Canudos

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Canudos
  Município do Brasil  
Museu a céu aberto no palco da Guerra de Canudos
Museu a céu aberto no palco da Guerra de Canudos
Símbolos
Bandeira de Canudos
Bandeira
Brasão de armas de Canudos
Brasão de armas
Hino
Lema O sertanejo é, antes de tudo, um forte
Gentílico canudense
Localização
Localização de Canudos na Bahia
Localização de Canudos na Bahia
Mapa de Canudos
Coordenadas 9° 57' 50" S 39° 09' 50" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Euclides da Cunha (Bahia) (sul); Jeremoabo (leste); Uauá e Monte Santo (oeste) e Macururé e Chorrochó (norte)
Distância até a capital 410[1] km
História
Fundação 25 de fevereiro de 1985 (37 anos)
Aniversário 25 de fevereiro
Administração
Prefeito(a) Jilson Cardoso de Macedo (PSD, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [3] 3 565,377 km²
População total (estimativa IBGE/2021[4]) 16 832 hab.
Densidade 4,7 hab./km²
Clima Semiárido[2] (BSh)
Altitude 402 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 48520-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[5]) 0,562 baixo
PIB (IBGE/2017[6]) R$ 129 503 mil
PIB per capita (IBGE/2017[6]) R$ 7 478,81
Outras informações
Padroeiro(a) Santo Antônio de Pádua
Sítio www.canudos.ba.gov.br (Prefeitura)
www.camaracanudos.ba.gov.br (Câmara)

Canudos é um município brasileiro do estado da Bahia. Está a uma altitude de 402 metros e encontra-se inserido no Polígono das Secas e no vale do rio Vaza-Barris. O município possui uma área de 3.565,377 km² e sua população, conforme estimativas do IBGE de 2021, era de 16 832 habitantes.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Conforme Euclides da Cunha em sua obra Os Sertões (1902), o local era em 1876 uma fazenda às margens do rio Vaza-Barris “ocupada por população suspeita, ociosa e armada que fumava cachimbos de barro "de metro de extensão”, a partir tubos tirados da vegetação, canudos-de-pito, existente nas margens do rio.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Pintura retratando o Arraial de Belo Monte.

O povoamento da região de Canudos se deu nos séculos XVII e XVIII, com a expansão dos currais da Casa da Torre, da família Garcia d'Ávila, pelo atual noroeste baiano, incluindo pela bacia do Rio Vaza-Barris. A pecuária traz vaqueiros baianos, pernambucanos e bandeirantes paulistas. Ao mesmo tempo, jesuítas criam missões para a proteção e catequese dos indígenas kiriris.

No século XVIII, surge, nos arredores da Fazenda Canudos, pertencente à Casa da Torre, nas margens do Rio Vaza-Barris, uma pequena aldeia, nomeada "Canudos", devido à planta canudo-de-pito, típica da região.

Em 1890, a aldeia de cinquenta casas estava abandonada. Três anos depois, em 1893, o líder religioso cearense Antônio Conselheiro e seus seguidores, após longas andanças pelo sertão nordestino, acabam chegando no povoado abandonado, repovoando-o e rebatizando-o de "Belo Monte".

O povoado de Belo Monte começou a atrair milhares de pessoas, entre sertanejos, escravos recém-libertos e indígenas. Era considerado uma uma "utopia cristã". Seus habitantes eram autossuficientes, com roças e rebanhos coletivos. Chegou a ter, em seu auge, cerca de 25 mil habitantes.[8]

O povoado começou a ser visto como uma ameaça pelos coronéis latifundiários locais e pelos governos baiano e o brasileiro. Então, tropas federais e estaduais começam a atacar o povoado em outubro de 1896, iniciando assim a Guerra de Canudos. As três primeiras investidas fracassaram. A quarta ocorreu em outubro de 1897, cerca de quinze dias após a morte de Antônio Conselheiro, e culminou na destruição da comunidade.

O engenheiro militar e jornalista Euclides da Cunha esteve na Guerra de Canudos e seus relatos sobre a guerra, seus habitantes e as características sertanejas originaram sua obra mais conhecida, "Os Sertões" (1902).

