Belém (Pará)
Belém | |
|---|---|
| Município do Brasil | |
| Hino | |
| Gentílico | belemense belenense[1] |
| Localização | |
| Localização de Belém no Brasil | |
| Mapa de Belém | |
| Coordenadas | 1° 27′ 21″ S, 48° 30′ 14″ O |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Pará |
| Região metropolitana | Belém |
| Municípios limítrofes | Ananindeua, Cachoeira do Arari, Barcarena, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Santo Antônio do Tauá |
| Distância até a capital | 2 120 km[2] |
| História | |
| Fundação | 12 de janeiro de 1616 (409 anos) |
| Emancipação | 12 de janeiro de 1616 (409 anos) |
| Administração | |
| Distritos | |
| Prefeito(a) | Igor Normando (MDB, 2025–2028) |
| Características geográficas | |
| Área total [3] | 1 059,458 km² |
| População total (Estimativa IBGE/2025[4]) | 1 397 315 hab. |
| • Posição | |
| Densidade | 1 318,9 hab./km² |
| Clima | Equatorial (Af) |
| Altitude | 10 m |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| Indicadores | |
| IDH (PNUD/2010[5]) | 0,746 — alto |
| • Posição | PA: 1º |
| PIB (IBGE/2021[6]) | R$ 33 467 126,22 mil |
| • Posição | |
| PIB per capita (IBGE/2021[6]) | R$ 22 216,33 |
| Sítio | belem.pa.gov.br (Prefeitura) cmb.pa.gov.br (Câmara) |
Belém, também chamada de Belém do Pará, é um município brasileiro e a capital do estado do Pará. Localizada na Região Norte do Brasil, às margens da baía do Guajará e a cerca de 2 120 quilômetros de Brasília, sua população é de 1 303 403 habitantes, segundo o Censo 2022, sendo o município mais populoso do estado, o segundo da Região Norte e o décimo segundo do país. Com uma área total de 1 059,458 quilômetros quadrados, a cidade abrange quarenta e duas ilhas que representam 65% de seu território, e apresenta clima equatorial quente e úmido, sendo a capital mais chuvosa do Brasil. Classificada entre os municípios com melhor qualidade de vida da Região Norte, possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,746 (alto), ocupando a 22.ª posição entre as capitais brasileiras.
Fundada em 1616 por Francisco Caldeira Castelo Branco como o povoado colonial Feliz Lusitânia, Belém foi erguida sobre o antigo território indígena dos Tupinambás, estruturando-se em torno do Forte do Presépio, construído para assegurar o domínio português na Amazônia durante a União Ibérica. Ao longo de sua história, destacou-se como entreposto comercial no século XVII e, posteriormente, como importante centro urbano e econômico durante o ciclo da borracha no século XIX. A partir da década de 1940, iniciou-se um processo de verticalização urbana, concentrado sobretudo ao longo da Avenida Presidente Vargas.
Classificada como metrópole regional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, Belém exerce influência sobre o Pará, o Amapá e parte do Maranhão e Tocantins, com uma população de 9,3 milhões de habitantes sob sua área de influência. Seu produto interno bruto (PIB) é de 33 467 126 mil, com o setor de serviços dominando a economia municipal, responsável por 86,6% do total. Entretanto, a capital do Pará enfrenta sérios problemas sociais e ambientais, tais como 57,1% da população vivendo em favelas, apenas 19% possui acesso à coleta de esgoto e apenas 44% da cidade possui arborização, o que torna Belém uma das capitais mais quentes do Brasil.[7][8][9] Além de ter um dos menores índices de progresso social do Brasil.[10]
A cidade conta com importantes pontos históricos e culturais como o Forte do Presépio, Theatro da Paz, Estação das Docas, Mercado Ver-o-Peso, Museu de Arte Sacra, Museu Paraense Emílio Goeldi, Praça do Relógio e Praça da República. Predominantemente católica, realiza anualmente o Círio de Nazaré, a maior procissão dessa religião do mundo, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Palco de grandes eventos, Belém sediou o Fórum Social Mundial em 2009, o Global Citizen Festival em 2025 e sediou a 30.ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) no mesmo ano, na qual tornou-se capital federal temporária do Brasil entre os dias 11 e 21 de novembro, em transferência simbólica de Brasília para a capital paraense.
