Belém (Pará)

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Município de Belém
"Cidade das Mangueiras"
"Metrópole da Amazônia"
Pontos turísticos e características da cidade. Do topo, em sentido horário: Teatro da Paz; plantas vitória-régia, no Museu Paraense Emílio Goeldi; vista da cidade a partir da Baía do Guajará; Mercado Ver-o-Peso; e Catedral Metropolitana de Belém.

Pontos turísticos e características da cidade. Do topo, em sentido horário: Teatro da Paz; plantas vitória-régia, no Museu Paraense Emílio Goeldi; vista da cidade a partir da Baía do Guajará; Mercado Ver-o-Peso; e Catedral Metropolitana de Belém.
Bandeira de Belém
Brasão de Belém
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de janeiro
Fundação 12 de janeiro de 1616 (401 anos)
Emancipação 12 de janeiro de 1616 (401 anos)
Gentílico belenense ou belemense
Lema Significados em latim:
  • 1º: Vereat aeternum tutius latent
    ("Eterna Primavera/Escondida é mais segura")
  • 2º: Rectionr cum retrogradus
    ("É mais reta se olharmos o passado")
  • 3º: Nequaquam minima est
    ("De modo algum és a menor")
Padroeiro(a) Nossa Senhora de Nazaré
Prefeito(a) Zenaldo Coutinho (PSDB)
(2017–2020)
Localização
Localização de Belém
Localização de Belém no Pará
Belém está localizado em: Brasil
Belém
Localização de Belém no Brasil
01° 27' 21" S 48° 30' 14" O01° 27' 21" S 48° 30' 14" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Metropolitana de Belém IBGE/2013[1]
Microrregião Belém IBGE/2013[2]
Região metropolitana Belém
Municípios limítrofes
Distância até a capital 2 140 km[3][4]
Características geográficas
Área 1 064,918 km² [5]
Distritos Belém (sede), Icoaraci, Mosqueiro, Outeiro[6][7]
População 1 452 275 hab. (PA: 1º) –  estimativa populacional - IBGE/2017[8]
Densidade 1 363,74 hab./km²
Altitude 10 m
Clima Equatorial Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,746 (PA: 1º) – elevado PNUD/2010[9]
PIB R$ Aumento 28 706 165 mil (BR: 21º/PA: 1º) – IBGE/2014[10]
PIB per capita R$ 20 034,40 IBGE/2014[10]
Página oficial
Prefeitura belem.pa.gov.br
Câmara cmb.pa.gov.br

Belém (frequentemente chamada de Belém do Pará) é um município brasileiro e capital do estado do Pará, situado na região Norte do país, pertencendo à mesorregião metropolitana de Belém e à microrregião homônima. A cidade foi fundada em 12 de janeiro de 1616 pelos portugueses, desenvolvendo-se às margens da baía Guajará. É uma cidade histórica e portuária, localizada ao extremo nordeste da maior floresta tropical do mundo, sendo a capital mais chuvosa do Brasil devido a seu clima equatorial,[11][12] influenciada diretamente pela Amazônia.[13] Belém possui uma áera de 1 064,918 km² e uma altitude de dez metros ao nível médio do mar, estando a cerca de 2 140 km da capital federal, Brasília.

É o município mais populoso do Pará e o segundo da região Norte com uma população de 1 452 275 habitantes, segundo estimativa do IBGE, em 2017,[14] e o 12º município mais populoso do Brasil. Ocupa a 22ª posição no ranking de IDH por capital (0,746, alto)[15] e a sexta posição na lista de maiores IDH da região Norte – 3º maior IDH por capital por região.

Em seus 400 anos de história, Belém vivenciou momentos de plenitude, entre os quais o período áureo da borracha, no início do século XX, quando recebeu inúmeras famílias europeias, que influenciaram a arquitetura local, sendo conhecida na época como Paris n'América. Atualmente, apesar de ser cosmopolita e moderna em vários aspectos, Belém não perdeu o ar tradicional das fachadas dos casarões e das igrejas do período colonial.[16] Nas últimas duas décadas, passou por um forte movimento de verticalização, devido novas tendências na construção civil local e o plano de valorização do espaço da cidade originada na década de 40 na Avenida Presidente Vargas.[17]

A cidade exerce significativa influência como metrópole regional, influenciando mais de oito milhões de pessoas nos estados do Pará, Amapá e Tocantins, seja do ponto de vista cultural, econômico ou político.[18] Conta com importantes fortificações, igrejas, monumentos, parques e museus, como o Theatro da Paz, o museu Emílio Goeldi, o parque Mangal das Garças, o mercado do Ver-o-Peso e eventos culturais e religiosos de grande repercussão, como o Círio de Nazaré.[19]

História

Primórdios e colonização europeia

Forte do Castelo

A região onde encontra-se a cidade de Belém foi, em meados do século XVIII um pequeno lugarejo, moradia dos índios xucurus.[5]

A implantação do núcleo do município remonta ao contexto da conquista da foz do rio Amazonas - início da ocupação militar da União da Ibérica na região em 1580 - e defesa da entrada da Amazônia de estrangeiros por forças luso-espanholas - devido disputa pelo domínio do território das drogas do sertão - na época da Dinastia Filipina, sob o comando do capitão Francisco Caldeira Castelo Branco, que em 12 de janeiro de 1616 fundou o Forte do Presépio,[20][21] dando origem ao povoado inicialmente denominada de Feliz Lusitânia,[22] e foi elevado à categoria de município com a denominação de Santa Maria de Belém do Pará.[23] Posteriormente foi denominada sucessivamente por: Santa Maria do Grão Pará; Santa Maria de Belém do Grão Pará; até a atual Belém.[24]

Em 1621, para assegurar a posse do território foi criado o Estado do Maranhão e Grão Pará, com sede em São Luiz. Mas em 1751, devido a importância econômica e política de Belém, o nome do Estado mudou para Estado do Grão Pará e Maranhão, com sede transferida para Belém, tornando a primeira capital da Amazônia.[20][24]

Nesse período, junto com a atividade de coleta das drogas do sertão (especiarias extraídas do sertão), a economia era baseada também na agricultura de subsistência, complementada por atividade de pecuária e pesca, praticada por pequenos produtores que habitavam na ilha do Marajó e na ilha de Vigia.[25]

Distante dos núcleos decisórios das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil e fortemente ligada a Portugal, Belém reconheceu a Independência do Brasil apenas em 15 de agosto de 1823, quase um ano após a sua proclamação.[26]

Século XIX

Cabanagem

Ver artigo principal: Cabanagem
Igreja de Nossa Senhora das Mercês, construída no século XVIII, destacando-se no contexto da Cabanagem, na batalha do "Trem de Guerra" (esquerda). À memória da Cabanagem, foi-se erguido um monumento em forma de mão, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Nota-se que a "mão fraturada" no monumento (sem o polegar) faz referência a pacificação ocorrida após o término da revolta, onde quem fosse flagrado com arma de fogo, tinha o polegar decepado (direita).

