Porto Real do Colégio

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Município de Porto Real do Colégio
"Colégio"
Bandeira de Porto Real do Colégio
Brasão de Porto Real do Colégio
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 7 de julho
Fundação 7 de julho de 1876
Gentílico colegiense
Padroeiro(a) Nossa Senhora da Conceição
Prefeito(a) Sérgio Reis
(2013–2016)
Localização
Localização de Porto Real do Colégio
Localização de Porto Real do Colégio em Alagoas
Porto Real do Colégio está localizado em: Brasil
Porto Real do Colégio
Localização de Porto Real do Colégio no Brasil
10° 11' 09" S 36° 50' 24" O10° 11' 09" S 36° 50' 24" O
Unidade federativa  Alagoas
Mesorregião Leste Alagoano IBGE/2008[1]
Microrregião Penedo IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte - Arapiraca, São Sebastião e Feira Grande, Sul - Rio Sao Francisco, Leste - Igreja Nova, Oeste - São Bras
Distância até a capital 182 km
Características geográficas
Área 240,310 km² [2]
População 20 205 hab. IBGE/2015[3]
Densidade 84,08 hab./km²
Clima temperado
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,566 baixo PNUD/2000[4]
PIB R$ 53 702,465 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 2 909,28 IBGE/2008[5]
Página oficial

Porto Real do Colégio é um município brasileiro do estado de Alagoas. Sua população estimada em 2007 era de 17.947 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento de Porto Real do Colégio remonta aos meados do século XVII. Diferentes tribos de índios, entre estas as Tupinambás, Carapotas, Acoranes ou Aconãs e Cariris habitavam a região. Elas viviam da caça, pesca e da lavoura. Os bandeirantes da Bahia em demanda no Nordeste que desciam o rio São Francisco em companhia dos padres jesuítas, encarregados da catequese dos “gentios”, foram os primeiros civilizados a pisar o aldeamento que ficava à margem do grande rio, deixando aí o primeiro marco da civilização. Conta-se que esses bandeirantes e jesuítas adquiriram na referida região uma extensa faixa de terra a qual denominaram-se “Urubu-Mirim” para diferenciar de Urubu, hoje Propriá. Os jesuítas conseguiram aos poucos fixar as tribos indígenas nos arredores da sede, apesar das lutas travadas entre os Cariris, os Aconãs e os bandeirantes recém chegados à região.

Os jesuítas erigiram na povoação, no cimo de uma colina, uma capela rústica sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual começou a florescer o novo núcleo populacional. Nos meados do século XVII fundaram um convento e um colégio em frente a capela, hoje matriz de Nossa Senhora da Conceição, do lado sul da margem esquerda do rio São Francisco. Neste colégio, diz Pedro Paulina da Fonseca, no seu livro “Conventos em Alagoas”, ensinavam-se línguas; entre elas o latim.

De um modo geral, o povoamento de Porto Real do Colégio foi resultado da fusão das três raças que colonizaram o Brasil, o branco desbravador; o negro, elemento próprio para o trabalho agrícola e o índio, dono da terra. O nome verdadeiro deveria ser Colégio do Porto Real, pois o povoamento se originou do Colégio dos jesuítas que tinha o nome de “Real”. Há mesmo documento onde lhe é dada aquela denominação, como é o caso de Lei Nº 702, de 19 de maio de 1875, onde o vice-presidente da província das Alagoas, bacharel Felipe de Melo Vasconcelos, no artigo 1.º da citada Lei, diz, “fica criada a freguesia de São Brás desmembrada do Colégio do Porto Real…”

Geografia[editar | editar código-fonte]

Aspectos geoclimáticos[editar | editar código-fonte]

  • Área total: 236,1 km²
  • Densidade demográfica: 77, 74 hab/km²
  • Altitude: 10 m
  • Distância da capital: 172,2 km
  • Ano de criação: 1876
  • Micro-região: Penedo
  • Meso-região: Leste Alagoano
  • Clima: Temperado
  • Temperatura:
    • Máxima - 35º
    • Mínima - 23º
  • Coordenadas:
    • Latitude - 10º 11 09
    • Longitude - 36º 50 24

Acidentes geográficos[editar | editar código-fonte]