Etimologia
[editar | editar código]O topônimo Belém tem origem no hebraico Beit Lehem, que significa "Casa do Pão". Inicialmente, a cidade foi denominada "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará" (posteriormente abreviado para Belém do Pará), por ordem do rei Filipe III de Espanha, em referência ao Natal[11] — período em que Francisco Caldeira Castelo Branco, então capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, partiu de São Luís, em 1615, com suas tropas, para conquistar as terras do Pará.[12][13]
História
[editar | editar código]Primórdios e colonização europeia
[editar | editar código]A região onde atualmente se encontra Belém do Pará, era, originalmente, o território indígena de Mairi, habitado pelos tupinambás e Pacajás, sob o comando do cacique Guaimiaba, durante o período do Brasil Colônia (ou América Portuguesa).[14][15][16]
O local funcionava como um entreposto comercial do cacicado marajoara, quando, em 1580, os portugueses chegaram à região por meio da expedição militar "Feliz Lusitânia", comandada pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco.
Em 12 de janeiro de 1616, na foz do igarapé Piry (também conhecido como Bixios do Pirizal),[17] foi fundado o povoado colonial português denominado Feliz Lusitânia,[14][18] por ordem do rei da União Ibérica (Dinastia Filipina), Manuel I.[14][19] Na ocasião, construiu-se um fortim de madeira, o Forte do Presépio,[15][19][20][12] com uma capela dedicada à padroeira Santa Maria de Belém[14] — atual Catedral Metropolitana.[17]
O objetivo era consolidar o domínio português sobre a então chamada Conquista do Pará (ou Império das Amazonas) e assegurar o controle da Amazônia Oriental e das drogas do sertão, frente à ameaça de potências estrangeiras.[15][16][21]
A fundação da Feliz Lusitânia marcou o início de um período de batalhas entre portugueses e potências estrangeiras (holandeses, ingleses e franceses) pelo controle da região, além de conflitos com os povos originários, em um processo forçado de colonização e escravização. Implantou-se um modelo econômico baseado na exploração do trabalho indígena e na extração de recursos primários da floresta.[14][15][19]
Esse cenário levou à Revolta Tupinambá, que, em janeiro de 1619, resultou na tomada do Forte do Presépio. No entanto, a morte do cacique Guaimiaba levou à suspensão dos ataques para a realização de seu funeral.[19]
Outras revoltas indígenas ocorreram até julho de 1621. Em 1639, Bento Maciel Parente (sargento-mor da capitania do Cabo Norte) atacou a aldeia dos Tapajós, dizimando seus habitantes e consolidando o domínio português sobre a Conquista do Pará.[19][23] Com a vitória, foi nomeado capitão-mor do Grão-Pará.
Esse feito resultou na elevação da região à condição de Capitania do Grão-Pará e na criação do estado do Maranhão, com sede estabelecida em São Luís.[20] O povoado foi elevado à categoria de município com a denominação de "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão Pará" (posteriormente "Santa Maria de Belém do Grão Pará", até chegar à forma atual, Belém).[14][24][15]
Nessa fase, foram abertas as primeiras ruas da região,[19] originando o histórico bairro da Cidade Velha. Durante seu governo, Bento Maciel fortificou o Forte do Presépio, adicionando um baluarte e um torreão, rebatizando-o como "Forte Castelo do Senhor Santo Cristo".[23] Posteriormente, liderou novas investidas contra os invasores holandeses, expulsando-os da colônia.[25]
Em 1625, devido à posição estratégica de "Santa Maria de Belém do Pará" — protegida pelas baías do Marajó e do Guajará, na foz do rio Pará[26][27][28] — os portugueses instalaram o entreposto comercial Casa de Haver-o-Peso (atual Mercado Ver-o-Peso),[29][30] como parte do sistema de expansão do império português na América e de sua política econômica mercantilista.[26] O local passou a arrecadar tributos sobre produtos europeus trazidos para Belém[26][30] e mercadorias extraídas da Amazônia, destinadas aos mercados internacionais, como a carne bovina da Ilha de Marajó.[31]
Em 1627, a importância do entreposto aumentou com a criação da primeira légua patrimonial, por ordem do governador do Estado, Francisco Coelho.[29][32] Tratava-se de uma faixa de terra em forma de arco, com 41 100 metros quadrados, que partia das margens do rios Pará e Guamá[32] em direção ao interior,[14] dando origem ao bairro do Marco da Légua, [33] e impulsionando o crescimento populacional.[34]
