Caravelas (Bahia)

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Município de Caravelas
Caravelas (vista aérea).jpg

Bandeira de Caravelas
Brasão de Caravelas
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 23 de abril
Fundação 23 de abril de 1855 (161 anos)
Gentílico caravelense
Prefeito(a) Sílvio Ramalho da Silva (PMDB)
(2017–2020)
Localização
Localização de Caravelas
Localização de Caravelas na Bahia
Caravelas está localizado em: Brasil
Caravelas
Localização de Caravelas no Brasil
17° 43' 55" S 39° 15' 57" O17° 43' 55" S 39° 15' 57" O
Unidade federativa Bahia Bahia
Mesorregião Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Porto Seguro IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Alcobaça, Teixeira de Freitas, Medeiros Neto, Lajedão, Ibirapuã e Nova Viçosa.
Distância até a capital 837 km
Características geográficas
Área 2 396,608 km²
População 22 646 hab. IBGE/2016[2]
Densidade 9,45 hab./km²
Altitude 13 m
Clima tropical Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,616 médio PNUD/2010[3]
Gini 0,56 PNUD/2010[4]
PIB R$ 287 036 mil IBGE/2014[5]
PIB per capita R$ 12 790,13 IBGE/2014[5]
Página oficial
Prefeitura io.org.br/ba/caravelas

Caravelas é um município brasileiro do estado da Bahia. Situa-se no extremo sul do estado, a 837 km da capital.[6] De acordo com o IBGE, a população em 2016 era de 22.646 habitantes[7], sendo a 12º maior cidade da sua microrregião e o 151º do estado.[8] O município conta com área territorial de 2.396,6 km²[9], elevação de 13 m[10] e temperatura média anual de 24,3 ºC.[11]

A cidade foi fundada no ano de 1855, através da Lei nº 521. João Maurício Wanderley, 1º Ministro do Império foi quem assinou, tornando-se mais tarde, Barão de Cotegipe. No entanto, os primeiros habitantes chegaram no ano de 1581, o que torna Caravelas uma das cidades mais antigas do Brasil.[12]

O município integra a Costa das Baleias e é o portal de entrada para o Arquipélago de Abrolhos.[13] Limita-se ao oeste com Lajedão, ao norte com Medeiros NetoTeixeira de Freitas e Alcobaça, ao sul com Ibirapuã e Nova Viçosa e ao leste com o Oceano Atlântico.[14]

História[editar | editar código-fonte]

Chegada dos  primeiros colonizadores[editar | editar código-fonte]

No ano de 1500 as caravelas da esquadra portuguesa, comandadas por Pedro Álvares Cabral, chegaram ao litoral sul do atual estado da Bahia. Nesse local havia um monte, sendo batizado de Monte Pascoal. No dia 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De acordo com os relatos da carta de Pero Vaz de Caminha foi um encontro pacífico e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre estes dois povos.[15]

Posteriormente, a frota de exploração seguiu para o sul, desancorando onde hoje se encontra o município de Caravelas. Lá fundou um porto e instalou 12 peças de artilharia, com 24 homens de prontidão. Caravelas portanto foi descoberta no ano de 1503 por Amerigo Vespucci ou Gonçalo Coelho.[16]

Em 1534, as terras do atual município de Caravelas faziam parte da Capitania de Porto Seguro. Duas décadas mais tarde, em 1581, missionários católicos fundaram, perto do Rio das Caravelas, a Igreja de Santo Antônio do Campo dos Coqueiros. Colonos juntaram-se à missão, abandonada posteriormente. Mas os colonos retornaram em 1610.[17]

Elevação do povoado a vila[editar | editar código-fonte]

No ano de 1700, o povoado foi elevado à categoria de vila, com o nome de Vila de Santo Antônio do Rio das Caravelas, por ato do Governador D. João de Lencastre e confirmado em alvará real no ano seguinte. O município correspondente envolvia os territórios de vários municípios atuais, incluindo o de Conceição da Barra, no Espírito Santo. Em 1725, começou a ser construído o templo atual da Catedral de Santo Antônio, concluído em 1750. Houve reformas posteriores. Caravelas tornou-se uma freguesia eclesiástica por alvará de 18 de janeiro de 1755. Nesse ano iniciou-se a construção, pelos escravos, da Igreja de Santa Efigênia, concluída em 1767.

Caravelas uniu-se a outras vilas e cidades baianas na Guerra da Independência do Brasil. A antiga vila abrigou um destacamento de tropa, comandado pelo Tenente Coronel Manuel Ferreira de Paiva. Em 11 maio de 1823, houve um embate com a Escuna Marianna, uma embarcação mercante que transportava, como passageiro, o Tenente Coronel de Cavalaria Antonio José Gomes Loureiro. Ele servia na Paraíba, mas foi expulso, provavelmente por não aderir à causa da Independência. Foi para Salvador, onde as forças portuguesas estavam concentradas, mas tentava ir para Portugal. Conseguiu, através de um amigo, embarcar na tal Escuna, mas foi preso em Caravelas, quando buscavam mantimentos. No embate, cinco tripulantes da embarcação foram mortos.

