Piranhas (Alagoas)
Piranhas | |
|---|---|
Centro Histórico de Piranhas. | |
| Hino | |
| Gentílico | piranhense |
![]() | |
| Coordenadas: 9° 37′ 26″ S, 37° 45′ 25″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Alagoas |
| Região metropolitana | Piranhas |
| Municípios limítrofes | Olho d'Água do Casado, Inhapi, Senador Rui Palmeira, São José da Tapera e Pão de Açúcar. |
| Distância até a capital | 291 km |
| Fundação | 1887 (139 anos) |
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Tiago Freitas (MDB, 2021–2024) |
| Área | |
| • Total [1] | 407,647 km² |
| Altitude | 88 m |
| População | |
| • Total (IBGE/2016[2]) | 25 130 hab. |
| Densidade | 61,6 hab./km² |
| Clima | Tropical |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| CEP | 57460-000 |
| IDH (PNUD/2000[3]) | 0,607 — médio |
| PIB (IBGE/2008[4]) | R$ 65 244,921 mil |
| • Per capita (IBGE/2008[4]) | R$ 2 646,75 |
| Sítio | http://piranhas.al.gov.br/ (Prefeitura) http://www.piranhas.al.leg.br/ (Câmara) |
Piranhas é um município brasileiro localizado no sertão do estado de Alagoas. Sua população é de 25.130 habitantes e sua área é de 407,647km², com densidade de 61,65 hab/km². É uma importante cidade do "Baixo São Francisco", conhecida por suas paisagens à beira-rio e por sua arquitetura histórica e colonial.
Limita ao norte com o município de Inhapi, ao sul com o estado de Sergipe, a leste com os municípios de São José da Tapera e Pão de Açúcar, a oeste com o município de Olho d'Água do Casado e a nordeste com o município de Senador Rui Palmeira.
História
[editar | editar código]Surgimento
[editar | editar código]No século XVII, a localidade era conhecida como "Tapera". Segundo lendas locais, no riacho "Piranhas", um caboclo pescou um grande peixe, preparou e salgou, levando-o para sua residência. Lá chegando, verificou que se esquecera do cutelo. Voltando-se para o filho, disse: "Vá ao porto das piranhas e traga o meu cutelo". Essa versão foi passando de geração em geração e seria a razão da denominação de Piranhas. À parte da lenda, o termo é herança dos índios que viviam à margem do Rio São Francisco e chamavam o local de "Pira aî", que ao pé da letra, significa "peixe-tesoura".[5][6]
Com o decorrer do tempo, longe de escombros e prédios espalhados, tornou-se uma povoação organizada e o nome de Piranhas foi-se estendendo desde o riacho até a povoação. Em 1859, o então imperador brasileiro Dom Pedro II, chegando de viagem pelo Rio São Francisco, elogiou a localidade de "lapinha do sertão" e posteriormente permitiu a construção de uma linha férrea que ligaria o apovoamento a antiga Jatobá em 1881.[5][6]

O estabelecimento da navegação a vapor, em agosto de 1867, fazendo o percurso Penedo-Piranhas, impulsionou o povoado, que na época fazia parte do município de Pão de Açúcar. Entretanto, o maior fator de desenvolvimento deve-se à construção da estrada de ferro Paulo Afonso, fazendo o percurso de Piranhas a Jatobá, no estado de Pernambuco.[5][6]
O distrito de Piranhas foi criado pela lei provincial nº 964, de 20 de julho de 1885 e elevado à categoria de vila em 3 de junho de 1887 pela lei provincial nº 996, sendo então desmembrado do município de Pão de Açúcar.[5][6][7]
Cangaço
[editar | editar código]
Piranhas é nacionalmente conhecida por ter sido local de diversos conflitos e eventos do cangaço, como da exposição das cabeças decapitadas dos 11 cangaceiros, incluindo as de Lampião e Maria Bonita, mortos em conflito com forças policiais no estado vizinho, nas escadarias da atual sede da Prefeitura de Piranhas em 1938.[5][6][7] Em Piranhas também foram rodados muitos filmes e documentários sobre cangaço e assuntos correlacionados, como Baile Perfumado, com o mesmo tema do cangaço. No museu da cidade, podem ser vistas várias fotos de Lampião, inclusive a famosa foto que mostra o empilhamento das cabeças na escadaria da prefeitura do Município.[8]
Construção da Usina de Xingó