Esse crescimento levou, em 1654, à mudança de nome do Estado do Maranhão para Estado do Maranhão e Grão-Pará.[34][35][36]
Apesar da importância econômica, a Câmara de Belém enfrentava uma crise financeira.[29] Em julho de 1687, buscando solucioná-la, os parlamentares enviaram uma carta ao rei Filipe II, solicitando a concessão dos tributos da Casa de Haver-o-Peso, o que foi autorizado no ano seguinte.[29] Com esse benefício, Belém alcançou, em 1971, seu primeiro auge comercial. Nesse contexto, o Estado foi renomeado como "Estado do Grão Pará e Maranhão",[37][38][39] e a sede foi transferida para Belém, que se tornou a primeira capital da Amazônia.[14][24][20]
Em 1772, o Estado do Grão-Pará e Maranhão foi dividido em duas unidades: o Estado do Maranhão e Piauí e o Estado do Grão-Pará e Rio Negro,[37] ambos com status de colônias autônomas portuguesas em Belém, até 1823.[40][41]
Em 1803, durante o governo de Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, foi realizado o aterramento do igarapé do Piri (também conhecido como pântano Juçara), no bairro da Campina próximo ao Mercado da Carne, visando aos avanços urbanísticos da cidade. A foz do igarapé foi transformada na Doca do Ver-o-Peso e na Pedra do Peixe, onde permaneceram as atividades da Casa de Haver-o-Peso e se estabeleceu uma feira informal de pescadores.[42][43]
Século XIX
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O processo de ruptura política e a guerra entre o Reino do Brasil e o Reino de Portugal, em 1822, criaram uma situação indefinida na região amazônica, devido à distância dos núcleos decisórios do novo governo em formação no Brasil. Belém, ainda fortemente ligada a Portugal,[20] reconheceu a Independência do Brasil apenas em 15 de agosto de 1823 — quase um ano após a proclamação.[44][45][46] Isso levou a então Província do Grão-Pará à irrelevância política, ao aumento da pobreza e à proliferação de surtos de doenças.[20] Esse cenário de instabilidade gerou um descontentamento popular que culminou na Revolta da Cabanagem,[47] ocorrida entre 1835 e 1840, liderada por Félix Clemente Malcher, Antônio Vinagre, Francisco Pedro Vinagre, Eduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula, sob influência dos ideais da Revolução Francesa.[20]
Em 1835, os cabanos, liderados por Antônio Vinagre, invadiram o Palácio do Governo de Belém, executaram o então presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, e outras autoridades, iniciando o primeiro governo, sob o comando do militar Félix Clemente Malcher. No entanto, Malcher jurou fidelidade a D. Pedro I e governou com repressão e ameaças de deportações, o que gerou revolta. Foi deposto e assassinado, sendo sucedido por Francisco Vinagre, que também tentou negociar com o Governo Regencial, deixando os revoltosos insatisfeitos. Essa tentativa de conciliação gerou insatisfação entre os revoltosos, levando à sua deposição e à ascensão de Eduardo Angelim ao poder.[48]
O Governo Regencial, com apoio de tropas europeias, combateu os revoltosos por cinco anos, em conflitos sangrentos que resultaram em cerca de 30 mil mortos.[49] Os sobreviventes foram obrigados a se refugiar no interior, onde passaram a desenvolver atividades agrícolas, posteriormente integradas à extração do látex da seringueira, impulsionada pelo crescimento da indústria automotiva.[20][50]
Em 1866, foi autorizada a navegação de navios mercantes estrangeiros pelos rios amazônicos, o que contribuiu para um novo ciclo de desenvolvimento da capital.[15] Para oficializar este ato e reafirmar a presença do Império após a Cabanagem, foi anunciada a visita de Pedro II à cidade.[51] Na ocasião, a Companhia do Amazonas ergueu um arco triunfal cenográfico pela para recepcioná-lo.[51] Nesse período, a fotografia passou a se difundir em Belém, com destaque para o fotógrafo português Filipe Fidanza, que, ao lado de Pedro II, foi um dos grandes incentivadores da arte fonográfica na região.[51]
