas.[10] O peito dos pés são cobertos de pelos, mas as solas não possuem.[11]

Galictis c. Cuja possui uma faixa diagonal acinzentada com uma ponta longa (6-7 mm) no dorso, dando uma aparência mais leve do que em outras subespécies. G. c. Furax tem a porção central escura com pelos de cor cinza escuro e relativamente curta. G. c. Huronax é pálido ou branco na faixa diagonal e relativamente mais preto na porção central em comparação com G. c. Luteola, dando ao dorso uma aparência ainda mais escura. G. c. Luteola tem uma faixa diagonal creme. A porção dorsal é preta, e as pontas são mais curtas (4-5 mm) e creme.[12]

Ameaças[editar | editar código-fonte]

As principais ameaças à espécie são a caça, proximidade de animais domésticos, isolamento populacional, incêndios, desmatamento e atropelamentos. As zoonoses também são uma potencial ameaça à espécie, como a dioctofimose, além de cinomose e outras doenças transmitidas por animais domésticos. A busca bibliográfica, utilizando o nome Galictis cuja como palavra-chave, resultou principalmente em artigos sobre fauna atropelada, o que leva a necessidade de investigar o impacto de atropelamentos sobre as populações da espécie.[13] Normalmente na Bolívia, os espécimes de taxidermia são oferecidos ilegalmente no mercado das bruxas em La Paz. Suas peles são recheadas com lã, o fio brilhante é preso às orelhas e as bobinas de papel serpentino são enroladas em volta do corpo. Esses animais são mantidos por muitos anos para uso em ofertas rituais para Pachamama (Mãe Terra) durante festas religiosas populares.[14]

Conservação[editar | editar código-fonte]

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza Galictis cuja não é considerado de interesse global para a conservação,[15] embora isso varie de acordo com o país. Na Argentina é considerado não ameaçado, na Bolívia toda a fauna foi protegida contra a caça, o abismo e a remoção da natureza desde 1990 (Decreto Supremo de Veda Indefinida 22641-Tarifa, 1996), mas Galictis não é de interesse para a conservação. No Chile, Galictis foi protegida da caça e comercialização desde 1929,[16] e isso foi ampliado em 1972 pelo Decreto 40, mas a caça e a coleta são legais sob permissão.[17]

Ecologia e Habitat[editar | editar código-fonte]

A espécie frequentemente ocorre perto de locais úmidos, florestas e também áreas abertas, incluindo capoeiras. Vivem sob troncos de árvores ou pedras e, em tocas que eles mesmos podem cavar.[18] É extremamente raro na maioria dos habitats, por exemplo, em uma região da Bolívia onde dos 638 mamíferos registrados apenas um era da espécie Galictis. Eles são ativos, principalmente durante o dia e crepuscular. São monogâmicos, e frequentemente vistos em pares ou em pequenos grupos,provavelmente familiares, que se comunicam por meio de sons (vocalizações). Os indivíduos são carnívoros, que se alimentam principalmente de roedores, lagomorfos, aves, sapos, lagartos, cobras e seus ovos. .[19] Eventualmente furões podem predar animais maiores do que eles. Os principais predadores da espécie são o lobo-guará Chrysocyon brachyurus, Puma yagouaroundi, Leopardus wiedii e outros pequenos felinos.[20]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

A espécie ocorre no sul do Peru, no oeste da Bolívia, no centro do Chile, no Paraguai, no Uruguai, na Argentina e no leste ao sudeste do Brasil. No Peru, a espécie ocorre em altitudes elevadas no altiplano sul dos departamentos de Arequipa e Puno. Os locais na Bolívia são as terras altas andinas, declive leste dos Andes e porção sudeste do país. Ela é observada também em altitudes elevadas no norte do Chile de Arica para o sul e do nível do mar para 3.800 m no centro do Chile, das províncias de Coquimbo para Valdivia. Galictis ocorre no sul em todo o Uruguai e Argentina e no Paraguai, encontra-se no xico Chaco e provavelmente em todo o país. [21] No Brasil, ocorre nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Alagoas, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Santa Catarina, na Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga, Pampas e Cerrado. Os limites de distribuição entre G. cuja e G. vittata ainda não são bem definidos. No Maranhão há indícios de ocorrência das duas espécies. [22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

