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Piranhas (Alagoas)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Não confundir com Piranhas (Goiás).
 Nota: Este artigo é sobre um município alagoano. Para outros significados, veja Piranha (desambiguação).
Piranhas
Centro Histórico de Piranhas.
Hino
Gentílicopiranhense
Localização de Piranhas em Alagoas
Localização de Piranhas em Alagoas
Localização de Piranhas em Alagoas
Piranhas está localizado em: Brasil
Piranhas
Localização de Piranhas no Brasil
Mapa
Mapa de Piranhas
Coordenadas: 9° 37′ 26″ S, 37° 45′ 25″ O
PaísBrasil
Unidade federativaAlagoas
Região metropolitanaPiranhas
Municípios limítrofesOlho d'Água do Casado, Inhapi, Senador Rui Palmeira, São José da Tapera e Pão de Açúcar.
Distância até a capital291 km
Fundação1887 (139 anos)
Governo
  Prefeito(a)Tiago Freitas (MDB, 2021–2024)
Área
  Total [1]407,647 km²
Altitude88 m
População
  Total (IBGE/2016[2])25 130 hab.
Densidade61,6 hab./km²
ClimaTropical
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP57460-000
IDH (PNUD/2000[3])0,607 médio
PIB (IBGE/2008[4])R$ 65 244,921 mil
  Per capita (IBGE/2008[4])R$ 2 646,75
Sítiohttp://piranhas.al.gov.br/ (Prefeitura)
http://www.piranhas.al.leg.br/ (Câmara)

Piranhas é um município brasileiro localizado no sertão do estado de Alagoas. Sua população é de 25.130 habitantes e sua área é de 407,647km², com densidade de 61,65 hab/km². É uma importante cidade do "Baixo São Francisco", conhecida por suas paisagens à beira-rio e por sua arquitetura histórica e colonial.

Limita ao norte com o município de Inhapi, ao sul com o estado de Sergipe, a leste com os municípios de São José da Tapera e Pão de Açúcar, a oeste com o município de Olho d'Água do Casado e a nordeste com o município de Senador Rui Palmeira.

História

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Surgimento

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No século XVII, a localidade era conhecida como "Tapera". Segundo lendas locais, no riacho "Piranhas", um caboclo pescou um grande peixe, preparou e salgou, levando-o para sua residência. Lá chegando, verificou que se esquecera do cutelo. Voltando-se para o filho, disse: "Vá ao porto das piranhas e traga o meu cutelo". Essa versão foi passando de geração em geração e seria a razão da denominação de Piranhas. À parte da lenda, o termo é herança dos índios que viviam à margem do Rio São Francisco e chamavam o local de "Pira aî", que ao pé da letra, significa "peixe-tesoura".[5][6]

Com o decorrer do tempo, longe de escombros e prédios espalhados, tornou-se uma povoação organizada e o nome de Piranhas foi-se estendendo desde o riacho até a povoação. Em 1859, o então imperador brasileiro Dom Pedro II, chegando de viagem pelo Rio São Francisco, elogiou a localidade de "lapinha do sertão" e posteriormente permitiu a construção de uma linha férrea que ligaria o apovoamento a antiga Jatobá em 1881.[5][6]

Piranhas vista da margem sergipana no ano de 1888. Fotografia de Adolpho Lindemann

O estabelecimento da navegação a vapor, em agosto de 1867, fazendo o percurso Penedo-Piranhas, impulsionou o povoado, que na época fazia parte do município de Pão de Açúcar. Entretanto, o maior fator de desenvolvimento deve-se à construção da estrada de ferro Paulo Afonso, fazendo o percurso de Piranhas a Jatobá, no estado de Pernambuco.[5][6]

O distrito de Piranhas foi criado pela lei provincial nº 964, de 20 de julho de 1885 e elevado à categoria de vila em 3 de junho de 1887 pela lei provincial nº 996, sendo então desmembrado do município de Pão de Açúcar.[5][6][7]

