Caculé

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Município de Caculé
"Cidade dos Sonhos"

"Pedacinho Do Céu"

Caculé, Praça do Mercado

Caculé, Praça do Mercado
Bandeira de Caculé
Brasão de Caculé
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 14 de agosto de 1919 (97 anos)
Fundação meados de 1854
Gentílico caculeense
Lema Fides, Ordo, Labor
"Fé, Ordem, Trabalho"
Prefeito(a) José Roberto Neves - Beto Maradona (DEM)
(2013–2016)
Localização
Localização de Caculé
Localização de Caculé na Bahia
Caculé está localizado em: Brasil
Caculé
Localização de Caculé no Brasil
14° 30' 10" S 42° 13' 19" O14° 30' 10" S 42° 13' 19" O
Unidade federativa Bahia Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Guanambi IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Ibiassucê, Rio do Antônio, Guajeru, Jacaraci, Licínio de Almeida, Caetité, Condeúba e Pindaí
Distância até a capital 782 km[2]
Características geográficas
Área 610 983 km² (BR:1949)[3]
População 22 236 hab. (BA: 142º) –  IBGE/2010[4]
Densidade 32 4 hab/km² hab,/km²
Altitude 587 m
Clima Semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,637 (BA: 28º) – médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 186 164 mil IBGE/2012[6]
PIB per capita R$ 8 245,74 IBGE/2012[6]
Página oficial
Prefeitura www.cacule.ba.gov.br

Caculé é um município do interior do estado da Bahia, no Brasil[3]. Localiza-se na zona fisiográfica da Serra Geral, no Polígono das secas do Nordeste brasileiro, na Região Sudoeste da Bahia [7], mais especificamente na Mesorregião do Centro-Sul Baiano e na Microrregião de Guanambi [1], a sudoeste da capital do estado, distando desta cerca de 782 quilômetros. Ocupa uma área de 610,983 km² [3] e sua população estimada em 2015 era de 23.545 habitantes [4].

História[editar | editar código-fonte]

Início do Povoamento[editar | editar código-fonte]

Nas terras que hoje integram o município de Caculé existia, no século XIX, a Fazenda Jacaré, de propriedade de Dona Rosa Prates. A fazenda era bem extensa, com um território que se alongava do distrito de Ibiassucê, até os limites do antigo município de "Bom Jesus dos Meiras", atual município de Brumado. Contudo, o fato era que, de tão grande, seus proprietários não conheciam exatamente toda sua extensão e limites de forma precisa. [7]

O registro histórico e oral que predomina entre a população mais idosa, que também ouviu dos seus antepassados, relata que um escravo africano que assumia a função de vaqueiro da Fazenda Jacaré, de nome "Manoel Caculé", foi a razão e origem do atual nome da cidade. [7] Por volta do ano de 1854, após uma viagem à cavalo de quatro léguas no interior das terras dessa vasta fazenda, esse escravo encontrou uma linda lagoa, que ainda tinha proximidade com um rio - que hoje é conhecido como "Rio do Antônio". Deslumbrado com aquele cenário e abundância de água num terreno desconhecido pelos próprios donos da fazenda, Manoel Caculé resolveu construir um rancho de taipa com telhados de palmas de ouricuri e passou a residir nesse local que, para ele, representava o paraíso e a liberdade da sua condição de escravo. [8] [7]

Durante muito tempo, Manoel de Caculé foi dado como morto pela família de Dona Rosa Prates, até que o momento em que um outro escravo que havia encontrado Manoel no seu "pedacinho do cêu", denunciou a situação do escravo Caculé para os donos da fazenda. Ao chegar no local, junto com toda uma comitiva para recapturar o escravo fugitivo, Dona Rosa Prates se depareu com uma surpresa: recebeu uma proposta de pagamento em dinheiro de Manuel para o pagamento da sua própria alforria, por orientação de abolicionistas da região. Mantendo a fama de senhora bondosa e de alma grande, Dona Rosa aceita a proposta e envia em poucos dias a carta de alforria do astuto Caculé. [7]