A Cabanagem (também conhecida como Guerra dos Cabanos) foi uma revolta popular e social ocorrida no período regencial brasileiro, influenciado com a revolução Francesa, na antiga Província do Grão-Pará (abrangia os atuais estado do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia) entre os anos de 1835 a 1840, comandada por Félix Clemente Malcher, Antônio Vinagre, Francisco Pedro Vinagre, Eduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula.[20][27][28] Devido a extrema pobreza, fome e doenças, que marcou o início desse período; o processo de independência do Brasil (1822) que não ocorreu de imediato no Pará, e; a à irrelevância política à qual a província foi relegada pelo príncipe regente Pedro I, após a Independência, mantendo a forte influência portuguesa.[20][29] Os índios e mestiços, na maioria e integrantes da classe média (cabanos) uniram-se contra o governo regencial nesta revolta, com objetivo de aumentar a importância do Pará no governo central brasileiro e enfrentar a questão da pobreza do povo da região, cuja maior parte morava em cabanas de barro (de onde originou o nome da revolta).[29]

Na capital da província do Grão-Pará, cidade de Belém, por onde eram exportados os produtos explorados, a elite local era extremamente ligada aos portugueses, e pelo fato da província não ter sofrido mudanças significantes após a declaração de independência, resultou em uma grande dependência de Portugal. Em 1835, os cabanos, comandados por Antônio Vinagre, invadiram o palácio do governo de Belém e executaram o então presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, junto com as demais autoridades.[27][30]

Com o extermínio do governo local, os cabanos iniciaram o seu primeiro governo, colocando o poder ao militar Clemente Malcher. O novo governo traiu o movimento demonstrando sua fidelidade ao governo português (Imperador), inclusive reprimindo a revolta que o levou ao poder, ameaçando deportar Eduardo Angelim e Vicente Ferreira (lavrador).[27][28] Revoltados, os cabanos mataram Malcher e colocaram no poderio, Francisco Vinagre.[27][30] Repetindo o que aconteceu no primeiro governo cabano, o novo líder também traiu o movimento. Disposto a negociar com o governo central, Vinagre demonstrou um interesse em ceder seu poder a alguém indicado pelos portugueses. Descontentes, Vinagre foi deposto dando lugar ao terceiro presidente cabano, Eduardo Angelim (jornalista), mas acabou enfraquecido com a diminuição do apoio das elites locais.[27]

Em 1836, o governo central do Pará, comandado por brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andréa (subordinado ao Império), fez um bombardeio nos esconderijos cabanos e a prisão de Eduardo Angelim.[27] Então os cabanos se esconderam nas matas de Belém, para tentar novamente tomar o poder através de táticas de guerrilha.[27] Após cinco anos de combate, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta na capital, devido a fraqueza política do movimento e a ausência de um líder experiente.[27] No início da guerra, a província do Grão-Pará era habitada por cerca de 100 mil moradores e estima-se a população foi reduzida para 60 mil moradores, havendo aproximadamente 40 mil mortos.[30]

A revolta dos cabanos terminou sem que conseguissem atingir seus objetivos. Então, grupos negros foram para o interior formar comunidades de quilombolas e, grupos indígenas iniciaram a atividade de agricultura de subsistência ou integraram a atividade de extração da borracha.[20]

Ciclo da borracha

Ver artigo principal: Ciclo da borracha
Belém no século XIX

Durante o ciclo da borracha, Belém foi considerada uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas, não só por sua posição estratégica - próximo ao litoral - mas também porque sediava um maior número de casas bancárias, residências de seringalistas e outras importantes instituições.[31] O apogeu foi entre 1890 e 1920, quando a cidade contava com tecnologias que as cidades da regiões sul e sudeste brasileiros ainda não possuíam,[32] como por exemplo: Cinema Olympia - o mais antigo do Brasil em funcionamento - um dos mais luxuosos e modernos da época (inaugurado em 21 de abril de 1912 auge do cinema mudo); Teatro da Paz, um dos mais belos do Brasil, inspirado no Teatro Scala de Milão; Mercado Ver-o-Peso,[nota 1] a maior feira livre da América Latina;[33][34][35][36] Palácio Antônio Lemos; Praça Batista Campos;[37] Estrada de Ferro de Bragança, e vários outros.

Assim, foram atraídas nesse período, levas de imigrantes estrangeiros, como portugueses, franceses, japoneses, espanhóis e outros grupos menores, a fim de desenvolverem a agricultura nas terras da Zona Bragantina.

A comarca/distrito da capital, com sede em Belém, envolvia além do seu município, os de Acará, Ourém e Guamá. Possuía quinze freguesias: Nossa Senhora da Graça da Sé, Sant'Ana da Campina, Santíssima Trindade e Nossa Senhora de Nazaré do Desterro. No interior as de São José do Acará, São Francisco Xavier de Barcarena, Nossa Senhora da Conceição de Benfica, Sant'Ana de Bujaru, Nossa Senhora do Ó do Mosqueiro, Sant'Ana do Capim, São Domingos da Boa Vista, São João Batista do Conde, São Miguel do Guamá, Nossa Senhora da Piedade de Irituia e Divino Espírito Santo de Ourém.[25]

Nessa época, o indígena teve participação direta na economia local, mas conquistou áreas reservadas afastadas dos centros urbanos, para viver sua cultura após diversos conflitos com os colonizadores. Crescendo assim, em contrapartida, o comércio de escravos, trazidos para os trabalhos gerais, surgindo a figura do caboclo que se desenvolvia com a miscigenação.[22]

Teatro da Paz
Ver artigo principal: Theatro da Paz

Calandrine de Chermont iniciou a construção do teatro em 1869, com a influência da arquitetura neoclássica. Sendo Inaugurado em 1878, durante o governo de João Capistrano Bandeira de Melo Filho, com o drama de Adolphe d'EnneryAs duas órfãs com a companhia de Vicente Pontes de Oliveira.[38] É um dos mais luxuosos do Brasil e um dos teatros-monumentos do país.[38]

Palácio Antônio Lemos
Ver artigo principal: Palácio Antônio Lemos

Iniciou a construção do palácio em 1868, para ser o Palácio Municipal. Sendo inaugurado em 1883, durante o governo de Rufino Enéas Gustavo Galvão.

Estrada de Ferro de Bragança
Ver artigo principal: Estrada de Ferro de Bragança

O Governo Provincial iniciou a construção da ferrovia no ano de 1883, para transportar a produção agrícola razoável da região. Sendo inaugurado em 1884, durante o governo de Rufino Enéas Gustavo Galvão, o trecho inicial de 29 quilômetros, entre o bairro de São Brás (em Belém) a colônia de Benevides.[39][40][41] Em 1885, ganhou outros 29 quilômetros. Mas, as obras de construção ficariam paralisadas até 1901, retornando somente em 1908, chegando à sua extensão máxima.[39]

Mercado do Ver-o-Peso
Ver artigo principal: Mercado Ver-o-Peso

Henrique La Rocque iniciou a construção do mercado em 1899, com a influência da arquitetura art nouveau Sendo inaugurado em 1901, durante o governo de Augusto Montenegro,[42] oda a estrutura de ferro do Mercado foi trazida da Europa

Cinema Olympia
Ver artigo principal: Cine Olympia (Belém)

Com a influência da arquitetura art déco e da belle époque. foi inaugurado em 1912. durante o governo de João Antônio Luís Coelho,[43] pelos empresários Carlos Teixeira e Antonio Martins, donos do Grande Hotel e do Palace Theatre.[44] É o cinema mais antigo em funcionamento no País.[43][45]

Século XX

Paris n'América

Ver artigo principal: Paris n'América

O dinheiro gerado com a comercialização da borracha foi importante para a reestruturação urbana de Belém, a partir de 1897, que marcou o início do governo do intendente Antônio Lemos (1897-1911), responsável por modernizar a cidade de Belém, quando o país ainda iniciava o período da República, promovendo uma renovação estética e higienista da cidade no período denominada "Belle Époque Paraense" com o projeto de construção da Paris n'América (em francês: Petit Paris). Atendendo ao novo gosto da elite do látex (em destaque os seringalistas) e também demonstrar aos investidores estrangeiros que Belém era segura e salubre para transformar a capital em centro: financeiro, luxo, divertimento e de consumo. Ressalta-se, que a maior parte da população era pobre, não possuía dinheiro sequer para comprar peixe, enquanto tentavam adotar hábitos europeus.[46]

Em 1902 completou seu projeto, que incluiu construção de diversos palacetes, bolsa de valores, grandes teatros, igrejas, necrotério, grandes praças com lagos e chafarizes, infra-estrutura sanitária, alargamento de vias, calçamento de quilômetros de vias com pedras importadas da Europa, construção da malha de esgoto nos principais bairros, aterramento de rios e córregos, a plantação de centenas de mudas de mangueira importadas diretamente da Índia nas novas avenidas e boulevards, a fim de construir túneis sombreados, tudo ao estilo da arquitetura francesa. O desafio foi delegado a um grupo de engenheiros de algumas nações europeias, inclusive aos responsáveis pela recente reforma urbanística de Paris.