Em 27 de março de 1832, a expedição do Beagle, com Charles Darwin, chegou a Abrolhos. O arquipélago faz parte do município de Caravelas.[18]

Criação do município[editar | editar código-fonte]

Caravelas era sede de uma comarca. Seu porto tinha grande movimento e, desde 1853, fazia parte da Linha do Sul da Companhia de Navegação a Vapor Bahiana. Em 1855, tornou-se a Cidade de Caravelas, pela Lei № 521, de 23 de abril.

Em 1874, estava em construção a linha telegráfica do Governo, para ligar o norte e o sul da Bahia, até Caravelas. Cinco anos mais tarde, em 1879, o engenheiro baiano Miguel de Teive e Argollo, recebeu a concessão para construir e explorar a Ferrovia Bahia-Minas, uma idealização sua. A Ferrovia foi solenemente inaugurada em 9 de novembro de 1882. O trecho inaugurado partia da Ponta da Areia, em Caravelas, e seguia até a Serra dos Aimorés, na divisa com Minas Gerais, numa extensão de 142 km. Essa estrada de ferro representou um grande impulso de desenvolvimento para o extremo sul da Bahia. A Estação foi fechada em 1966.

Em 1887, foram realizadas obras de balizamento do Porto de Caravelas. Décadas depois, em 1938, o município foi dividido em dois distritos: Caravelas e Juerana. Nos anos 1950 eram seis distritos: Caravelas, Ibirapuã, Juerana, Lajedão, Ponta de Areia e Santo Antônio de Barcelona. Em 1983, foi criado o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no arquipélago que faz parte do município de Caravelas. No ano de 1996, foi fundado o Instituto Baleia Jubarte, em Caravelas, buscando proteger o acasalamento dessas baleias no Oceano Atlântico Sul Ocidental.

Atualmente, Caravelas possui 22,6 mil habitantes (2017). O município é rico em belezas naturais, ecossistemas, praias e patrimônio histórico, incluindo igrejas do século 18 e casas do século 19, com azulejos de Macau.[19][20]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Caravelas é considerado tropical (do tipo Af na classificação climática de Köppen-Geiger), com muitas chuvas durante todos os meses e temperatura média anual de 24,3 °C. Fevereiro é o mês mais seco do ano, apresentando uma média de 68 mm e novembro é o mês de maior precipitação, com uma média de 200 mm. O mês mais quente do ano é Janeiro com uma temperatura média de 26,6 °C, enquanto Junho é o mais frio, apresentando uma temperatura média de 22,3 °C. A precipitação média anual é de 1519 mm.[21]

Dados climatológicos para Caravelas
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 30,5 30,3 29,1 27,8 26,7 26,0 26,2 26,7 27,7 28,3 29,0 28,4 28,1
Temperatura média (°C) 26,2 26,4 25,2 24,2 23,1 22,3 22,4 23,0 24,2 24,5 25,6 24,7 24,3
Temperatura mínima média (°C) 22,7 22,6 21,5 20,7 19,6 18,7 18,6 19,4 20,7 20,7 22,3 21,1 20,7
Precipitação (mm) 112 68 105 148 121 113 149 104 108 154 200 137 1 519
Fonte: Climate-Data (médias de temperatura).[22]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Evolução populacional de Caravelas[23][24]

Em 2016, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 22.646 habitantes.[25] Porém no censo de 2010, quando a cidade possuía 21.414 habitantes, foram levantados dados de que 10.873 (50,78%) eram homens e 10.541 (49,22%) eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 11.309 habitantes (52,81%) viviam na zona urbana e 10.105 (47,19%) na zona rural. Entre 2000 e 2010, a população de Caravelas cresceu a uma taxa média anual de 0,63%, metade da média do Brasil naquele período. O censo também apontou que a taxa de urbanização do município era de 51,40%. Da população total em 2010, 6.246 habitantes (29,17%) tinham menos de 15 anos de idade, 13.681 habitantes (63,89%) tinham de 15 a 64 anos e 1.487 pessoas (6,94%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 72,5 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,7.[26]

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Caravelas é considerado médio, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no ano de 2010. Seu valor era de 0,616, sendo o 96º maior, entre os 417 municípios da Bahia e 3.771º maior, entre os 5 565 municípios do Brasil.[27] Considerando apenas a educação, o índice era de 0,473, o índice da longevidade era de 0,791; e o de renda era de 0,626. Entre 1991 e 2010, a renda per capita média do caravelense subiu de R$ 146,40 para R$ 394,43, apresentando um aumento total de 169,42%. Isso significa que a renda média da população cresceu a uma taxa 5,35% ao ano. A proporção de pessoas pobres, ou seja, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140,00 era de 34,46% em 2010. Já a população considerada extremamente pobre, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70,00, era de 11,82% no mesmo ano. O Coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,56.[28]

