Art déco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura outros significados, veja Deco (desambiguação).
NoFonti.svg
Este artigo cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde junho de 2009). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Adolphe Dervaux, Estação de Vaneau (Metropolitano de Paris - Linha 10), 1923.

Art déco é um movimento artístico internacional que começou na Europa em 1910, conheceu o seu apogeu nos anos 1920 e 1930 e declinou entre 1935 e 1939.[1] O Art déco afectou as artes decorativas, a arquitectura, o design de interiores e desenho industrial, assim como as artes visuais, a moda, a pintura, as artes gráficas e o cinema[2].

O pico da popularidade na Europa foi durante os "loucos anos 1920" e continuou fortemente nos Estados Unidos através da década de 1930. Embora, na época, muitos movimentos de design tivessem raízes em intenções filosóficas ou políticas, o Art déco, ao contrário, foi meramente decorativo. Na altura, este foi visto como estilo elegante, funcional e ultramoderno.

Representou a adaptação pela sociedade em geral dos princípios do cubismo, do exotismo e do princípio da obra de arte total herdado do Art nouveau. Sem abrir mão do requinte, os objetos têm decoração geometrizada nas arquiteturas, esculturas, joias, luminárias e móveis, mesmo quando são feitos com bases simples; o betão armado (concreto) pode ser paramentado de madeira e outros ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim etc. Diferentemente do art nouveau, o Art déco tem mais simplicidade de estilo.

A origem da expressão Art déco[editar | editar código-fonte]

A expressão Art déco provém da Exposição internacional de Artes decorativas e industriais modernas (em francês: Exposition internationale des Arts décoratifs et industriels modernes), que foi organizada em Paris de Abril a Outubro de 1925[3]. Na mostra, nus femininos, animais e folhagens são apresentados em cores discretas, traços sintéticos e formas estilizadas ou geométricas. Muitas peças exibem marcas de civilizações antigas. É o caso de uma escrivaninha de madeira laqueada, marfim e metal que reproduz um templo asteca.

Também em 1925, o arquitecto francês Le Corbusier escreveu a série de artigos Expo 1925: Arts déco sobre as artes decorativas na sua revista L'Esprit Nouveau. Charlotte e Tim Benton consideram que o nome do artigo foi certamente uma maneira de desconsiderar este estilo por parte de Le Corbusier. O nome Art déco foi adoptado definitivamente em 1966 após a exposição Les années '25: Art déco/ Bauhaus/ De Stijl/ Esprit Nouveau organizada no Museu das Artes decorativas de Paris[4].

Design industrial[editar | editar código-fonte]

Design industrial art déco de Maurice Ascalon, da Pal-Bell, em 1939-1950

Ao lado de objectos industrializados, há peças feitas artesanalmente em número limitado de cópias. Ao contrário do design criado pela Bauhaus, na art déco não há exigência de funcionalidade. Ela pode ser vista como uma tentativa de modernizar a art nouveau. O uso de materiais menos nobres – como o baquelite, concreto (betão) armado, compensado de madeira e aço tubular – e o início da produção em série contribuíram para baixar o preço unitário das obras. É o caso das luminárias de vidro com esculturas de bronze criadas pelo francês René Lalique (1860-1945), vendidas em grandes lojas. Antes designer de joias do estilo art nouveau, ele foi um dos grandes expoentes da art déco.

A art déco possui, nos Estados Unidos, duas fases formais distintas: na primeira, procurou-se inspiração nas máquinas e formas industriais; na segunda, seguiu-se o estilo Hollywood, com inspiração nos figurinos e cenários dos filmes.

Arquitectura[editar | editar código-fonte]

Prefeitura de Los Angeles (1926-1928)
Art déco do Chrysler Building, em Nova York, construído em 1928/1930 pelo arquitecto William Van Alen

De forma geral, a arquitetura art déco representa uma certa tendência de passagem entre a arquitetura produzida pelos estilos art nouveau e ecletismo e o modernismo. Assim, observam-se elementos de avanço de estilo, com certos comedimentos em relação aos estilos predecessores. Observa-se, por exemplo, uma tentativa de racionalização dos volumes e dos elementos de ornamentação, ainda que houvesse ornamentações pontuais e com materiais que representassem modernidade e que os volumes seguissem a composição tripartite clássica - embasamento, corpo principal e coroamento.

O art déco é marcado pelo rigor geométrico e predominância de linhas verticais, havendo a tendência de tornar, através da percepção, o edifício mais alto. Os volumes arquitetônicos são também marcados pelo escalonamento, pela transposição da ideia do zigurate, aproximação de formas aerodinâmicas.

Como relação ao passado, o art déco faz uso intenso de ornamentação, mas que, é feita com materiais nobres e modernos para sua época. Os motivos, em grande parte são geométricos ou com elementos de povos pré-colombianos - como os maias.

Existem duas principais vertentes do art déco dentro da arquitetura: o estilo usado em Miami e o estilo usado em Nova Iorque e Chicago. O estilo de Miami é marcado por formas mais puras e pouca ornamentação. O outro estilo é marcado fortemente por uma rica ornamentação e o uso de elementos metálicos. Como exemplos, temos, em Nova Iorque, o Empire State Building e o Chrysler Building, além de diversos edifícios de baixo gabarito em Miami.