Por volta de 1910, os pouquíssimos sobreviventes da Guerra de Canudos fundam outro povoado de nome Canudos, no local da antiga comunidade de Belo Monte. Era a segunda Canudos da região. Depois de uma visita do presidente Getúlio Vargas, em 1940, decidiu-se construir um açude no local.

Em 1950, com o início das obras de construção da barragem que inundaria o vilarejo de Canudos, os habitantes começaram a sair, partindo para outras localidades da região, principalmente Bendegó, Uauá, Euclides da Cunha e Feira de Santana. Além disso, um novo vilarejo formou-se aos pés da barragem em construção, numa antiga fazenda chamada Cocorobó, a 20 km da segunda Canudos. Com o término das obras, o local onde ficava a segunda Canudos desapareceu por sob as águas do Açude de Cocorobó em 1969. Um pequeno bairro do vilarejo ficou fora das águas, e hoje é chamado de Canudos Velho.

A Lei Estadual nº 4.405, de 25 de fevereiro de 1985, emancipa o vilarejo de Cocorobó do município de Euclides da Cunha. Aproveitando a fama do nome, o novo município foi batizado de Canudos, tornando-se assim a terceira localidade com este nome.

Em épocas de seca, é possível ver as ruínas da primeira Canudos.[9][10]

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Seus maiores pontos turísticos são:

  • o Parque Estadual de Canudos, que preserva alguns pontos onde ocorreram as batalhas da Guerra de Canudos, dentre eles o Alto do Mário, o Alto da Favela e a sede da Fazenda Velha - onde morreu o Coronel Moreira César, conhecido como o corta-cabeças, em sua desastrada tentativa de conquistar Canudos.
  • o IPMC - Instituto Popular Memorial de Canudos, que preserva o Cruzeiro de Antônio Conselheiro crivado de balas durante a guerra, além de uma coleção de arte popular inspirada na história do Belo Monte e uma pequena biblioteca sobre a guerra de Canudos e questões camponesas.
  • o Memorial Antônio Conselheiro, mantido pela UNEB, que guarda achados arqueológicos da região, além de algumas roupas e máscaras usadas na produção do filme "A Guerra de Canudos" de Sérgio Rezende.
  • a Estação Biológica de Canudos, mantida pela Fundação Biodiversitas[11]
  • o Museu Histórico de Canudos, que guarda artefatos da Guerra de Canudos, entre outros objetos históricos do período. Criado pelo Sr. Manoel Travessa, está localizado no povoado de Canudos Velho, local habitado mais próximo de onde foram os conflitos.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Canudos possui as seguintes cidades-irmãs:

Clima[editar | editar código-fonte]

Sobreviventes da Guerra de Canudos.

O clima do município é o semiárido.[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Índice Geral, Folha de S.Paulo (10 de setembro de 1998). «Açude não ajuda cidade em Canudos (BA)». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de janeiro de 2022 
  2. «Cultura de umbu é fonte de renda para 350 famílias no semiárido da Bahia». Canal Rural. 1 de agosto de 2011. Consultado em 6 de janeiro de 2022 
  3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (10 de outubro de 2013). «Cidades e Estados». IBGE). Consultado em 19 de janeiro de 2022 
  4. a b «Estimativa populacional 2021 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 28 de agosto de 2021. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2013. Consultado em 12 de fevereiro de 2016 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2017». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 12 de janeiro de 2020 
  7. Os Sertões (Campanha de Canudos) - Euclides da Cunha - 23ª Edição – pág. 160 – Livraria Francisco Alves (Editora Paulo Azevedo Ltda)
  8. Channel Brasil, History (9 de outubro de 2019). «COMEÇA A GUERRA DE CANUDOS». History. Consultado em 21 de janeiro de 2022 
  9. CUNHA, Euclides da (1905). Os Sertões: campanha de Canudos. [S.l.]: Laemmert & C. 619 páginas. Consultado em 16 de novembro de 2020 
  10. Lyrio, Alexandre (5 de junho de 2013). «Com a estiagem, cidade de Canudos volta a aparecer após 17 anos». Correio. Consultado em 28 de janeiro de 2022 
  11. [1]
  12. a b SECULT - Secretaria de Cultura do Bahia. Sertão quer preservar arte e cultura popular.
  13. «Cultura de umbu é fonte de renda para 350 famílias no semiárido da Bahia». Canal Rural. 1 de agosto de 2011. Consultado em 6 de janeiro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikisource
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