Lobo-etíope
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Em perigo (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||
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O lobo-etíope (Canis simensis) também chamado lobo-abissínio ou como chacal-vermelho, é um dos mais raros e ameaçados canídeos do mundo. A sua distribuição resume-se a áreas da Etiópia e Eritreia, normalmente acima dos 3 000 m. Atualmente, existem menos de 500 indivíduos adultos em meio selvagem.[2]
É uma das 5 espécies de lobos, além do lobo-cinzento, lobo-vermelho, lobo-oriental e lobo-dourado-africano, sendo a mais rara destas espécies.
Etimologia
[editar | editar código]Lobo-abissínio é uma referência ao antigo nome da Etiópia: "Abissínia".
Taxonomia e evolução
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O mais antigo fóssil conhecido do lobo-etíope é do complexo de sítios paleoantropológicos de Melka Wakena, nas terras altas da Etiópia. Sendo a metade direita de uma mandíbula e datada entre 1,6 e 1,4 milhões de anos atrás[3].
Em 1994, realizaram-se análises do DNA mitocondrial e notou-se uma maior relação do canídeo com o lobo-cinzento e o coiote do que com quaisquer espécie africana de canídeo. Deixando em pé a teoria de C. simensis poder ser uma relíquia evolutiva de uma passada invasão de um ancestral canino imensamente semelhante ao lobo-cinza no norte africano vindo da Eurásia[4].
Evolução
[editar | editar código]O ambiente dos ancestrais do lobo-etíope eram repletos de roedores, isso resultou na adaptação destes lobos para se tornarem caçadores especializados de roedores. Essa especialização se reflete na morfologia do animal, no crânio do animal, por exemplo: cabeça mais alongada, mandíbula longa e dentes bem espaçados. Durante este período, a espécie atingiu provavelmente a sua maior abundância e distribuição geográfica, com isso mudando a 15.000 anos com a iniciação do período interglacial, que causou a fragmentação do habitat do canino, isolando as populações umas das outras[5]. O lobo etíope é uma das espécies do gênero Canis, e uma das duas espécies do gênero na África, ao lado do lobo-dourado. É facilmente distinguido dos chacais pelo seu maior porte, pernas mais longas, pelagem avermelhada distinta e manchas brancas. John Edward Gray e Glover Morrill Allen classificaram originalmente a espécie em um novo gênero separado Simenia[6], e Oscar Neumann o considerou simplesmente como ''uma raposa exagerada''. [7]Juliet Clutton-Brock refutou o gênero separado, em favor de colocá-lo no gênero Canis, devido às semelhanças cranianas com o chacal-listrado[8].
Subespécies
[editar | editar código]Desde 2005, duas subespécies foram reconhecidas pelo Mammal Species of the World Volume Three(MSW#)[9].
| Subespécies | Autoridade trinomial | Descrição | Abrangência |
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Canis s. simensis |
Ruppel, 1840 | A subespécie padrão, o lobo-etíope mais conhecido e estudado. | Vale do Rifft, Montanhas Simien, Monte Guna, Guassa Menz, planaltos norte e sul de Wollo. |
Canis s. citernii |
Beaux, 1922 | Este canídeo foi inicialmente classificado como uma subespécie distinta devido à sua pelagem vermelha brilhante, embora esta característica não seja confiável como distinção taxonômica. No entanto, seus ossos nasais são consistentemente mais longos do que os da subespécie nomeada.[10] | Sudeste do Vale Riff: Montanhas Arsi e Bale. |
Características
[editar | editar código]O lobo-etíope é uma espécie de constituição e morfologia similar à do coiote norte-americano. Sendo maior que o chacal-de-dorso-negro, o chacal-listrado e que o lobo-dourado-africano. Sendo a maior espécie canina da África após o mabeco. Como é típico no gênero Canis , os machos são maiores que as fêmeas, tendo 20% mais massa corporal. Os adultos medem 84–100 cm de comprimento corporal e 53 –62 cm de altura na cernelha. Os machos adultos pesam 14,2–19,3 kg, enquanto as fêmeas pesam 11,2–14,15 kg[10].