1940 e a Verticalização

Nas últimas duas décadas, o município passou por uma grande verticalização, a partir das áreas mais altas e mais valorizadas, devido novas tendências na construção civil local e o plano de valorização do espaço da cidade originada na década de 1940, iniciado na Avenida Presidente Vargas. Verificou-se: o aumento das densidades construídas e a elevação acentuada da altura dos edifícios; novas modalidades de seletividade social, caracterizadas por arrojados projetos arquitetônicos; a incorporação de sofisticados equipamentos de lazer na área condominial; os altos preços dos imóveis. Criando a tendência à segregação sócio-espacial para segmentos sociais de alta classe e de alta classe média. [17]

1960 a 2ª Légua Patrimonial de Belém ou a Nova Belém

Na década de 1950, a ocupação de Belém era fragmentada, com a seguinte divisão:

  1. Área central: bairro do Comércio;
  2. Bairros periféricos ao centro: Cidade Velha e Reduto;
  3. Bairros da Zona Sul, Batista Campos, Jurunas, Cremação, Condor, Guamá;
  4. Bairros da Zona Leste, Nazaré, São Brás, Canudos, Terra Firme, e;
  5. Bairros da Zona Norte: Umarizal, Matinha, Telégrafo Sem Fio, Sacramenta, Pedreira, Marco, Sousa, Marambaia.

Na década de 1950 os bairros localizados na na zona norte e da zona sul apresentavam índices de crescimento muito expressivos, o da Marambaia alcançou um índice de 112,04%, Sacramenta 210,69%, e; Sousa 201,22%. Eram considerados os bairros de maior crescimento demográfico, chamados de bairros populares, em contraste com os velhos bairros, do Comércio com diminuição de 15,57%; Reduto 23, 21%, e; Cidade Velha um crescimento de 23,25%.[47]

Na década de 1960 continuaram sendo os bairros mais populosos de Belém, com cerca de 280 mil pessoas.[48] Fato devido serem ocupadas por uma população considerada pobre e bastante prolífera, que residia em pequenas residências precárias, em ocupações de estrutura desordenada caracterizada por ruas tortuosas com matos e nas margens lodosas de igarapés e arruamentos. Enquanto a área central se esvaziava, devido invasão do comércio e da elite local. Os bairros iniciais da zona leste se estabilizam em amplos quarteirões com largas avenidas.[48]

No período de 1960 a 2ª Légua Patrimonial de Belém, foi estruturada ao longo da Avenida Augusto Montenegro, que originalmente foi ocupada por fazendas e, a partir dos anos 1960 recebeu os conjuntos habitacionais destinados a princípio aos remanejados das obras de infraestrutura realizadas no centro, seguidos nos anos 1980 por ocupações informais, e por condomínios de alta renda a partir dos anos 1990.[49]

Neste período os terrenos sem alagamentos da 1ª Légua Patrimonial de Belém (bairros do Marco, Souza e Pedreira) estavam ocupados; o avanço da rodovia Belém-Brasília com o presidente Juscelino Kubitschek, e; o inicio da construção da infra-estrutura de acesso ao distrito de Icoaraci[50] e Outeiro seguindo o traçado da antiga estrada de ferro Belém-Bragança, alavancaram o crescimento urbano e a expansão imobiliária (de modo não planejada e desarticulada do ponto de vista urbanístico carente de infraestrutura de qualidade porém progressivamente valorizada) nas áreas de várzea (área de expansão), através da construção de conjuntos habitacionais e assentamentos populacionais nos eixos viários das Rodovias BR-316 e Augusto Montenegro (conhecida como “Nova Belém” ou " 2ª Légua Patrimonial de Belém"), como a Cidade Nova e a Nova Marambaia.[50][51][52] Formando um novo modelo de tecido urbano, contrapondo ao encontrado na área central da cidade, com a ocupação de modo não planejada do espaço e de diferentes tipologias de assentamentos habitacionais. Ao longo do eixo da Rodovia Augusto Montenegro, existem três tipologias básicas de assentamentos: conjunto habitacional; condomínio fechado, e; assentamentos precários.[53] Esta expansão imobiliária configurou a Região Metropolitana de Belém (RMB), criada por lei complementar em 1973. Devido a viabilização da dispersão urbana e a formação polinucleada do município.

As áreas de várzea são vistas como alvo estratégico com à especulação imobiliária nas áreas centrais. Como aconteceu na Avenida Doca de Souza Franco, onde ocorreu aterramento, implantação de serviços infraestruturais e substituição das habitações em palafita por edifícios supervalorizados, ocorrendo o redirecionando desses habitantes para o Conjunto Nova Marambaia em 1970.[54]

O conjunto habitacional "Nova Marambaia" ou "Gleba I" foi entregue ao moradores em 1968, parcialmente construído, com apenas 834 casas das 2.500 previstas.[55] Esse processo continua na década de 1970 com o Governo de Alacid Nunes (1966-1971), preocupado em diminuir o problema das habitações precárias sub-humanas, edifica na Nova Marambaia outros núcleos de moradias dignas para os necessitados, gerando empregos, viabilizando o desenvolvimento regional, fortalecimento do setor da construção civil e ocupação da mão-de-obra, através da BNH (Banco Nacional de Habitação), SFB (Sistema Financeiro da Habitação) e da COHAB (Companhia de Habitação).[50] Mas este núcleo habitacional tornou-se na época pouco habitado e sem linha regular de transporte público, onde os moradores andavam 18 Km para chegarem ao centro da cidade.[56]

Geografia

Belém localiza-se na microrregião homônima e na Mesorregião Metropolitana de Belém, com uma área de 1.064,918 km² e uma densidade de 1.351,8 hab./km²,[5] sendo a décima-terceira maior capital brasileira em área territorial. Com trinta e nove ilhas em seu território, situadas no Oceano Atlântico, com destaque para a ilha de Mosqueiro (211,7923 km²) - a mais extensa destas - e as ilhas de Caratateua (31,4491 km²), Cotijuba (15,8071 km²) e Combu (14,9360 km²). Todas as ilhas do município possuem, juntas, um total de 329,9361 km². Limita-se com os municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Barcarena, além das baías do Marajó e Guajará.[12][57]

O solo da região apresenta características de textura média e indiscriminadas, além de concrecionários lateríticos, as mesmas vistas na região Bragantina. A topografia é baixa e pouco variável, com seu ponto de altitude máxima alcançando os 25 metros, na ilha de Mosqueiro. Boa parte da área urbana de Belém encontra-se entre 3 e 4 metros, fazendo com que a cidade receba influência notável das marés altas.[12]

Cerca de 54,73% da cobertura vegetal de Belém encontra-se alterada, o que é considerado alarmante pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - instituto de pesquisa responsável pela captura de imagens espaciais dos municípios brasileiros. Os principais motivos que levam a essa elevada alteração no espaço natural de Belém, é a ocupação urbana de determinadas áreas, associadas ao desmatamento. Levando em conta sua área territorial, o município é classificado como um dos de maior índice de desmatamento no país.[12]

Clima

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados
em Belém por meses (INMET, 1961-1964 e 1967-presente)[58]
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 118,2 mm 10/01/1971 Julho 111 mm 13/07/1974
Fevereiro 161,2 mm 13/02/2013 Agosto 80,4 mm 11/08/1969
Março 136,9 mm 23/03/1985 Setembro 67,4 mm 23/09/1964
Abril 200,8 mm 25/04/2005 Outubro 74,4 mm 07/10/2005
Maio 103,5 mm 07/05/1974 Novembro 67 mm 01/11/1995
Junho 99,7 mm 20/06/1996 Dezembro 121,4 mm 21/12/1989