Em 1870, a importância comercial de Belém cresceu vertiginosamente no cenário internacional com a exportação do látex, chegando à quase monopolização do mercado e marcando o início do ciclo da borracha.[50] O apogeu desse ciclo ocorreu entre 1880 e 1920, período em que Belém possuía tecnologias e infraestrutura que muitas cidades das regiões Sul e Sudeste do Brasil ainda não tinham,[52] como o luxuoso e moderno Cinema Olympia (o mais antigo do Brasil ainda em funcionamento desde 1912);[53][54] o Theatro da Paz, um dos mais belos do país, inspirado no Teatro Scala de Milão;[54] o Mercado Ver-o-Peso[a] — eleito uma das sete maravilhas brasileiras[55] e considerada a maior feira livre da América Latina;[56][57] o Palácio Antônio Lemos;[54] a Praça Batista Campos;[54][58] e a Estrada de Ferro de Bragança,[59] que atraiu levas de imigrantes portugueses, franceses, japoneses e espanhóis, com o objetivo de desenvolver a agricultura e a colonização na Zona Bragantina — uma vasta área até então despovoada.[60]
Embora abalada pela Revolta da Cabanagem, a Casa de Haver-o-Peso funcionou até 1839,[61] quando, em outubro, o presidente Bernardo de Souza Franco extinguiu a repartição fiscal, arrendando o espaço para a venda de peixe fresco até 1847.[61] Nesse ano, o contrato foi encerrado e o prédio, demolido.[29][62]
Durante esse período, foram construídos diversos edifícios e obras de infraestrutura. O Palácio Antônio Lemos, por exemplo, começou a ser erguido em 1868 para sediar a prefeitura municipal, durante o governo de Rufino Enéas Gustavo Galvão, o Visconde de Maracaju (atualmente, abriga a sede da prefeitura).[63] Em 1869, Calandrine de Chermont iniciou a construção do Theatro da Paz, de arquitetura neoclássica, inaugurado com a apresentação da companhia de Vicente Pontes de Oliveira, que encenou o drama As Duas Órfãs, de Adolphe d'Ennery.[64]


Em 1883, o então governador Rufino Enéas iniciou a construção da Estrada de Ferro de Bragança, com o objetivo de escoar a produção agrícola da região, seguindo o traçado do antigo Caminho dos Tupinambás,[b] que ligava Belém ao Maranhão.[59][66] Até então, o transporte era feito apenas pelo rio Caeté. Mais tarde, a ferrovia passou a ser utilizada também para o transporte de gado vindo do Piauí.[67] A obra foi concluída em 1908, quando a estrada atingiu sua extensão máxima.[68]
No final do século XIX, o discurso de progresso e controle social, baseado no saneamento e na limpeza urbana, levou à remoção dos cortiços e da população pobre das áreas centrais. Esse processo foi impulsionado pelo receio das elites republicanas diante da crescente aglomeração de trabalhadores urbanos, que começavam a se organizar politicamente, mas ainda eram vistos como "selvagens".[69] Com isso, os mais pobres foram expulsos do centro da cidade, sendo forçados a se estabelecer em bairros periféricos — numa tentativa dos republicanos de moldar um "novo homem": submisso, porém produtivo.[69]
A população negra, então concentrada no bairro do Umarizal, destacou-se por sua força cultural, especialmente em 1848, quando Mestre Martinho organizou a primeira festa do Divino Espírito Santo, originando os cordões de bumba-meu-boi, as pastorinhas e os sambas noturnos.[69] No entanto, durante o plano de urbanização liderado por Antônio Lemos, a cultura afro-brasileira foi reprimida. Os negros do Umarizal foram deslocados para regiões periféricas, onde atualmente estão os bairros da Pedreira, Guamá, Jurunas, Cremação e Sacramenta.[69] Essa dispersão transformou a Pedreira em um centro de batuques e sambas, contribuindo também para a modernização e o sincretismo da macumba, que passou a incorporar elementos do batuque de babaçuê, do candomblé baiano, da umbanda carioca e da pajelança cabocla.[69]
O ritmo carimbó, ao longo da primeira metade do século XX, também sofreu repressão devido à sua origem indígena com forte influência negra.[69] Em 1880, por exemplo, chegou a ser proibido pelo governo por meio do Código de Posturas de Belém (Lei n.º 1 208/1880), que determinava:[70] “É proibido [...] fazer batuques ou samba, tocar tambor, carimbó, ou qualquer outro instrumento que perturbe o sossego durante a noite”.[70]
Em 1899, foi demolida a Casa de Haver-o-Peso,[29][62] sendo construído em seu lugar, na antiga Praça do Pelourinho (atual avenida Boulevard Castilhos França), o Mercado Municipal de Peixe — também conhecido como Mercado de Ferro.[71] A obra foi realizada pela empresa La Rocque Pinto & Cia, seguindo o estilo art nouveau, e situou-se nas proximidades do Mercado Municipal da Carne.[72][71]
Século XX
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A partir de 1897, a renda gerada com a comercialização do látex foi fundamental para a reestruturação urbana e modernização de Belém, influenciada pelo estilo arquitetônico de Paris, especialmente o art déco da belle époque européia.[51] Durante o governo do intendente Antônio Lemos, foi implementado o projeto Paris n'América (em francês: Petit Paris) marcando o período conhecido como "Belle Époque de Belém" ou "Período Áureo da Borracha".[51]