As cabeças dos cangaceiros incluindo Lampião (no primeiro degrau) e Maria Bonita (ao centro, no segundo degrau) na cidade de Piranhas em Alagoas

Piranhas é nacionalmente conhecida por ter sido local de diversos conflitos e eventos do cangaço, como da exposição das cabeças decapitadas dos 11 cangaceiros, incluindo as de Lampião e Maria Bonita, mortos em conflito com forças policiais no estado vizinho, nas escadarias da atual sede da Prefeitura de Piranhas em 1938.[5][6][7] Em Piranhas também foram rodados muitos filmes e documentários sobre cangaço e assuntos correlacionados, como Baile Perfumado, com o mesmo tema do cangaço. No museu da cidade, podem ser vistas várias fotos de Lampião, inclusive a famosa foto que mostra o empilhamento das cabeças na escadaria da prefeitura do Município.[8]

Construção da Usina de Xingó

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Nos anos 1950, iniciou-se os primeiros estudos técnicos e análises preliminares para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio São Francisco nas proximidades do município de Piranhas.[9]

As obras civis da Usina Hidrelétrica de Xingó tiveram apenas início em março de 1987, abrangendo a implantação da barragem principal, diques auxiliares e estruturas associadas. Em setembro de 1988, os trabalhos foram temporariamente interrompidos em decorrência de restrições financeiras impostas por uma crise econômica nacional, que impactou o fluxo de investimentos do setor elétrico.[9]

A construção foi retomada em 1990, com a reestruturação do cronograma físico-financeiro e a continuidade das obras civis e eletromecânicas. Em 1994, foi concluída a fase principal de implantação da barragem e de suas estruturas associadas, permitindo o início da operação hidráulica do empreendimento.[9]

Fotografia da Usina Hidrelétrica de Xingó vista de margem sergipana

O represamento do Rio São Francisco teve início em 10 de junho de 1994, com o enchimento gradual do reservatório, conduzido de forma controlada e monitorada, em conformidade com os critérios de segurança de barragens. Em 15 de novembro de 1994, o reservatório atingiu sua cota máxima operacional.[9]

A entrada em operação da usina ocorreu de maneira progressiva, acompanhando o comissionamento das unidades geradoras. A primeira unidade entrou em operação em dezembro de 1994, seguida pela incorporação de duas unidades em 1995, mais duas em 1996, culminando com o comissionamento da última unidade geradora em agosto de 1997, quando a UHE Xingó passou a operar com sua capacidade instalada total de 3.162 MW.[9]

Atualmente, a energia produzida por essa usina representa 25% de toda a matriz energética da região nordeste brasileira. A construção dessa obra proporcionou à região benefícios além de energia elétrica, como o aumento populacional, comercial e turístico do município, com o favorecimento para a criação de áreas de banho, restaurantes, pontos turísticos e centros comerciais.[9]

Os passeios de catamarã e lancha pelo Rio São Francisco tornaram-se uma das principais atrações turísticas do Nordeste, permitindo que milhares de visitantes contemplem de perto o Cânion do Xingó e outras paisagens do sertão. Hoje, cidades como a própria Piranhas e a vizinha Canindé de São Francisco possuem uma infraestrutura turística consolidada, recebendo visitantes durante todo o ano.[9]

Tombamento histórico

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O sítio histórico e paisagístico de Piranhas foi tombado pelo IPHAN, em 2004. Estão incluídos na área de tombamento o núcleo histórico da cidade, o distrito de Entremontes e um trecho de 13 km do rio São Francisco. O tombamento justificou-se pelos seus valores históricos, arquitetônicos e culturais, por ser a região representante da ocupação e conquista do Estado, desde o início do século XVIII, e da integração social e comercial da Região Nordeste.[7]

Fotografia noturna da estátua de Altemar Dutra na orla do Centro Histórico de Piranhas