Belém é a capital mais chuvosa do Brasil,[11] devido a seu clima equatorial (Af i,classificação climática de Köppen-Geiger)[12] influenciado diretamente pela presença da floresta amazônica.[13] A amplitude térmica é baixa (1,1 °C), com temperatura média compensada anual de 25,9 °C,[59] chegando a 32 °C em alguns períodos.[60] A partir de 1967, a menor temperatura registrada em Belém foi de 18,5 °C em 26 de agosto de 1984,[61] e a maior atingiu 37,3 °C nos dias 20 de março de 1982 e 12 de dezembro de 2003.[62]

As precipitações são abundantes e acontecem quase todos os dias do ano, sem a ocorrência de uma estação seca real, principalmente sob a forma de chuva,[63] podendo virem acompanhadas de raios.[64] Em alguns casos, com episódios de ventania, cujas rajadas podem ultrapassar 50 km/h.[65] O índice pluviométrico é de 2 922 mm/ano, concentrados entre os meses de dezembro a maio, sendo março o mês de maior precipitação (447 mm).[66] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 200,8 mm (milímetros) em 25 de abril de 2005,[58] enquanto em um mês o recorde é de 776,2 mm, registrados em fevereiro de 1980.[67]

Com mais de 2 000 horas de sol por ano,[68] a umidade relativa do ar é elevada durante todo o ano, com médias mensais entre 85% e 95%, e a média anual é de 87%,[69] sendo de 43 % o menor índice de umidade relativa do ar (URA) registrado em 19 de julho de 2003.[70]

Dados climatológicos para Belém
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima absoluta (°C) 35,9 34,8 37,3 35 35,2 35 35,3 36,7 35,4 35,4 36,4 37,3 37,3
Temperatura máxima média (°C) 30,9 30,5 30,4 30,8 31,3 31,7 31,7 32,1 32,1 32,2 32,3 31,9 31,5
Temperatura média (°C) 25,6 25,4 25,5 25,6 25,8 26 25,7 26 26 26,4 26,5 26,2 25,9
Temperatura mínima média (°C) 22,1 22,2 22,4 22,6 22,6 22,1 21,7 21,7 21,7 21,6 21,9 22 22,1
Temperatura mínima absoluta (°C) 19,4 18,8 19,8 19,2 20 19,8 19 18,5 18,8 18,9 18,6 19 18,5
Precipitação (mm) 385,5 412,5 447,1 353,4 305,5 155,3 155,5 126,4 144,8 114,6 118,2 203 2 921,7
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 24 24 26 24 23 16 15 12 15 12 13 17 221
Umidade relativa (%) 89,7 91 91 91 88 86 85 84 84 83 83 86 86,8
Horas de sol 139,4 102,5 103,6 121,9 181,6 225,9 252,4 263,5 230,5 233,4 204,6 182,3 2 241,6
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1961-1990;[59][60][71][66][72][68][69] recordes de temperatura de 1961 a 1964 e 1967-presente).[62][61]

Hidrografia

Os rios que passam por Belém são o rio Maguari, que banha a Região Metropolitana de Belém; e o rio Guamá, localizado no nordeste do Pará, cuja bacia hidrográfica drena uma área de 87 389,54 km². A Baía do Guajará banha diversas cidades do estado do Pará, inclusive sua capital. É formada pelo encontro da foz do rio Guamá com a foz do rio Acará.[73][74]

Poluição ambiental

A rede de abastecimento chega a 80% das residências, mas somente 6,5% da descarga domiciliar está conectada à rede coletora de resíduos, o que provoca o descarte inadequado dos dejetos em 14 bacias que abastecem a cidade, 11 delas ligadas ao rio Guamá.[75]

Demografia

Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 61 997
1890 50 064 -19,2%
1900 96 560 92,9%
1920 236 402 144,8%
1940 206 331 -12,7%
1950 254 949 23,6%
1960 402 170 57,7%
1970 642 514 59,8%
1980 949 545 47,8%
1991 1 244 688 31,1%
2000 1 279 861 2,8%
2010 1 393 399 8,9%
Fonte: IBGE[76]
Vista da região central da cidade.

A população de Belém é de 1 452.275 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017,[14][77] fazendo do município o mais populoso do Pará e 12ª cidade mais populosa do Brasil (2º maior da região Norte do país).[77][78]

De acordo com o censo demográfico de 2010, 734.391 habitantes eram mulheres (equivalendo a 50,78% da população), e 659.008 homens (representando 45,57% da população); Com a maior parte da população (67,83%) com idade entre 15 e 64 anos (980.878 habitantes),[nota 2][79] e expectativa de vida de 74 anos.[80] Comparando 2010 à atualmente, houve um crescimento populacional de 3,64%. Possuindo assim, a 2ª segunda maior densidade demográfica desta macrorregião (1.315 hab/km²),[81] onde 1 380.836 vivem em zona urbana, enquanto que apenas 11 195 vivem em zona rural.[82] Em 2008, 97,63% de sua população era alfabetizada.[80][83]

Sua região metropolitana (RMB) é a segunda mais populosa da Amazônia (2 402.437 hab), a 14ª mais populosa do país[nota 3][78] e a 178ª do mundo. É classificada como uma das capitais com melhor qualidade de vida do Norte brasileiro.[84][85]

De acordo com um estudo genético de 2013, a ancestralidade da população de Belém é composta por: 53,70% de contribuição europeia, 29,50% de contribuição indígena e 16,8% de contribuição africana.[86]

Religião

Círio de Nossa Senhora de Nazaré, uma das maiores celebrações religiosas do mundo

A maior parte da população na cidade é católica, porém é possível encontrar pessoas adeptas das mais diversas religiões, as principais são: espiritismo, protestantismo, judaísmo, neopaganismo, islamismo e também estão muito presentes as religiões afro-brasileiras trazidas da África pelos escravizados. Cerca de 72,10% da população de Belém é católica, 18,30% são protestantes, 1,53% são de orientação Espírita, 0,19% são seguidores de religiões de origem africana e 0,1% são judeus.[87][88]

Católicos

Religião predominante no estado e o município de Belém, sedia o evento religioso Círio de Nazaré, que acontece anualmente no segundo domingo de outubro, reunindo cerca de dois milhões de fiéis. O Círio, em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, é a maior festa cristã do país e a maior procissão católica do mundo, sendo celebrada desde 1793, no município de Belém do Pará.[89]

Atualmente, as manifestações de devoções religiosas estendem-se por quinze dias, durante a chamada quadra Nazarena. Entre os pontos altos dessa manifestação, destacam-se: romaria fluvial, romaria rodoviária, moto-romaria, transladação, procissão do Círio, o Círio propriamente dito e o recírio.[90]

A capital paraense possui inúmeras igrejas, capelas e santuários, das quais se destacam a Catedral Metropolitana de Belém, a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré e a Igreja de Santo Alexandre (atualmente Museu de Arte Sacra),[91] Santuário de Nossa Senhora de Fátima,[92] Igreja Nossa Senhora das Mêrces, Igreja Nossa Senhora do Carmo, entre outras.[93]

Evangélicos

No início do século XX, a Igreja Batista da cidade recebeu dois missionários batistas suecos oriundos dos Estados Unidos: Daniel Berg e Gunnar Vingren. Missionários vieram para o Brasil embalados pelo trabalho missionário nos EUA, sob a autorização do reverendo Nelson ficavam à frente do trabalho enquanto esse ia aos EUA em busca de fundos para a obra. Enquanto fora, os missionários aproveitavam a oportunidade para pregar o pentecostalismo ao qual tinha se convertido ainda nos Estados Unidos. Devido às dissensões, acabaram sendo convidados a se retirarem em 1910, formando sua própria congregação com o grupo que concordava com os novos ensinos.[94] Mais tarde essa congregação seria chamada Igreja Evangélica Assembleia de Deus,[95] a maior igreja evangélica do Brasil e a maior igreja pentecostal do mundo. Assim Belém se tornou o berço da doutrina pentecostal evangélica.[96] e já foi palco de grandes eventos religiosos.

Depois do catolicismo, a evangélica é a segunda religião mais praticada na cidade e possui um grande números de casas de oração, dentre as quais as principais são: Assembleia de Deus (tendo sua fundação nacional primeiramente em Belém), Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Universal do Reino de Deus e Igreja Batista.[97]

Outras denominações evangélicas presentes na cidade: Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja Anglicana, Igreja Adventista do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová.