Em 1854, esse lugarejo, além de uma grande mata virgem, era cortada por uma estrada real que dava acesso aos viajantes do estado de Minas Gerais aos municípios de Jacarací, Caetité e São Felix. Os viajantes que tomavam aquela direção, ao se cruzarem pelo caminho, perguntavam, uns aos outros, de onde vinham e para onde iam, e a resposta era sempre a mesma: "Lagoa do Caculé". Este nome passou assim a designar o acidente geográfico, depois o povoado e, mais tarde, estendeu-se a todo o atual município de Caculé. [7] [8]

Ao conhecer a região da fazenda que Manoel Caculé vivia, Dona Rosa também ficou encantada com o local. Anos depois, após a divisão da Fazenda Jacaré entre os herdeiros, ela opta por ficar e residir na terras que futuramente será instalado o atual município. Após a mudança de Dona Rosa Prates para lá, ela constrói uma grande casa, no alto, próximo a lagoa, uma outra casa pequena para seu sobrinho Tinoco e a senzala dos escravos. Com isso, o lugarejo passou então a ser conhecido como "Fazenda Caculé". [7]

Em 1860, Dona Rosa doou um terreno ao Sagrado Coração de Jesus para ser erguida uma capela sob essa invocação, no local onde, atualmente, se ergue a cidade. No entanto, a ideia de construir essa primeira capela foi de Dona Ana Tereza, mãe de Dona Rosa. Com a morte da sua genitora que não teve a satisfação de ver o seu ideal religioso concretizado, Dona Rosa se empenhou para a construção desse sonho. Com o término das obras, a primeira missa foi celebrada pelo Padre Joaquim Pedro Garcia Leal, sobrinho de Dona Rosa Prates e Vigário de Umburanas. [7] Além disso, Dona Rosa Prates também fez um testamento dando alforria para todos os seus escravos da Fazenda, além de deixar vários pedaços de terra entre todos eles, afim de que os mesmo pudessem se manter após a sua morte. [7]

Com a construção da Capela, a alforria dos escravos que tinham terra para plantar, juntamente com a presença da estrada real que cortava a região e dava acesso aos viajantes, se formou ali, com o passar do anos, um vilarejo que foi se desenvolvendo de forma promissora. Assim, em 23 de julho de 1880, essa região do Santíssimo Coração de Jesus de Caculé foi elava a "Distro de Paz" por meio da Lei Provincial de n° 2.093. Vinte e dois anos depois, em agosto de 1902, devido ao amplo progresso da regiçao de Caculé, a sede da freguesia foi transferida para lá por ato do Arcebispo da Bahia na época, Dom Jerônimo Tomé da Silva. Em 1880, Caculé é elevada a Distrito de Paz pela Lei Provincial n° 2.093 [7] e depois emancipada em 14 de agosto de 1919. [7] [8]

Formação administrativa[editar | editar código-fonte]

A lei estadual nº 1.365, de 14 de agosto de 1919, criou o município de Caculé, com território desmembrado do de Caetité. [7] [8] A sua instalação ocorreu a 1 de janeiro de 1920. Desta maneira foi o arraial de Caculé elevado à categoria de vila. Em 30 de março de 1938, a vila de Caculé transformou-se em cidade. O Decreto-lei estadual nº 519, de 19 de junho de 1945, criou a Comarca de Caculé constituída pelo termo único de idêntico nome, desmembrado da de Caetité. [7] [8]

Segundo o quadro administrativo do País, vigorante em 1 de janeiro de 1960, o município era composto de 4 distritos: Caculé, Ibiassucê, Ibitira e Rio do Antônio.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa da Região de Caculé [2]

Caculé localiza-se na zona fisiográfica da Serra Geral, no Polígono das secas do Sertão Nordestino, na Região Sudoeste da Bahia, mais especificamente, na Mesorregião do Centro-Sul Baiano e na Microrregião de Guanambi [1]. A sede do município possui as seguintes coordenadas geográficas: 14º 50'26 de latitude S; e 42º 22'e 25 de longitude W. [2] O Rumo do município, partindo da capital do estado, é O.S.O., e dela dista, em linha reta, 416 quilômetros e, por meio de estradas, cerca de 782 quilômetros.