[editar | editar código]Nos anos 1950, iniciou-se os primeiros estudos técnicos e análises preliminares para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio São Francisco nas proximidades do município de Piranhas.[9]
As obras civis da Usina Hidrelétrica de Xingó tiveram apenas início em março de 1987, abrangendo a implantação da barragem principal, diques auxiliares e estruturas associadas. Em setembro de 1988, os trabalhos foram temporariamente interrompidos em decorrência de restrições financeiras impostas por uma crise econômica nacional, que impactou o fluxo de investimentos do setor elétrico.[9]
A construção foi retomada em 1990, com a reestruturação do cronograma físico-financeiro e a continuidade das obras civis e eletromecânicas. Em 1994, foi concluída a fase principal de implantação da barragem e de suas estruturas associadas, permitindo o início da operação hidráulica do empreendimento.[9]

O represamento do Rio São Francisco teve início em 10 de junho de 1994, com o enchimento gradual do reservatório, conduzido de forma controlada e monitorada, em conformidade com os critérios de segurança de barragens. Em 15 de novembro de 1994, o reservatório atingiu sua cota máxima operacional.[9]
A entrada em operação da usina ocorreu de maneira progressiva, acompanhando o comissionamento das unidades geradoras. A primeira unidade entrou em operação em dezembro de 1994, seguida pela incorporação de duas unidades em 1995, mais duas em 1996, culminando com o comissionamento da última unidade geradora em agosto de 1997, quando a UHE Xingó passou a operar com sua capacidade instalada total de 3.162 MW.[9]
Atualmente, a energia produzida por essa usina representa 25% de toda a matriz energética da região nordeste brasileira. A construção dessa obra proporcionou à região benefícios além de energia elétrica, como o aumento populacional, comercial e turístico do município, com o favorecimento para a criação de áreas de banho, restaurantes, pontos turísticos e centros comerciais.[9]
Os passeios de catamarã e lancha pelo Rio São Francisco tornaram-se uma das principais atrações turísticas do Nordeste, permitindo que milhares de visitantes contemplem de perto o Cânion do Xingó e outras paisagens do sertão. Hoje, cidades como a própria Piranhas e a vizinha Canindé de São Francisco possuem uma infraestrutura turística consolidada, recebendo visitantes durante todo o ano.[9]
Tombamento histórico
[editar | editar código]O sítio histórico e paisagístico de Piranhas foi tombado pelo IPHAN, em 2004. Estão incluídos na área de tombamento o núcleo histórico da cidade, o distrito de Entremontes e um trecho de 13 km do rio São Francisco. O tombamento justificou-se pelos seus valores históricos, arquitetônicos e culturais, por ser a região representante da ocupação e conquista do Estado, desde o início do século XVIII, e da integração social e comercial da Região Nordeste.[7]
Geral
[editar | editar código]
Em geral, o município é banhado pelo rio São Francisco e é reconhecido como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN.[7] , que além de ter tombamento histórico, destaca-se por encerrar o último trecho navegável do Baixo São Francisco, sendo parte da chamada Rota do Imperador e passagem de D. Pedro II; palco de inúmeras visitas de artistas notáveis como Altemar Dutra, o qual - por seu grande amor por aquela cidade - fora homenageado com a rodovia Altemar Dutra e o nome da orla ribeirinha.[5][6][7]

Ademais, o Município de Piranhas abre caminho para o conhecido Cânion do São Francisco, o qual pode ser visita por meio de catamarãs e barcos, muito usados por turistas. No Município de Piranhas, também fica o conhecido bairro de Xingó, o qual serviu de base para a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, pela Chesf, responsável pela geração de cerca de 25% da energia do Nordeste.[9]
Bairros
[editar | editar código]- Xingó, o qual é seccionado em Vila Alagoas e Vila Sergipe;
- Nossa Senhora da Saúde;
- Nossa Senhora das Graças;
- Centro Histórico.