Em geral, o município é banhado pelo rio São Francisco e é reconhecido como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN.[7] , que além de ter tombamento histórico, destaca-se por encerrar o último trecho navegável do Baixo São Francisco, sendo parte da chamada Rota do Imperador e passagem de D. Pedro II; palco de inúmeras visitas de artistas notáveis como Altemar Dutra, o qual - por seu grande amor por aquela cidade - fora homenageado com a rodovia Altemar Dutra e o nome da orla ribeirinha.[5][6][7]

Passeio de canoagem nos Cânions de Xingó; fotografia de 2018

Ademais, o Município de Piranhas abre caminho para o conhecido Cânion do São Francisco, o qual pode ser visita por meio de catamarãs e barcos, muito usados por turistas. No Município de Piranhas, também fica o conhecido bairro de Xingó, o qual serviu de base para a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, pela Chesf, responsável pela geração de cerca de 25% da energia do Nordeste.[9]

  • Xingó, o qual é seccionado em Vila Alagoas e Vila Sergipe;
  • Nossa Senhora da Saúde;
  • Nossa Senhora das Graças;
  • Centro Histórico.

Piranhas possui vários distritos, como: Piau,[10] Cascavel e Entremontes.

Arquitetura

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Fotografia de casas pintadas em Piranhas em 2012

Desde 2004, o centro histórico tem área tombada pelo IPHAN que corresponde a casarios, igrejas e outros imóveis distribuídos pelos morros e baixadas, entre os quais estão pontos turísticos como: a Estação Ferroviária, Torre do Relógio, Igreja Nossa Senhora da Saúde, Palácio Dom Pedro II, e o cemitério. Na comunidade de Entremontes, destaca-se a Igreja Nossa Senhora da Conceição.[7]

Geografia

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Dados do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), mostram que Piranhas apresenta um clima com média pluviométrica anual de 492,2mm[11] e temperatura média anual de 26.3°C.[12]

Dados climatológicos para Piranhas
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 34,5 34,6 34,4 32,7 29,7 28,3 27,6 28,4 30,6 33,2 34,6 34,4 31,9
Temperatura média (°C) 28,0 28,1 28,2 27,1 25,4 24,2 23,5 23,6 24,9 26,8 27,9 27,9 26,3
Temperatura mínima média (°C) 21,8 22,0 22,1 21,6 20,8 19,8 18,9 18,7 19,6 20,7 21,5 21,6 20,8
Precipitação (mm) 34,3 40,4 53,3 61,8 71,3 60,3 58,0 27,8 14,7 12,8 22,3 38,8 492,2
Fonte: Departamento de Ciências Atmosféricas da UFCG.[13][14][15][16]

Referências

  1. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
  2. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010[ligação inativa]
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. Cópia arquivada em 7 de agosto de 2016
  4. 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2017
  5. 1 2 3 4 5 6 «Histórico do município de Piranhas». Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. Consultado em 11 de julho de 2026
  6. 1 2 3 4 5 6 «História - Piranhas (AL)». IBGE. 27 de abril de 2026. Consultado em 11 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2026
  7. 1 2 3 4 5 6 «Piranhas (AL) - Portal Gov.br». gov.br. 14 de abril de 2026. Consultado em 11 de julho de 2026
  8. «Piranhas já foi cenário de filmes e hoje atrai com São Francisco e Lampião». Folha de S. Paulo. 26 de janeiro de 2022. Consultado em 11 de julho de 2026. Cópia arquivada em 28 de julho de 2024
  9. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Usina Hidrelétrica de Xingó: História, Construção e Importância». https://xingo.com.br/. Consultado em 11 de julho de 2026
  10. «Divisão Territorial do Brasil». IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cópia arquivada em 9 de julho de 2026
  11. Departamento de Ciências Atmosféricas (1911–1990). «Temperatura Máxima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  12. Departamento de Ciências Atmosféricas. «Temperatura Mínima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  13. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "DCA_Chuva"
  14. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "DCA_TempMédia"
  15. Departamento de Ciências Atmosféricas (1911–1990). «Temperatura Máxima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  16. Departamento de Ciências Atmosféricas. «Temperatura Mínima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 20 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
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