Judeus

A maioria dos judeus em Belém chegaram à cidade no século XIX, oriundos do Marrocos, descendentes dos refugiados da Inquisição na Espanha e em Portugal (1496). Os judeus se dirigiram para a região com intuito de poder praticar sua fé com liberdade e enriquecer com o crescente extrativismo da região, facilitados por ser uma cidade portuária atingida pela carta régia, que abriu os portos do país para nações amigas. Muitos migraram diretamente para Belém, fundando a primeira Comunidade Judaica da Amazônia e do Brasil República, alguns se espalharam no interior ao longo do Rio Amazonas, depois migrando para a capital devido fortalecimento da comunidade .[98][99]

Em 1824, foi inaugurada a primeira sinagoga do Brasil Império, a "Eshel Abraham", e o primeiro cemitério judaico do país em 1842. Com a proclamação da república e a separação da Igreja do Estado, em 1889, esse fluxo foi intensificado, aliado ao Ciclo da Borracha, que estava vivendo seu apogeu nesse período.[100][101]

Belém sedia a Congregação Israelita do Pará, com três sinagogas — Eshel Abraham (1824), Shaar Hashamaim (1889) e uma unidade Beit Chabad — uma necrópole israelita, um cemitério judeu e uma Hebraica campestre. Todos as cinco construções citadas inicialmente estão situadas no centro urbano da capital, na tríplice divisa dos bairros da Campina, Batista Campos e Nazaré.

Segundo Censo, a capital paraense é o domicílio de 1.346 judeus - o município concentra quase 70% dos judeus do estado - sendo a quinta cidade com o maior concentração no país e a primeira no Norte.[102] A comunidade é predominantemente sefaradita.

A cidade também possui uma comunidade muçulmana, a maioria descendentes de imigrantes, principalmente libaneses. Belém possui uma mesquita, que integra o Centro Islâmico Cultural do Pará. Há também uma pequena comunidade Hare Krishna, que mantém um Centro Cultural que realiza festivais aos sábados, além de outros eventos como palestras.[103]

Política

Região Metropolitana

Ver artigo principal: Região Metropolitana de Belém

Criada por lei complementar federal em 1973 alterada em 1995, 2010 e em 2011, a Região Metropolitana de Belém (RMB), com 2 381 661 habitantes IBGE/2014, compreende os municípios de Ananindeua, Belém, Benevides, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Santa Isabel do Pará e Castanhal. Devido ao intenso processo de conurbação, hoje a Região Metropolitana de Belém é um dos maiores aglomerados urbanos da Região Norte. É a 177ª maior área metropolitana do mundo e 11ª do Brasil.[78][104]

Cidades próximas como Abaetetuba e Barcarena encontram-se sob influência direta de Belém, sendo que as duas já ultrapassaram a marca de cem mil habitantes. A região do "Entorno de Belém", compreende municípios em um raio de até 60 quilômetros a partir da cidade, apresentando integração contínua, com uma população que se aproxima de 3 milhões de pessoas.[105]

Cidades-irmãs

O município de Belém possui ao todo, sete cidades-irmãs,[106] a saber:

Símbolos municipais

Ver artigos principais: Bandeira, brasão e hino de Belém
À esquerda, a bandeira do município de Belém e, à direita, o brasão.

A bandeira foi instituída pelo decreto nº 6.855, de 3 de janeiro de 1971. Ela consiste de um retângulo azul sobre o qual pousa o brasão de Belém, que foi criado por iniciativa do segundo Capitão-Mor do Pará, Bento Maciel Parente, com provimento de D. Luís de Sousa.[107]

O brasão foi criado em 1626, logo no início da colonização. Naquele tempo o capitão-mor da Capitania do Grão - Pará, Bento Maciel Parente, ao lado de Pedro Teixeira Ayres Chicorro e Baião de Abreu, teve a ideia de instituir um escudo para ser colocado no Forte do Castelo. Esse brasão simbolizaria a coragem, a tradição e o pioneirismo dos portugueses.[108]

O hino foi apresentado oficialmente pela primeira vez na solenidade especial em homenagem aos 391 anos de Belém. A prefeitura criou um concurso onde qualquer um podia participar desde que apresentasse letra e melodia inéditas sobre a capital do Pará. Os vencedores foram Eduardo Neves (letra) e Luiz Pardal (música).[109]

Subdivisões

Bairros

O município possui um total de 71 bairros oficiais, distribuídos em 8 distritos administrativos, a saber:[110] Distrito Administrativo de Centro (DABEL), Distrito Administrativo do Benguí (DABEN), Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT), Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA), Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO), Distrito Administrativo de Mosqueiro (DAMOS), Distrito Administrativo de Outeiro (DAOUT) e Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC).[111]

Distritos administrativos Nº de bairros Bairros
Centro (DABEL) 8 Batista CamposCampinaCidade VelhaMarcoNazaréRedutoSão BrásUmarizal
Benguí (DABEN) 8 Benguí • Cabanagem • Coqueiro • Parque VerdePratinha • São Clemente • Tapanã • Una
Entroncamento (DAENT) 10 Águas Lindas • Aurá • Castanheira • Curió-Utinga • Guanabara • MangueirãoMarambaiaSouza • Universitário • Val-de-Cans
Guamá (DAGUA) 6 Canudos • Condor • CremaçãoGuamáJurunasMontese (Terra Firme)
Icoaraci (DAICO) 9 Águas NegrasAgulhaCampina de IcoaraciCruzeiroMaracacueiraParacuriParque GuajaráPonta GrossaTenoné
Mosqueiro (DAMOS) 19 Aeroporto • Ariramba • Baía do Sol • Bomfim • Carananduba • Caruará • Chapéu Virado • Farol • Mangueiras • Maracajá • Marahú • Murubira • Natal do Murubira • Paraíso • Porto Arthur • Praia Grande • São Francisco • Sucurijuquara • Vila
Outeiro (DAOUT) 4 Água Boa • Brasília • Itaiteua • São João do Outeiro
Sacramenta (DASAC) 7 Barreiro • Fátima • Maracangalha • Miramar • Pedreira • Sacramenta • Telegráfo
Total 71

Economia

Atividades Econômicas em Belém - (2012)[112]

A economia belenense baseia-se primordialmente nas atividades do comércio, serviços e turismo, embora seja também desenvolvida a atividade industrial com grande número de indústrias alimentícias, navais, metalúrgicas, pesqueiras, químicas e madeireiras.[113]

Porto com o Mercado Ver-o-Peso ao fundo.

A Grande Belém localiza-se na região mais dinâmica do estado e juntamente com o município de Barcarena, integra o segundo maior parque industrial da Amazônia. A cidade conta com os portos brasileiros mais próximos da Europa e dos Estados Unidos (Belém, Miramar e Outeiro), sendo que o Porto de Belém é o segundo maior movimentador de containers da Amazônia. Com a revitalização dos distritos industriais de Icoaraci e Ananindeua, a implantação da Hidrovia do Tocantins e com a chegada da Ferrovia Norte-Sul, a cidade aguarda um novo ciclo de desenvolvimento.[113]

O Círio de Nazaré, a maior procissão cristã do planeta, movimenta a economia da Cidade. No período há aquecimento na produção industrial, no comércio, no setor de serviços e no turismo.[19][88] A cidade começa a explorar o mercado da moda, com os eventos Belém Fashion Days (está entre os 5 maiores eventos de moda do País) e o Amazônia Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia).

Centros comerciais

Grande porte

Empresas com mais de 25 mil metros quadrados de ABL - Área Bruta Locável.