Piranhas possui vários distritos, como: Piau,[10] Cascavel e Entremontes.
- Vista áerea do Centro Histórico.
- Vista áerea do Centro Histórico.
- Vista áerea do Centro Histórico.
Arquitetura
[editar | editar código]
Desde 2004, o centro histórico tem área tombada pelo IPHAN que corresponde a casarios, igrejas e outros imóveis distribuídos pelos morros e baixadas, entre os quais estão pontos turísticos como: a Estação Ferroviária, Torre do Relógio, Igreja Nossa Senhora da Saúde, Palácio Dom Pedro II, e o cemitério. Na comunidade de Entremontes, destaca-se a Igreja Nossa Senhora da Conceição.[7]
Geografia
[editar | editar código]Clima
[editar | editar código]Dados do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), mostram que Piranhas apresenta um clima com média pluviométrica anual de 492,2mm[11] e temperatura média anual de 26.3°C.[12]
| Dados climatológicos para Piranhas | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima média (°C) | 34,5 | 34,6 | 34,4 | 32,7 | 29,7 | 28,3 | 27,6 | 28,4 | 30,6 | 33,2 | 34,6 | 34,4 | 31,9 |
| Temperatura média (°C) | 28,0 | 28,1 | 28,2 | 27,1 | 25,4 | 24,2 | 23,5 | 23,6 | 24,9 | 26,8 | 27,9 | 27,9 | 26,3 |
| Temperatura mínima média (°C) | 21,8 | 22,0 | 22,1 | 21,6 | 20,8 | 19,8 | 18,9 | 18,7 | 19,6 | 20,7 | 21,5 | 21,6 | 20,8 |
| Precipitação (mm) | 34,3 | 40,4 | 53,3 | 61,8 | 71,3 | 60,3 | 58,0 | 27,8 | 14,7 | 12,8 | 22,3 | 38,8 | 492,2 |
| Fonte: Departamento de Ciências Atmosféricas da UFCG.[13][14][15][16] | |||||||||||||
Referências
- ↑ IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
- ↑ «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010[ligação inativa]
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. Cópia arquivada em 7 de agosto de 2016
- 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2017
- 1 2 3 4 5 6 «Histórico do município de Piranhas». Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. Consultado em 11 de julho de 2026
- 1 2 3 4 5 6 «História - Piranhas (AL)». IBGE. 27 de abril de 2026. Consultado em 11 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 «Piranhas (AL) - Portal Gov.br». gov.br. 14 de abril de 2026. Consultado em 11 de julho de 2026
- ↑ «Piranhas já foi cenário de filmes e hoje atrai com São Francisco e Lampião». Folha de S. Paulo. 26 de janeiro de 2022. Consultado em 11 de julho de 2026. Cópia arquivada em 28 de julho de 2024
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «Usina Hidrelétrica de Xingó: História, Construção e Importância». https://xingo.com.br/. Consultado em 11 de julho de 2026
- ↑ «Divisão Territorial do Brasil». IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cópia arquivada em 9 de julho de 2026
- ↑ Departamento de Ciências Atmosféricas (1911–1990). «Temperatura Máxima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
- ↑ Departamento de Ciências Atmosféricas. «Temperatura Mínima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "DCA_Chuva" - ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "DCA_TempMédia" - ↑ Departamento de Ciências Atmosféricas (1911–1990). «Temperatura Máxima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
- ↑ Departamento de Ciências Atmosféricas. «Temperatura Mínima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019