O lobo-etíope possui pelos de cobertura curtos e subpelo espesso, que lhe proporciona proteção em temperaturas tão baixas quanto -15 °C. Sua coloração geral varia de ocre a vermelho ferrugem, com subpelo denso, de cor branca a ruivo claro. A pelagem da garganta, peito e partes inferiores é branca, com uma faixa branca distinta ao redor dos lados do pescoço. Há um limite nítido entre a pelagem vermelha e as marcas brancas. As orelhas são densamente cobertas de pelos nas bordas, embora nuas na parte interna. As bordas nuas dos lábios, gengivas e palato são pretas. Os lábios, uma pequena mancha nas bochechas e uma faixa crescente ascendente abaixo dos olhos são brancos. A cauda, densamente coberta de pelos, é branca na parte inferior e tem a ponta preta, embora, diferentemente da maioria dos outros canídeos, não haja uma mancha escura marcando a glândula supracaudal . A muda de pelos ocorre durante a estação chuvosa (agosto a outubro), e não há variação sazonal evidente na cor da pelagem, embora o contraste entre a pelagem vermelha e as marcas brancas aumente com a idade e a posição social. As fêmeas tendem a ter pelagens mais claras do que os machos. Durante a época de reprodução, a pelagem da fêmea fica amarela, torna-se mais lanosa e a cauda fica acastanhada, perdendo grande parte do pelo[10].
Ecologia
[editar | editar código]Hábitos alimentares
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A presa primária do lobo etíope são os ratos-toupeira africanos de cabeça grande, embora ele também se alimente de uma grande variedade de espécies de ratos e lebres das terras altas. Lobos etíopes foram observados se alimentando de filhotes de antilopes.[11]Os lobos etíopes também foram registrados a se alimentar de polén e néctar das flores, um caso único entre carnívoros.[12]
Hábitos sociais
[editar | editar código]O lobo-etíope é uma espécie canina sociável, vivendo em alcatéias de até 20 indivíduos. Embora, a faixa mais comum de tamanho dessas alcatéias é variável de 3–13 indivíduos[13].

Como típico de lobos, as alcatéia possuem hierarquias complexas porém bem estabelecidas. A composição da alcatéia é feita de machos diversos, fêmeas subordinadas e a fêmea reprodutora. A última ostenta a dominância e monopólio reprodutivo das alcatéias, suprimindo as demais fêmeas e as impedindo de reproduzir-se. Ao morrer, uma fêmea reprodutora pode ser substituída por uma filha residente, embora isso aumente o risco de endogamia. Tal risco é, por vezes, contornado pela paternidade múltipla e acasalamentos fora da alcateia. A dispersão dos lobos de suas alcateias é amplamente restringida pela escassez de habitat desocupado[14].
Essas alcateias vivem em territórios comunais, que abrangem em média 6 km². Em áreas com pouca comida, a espécie vive em pares, às vezes acompanhados por filhotes, e defende territórios maiores, com uma média de 13,4 km². Na ausência de doenças, os territórios dos lobos-etíopes são em grande parte estáveis, mas as alcateias podem se expandir sempre que a oportunidade surgir, como quando outra alcateia desaparece. O tamanho de cada território está correlacionado com a abundância de roedores, o número de lobos em uma alcateia e a sobrevivência dos filhotes. Os lobos-etíopes descansam juntos ao ar livre à noite e se congregam para cumprimentos e patrulhas de fronteira ao amanhecer, meio-dia e à noite. Eles podem se abrigar da chuva sob rochas salientes e atrás de pedras. A espécie nunca dorme em tocas e as utiliza apenas para amamentar os filhotes. Ao patrulhar seus territórios, os lobos-etíopes regularmente marcam território com odores [15] e interagem de forma agressiva e vocal com outras alcateias. Esses confrontos normalmente terminam com a retirada do grupo menor[14].