  • Shopping Bosque Grão Pará - 44.682 m² de ABL[114]
  • Castanheira Shopping Center - 42,5 mil m² de ABL[115]
  • Boulevard Shopping - 40 mil m² de ABL[116]
  • Shopping Pátio-Belém - 37.179 m² de ABL[117]
  • Parque Shopping Belém - 31.275 mil m² de ABL[118]

Médio e pequeno porte

  • IT Center[119]
  • Galeria São Pedro
  • Shopping São Brás[120]
  • Small Shopping[121]

Principais mercados municipais

  • Mercado do Ver-o-Peso (1688): é a maior feira livre da América Latina e também o símbolo de Belém e sua maior atração turística. Localizado na área da Cidade Velha e diretamente às margens da baía do Guajará, abastece a cidade com produtos alimentícios do interior paraense, fornecidos principalmente por via fluvial. Foi eleito entre as 7 Maravilhas do Brasil. O posto fiscal criado em 1688 no porto do Piri que, a partir de então, foi popularmente denominado lugar de Ver-o-Peso, deu origem ao nome do mercado, já que era obrigatório ver o peso das mercadorias que saiam ou chegavam à Amazônia, arrecadando-se os impostos correspondentes.[122]
  • Mercado de São Brás (1911): na Praça Floriano Peixoto, próximo à antiga "Estação de Ferro de Bragança", foi construído na primeira década do século XX, em função da grande movimentação comercial gerada pela ferrovia Belém/Bragança. Na mesma época, o intendente Antônio Lemos estabeleceu uma política para descentralizar o abastecimento da cidade, até então o Ver-o-Peso. O abastecimento começou a ser expandido para os bairros, a exemplo do que ocorreu em São Brás. O mercado de São Brás foi inaugurado no dia 21 de maio de 1911, em estilo art nouveau e neoclássico. Em suas dependências, funcionam lojas de artesanato, produtos agrícolas, domésticos e vestuário.[123]

Turismo

Ver artigo principal: Cultura e turismo de Belém

A capital paraense desponta como grande roteiro turístico do Brasil, sendo a segunda cidade mais visitada da Amazônia.[124] Proporciona diversas possibilidades de cultura e lazer tanto em eventos culturais e religiosos de grande repercussão quanto em pontos turísticos, sendo rica em construções históricas e importantes fortificações, igrejas, parques e museus.[113]

Algumas das atrações turísticas em Belém são:

Interior do Theatro da Paz
  • Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré - A Basílica de Nazaré é a única basílica da Amazônia Brasileira - sua história e simbolismo religioso exercem uma profunda influência no imaginário religioso paraense - elevada no dia 31 de maio de 2006 à categoria de Santuário Mariano Arquidiocesano, passou a denominar-se Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.
  • Bioparque Amazônia – Crocodilo Safari.[125]
  • Bondinho de Belém.[126]
  • Complexo Feliz Lusitânia - Localizado no bairro da Cidade Velha, faz parte do centro histórico revitalizado. O complexo contempla a Catedral Metropolitana de Belém, praça Dom Frei Caetano, Casa das Onze Janelas, Corveta Museu Solimões, Forte do Presépio e o complexo de Santo Alexandre (onde encontra-se a Igreja e o Museu de Arte Sacra do Pará, considerado um dos mais belos do Brasil).
  • Complexo Ver-o-Peso - Numa área de cinco mil metros quadrados de frente para a baía do Guajará, o projeto alia contemplação da natureza com a praticidade na utilização do espaço urbano. Composto pela Feira do Açaí, as praças do Relógio (relógio original da Inglaterra), Pescador, dos Velames, o Solar da Beira e o Mercado Municipal. O "Mercado de Ferro", como era conhecido o Ver-o-Peso, foi todo transportado da Inglaterra e eleito uma das 7 maravilhas do Brasil.
  • Estação das Docas – É um complexo de arte, lazer e gastronomia. A Estação, como é conhecida, possui um moderno terminal fluvial, o Amazon River, com ancoradouro flutuante, capaz de aportar até 4 embarcações de 70 pés. Diariamente são realizados diversos passeios fluviais pela orla e ilhas de Belém.
  • Espaço São José Liberto[127] – Era um antigo presídio da capital. Em 2002 deu lugar ao Espaço, que abriga o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro, a Casa do Artesão e uma capela. Hoje, o local é referência para o mercado joalheiro paraense por conta das joias em ouro e gemas produzidas pelo talento dos ourives e designers paraenses.
  • Estádio Olímpico do Pará - Com capacidade para 50 000 torcedores, foi inaugurado em 1978 e reformado em 2002. Recebeu quatro jogos da seleção brasileira (1990, 1997, 2005 e 2011) e o público recorde foi de 65 000 pessoas (11 de Julho de 1999) no jogo do Clube do Remo e Paysandu Sport Club, antes da reforma. Desde 2002, é realizado no Mangueirão o GP Brasil Caixa de Atletismo, atraindo grande público. Detém o maior público já registrado nesta modalidade na América Latina.
  • Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia - Com uma área total de 64 000 metros quadrados e 25 000 metros quadrados de área construída totalmente integrada ao ambiente amazônico, o Hangar está equipado com recursos de última tecnologia e preparado para qualquer tipo de evento, como feiras, congressos, convenções, encontros, seminários, simpósios e exposições.
  • Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves[128][129]
  • Mangal das Garças - Localizado às margens do rio Guamá, em pleno centro histórico, o parque é resultado da revitalização de uma área de 40 000 metros quadrados, no entorno do Arsenal da Marinha.
  • Orla de Icoaraci – Situada no Distrito de Icoaraci, distante aproximadamente 20 km do centro, encontram-se bares e restaurantes, áreas de lazer e feiras de artesanato. O distrito destaca-se como importante polo de artesanato em cerâmica.
  • Palácio Antônio Lemos - Hoje, é sede da prefeitura.
  • Palácio Lauro Sodré - Sede do Museu do Estado do Pará desde 1994[130]
  • Parque da Residência - Residência oficial dos governadores do estado, agora é a sede da Secretaria Executiva de Cultura (SECULT) do estado do Pará.
  • Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi - Criado em 6 de outubro de 1866, é a mais antiga instituição de pesquisas da região Amazônica e referência mundial na Amazônia.[131] O Parque Zoobotânico está situado no centro urbano de Belém, com uma área de 5,2 hectares. É o mais antigo do Brasil no seu gênero.[132]
  • Portal da Amazônia - Orla planejada de Belém tendo por vista a Baía do Guajará.
  • Planetário Sebastião Sodré da Gama - O primeiro planetário do norte e considerado um dos mais modernos do país.
  • Praça Batista Campos
  • Theatro da Paz – Inspirado no Teatro alla Scala de Milão, é o maior e mais antigo da Amazônia, construído em 1878 com recursos auferidos da exportação de látex, no Ciclo da Borracha. É considerado um dos mais luxuosos do Brasil.

Bairros históricos

Ver artigo principal: Cidade Velha (Belém)
Igreja de Santo Alexandre na Cidade Velha
  • Cidade Velha - conhecido como Centro Histórico de Belém, tem como característica principal a herança arquitetônica do período Brasil Colônia. Sendo uma das maiores referenciais do patrimônio histórico e cultural do estado - núcleo colonial da capital, que nasceu com a construção do Forte do Presépio (atualmente chamado Forte do Castelo) a mando da Coroa portuguesa no início do século XVI para proteção dos invasores estrangeiros. Na Cidade Velha surgiu a primeira rua da cidade, a Rua Norte (atualmente chamada Rua Siqueira Mendes ou Rua da Ladeira),[133] que liga a Feira do Açaí ao Largo da Sé e onde se encontram bares e restaurantes simples antigos e prédios coloniais históricos, com azulejos portugueses, tombados IPHAN.[134]

Outro lugar famoso do bairro é a Praça do Relógio, onde localiza-se um relógio inglês com 12 metros de altura, levantado na década de 30. Nela, também está localizada o complexo histórico Feliz Lusitânia a Catedral Metropolitana, a praça Dom Pedro II, igreja das Mercês, a sede da prefeitura e o Mangal das Garças.[135]

  • Engenho Murucutu - Ruínas do antigo engenho de cana-de-açúcar próspero, movido a vapor, que contava com muitos escravos. Foi destruído à época da Cabanagem, construído no século XVIII. Destaca-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição 1711, em estilo neoclássico, cuja construção é atribuída a Antônio José Landi.[136]
Panorama da cidade de Belém a partir da Praça da República.

