Cipó (Bahia)

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Disambig grey.svg Nota: Para a planta, veja Liana.
Município de Cipó
Bandeira indisponível
Brasão indisponível
Bandeira indisponível Brasão indisponível
Hino
Fundação 8 de julho de 1931
Gentílico cipoense
Prefeito(a) Abel Alves Araújo (PT)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Cipó
Localização de Cipó na Bahia
Cipó está localizado em: Brasil
Cipó
Localização de Cipó no Brasil
11° 06' 00" S 38° 31' 01" O11° 06' 00" S 38° 31' 01" O
Unidade federativa Bahia
Mesorregião Nordeste Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Ribeira do Pombal IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Tucano, Nova Soure, Itapicuru e Ribeira do Amparo
Distância até a capital 240 km
Características geográficas
Área 128,314 km² [2]
População 16 860 hab. IBGE/2013[3]
Densidade 131,4 hab./km²
Clima Semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,601 médio PNUD/2010 [4]
PIB R$ 48 989,536 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 133,53 IBGE/2008[5]

Cipó é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população em 2013 era de 16.860 habitantes.

Lenda de como surgiu o nome da cidade de Cipó[editar | editar código-fonte]

Conta que um caçador andava pelas margens do rio Itapicuru. Nas suas andanças pelo sertão, atirou em direção de um pássaro que estava pousado numa árvore e então revoou um bando, o qual chamou atenção do mesmo, e ao chegar perto, ouviu um borbulho de água jorrando no solo de temperatura alta e gosto estranho. Assim, percebeu que naquele lugar havia enormes árvores de Cipó, um verdadeiro Cipoal.

O caçador ao seguir seu percurso em direção da cidade de Itapicuru da Missão, espalhou a notícia das águas descobertas e indicou a todos que a mesma estava na localidade de Cipó, no cipoal às margens do rio Itapicuru. Lenda à parte, vale citar aqui,no sentido de enriquecer detalhes sobre a história do município, o que nos relata o Poeta Raniery Caetano quando nos ensina que o gentílico CIPÓ tem origem no Tupy-guarani uma vez que CY = MÃE e YPÓ = ÁGUA, NASCENTE, FONTE... Para os primeiros moradores à margem do Rio Itapicurú, natural foi "aportuguesar" a palavra que na sua origem significava "mãe d'água". Esta versão do poeta e estudioso da história do município é incontestavelmente elucidativa no que se refere à origem real do nome da cidade.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1730 O Padre Antônio Freire, donatário de uma sesmaria no sertão de Itapicuru de Cima, dirigiu uma representação ao Vice-rei do Brasil, a respeito da utilização das águas termais da região. Somente em 1829, porém o governo da Província mandou construir, pelo capitão-mor João Dantas, um estabelecimento de banhos nas fontes da Missão da Saúde, a um quilômetro da vila de Itapicuru, sendo concluídas as suas obras em 1833.

Já em 1831, a Lei provincial nº 186, mandava construir no lugar denominado Mãe-d’Água de Cipó, uma casa para abrigo dos doentes que procuravam aquelas fontes.

Anos depois, por volta de 1843, a Assembleia mandou construir outra casa que, tal a primeira, passou a chamar-se “Casa da Nação”. Muito tempo depois, as duas casas abandonadas, ruíram devido a uma enchente do rio Itapicuru. Várias tentativas foram feitas para a construção de um balneário, mas somente em 1928 foi concedida permissão para a exploração das águas, fato que ocorreu em 19 de março do mesmo ano. Esta data assinala o início do progresso de Cipó que, a 8 de julho de 1931, foi elevado à categoria de município por força de decreto estadual de nº 7.479. Em virtude desse decreto foram anexados ao seu território os municípios de Nova Soure, ao qual Cipó pertencia na situação de povoado, Ribeira do Pombal, Tucano e Ribeira do Amparo.