Conservação
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Um dos maiores problemas para a sobrevivência da espécie está no cruzamento intenso da mesma com os cães domésticos utilizados pelos pastores etíopes, o que vem diminuindo a pureza genética da espécie[16]. Um programa oral de vacinação contra a raiva pode ser a melhor esperança de sobrevivência da espécie.[17]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Marino, J. & Sillero-Zubiri, C. (2011). Canis simensis (em inglês). IUCN 2008. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. 2008. Página visitada em 18 January 2012. Database entry includes a lengthy justification of why this species is endangered
- ↑ Lobo mais raro do mundo é ameaçado por vírus de cão
- ↑ Martínez-Navarro, Bienvenido; Gossa, Tegenu; Carotenuto, Francesco; Bartolini-Lucenti, Saverio; Palmqvist, Paul; Asrat, Asfawossen; Figueirido, Borja; Rook, Lorenzo; Niespolo, Elizabeth M.; Renne, Paul R.; Herzlinger, Gadi; Hovers, Erella (16 de maio de 2023). «The earliest Ethiopian wolf: implications for the species evolution and its future survival». Communications Biology (em inglês). 6 (1): 530. ISSN 2399-3642. PMC 10187515
. PMID 37193884. doi:10.1038/s42003-023-04908-w - ↑ Gottelli, D.; Sillero-Zubiri, C.; Applebaum, G. D.; Roy, M. S.; Girman, D. J.; Garcia-Moreno, J.; Ostrander, E. A.; Wayne, R. K. (1994). «Molecular genetics of the most endangered canid: The Ethiopian wolf Canis simensis». Molecular Ecology. 3 (4): 301–12. Bibcode:1994MolEc...3..301G. PMID 7921357. doi:10.1111/j.1365-294X.1994.tb00070.x
- ↑ Gottelli, D; Marino, J; Sillero-Zubiri, C; Funk, S (2004). «The effect of the last glacial age on speciation and population genetic structure of the endangered Ethiopian wolf (Canis simensis)» (PDF). Molecular Ecology. 13 (8): 2275–2286. Bibcode:2004MolEc..13.2275G. PMID 15245401. doi:10.1111/j.1365-294x.2004.02226.x. Cópia arquivada (PDF) em 16 de maio de 2013
- ↑ IUCN/SSC Canid Specialist Group 2011, pp. 2–3
- ↑ Powell-Cotton 1902, p. 459
- ↑ Clutton-Brock, J.; Corbet, G.G.; Hills, M. (1976). «A review of the family Canidae, with a classification by numerical methods». Bull. Br. Mus. (Nat. Hist.). 29: 119–199. doi:10.5962/bhl.part.6922

- ↑ Erro de citação: Etiqueta
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<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "zm1994" - ↑ Bunker, Andrew. «Canis simensis (Ethiopian wolf)». Animal Diversity Web (em inglês). Consultado em 3 de dezembro de 2024
- ↑ Camargo, Suzana (2 de dezembro de 2024). «Lobo é flagrado se alimentando de néctar pela primeira vez no mundo». Conexão Planeta. Consultado em 3 de dezembro de 2024
- ↑ «Ethiopian Wolf | African Wildlife Foundation». www.awf.org (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2026
- 1 2 IUCN/SSC Canid Specialist Group 2011, p. 4
- ↑ Sillero-Zubiri, Claudio; Macdonald, David W. (1998). «Scent-marking and territorial behaviour of Ethiopian wolves Canis simensis» (PDF). Journal of Zoology. 245 (3): 351–361. doi:10.1017/s0952836998007134
- ↑ Lobo-Etíope. Disponível em http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/lobo_etiope.htm. Acesso em 13 de agosto de 2012.
- ↑ How oral vaccines could save Ethiopian wolves from extinction One-Health focused mass vaccination programs could go wild in 2018 por Helen Thompson (2018)