Eventos

NHo Garnier Sampaio (H-37) liderando a romaria fluvial do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em 2005.

Por ser o município mais antigo da Amazônia e com todas as condições infraestruturais, como o Aeroporto Internacional, Estádio Olímpico com arena poliesportiva e centro de convenções Hangar e Centur, Belém é palco de grandes eventos.[137] Estando entre as 10 cidades brasileiras mais citadas para a realização de grandes eventos, de acordo com pesquisa nacional feita por SEBRAE/FBC&VB (2002), possuindo, além da gastronomia, diversas atrações de lazer e turismo na Região Metropolitana.[138]

A capital possui eventos fixos de grande dimensões, como por exemplo: o Círio de Nazaré (maior evento religioso do país - anual); Feira Amazônica do Livro (a 4ª maior feira do gênero no país - anual); Feira Supernorte (maior evento empresarial do Norte do país com 45 mil participantes - anual); FITA - Feira Internacional de Turismo da Amazônia (18 mil participantes), Belém Fashion Days (está entre os 5 maiores eventos de moda do País) e o Amazônia Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia), dentre outros.[139]

Infraestrutura

Saúde

O município possuía, em 2009, 380 estabelecimentos de saúde, entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 280 deles privados e 100 públicos - com 73 destes sendo municipais, 19 estaduais e 8 federais.[140] Neles havia 3 686 leitos para internação.[140] Em 2013, 94,6% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia.[141] Em 2013, foram registrados 21 878 nascidos vivos, ao mesmo tempo que o índice de mortalidade infantil foi de 20,1 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos vivos.[141]

Educação

Ensino fundamental

O estudo mais recente expondo o nível da educação na cidade foi publicado pela revista Exame, elaborado pela consultoria Macroplan, aponta Belém como a 4ª pior capital do País, a partir da análise de índices como o nacional Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e o internacional Pisa, que mede a habilidade dos alunos em matemática, Ciências e Leitura. Entre 26 capitais avaliadas, a paraense aparece em 23º lugar nestas áreas. O índice da capital em educação é de 0,369. A capital do Amapá, Macapá, ficou com um índice de 0,434 e é apontada como a pior capital do País. Curitiba, capital do Paraná, foi considerada a melhor capital. Belém só fica à frente de Macapá, Porto Velho (Acre) e Maceió (Alagoas). [142]

Em 2009, a rede municipal de educação de Belém era oficialmente composta de 169 unidades, sendo 61 Escolas, 69 anexos e 35 unidades exclusivas de educação infantil [143]

Ensino superior

Biblioteca Central Clodoaldo Beckmann, da Universidade Federal do Pará (UFPA)

A Universidade Federal do Pará (UFPA) é considerada a melhor universidade do estado e a melhor da região Norte, segundo o Índice Geral de Cursos (IGC) de 2013 - indicador criado por Ministério da Educação para avaliar a qualidade das instituições de ensino superior do país.[144][145]

Há seis universidades e faculdades públicas sediadas em Belém ou com campus na cidade, a saber: Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), Instituto Federal do Pará (IFPA),Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Universidade de Taubaté (UNITAU). Entre as instituições de nível superior de caráter privado, destacam-se as seguintes: Faculdade Educacional da Lapa (FAEL),Faculdade Pan Amazônica (FAPAN), Centro de Educação da Amazônia (CEAMA), Centro Universitário do Pará (CESUPA), Escola Superior da Amazônia (ESAMAZ), Faculdade de Belém (FABEL), Faculdades Integradas Ipiranga, Faculdade Teológica Batista Equatorial (FATEBE), Faculdade do Pará (FAP), Faculdade de Estudos Avançados do Pará (FEAPA), Faculdade Ideal (FACI), Faculdade Integrada Brasil-Amazônia (FIBRA), Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM), Associação Proativa do Pará (APPA), Universidade da Amazônia (UNAMA), Universidade Paulista (UNIP) e UNIBRASM - Sustentável dos municípios.[146]

Bibliotecas

Belém possui algumas bibliotecas públicas, a saber: Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará, Biblioteca Clara Galvão, Biblioteca Irmãos Guimarães, Biblioteca do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Biblioteca Municipal Avertano Rocha e Biblioteca Pública Arthur Vianna.[147]

Comunicação

O setor de comunicação em Belém e no Pará é um oligopólio ou duopólio, onde duas empresas familiares controlam mais de 90% do que é veiculado para a população. A família Maiorana, controladora da ORM (Organizações Rômulo Maiorana), retransmissora local da rede Globo e de ligação política com o diretório local do PSDB,[148] é proprietária da TV Liberal (Rede Globo), rádios Liberal AM e FM, e dos jornais impressos O Liberal e Amazônia Jornal. A família Barbalho, do PMDB dos políticos Jáder Barbalho, Elcione Barbalho e Helder Barbalho é a proprietária da RBA TV (Rede Bandeirantes), Rádios Marajoara e do jornal impresso Diário do Pará. .[149][150]

Outros veículos de comunicação em Belém são emissoras de TV, Rádios e jornais impressos de menor tiragem e circulação. A televisão Paraense é composta por várias emissoras, algumas são afiliadas das grandes redes de TV, enquanto outras atuam apenas como retransmissoras de TV, sem a inserção de programação local. Os canais abertos disponíveis são: TV Cultura do Pará (TV Cultura), TV Boas Novas Belém (Boas Novas), SBT Pará (SBT), TV Record Belém (Rede Record), , TV Grão Pará (Rede Gazeta), TV Metropolitana (Rede Brasil), Rede Vida, Record News, TV Ideal, TV Aparecida, TV Nazaré, TV Canção Nova, RIT, Rede Mundial, Rede TV Belém (Rede TV!) e TV Novo Tempo. As transmissões digitais no Estado do Pará iniciaram no dia 26 de julho de 2009, a emissora pioneira na implantação dessa tecnologia foi a RBA TV.[149]

Também há outros jornais em menor circulação na cidade, entre eles o já descontinuado Província do Pará e o ainda existente, e independente Jornal Pessoal, do jornalista Lúcio Flávio Pinto. [151][152][153][151]

Transportes

Em 2015, Belém possuía uma frota de 414 678 veículos no total, sendo 218.981 automóveis, 103.915 motocicletas, 26.983 camionetes, 17.426 camionetas, 9.033 caminhões, 15.334 motonetas, 3.806 ônibus, 2.086 micro-ônibus e 1.123 caminhões-trator, além de 10.440 outros tipos de veículos.[154]

  • Aeroporto Internacional de Belém -, distante 12 km do centro, o sítio aeroportuário possui área de 5 615 783,22 metros quadrados e transformou-se em um exemplo do padrão que a Infraero implementa nos aeroportos. Atualmente denominado de Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, opera com a capacidade de atender a demanda de 2,7 milhões de passageiros por ano, em 2007 teve um movimento operacional de 2 119 552 passageiros. Sendo responsável pelo incremento do turismo na região, escoamento da produção e captação de novos investimentos. Conta com uma arquitetura futurista, projetada para aproveitar a iluminação natural do local e tem seu interior ornamentado com plantas da região amazônica que se encontram em uma fonte capaz de imitar o barulho das chuvas, que caem todos os dias na região. Possui estacionamento para aeronaves com 11 posições e 700 vagas para veículos.[155]
  • Aeroporto Júlio Cesar - Avenida Júlio César;
  • Aeroclube do Pará - Avenida Júlio César;
  • BRT - O BRT Belém é um modelo de transporte coletivo de média capacidade. Constitui-se de veículos articulados ou biarticulados que trafegam em canaletas específicas e utilizam Estações e Estações de Parada adaptadas para o rápido acesso dos passageiros ao veículo.
  • Terminal Rodoviário Hildegardo da Silva Nunes - Avenida Cipriano Santos;
  • Terminal Hidroviário de Belém - Avenida Marechal Hermes;
  • Ferry-Boat (Belém-Marajó);
  • Ferry-Boat (Belém-Barcarena);
  • Terminal Turístico da Estação das Docas - Avenida Boulevard Castilhos França;