Destaca-se o uso do concreto (betão) armado, das esculturas com forma de animais, o uso dos tons de rosa e a geometrização das formas. Também pode-se destacar o uso do plástico como elemento estrutural e a pelúcia, muito utilizada como forro para as paredes internas de grandes salões.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a art déco sai de moda no Ocidente, e se populariza na Coreia do Sul, Vietnã e na China pré-comunista, mas, no fim da década de 1960, colecionadores do mundo inteiro voltaram a se interessar pelo estilo.

Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, no Brasil. A maior estátua art déco no mundo, construída entre 1922-1931.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A arquitetura art déco está espalhada por todo o país, mas os principais acervos art déco brasileiro concentram-se em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. Há, ainda, importantes exemplos como Campo Grande (com a obra do arquiteto Frederico Urlass), Belo Horizonte ou Juiz de Fora (MG) (nos projetos do arquiteto Raphael Arcuri), Porto Alegre, na Avenida Farrapos, entre vários outros.

São Paulo tem grandes exemplos de prédios art déco, como o edifício do Banco do Brasil, o Edifício Altino Arantes e diversas obras realizadas pelo arquiteto Rino Levi. O edifício-sede da Biblioteca Mário de Andrade e o Estádio do Pacaembu, ambos também em São Paulo, são dois grandes marcos arquitetônicos do estilo na cidade. Outro belo exemplar da art déco na capital paulista situa-se na rua Domingos de Morais.

Goiânia também reúne grande número de exemplares de edifícios art déco, a começar pelo traçado da cidade, realizado pelo arquiteto Attílio Correa Lima. Foi o art déco que inspirou os primeiros prédios de Goiânia, nova capital de Goiás, projetada em 1933 por Atílio Correa Lima, cujo acervo arquitetônico é considerado um dos mais significativos do país.[5] Ainda no estado de Goiás, no interior, Ipameri tem um grande patrimônio da arquitetura art déco preservado, todo localizado no centro da cidade. Alguns exemplares que mais se destacam são o antigo prédio do Cine Teatro Estrela, prédio da antiga sede do Banco do Brasil, prédio-sede da Câmara Municipal, prédio das antigas Chevrolet e Ford (Edifícios Firmo Ribeiro e Miguel David Cosac respectivamente), para citar alguns.

Alguns dos exemplos mais significativo da art déco no Rio de Janeiro são a Torre do Relógio da Central do Brasil e o Cristo Redentor. Menos conhecidos, mais igualmente art déco são a Igreja de Santa Terezinha em Botafogo e a Igreja da Santíssima Trindade, no bairro do Flamengo, do arquiteto Henri Paul Sajous.

O estilo influenciou artistas como o escultor Vítor Brecheret (1894-1955), o pintor Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), entre outros. Uma obra de Brecheret em estilo art déco é o Monumento às Bandeiras, em São Paulo.

Outros conjuntos arquitetônicos em art déco significativos estão localizados em Iraí (RS), Cipó (BA) e Campina Grande (PB)[1].

Em Moçambique[editar | editar código-fonte]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Influência da Art déco no cinema[editar | editar código-fonte]

No cinema, é possível encontrar referências ao art déco. Um filme que pode servir de exemplo é Superman - O Retorno, de 2006. Nele, o estilo arquitetônico da sede do jornal fictício Planeta Diário é explicitamente o art déco.[7]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Principais nomes ligados à corrente[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BENTON Charlotte, BENTON TIM e WOOD Ghislaine, L'Art déco dans le monde 1910-1939, Bruxelas, Renaissance du Livre, 2010.
  • LABORDIÈRE Jean-Marc, Paris Art déco. L'architecture des années 20, Paris, ed. Massin (Colecção "Reconnaître"), 2008.
  • WEILL Alain, L'Affiche Art déco, Paris, ed. Hazan, 2013.
  • Art déco 1925, Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian, 16 de Outubro de 2009 - 3 de Janeiro de 2010.

Referências

  1. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine (2010). L'Art déco dans le monde 1910-1939. (Bruxelas: Renaissance du Livre). p. 13. 
  2. Unes, Wolney. Identidade Art Déco de Goiânia. São Paulo: Ateliê, 2003
  3. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine (2010). L'Art déco dans le monde 1910-1939 (Bruxelas: Ed. Renaissance du Livre). p. 112. 
  4. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine (2010). L'Art déco dans le monde 1910-1939 (Bruxelas: Renaissance du Livre). p. 16. 
  5. Barreto, Amanda. Art déco: depoimentos e imagens. Goiânia: RF, 2007
  6. Edifício do Clube Ferroviário de Maputo na Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA) do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana
  7. «Superman Returns (Os cinco primeiros desenhos mostrados são do edifício do jornal Planeta Diário)». Consultado em 15/09/2011. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Art déco


Série da artigos sobre: História do design
História do design gráfico

Pré-História | Antiguidade | Idade Média | Idade Moderna | Modernismo | Pós-modernidade

História do design de produto

Pré-História | Antiguidade | Idade Média | Idade Moderna | Modernismo | Pós-modernidade

História da arte

Pré-História | Antiguidade | Idade Média | Idade Moderna | Modernidade | Contemporaneidade


Ícone de esboço Este artigo sobre arte ou história da arte é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre arquitetura é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.