Com muito destaque, desponta o rio São Francisco, que margeia o município no sentido norte-sul, fazendo divisa com o Estado de Sergipe. Própria, é a cidade fronteiriça. A seguir, aparece o rio Boacica, que corta Porto Real do Colégio no sentido leste-oeste, tendo sua foz no São Francisco, fazendo limite com Igreja Nova. Menção ainda para o rio Itiuba, banhando o município numa extensão de 18 quilômetros, afluente da margem esquerda do São Francisco. Seguem-se em importâncias os riachos Sampaio (divisa com São Brás), da Areia, Cambão e Taquara, e as lagoas Grande, da Porta, Cangote, Tapera, Caldeirão e Carnaibas, além da Serra da Maraba, que serve de linha divisória com Olho d´Água Grande.

Aspectos gerais[editar | editar código-fonte]

Município - Apresenta área de 2372 e limita-se com os municípios de Feira Grande São Sebastião, Igreja Nova, São Brás, Olho d'Água Grande, Campo Grande e rio São Francisco. Apresenta as povoações de Barra de Itiúba, Tapera de Itiúba, Girau de Itiúba, Maraba,Marabinha, Canoa de Baixo, Canoa de Cima, Carnaíbas, Salomezinho, Tucum, Boqueirão, Entrada, Retiro, Pau da Faceira, Gila, Belém, entre outros.

Em 1890 havia 7.497 habitantes, passou em 1996 a 17.557 habitantes sendo 8.609 homens e 8.948 mulheres.

A principal bacia hidrográfica que corta o município é o rio Itiúba, que deságua no rio São Francisco. Junto a este, entre as inúmeras lagoas que possibilitam o plantio do arroz estão: Mucambo, Caldeirão, Prata, Cangote, Saldanha, Porto e Enxada. Esta bacia marca as mudanças da Zona do Agreste para a Zona da Mata e o Baixo São Francisco. Seu vale se mostra bastante úmido, mas com os desmatamentos modificou o quadro climático e a paisagem natural. Seu relevo está esculpido nos tabuleiros por erosão das chuvas. Alguns povoados ficam à sua margem: Girau, Angico, Itiúba. Às margens do São Francisco, suas formas meandrícas indicam sua quase horizontalidade na declividade e muitas ilhas. o vice-prefeito de porto real de colegio era chamado popularmente de Neno Herculano,porém seu nome verdadeiro é´Edson Alves da Rocha.

Economia[editar | editar código-fonte]

A agricultura de subsistência consiste na produção de arroz, milho, feijão, mandioca e uma pequena produção de cana-de-açúcar, além de fumo. A pecuária consiste em gado, ovinos, suínos, caprinos. A pesca está em redução. Há também a produção de cerâmica rudimentar (potes e panelas), arte realizada pelos índios Kariri-xokó que vivem na Colônia Agrícola da União e na Fazenda Modelo.

Com ruas largas e pitorescas, tem comércio e pequena feira.

Acesso[editar | editar código-fonte]

Porto Real do Colégio dista da cidade de Maceió 172,2 km. Tem como principais acessos a rodovia BR 101 e a ponte que liga ao estado de Sergipe. O transporte mais utilizado é o rodoviário. No entanto, a via fluvial ainda é utilizada para Penedo e várias cidades ribeirinhas.

A cidade está situada às margens do rio São Francisco, em frente à Propriá, importante centro comercial sergipano.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Patrimônio histórico e artístico[editar | editar código-fonte]

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - não se sabe ao certo o século da fundação. De valor artístico e histórico, as imagens de Nossa Senhora da Conceição (padroeira), Jesus Crucificado, Santo Antônio, São José e São Vicente estão nos principais altares do interior do templo.
  • Conjunto arquitetônico da praça Rosita de Góes Monteiro - onde estão situadas a Cadeia Pública, Casa Paroquial, Prefeitura e outros casarões em estilo colonial, alguns se transformando em ruínas.
  • Conjunto arquitetônico da antiga Rede Ferroviária - formado pela estação e armazéns.
  • Coreto - da praça Rosita de Góes Monteiro.

Patrimônio natural[editar | editar código-fonte]

Rio São Francisco e ilhas fluviais.