Economia[editar | editar código-fonte]

Divisão do PIB de Caravelas (2014)[29]
Setor Valor
Setor primário R$ 108.688.000,00
Setor secundário R$ 12.730.000,00
Setor terciário R$ 85.344.000,00
Administração pública R$ 65.251.000,00
Impostos R$ 15.024.000,00
Total R$ 287.036.000,00

Produto Interno Bruto (PIB) de Caravelas em 2014 era de aproximadamente 290 milhões de reais. Do valor total do PIB caravelense no referido ano, 108,7 milhões advieram do setor primário, 12,7 milhões do setor secundário, 85,3 milhões do setor terciário, 65,2 milhões da Administração pública e 15,0 milhões foram arrecadados com impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O PIB per capita era de 12,8 mil reais.[30]

Em 2010 havia 13.905 habitantes acima de 18 anos no município. Dessa faixa etária, 8.657 (62,3%) eram economicamente ativos e estavam ocupados, enquanto outros 1.880 (13,5%) estavam desocupados. Os demais 3.368 (24,2%) foram considerados economicamente inativos. Das pessoas ocupadas, 32,51% trabalhavam no setor agropecuário, 0,16% na indústria extrativa, 4,62% na indústria de transformação, 6,27% no setor de construção, 0,43% nos setores de utilidade pública, 7,89% no comércio e 34,81% no setor de serviços.[31]

Praias[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. «População Estimada 2016». IBGE. Consultado em 26 de março de 2017 
  3. «Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil». Atlas Brasil. Consultado em 27 de março de 2017 
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2010). «Perfil do município de Caravelas - BA». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Consultado em 4 de março de 2014 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios». IBGE. Consultado em 26 de março de 2017 
  6. «Google Maps». Google Maps. Consultado em 26 de março de 2017 
  7. «IBGE | Cidades | Bahia | Caravelas | Estimativa da População 2016». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  8. «IBGE | Cidades | Estimativa da População 2016 | População estimada | Comparação entre os Municípios: Bahia». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  9. «IBGE | Cidades | Infográficos | Bahia | Caravelas | Dados Gerais». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  10. «Município de Caravelas, Bahia». www.cidade-brasil.com.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  11. «Clima: Caravelas - Gráfico climático, Gráfico de temperatura, Tabela climática - Climate-Data.org». pt.climate-data.org. Consultado em 26 de março de 2017 
  12. «IBGE | Cidades | Bahia | Caravelas | Histórico». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  13. «Caravelas Bahia | Guia de Caravelas». www.caravelas.net.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  14. «Guiadabahia - Município de Caravelas». www.guiadabahia.com.br. Consultado em 26 de março de 2017 
  15. «Bahia  » Descobrimento do Brasil». www.bahia.com.br. Consultado em 28 de março de 2017 
  16. «História da colonização do Brasil». Guia Geográfico História do Brasil. Consultado em 28 de março de 2017 
  17. Cymbalista, Renato (1 de junho de 2010). «Os mártires e a cristianização do território na América portuguesa, séculos XVI e XVII». Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material. 18 (1): 43–82. doi:10.1590/S0101-47142010000100003. ISSN 0101-4714 
  18. «IBGE | Cidades | Bahia | Caravelas | Histórico». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 28 de março de 2017 
  19. «IBGE | Cidades | Bahia | Caravelas | Histórico». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 28 de março de 2017 
  20. «IBGE | Cidades | Bahia | Caravelas». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 28 de março de 2017 
  21. «Clima: Caravelas - Gráfico climático, Gráfico de temperatura, Tabela climática - Climate-Data.org». pt.climate-data.org. Consultado em 27 de março de 2017 
  22. CLIMATE-DATA. «Clima: Caravelas». Consultado em 27 de março de 2017 
  23. Atlas Brasil. «Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil». Consultado em 27 de março de 2017 
  24. IBGE. «Caravelas - População estimada 2016». Consultado em 27 de março de 2017 
  25. «IBGE | Cidades | Bahia | Caravelas | Estimativa da População 2016». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 27 de março de 2017 
  26. «Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil». Atlas Brasil. Consultado em 27 de março de 2017 
  27. «IDHM Municípios 2010». PNUD Brasil. Consultado em 27 de março de 2017 
  28. «Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil». Atlas Brasil. Consultado em 27 de março de 2017 
  29. «Produto Interno Bruto dos Municípios 2014 - Caravelas». IBGE. Consultado em 27 de março de 2017 
  30. «PIB 2014». IBGE. Consultado em 27 de março de 2017 
  31. «Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil». Atlas Brasil. Consultado em 27 de março de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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