O município limita-se ao norte com os municípios de Ibiassucê e Caetité, ao sul com os municípios de Jacaraci e Condeúba, a leste com os municípios de Guajeru, Rio do Antônio e a oeste com o município de Pindaí, Licínio de Almeida. [3] [2] O município com mais de 300 mil habitantes que se localiza mais próximo a Caculé é o de Vitória da Conquista, distando cerca de 240 quilômetros.[2]

O seu território é pouco acidentado e altitude da sede do município é de 572,55 metros. A sede se situa no local de uma chapada cravada, à direita da porta principal, na Estação da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro. [7]

Clima[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Mapa Climático do IBGE, o clima de Caculé é Tropical semiárido quente, com uma estação seca que dura, em meia, seis meses e a média das temperaturas fica acima de 18°C em todos os meses do ano. [9] O município encontra-se na zona tropical Brasil Central. [10] No que se refere à pluviometria do município, apesar da estação da seca ser mais predominante, entre os meses outubro a fevereiro é possível cair trovoadas, acompanhadas de grande chuvas que transbordam os pequenos riachos e lagoas que encharcam as estradas e, em alguns locais, as tornam intransitáveis. [7] Contudo, essa condição não ocorre de forma regular. No período de janeiro de 2000 a outubro de 2012, por exemplo, as médias de precipitação anual são bem irregulares. O maior índice anual registrado ocorreu no ano de 2008, com 985 milímetros de água, enquanto que o menor índice anual aconteceu no ano de 2003, com 343 milímetros. [11]

Gráfico climático para Caculé
J F M A M J J A S O N D
 
 
133
 
30
20
 
 
96
 
30
20
 
 
93
 
30
20
 
 
59
 
30
19
 
 
15
 
29
17
 
 
10
 
28
16
 
 
11
 
28
15
 
 
8
 
29
16
 
 
15
 
30
18
 
 
57
 
31
20
 
 
159
 
30
20
 
 
159
 
29
20
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: [1] Os dados climatológicos representam uma média do período entre 1961 e 1990.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A hidrografia de Caculé é caracterizada pela presença do Rio do Antônio: um rio temporário (corrente apenas no período das águas). Ele é um dos afluentes do Rio Brumado, que desce do município de Jacaraci com o nome de Palmeiras para unir-se com o seu afluente de nome Rio do Salto, nas proximidades das divisas com Caculé, para então receber esse nome: Rio do Antônio. [2] [7] Após passar por Caculé, ele deságua no Rio Brumado e este, por sua vez, no Rio das Contas.[12] [11]

À margem esquerda do Rio do Antônio, nas proximidades da cidade, é o local da histórica Lagoa de Manuel Caculé, que abastece parte da população, mas, por ser salobra, não tem condições adequadas para o consumo doméstico. [2] [7] Além da Lagoa de Caculé, compõem o ambiente hidrográfico da região as Lagoas do Cercado, Jaboticaba, Capivara, Periperi, Malhada e Cabeceira. À margem direita da parte do mesmo Rio do Antônio que corta o município, existem as lagoas do Esconso, Espinho, Cambambosa, Amargoso, Torta, dentre outras. Já no centro, é possível encontrar as lagoas Alecrim, Alegre e Patos. [7]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Festas Culturais[editar | editar código-fonte]

O evento mais popular da cidade é o São João, que atrai muitos turistas para essas comemorações juninas da cidade. Outro evento cultural de grande importância religiosa para os católicos é a festa do Padroeiro, "O Sagrado Coração de Jesus", que acontece em setembro, com procissões, louvores, hinos, hasteamento do mastro, e como de costume as alvoradas na madrugada.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia de Caculé gira em torno de áreas distintas, o comércio de cerâmica, cofres, algodão, materiais de construção, agricultura, criação de bovinos, caprinos e suínos, além de produtos derivados da cana de açúcar. Valendo ressaltar que nos últimos anos houve um crescimento considerável nas vendas de cofres, telhas, blocos e lajotas, o que tem movimentado o comércio local e gerado emprego e renda à população.