Potencialidades turísticas[editar | editar código-fonte]

Porto Real do Colégio tem no rio São Francisco o seu maior potencial para o desenvolvimento do turismo. Os passeios de canoas à vela ou motor, as praias formadas pelas coroas da areia no leito do rio, a visita à aldeia Kariri-Xocó, onde os índios praticam danças tradicionais como o Toré e desenvolvem o artesanato em barro, coco, madeira e ossos são as grandes opções do município.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Música[editar | editar código-fonte]

Diversas bandas e artistas regionais locais que se apresentam geralmente nas festas juninas da região.

Coral da Igreja, com 8 componentes, se apresenta nas missas e festas religiosas.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

  • Madeira - artesanato indígena da aldeia Kariri-Xocó (cachimbos peças decorativas e enfeites);
  • Coco/Semente/Osso - peças decorativas, enfeites e adornos (indígena);
  • Linhas/Bordados/Tecidos - redendê, ponto de cruz e crochê;
  • Palha - peneiras, vassouras, espanadores;
  • Cipó - balaio, cestos, armadilhas de pesca;
  • Barro - cerâmica indígena pintada com "Tauá" (espécie de calcário utilizado nas pinturas de potes, moringas, pratos e panelas).

Artes plásticas[editar | editar código-fonte]

Os artistas mais conhecidos na cidade são:

  • Múcio Neimayer (pinta telas e faz caricaturas)
  • Orlando Santos (trabalha com óleo sobre tela, tem no Cubismo sua maior característica, reside atualmente em Maceió)
  • Antônio Jorge Maia (pintor, escultor e arquiteto, já falecido)
  • Antônio Januário (escultor e pintor, autor da bandeira do município, já falecido).

Folclore[editar | editar código-fonte]

Folguedos e danças - Danças indígenas, coco e quadrilhas juninas.

Os índios Kariris comemoram com festas as datas de 25 de janeiro e 23 de junho, dançando o toré e cantado pelas ruas da cidade.

Poesia/música[editar | editar código-fonte]

Poesia - Ronaldo (Pereira) de Lima nascido em Porto Real do Colégio, Alagoas, em 1974. Escritor, editor de algumas obras como:

  • Porto Literário na versão impressa e on-line [6]
  • Colabora com o jornal on-line Tribuna da Praia [7] de Pirambu, SE;
  • É autor dos livros Às margens do rio rei (aspectos históricos, geográficos e culturais do município);
  • Agonia Urbana (livro de prosa poética lançado na IX Bienal Internacional do Livro da Bahia em 2009);
  • Co-autor e organizador de A Minicoletânea de Escritores Colegienses (prosa e poesia), O lugar da poesia e da prosa e Ritmo Vital (antologias).
  • Possui obras publicadas em alguns jornais literários impresos, regionais e literários on-line.

Música - Dois garotos do povoado Gila são vistos freqüentemente nos dias de feira, tocando e cantando repentes e modas de viola.

  • Di Martine[8] (Dirceu M. Pontes), renomado músico regional. Ex integrante das bandas de rock locais como Pretorian, Cólica e MHS (My Holy Sh**). Também desenvolveu trabalhos solo como o seu projeto musical homônimo, EP Di Martine. Multi-instrumentista, toca violão, guitarra, baixo, teclado, bateria, bandolim, cavaquinho, piano e é também vocalista.

Crenças populares[editar | editar código-fonte]

Dona Marieta, já falecida, da aldeia Kariri-Xocó, recebia um grande número de pessoas da cidade e povoados vizinhos para os "trabalhos de curas".

Lendas[editar | editar código-fonte]

A lenda mais conhecida é a do "Nego d'Água", que assusta os pescadores com o objetivo de proteger os peixes do rio.

Religião/cultos[editar | editar código-fonte]

Predomina o catolicismo, com a realização de missas, novenas, terços, procissões e festas religiosas. Os cultos evangélicos e afro-brasileiros fazem parte da religiosidade da população.

Festas populares[editar | editar código-fonte]

  • Carnaval - (calendário oficial brasileiro);
  • Festas juninas - São as mais animadas do município, com apresentação de quadrilhas e outros folguedos da época, realização do Forró Real, já tradicional no município, com sete noites de forró.
  • Festa da Paixão de Cristo - com a realização de 3 procissões, inicia na quarta-feira e termina no Sábado de Aleluia.

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

  • Comidas Típicas - Peixada; Buchada de bode feita Dona Adalgisa e Nóia, famosas cozinheiras da Cidade.
  • Outras - Tapioca, pé de nego, arroz doce, mungunzá, bolos e doces.