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  1. QUINTANA, V., J. YANEZ, AND M. VALDEBENITO. 2000. Orden Car- nivora. Pp. 155–187 in Mamíferos de Chile (A. M. Pedreros and J. Yanez Valenzuela, eds.). Ediciones CEA, Valdivia, Chile
  2. OLIVER,S.,C. 1946. Catalogodelosmamíferos dela Provincia de Concepcion. Boletín de la Sociedad Biológica de Concepción 26:67–83
  3. Molina GI. 1782. Saggio sulla storia naturale del Chili. Bologna: Stamperia di San Tommaso d’Aquino
  4. Schreber JCD. 1776. Die Säugthiere in Abbildungen nach der Natur mit Beschreibungen. Erlangen: Wolfgang Walther
  5. Thomas O. 1907. On Neotropical mammals of the genera Callicebus, Reithrodontomys, Ctenomys, Dasypus, and Marmosa. Annals and Magazine of Natural History 20: 161-168
  6. Thomas O. 1912. Small mammals from South America. Annals and Magazine of Natural History 10: 44–48
  7. Thomas O. 1921. The “huron” of the Argentine. Annals and Magazine of Natural History 8: 212-213
  8. INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE. Avaliação do risco de extinção do Furão Galictis cuja (Molina, 1782) no Brasil. São Paulo:Biodiversidade Brasileira, 3(1), 203-210, 2013
  9. Cione, A.L. & Tonni, E.P. 1995. Chronostratigraphy and “Land-Mammal Ages” in the cenozoic of southern South America: principles, practices, and the “Uquian” problem. Journal of Paleontology, 69: 135-159
  10. Yensen, E., & Tarifa, T. (2003). Galictis cuja. Mammalian Species, 728, 1-8, Julho de 2003
  11. CABRERA, A., AND J. YEPES. 1940. Mamíferos Sud-Americanos. Historia Natural Ediar, Companía Argentina Editores, Buenos Aires, Argentina
  12. THOMAS, O. 1907. On Neotropical mammals of the genera Cal- licebus, Reithrodontomys, Ctenomys, Dasypus, and Marmosa. Annals and Magazine of Natural History, Series 7,20:161– 168
  13. INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE. Avaliação do risco de extinção do Furão Galictis cuja (Molina, 1782) no Brasil. São Paulo:Biodiversidade Brasileira, 3(1), 203-210, 2013
  14. Yensen, E., & Tarifa, T. (2003). Galictis cuja. Mammalian Species, 728, 1-8, Julho de 2003
  15. HILTON-TAYLOR, C. (COMPILER). 2000. 2000 IUCN red list of threatened species. International Union for Conservation of Nature and Natural Resources, Gland, Switzerland
  16. IRIARTE, 1. A., AND F. M. JAKSIC. 1986. The fur trade in Chile: an overview of seventy-five years of export data (1910-1984). Biological Conservation 38:243-253
  17. FULLER, K. S., B. SWIFT, A. JORGENSON, A. BRAUTIGAM, AND A. L. GASKI. 1987. Latin American wildlife trade laws. Second edition, with 1987 update. World Wildlife Fund, Washington, D.C
  18. Reid, F., & Helgen, K. (2008). Galictis cuja. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.2. <www.iucnredlist.org>, , Downloaded on 03 November 2017
  19. Yensen, E., & Tarifa, T. (2003). Galictis cuja. Mammalian Species, 728, 1-8, Julho de 2003
  20. Zapata, S.C.; Travaini, A.; Delibes, M. & Martínez-Peck, R. 2005. Annual food habits of the lesser grison (Galictis cuja) at the southern limit of its range. Mammalia, 69: 85-88
  21. Yensen, E., & Tarifa, T. (2003). Galictis cuja. Mammalian Species, 728, 1-8, Julho de 2003
  22. INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE. Avaliação do risco de extinção do Furão Galictis cuja (Molina, 1782) no Brasil. São Paulo:Biodiversidade Brasileira, 3(1), 203-210, 2013