Administração[editar | editar código-fonte]

Personagens Ilustres[editar | editar código-fonte]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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Feriados Municipais[editar | editar código-fonte]

Ex-prefeitos Municipais[editar | editar código-fonte]

  • Cônego Miguel Monteiro de Andrade (1º jan. 1920 a 31/08/1920)
  • Bento Alves de Britto (1º jan. 1932 a 31/05/1935)
  • Waldomiro Rodrigues Coelho (1º jun. 1935 a 03/07/1938)
  • Lindolfo Gonçalves de Aguiar (04/07/1938 a 25/09/1941)
  • Miguel Antônio Fernandes (26/09/1941 a 16/03/1947)
  • Deoclides Cardoso de Souza (17/03/1947 a 21/02/1951)
  • Miguel Antônio Fernandes (22/02/1951 a 06/04/1955)
  • Paulo Maciel Fernandes (07/04/1955 a 06/04/1959)
  • Antônio Alves Teixeira (07/04/1959 a 06/04/1963)
  • Sílio Leal Ivo (07/04/1963 a 06/04/1967)
  • Antônio Alves Teixeira (07/04/1967 a 06/04/1971)
  • Wilson Frederico de Castro (07/04/1971 a 06/04/1973)
  • Antônio Alves Teixeira (07/04/1973 a 31/12/1976)
  • Francisco Formigli Rebouças (1º jan. 1977 a 31/12/1982)
  • Umberto Paulo de Castro Alves (1º jan. 1983 a 31/12/1988)
  • Vitor Hugo Figueiredo Santos (1º jan. 1989 a 31/12/1992)
  • João Aliomar Pereira Malheiros (1º jan. 1993 a 31/12/1996)
  • Vitor Hugo Figueiredo Santos (1º jan. 1997 a 31/12/2000)
  • João Aliomar Pereira Malheiros (1º jan. 2001 a 31/12/2004)
  • José Luciano Santos Ribeiro (1º jan. 2005 a 31/12/2012)

Referências

  1. a b c d «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. a b c d e f g «Mapa da Região de Caculé». Mapa do IBGE. OpenStreetMap (OSM). 06 de maio de 2015. Consultado em 21 de novembro de 2015. 
  3. a b c d IBGE (: ). «Caculé». Cidades. Consultado em 24 de novembro de 2015. 
  4. a b «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 21 de novembro de 2015.  Texto "cacule" ignorado (Ajuda); Texto "censo-demografico-2010:-sinopse-" ignorado (Ajuda)
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 14 de agosto de 2013. 
  6. a b IBGE (: ). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2012». Caculé. Consultado em 24 de novembro de 2015.  Texto "cacule" ignorado (Ajuda); Texto "produto-interno-bruto-dos-municipios-2012" ignorado (Ajuda)
  7. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Fróis, José alves (2006). Caculé de Miguelzinho (Rio de Janeiro: Forense Universitária). p. 25. ISBN 85-218-0407-5. 
  8. a b c d e Prefeitura de Caculé (: ). História http://www.governodecacule.ba.gov.br/index.cfm?pagina=conteudo&codPag=112. Consultado em 24 de novembro de 2015.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  9. «Mapa Climático do Brasil» (PDF). IBGE. Consultado em 13 de abril de 2012. 
  10. «Mapa Climas Zonais do Brasil» (PDF). IBGE. Consultado em 21 de novembro de 2015. 
  11. a b Cleide Aparecida Freitas Farias, Márcio Lima Rios; Altemar Amaral Rocha. (8/11/2013). "Uso da terra e degradação ambiental na sub-bacia do Riacho de Quirino - Caculé, BA". Enciclopédia Biosfera v. 9 (n. 16): p. 215-233. Goiânia: Centro Científico Conhecer. Visitado em 9 de Setembro de 2015.
  12. Análise da Degradação da Micro-bacia do Rio do Antônio -Carina Gomes Messias - Universidade de Brasília, acessado em 06 de agosto de 2015 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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