Telecomunicações

A Rede Metrobel - Rede Metropolitana de Educação e Pesquisa de Belém, financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, foi criada com a finalidade de integrar em alta velocidade as instituições públicas e privadas de pesquisa e educação superior em Belém e mais recentemente, o Governo do Estado do Pará por meio da PRODEPA.[156]

Além da UFPa e do Governo do Estado do Pará, fazem parte também:

Cultura

Ver artigo principal: Cultura e turismo de Belém

Museus

Há diversos museus no município. Alguns destes são: Museu Paraense Emílio Goeldi, Corveta Museu Solimões, Museu das Onze Janelas (artistas brasileiros do século XX), Museu da Primeira Comissão Demarcadora de Limites, Museu da Santa Casa de Misericórdia, Museu da Universidade Federal do Pará, Museu de Gemas do Pará, Museu de Artes de Belém, Museu de Arte do CCBEU, Museu de Artes Populares, Museu de Arte Sacra, Museu do Círio, Museu do Estado do Pará, Museu do Forte do Presépio, Museu do Judiciário, Museu Naval da Amazônia, Museu da Navegação e Museu do Porto de Belém.[91]

Culinária

A Belém gastronômica é um interessante caldeirão de misturas étnicas. A comida indígena paraense – única, verdadeiramente brasileira, segundo o filósofo José Arthur Gianotti - tem sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses, sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos. Os povos que chegaram à capital se encantaram com a cozinha nativa e, aos poucos, foram incorporando seus ingredientes.[158]

A culinária belenense tem forte influência indígena. Possui pratos típicos como: pato no tucupi com jambu, o tacacá, a maniçoba, entre outras delícias como o açaí. Há quem diga que o sabor dos peixes e das frutas é realmente diferente. Os elementos encontrados na região formam a base de seus pratos. Com mais de uma centena de espécies comestíveis, as frutas regionais podem ser encontradas no Ver-o-Peso, feiras livres, mercados e supermercados do município; elas são responsáveis diretas pelo sabor das sobremesas que enriquecem a mesa paraense. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá.[159]

O mais representativo prato típico do estado é o degustar o vinho do açaí em uma cumbuca/tigela, acompanhado de farinha d´água ou farinha de tapioca acompanhado de alguma proteína, como camarão regional, charque frito, principalmente por peixe assado.[160][161] Este último muito encontrado nas barracas do Mercado Ver-o-Peso.[161] foi escolhido símbolo da culinária através de voto popular em um concurso durante o aniversário de 400 anos do município, promovido na TV Liberal.[162]

Esportes

Em Belém estão sediados os três principais clubes de futebol do Pará: Remo, Paysandu e Tuna Luso.[163] Os principais clubes de futebol são Clube do Remo e Paysandu Sport Club, conhecidos por sua rivalidade. Outro tradicional clube de futebol do Pará é a Tuna Luso, fundada pela comunidade portuguesa de Belém. Contabilizando Belém tem 6 títulos nacionais, sendo com o Paysandu Sport Club 2 títulos do Campeonato Brasileiro - Série B e 1 título da Copa dos Campeões de 2002,[164] com o Clube do Remo 1 Campeonato Brasileiro - Série C e com a Tuna Luso Brasileira 1 Campeonato Brasileiro - Série B e 1 Campeonato Brasileiro - Série C e mais 6 títulos regionais com o Paysandu Sport Club que detém o título da Copa Norte, da Copa Verde e o Clube do Remo que detém três títulos da Copa norte e um título do Campeonato Nacional Norte-Nordeste.[165][166]

O Grand Prix Brasil de Atletismo é realizado em Belém desde 2002 no Estádio Olímpico do Pará. Em 2004, Belém reuniu cerca mais de 42 mil pessoas no Estádio, batendo o recorde de público em competições de atletismo na América do Sul.[167][168]

Entre os atletas que estiveram em Belém destacam-se: Jadel Gregório, um dos melhores do mundo no salto triplo; Maurren Higga Maggi, estrela nacional do salto em distância; Fabiana Meurer, uma das revelações do salto com vara no circuito internacional; os fundistas Hudson de Souza e Fabiano Peçanha; e Sandro Viana, Vicente Lenilson, André Domingos e Sabine Heitling, que competem nos 3 mil metros com obstáculos.[167] Jadel Gregório é campeão pan-americano, vice-campeão mundial e dono da melhor marca mundial entre os triplistas em atividade, com 17,90 metros. Maurren foi medalha de prata no Mundial Indoor de Valência, em março, e é recordista sul-americana da prova, com 7,26 metros e entre os atletas internacionais, os norte-americanos, J. J. Johnson (100 m e 200 m) e Joel Broen (110 m com barreiras); o queniano Julius Nyamu (3000 m com obstáculos); o cubano Osniel Tosca (salto triplo); os jamaicanos Maurice Wignall (110 m com barreiras); e Sheri-Ann Brooks (100 m e 200 m). Alguns dos principais destaques são a norte-americana Sheena Tosta, número dois do mundo em 2007 nos 400 m com barreira, e a cubana Yumisleidi Cumba, atual campeã olímpica do arremesso de peso.[169]

Anualmente Belém recebe o Rallye Iles du Soleil ou Rallye Transamazone, uma das mais importantes regatas do iatismo mundial.[170][171] Sendo um evento anual para exibir o potencial turístico das cidades inlcuídas no percusso.[172] O rallye também destaca outros municípios paraenses: Luis Correa; Soure ( Na Ilha do Marajó); Belém; São Sebastião da Boa Vista; Breves; Porto de Moz; Almeirim; Monte Alegre; Alter do Chão; Santarém, e; Afuá.[173][174]

Em 2002, Belém foi uma das quatro sedes brasileiras que receberam competições dos Jogos Sul-Americanos de 2002. A cidade sediou as disputas de Atletismo, natação, boxe e luta. Os locais de competição foram o Ginásio da Escola Superior de Educação Física e o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão.[175]

Moda

Belém realiza dois eventos de moda: o Belém Fashion Days, que hoje está entre os 5 maiores eventos de moda do País, e o Amazônia Fashion Week, o maior evento da Amazônia, onde a moda percorre por uma semana os principais pontos turísticos da cidade. Merece destaque também a produção de joias.[171]

Em outubro de 2009, o III Salão do Brasil em Paris teve mais de 50 expositores. Entre os produtos brasileiros, franceses e visitantes de outros países viram no Salão as joias do Pará, criadas e produzidas por profissionais do Polo Joalheiro, no Espaço São José Liberto.[176]

Feriados municipais

Na tabela a seguir estão os feriados municipais de Belém.[177]

Data Nome
12 de janeiro Aniversário de Belém
06 de setembro Emancipação Política de Belém
08 de dezembro Dia da Padroeira Nossa Senhora da Conceição

Notas

  1. Por ter sua estrutura de ferro, o Mercado Ver-o-Peso era inicialmente conhecido como "Mercado de Ferro"
  2. Faixa etária da população de Belém, de acordo com o IBGE: 19.853 habitantes (1,37%) tinham menos de 1 ano de idade; 185.363 habitantes (12,81%) tinham entre 1 a 9 anos; 119.561 habitantes (8,26%) tinham de 10 a 14 anos; 980.878 habitantes (67,83%) tinham entre as idades de 15 a 64 anos; 87.543 habitantes (6,05%) tinham entre as idades de 65 a 99; e 201 habitantes (0,01%) de 100 anos ou mais.
  3. Estimativa populacional da Região Metropolitana de Belém (RMB), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 1950 - 242 000; 1955 - 303 000; 1960 - 378 000; 1965 - 477 000; 1970 - 601 000; 1975 - 726 000; 1980 - 827 000; 1985 - 966 000; 1990 - 1 129 000; 1995 - 1 393 000; 2000 - 1 748 000; 2010 - 2 335 000.

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