As pessoas mais conhecidas da cidade na confecção de bolos e doces são: Dona Hilda, Seu Osório e Dona Julieta, que vendem seus produtos na feira livre e durante a semana, de porta em porta.

Datas comemorativas[editar | editar código-fonte]

  • 7 de Julho - Emanicipação política do município;
  • 16 de Agosto - Dia do Glorioso São Roque (co-padroeiro);
  • 16 de Setembro - Emanicipação política do estado de Alagoas;
  • 8 de Dezembro - Dia de Nossa Senhora da Conceição (padroeira).

Cidadãos ilustres[editar | editar código-fonte]

  • Dr. Antônio Bernardes - Falecido em Belém do Pará no ano de 1909. Era bacharel e professor de extremo talento.
  • Boaventura Vieira Dantas - Nascido em Porto Real do Colégio em 14 de julho de 1896 e faleceu em 4 de novembro de 1964 em Propriá-SE - Escritor, comerciante. Filho de Salustiano Vieira Dantas e Maria da Conceição Vieira Dantas.Comerciante de secos e molhados na referida cidade, fez parte da Administração Municipal como membro do Conselho Municipal, na década de 1930. Foi Prefeito e Vereador de Porto Real do Colégio, provavelmente na década de 1940. Atuou como Correspondente da Gazeta de Alagoas nesse mesmo município. Membro da Associação Sergipana de Imprensa e do Núcleo Jornalístico de Propriá - SE. Obra: Palmeira- Colégio, apresentação de Costa Nunes, Maceió: Imprensa Oficial, 1953 ( Uma série de artigos, escritos entre 1937 e 1950, sobre a luta intelectual pela ligação ferroviária entre Palmeira dos Índios e Porto Real do Colégio).
  • Dr. Olimpio Vieira Dantas - Professor, advogado e magistrado. Faleceu no estado do Pará em 1927.
  • Teófanes Brandão - Professor do colégio D. Pedro II, no Rio de Janeiro, poeta, dentre os quais se destaca o denominado Trevas e Sóis. Faleceu na velha e histórica cidade de Penedo no ano de 1954.
  • Dr. José Cruz de Oliveira - Intelectual magistrado, nascido em 3 de maio de 1879 e falecido em 1955.
  • Dr. Ernani de Figueiredo Magalhães - Brilhante advogado.
  • Bispo D. Hildebrando Mendes Costa - Foi diretor e professor de várias escolas. Cursou teologia e filosofia.
  • Frederico Otto Kummer - Reconhecido Médico, Farmacéutico e Vereador local, nascido em Pernambuco, humildemente conhecido como “Seu Otta ou Otto”, dedicou metade dos seus 85 anos vividos ao povo comunidade, cuidando de todos por trás do balcão de sua Farmacia Osvaldo Cruz, sendo o único médico local. Em sua Homenagem foi lhe concebido uma Praça em seu nome na mesma cidade. Faleceu no final dos ano 80 em Colégio, sem assitência médica. Sua história, vida e ações estão narradas no livro de autoria do alagoano: KUMMER, Felipe. Lá não existem flores! Busca hereditária de Frederico Otto Kummer.Florianópolis: Bookess Editora, 2012
  • Dídimo Otto Kummer - Filho de "Seu Otta", seguiu os passos de seu pai, sendo um dos maiores dermatologistas do estado e membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, nasceu em 7 de fevereiro de 1947. Autor de vários livros, entre eles, Pequeno Dicionário Graciliânico; Vitiligo - Dentro e Fora da Pele que recebeu aceitação a nível nacional. Faleceu na cidade de Maceió em 18 de setembro de 2005.

Prefeitos [9][editar | editar código-fonte]

Intendentes
Prefeitos

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. ftp://ftp.ibge.gov.br/Estimativas_de_Populacao/Estimativas_2015/estimativa_2015_TCU_20160211.pdf. Acesso em 16/09/2016.
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  6. http://www.portoliterario.blogspot.com
  7. http://www.tribunadapraia.com/
  8. «Verificação de segurança necessária». www.facebook.com. Consultado em 2016-03-05. 
  9. LIMA, Ronaldo Pereira de. Às margens do rio rei. Editora e Gráfica J. Andrade, Aracaju, 2007.