Em 27 de maio e 19 de setembro de 1933 e 18 de julho de 1935, pelos Decretos Estaduais nº 8.447, 8.643 e 9.600, respectivamente, os municípios de Tucano, Ribeira do Pombal e Nova Soure obtiveram autonomia. O município de Nova Soure, porém, perdeu toda a área necessária à formação do distrito sede de Cipó, que juntamente com território total de Ribeira do Amparo, que não logrou emancipação, formou o atual município de Cipó, ficando este, segundo a divisão administrativa do País vigente, composto de três distritos: Cipó, Ribeira do Amparo e Heliópolis.

Alguns anos depois, o governador do Estado, após verificar a situação de abandono em que permanecia o lugar, mandou concluir a rodovia Alagoinhas-Cipó e efetuar o levantamento semicadastral, com o objetivo de traçar o plano urbanístico da cidade.

Assim, em 16 de maio de 1935, Cipó era tornado Estância Hidromineral.

Histórico turístico[editar | editar código-fonte]

Em 1906, o Coronel Genésio Sales, o qual sofria de úlcera estomacal, foi aconselhado por amigo a passar uma temporada no Sertão Arraial da Mãe d’Água de Cipó, para tentar curar-se do seu problema de saúde. Com a cura mandou construir perto da Fonte Termal, um chalé, que mais tarde, foi transformado em Hotel Termal.

Em 1926, Genésio Sales com o fim de chamar a atenção dos poderes públicos para aquelas águas, empreendeu uma arrojada viagem de automóvel de Alagoinhas a Cipó, a primeira que se fazia ao Nordeste do Estado. Não havendo estradas, seguiu o caminho das cavalgadas, em muitos trechos, mandava abrir estradas, alargar as existentes, para que o automóvel pudesse passar. Nos diversos povoados, os tabaréus, desconhecendo a existência de veículos sem tração animal, recebiam-no com grandes manifestações, faziam promessas e colocavam dentro do carro “vinténs” e “ex-votos”, o automóvel que era novo ao iniciar a viagem ficou bastante danificado. A imprensa de todos os estados do nordeste deu grande publicação ao acontecimento; anos depois, o governo do Estado mandou concluir a rodovia Alagoinhas-Cipó.

Em 1928 o chalé foi transformado no primeiro hotel da cidade por Genésio de Seixas Sales Filho, sob a denominação de Hotel Thermal e após receber em concorrência pública a concessão de uso das águas de Cipó, iniciou suas atividades profissionais, montando um serviço de assistência médica, para atender o povo do arraial e adjacências.

Em 19 de março de 1928 foi concedida permissão para a exploração industrial das águas. Nas fontes termais, onde havia quatro banheiros de palha, Genésio Sales construiu um moderno balneário, composto de uma piscina de água quente (na época a única existente no Brasil), um consultório médico, salas de espera e de tratamentos diversos, instalações sanitárias, “buvet” (chafariz para beber água termal) e dezessete banheiros, dos quais um era gratuito destinado aos pobres.

Em 1930, um bando chefiado por Lampião, o rei do cangaço, afastava os banhistas, causando grandes prejuízos, pois as pessoas o temiam, e por conseqüência disso, não apareciam para fazer uso das águas termais. Mais tarde, depois da morte de Lampião, a cidade voltou a atrair turistas, em busca de suas águas medicinais.

A 16 de maio de 1935, Cipó era tornada Estância Hidromineral, a partir de cuja época passou a exibir uma notável movimentação, tendo em vista o vertiginoso afluxo de veranistas.

Após esse acontecimento, o Rádium Hotel, de arquitetura art déco, foi inaugurado em 1938, o qual hospedava turistas de vários países. Anexo a ele havia um cassino, frequentado principalmente por hóspedes.

Com o grande número de turistas que passaram a visitar a cidade de Cipó, foi construído em 23 de julho de 1952 o Grande Hotel, conhecido como Elefante Branco da Terra, inaugurado pelo Presidente Getúlio Vargas.

Sua estrutura grandiosa atraiu muitos turistas que, além de desfrutar dos jogos e bailes que o Cassino proporcionava na época, usufruíam também das cascatas e piscinas situada no subsolo do Grande Hotel, sem contar o grande parque de diversão para crianças.

Os hotéis estão hoje em sua maioria fechados. Entretanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tem planos de identificar os edifícios da cidade para buscar algum tipo de proteção à rica arquitetura existente na cidade, notadamente no estilo art déco.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1969, 1977 a 1980, 1986 a 1989 e a partir de 1993, a menor temperatura registrada em Cipó foi de 11 °C em 15 de julho de 1963,[6] e a maior atingiu 42 °C em 26 de novembro de 2015.[7] Máximas iguais ou acima dos 40 °C foram registradas também nos dias 25 de novembro de 2015 (40,8 °C), 22 de janeiro de 1995 (40,6 °C), 3 de janeiro de 2016 (40,6 °C), 4 de dezembro de 2015 (40,5 °C), 23 de janeiro de 1995 (40,2 °C) e 3 de outubro de 1997 (40 °C).[7]

O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 189 milímetros (mm) em 26 de maio de 1964.[8] Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram 188,8 mm em 15 de abril de 1964, 172 mm em 22 de dezembro de 1963, 165,4 mm em 25 de maio de 1964, 150,2 mm em 23 de maio de 1964, 150 mm em 27 de maio de 1964, 122,2 mm em 29 de fevereiro de 2004, 119,2 mm em 22 de junho de 1964, 115,4 mm em 25 de novembro de 1964, 115 mm em 28 de novembro de 1979, 110 mm em 15 de dezembro de 1963, 108 mm em 27 de novembro de 1964 e 101,3 mm em 10 de agosto de 1965.[8] Maio de 1964, com 1 352,6 mm, foi o mês de maior precipitação, seguido por dezembro de 1963 (576,3 mm).[9]

Dados climatológicos para Cipó
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 40,6 39,9 39,6 38,3 38,4 35,6 34,2 36 38 40 42 40,5 42
Temperatura máxima média (°C) 34,6 34,6 34,2 32,8 30,7 28,8 28,2 28,8 30,8 32,9 34 34,5 32,1
Temperatura média compensada (°C) 27,3 27,5 27,4 26,6 25,1 23,5 22,7 22,8 24,1 25,8 26,7 27,3 25,6
Temperatura mínima média (°C) 22,1 22,4 22,6 22,2 21,1 19,8 18,6 18,4 19,1 20,6 21,7 22,1 20,9
Temperatura mínima recorde (°C) 14 15,6 14 14 12,4 11,6 11 11,4 12 13,8 13 13 11
Precipitação (mm) 35,9 43,5 64,3 54,7 57,8 62,2 52,8 36 27,4 24,8 56 39 554,4
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 4 5 6 7 10 11 11 9 6 4 4 3 80
Umidade relativa compensada (%) 62 63 66,3 70,8 75,8 79,8 79,5 76,5 71 65,6 62,8 62 69,6
Horas de sol 245,8 218,5 228,5 202,7 180,9 151,5 170,4 183,2 208,7 243,2 238 246,5 2 517,5
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[10] recordes de temperatura:
01/01/1961 a 30/09/1969, 01/01/1977 a 31/12/1980, 01/01/1986 a 31/03/1989 e 01/01/1993-presente)[6][7]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010. 
  3. «Censo Populacional 2013». Censo Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2013. Consultado em 30 de setembro de 2013. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 25 de agosto de 2013. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010. 
  6. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C) - Cipó». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 16 de julho de 2018. 
  7. a b c «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura máxima (°C) - Cipó». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 16 de julho de 2018. 
  8. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - precipitação (mm) - Cipó». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 16 de julho de 2018. 
  9. «BDMEP - série histórica - dados mensais - precipitação total (mm) - Cipó». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 16 de julho de 2018. 
  10. «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 16 de julho de 2018. 
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