Em 1902, esse projeto foi concluído com a construção de diversos palacetes, uma bolsa de valores, grandes teatros, igrejas, um necrotério, praças com lagos e chafarizes, além de infraestrutura sanitária moderna. Também houve o calçamento de quilômetros de vias com pedras importadas da Europa, a construção de redes de esgoto nos principais bairros, o aterramento de rios e córregos, o alargamento de ruas e a criação de avenidas e boulevards. As vias foram arborizadas com centenas de mudas de mangueiras indianas, com o objetivo de formar túneis sombreados.[73]
Neste período, a fotografia emergiu como um elemento significativo, registrando as transformações urbanas e servindo de propaganda política das realizações do governo estadual.[51] Esses registros resultaram no Álbum de Belém, produzido em 1902 em Paris, com capa em baixo-relevo, sob a direção de Filipe Augusto Fidanza e texto de Henrique Santa Rosa.[74][75] A publicação construiu uma imagem idealizada da cidade, reinventando um imaginário sociocultural à moda parisiense e lenista.[51] Destaca-se, nesse contexto, o Cine Olympia (1912), o cinema mais antigo em funcionamento no Brasil.[53][76][77]
Apesar da intensa modernização dos bairros centrais, alguns como o Umarizal, ainda apresentavam formas tradicionais de ocupação do espaço, como vilas estreitas, cabanas cobertas com palha ou lona e currais portuguesas, revelando a origem social humilde de seus habitantes.[78] As vacarias eram estábulos precários atrás das residências, geralmente em áreas alagadiças conhecidas como "na baixa", que forneciam leite in natura e cultivavam flores para ornamentação de caixões.[78]
A partir da década de 1940, o município passou por outras duas grandes mudanças urbanísticas, influenciado por novas tendências na construção civil e pelo plano de valorização do espaço urbano. As vacarias foram loteadas, dando origem a passagens com residências de alvenaria.[78] Nas áreas mais altas e valorizadas, iniciou-se o processo de verticalização, especialmente ao longo da Avenida Presidente Vargas.[79] Esse processo envolveu o aumento da densidade construída e da altura dos edifícios, o surgimento de novas formas de seletividade social por meio de projetos arquitetônicos arrojados, e a incorporação de sofisticados equipamentos de lazer nos condomínios. Com isso, houve uma elevação nos preços dos imóveis e o aprofundamento da segregação socioespacial entre as classes média e alta.[79]
Na década de 1950, os bairros das zonas norte e sul apresentaram índices expressivos de crescimento demográfico. A Marambaia registrou um aumento de 112,4%; a Sacramenta, 210,69%; e o bairro do Sousa, 201,22%.[80] Esses bairros, considerados populares, contrastavam com os antigos bairros centrais, como o Comércio, que apresentou queda de 15,57%; o Reduto, com diminuição de 23,21%; e a Cidade Velha, que cresceu apenas 23,25%.[80] Na década de 1960, os bairros populares continuaram sendo os mais populosos, reunindo cerca de 280 mil pessoas.[81] residia em pequenas moradias precárias, distribuídas de forma desordenada, com ruas tortuosas e margens lodosas de igarapés cobertas por mato.[81] Enquanto isso, a área central da cidade se esvaziava devido à invasão do comércio e ao deslocamento da elite local, e os bairros iniciais da zona leste se estabilizavam em amplos quarteirões com largas avenidas.[81]
Com o passar das décadas, os terrenos sem alagáveis da Primeira Légua Patrimonial já estavam ocupados. A expansão urbana passou então a acompanhar o avanço de novas rodovias, como a Belém-Brasília (iniciada na década de 1950) e a estrada de acesso ao distrito de Icoaraci,[82] seguindo o traçado da antiga Estrada de Ferro de Bragança, também conhecida como ferrovia Belém-Bragança. Essa região, inicialmente ocupada por fazendas, impulsionou o crescimento urbano e a expansão imobiliária.
Esse processo, no entanto, ocorreu de maneira desordenada e com carência de infraestrutura básica. Com o tempo, a área foi sendo valorizada, especialmente nas regiões de várzea, que passaram a ser consideradas zonas de expansão. Nessas áreas foram construídos conjuntos habitacionais e assentamentos populacionais, caracterizados por quarteirões amplos e avenidas largas.[81][83] Tais conjuntos foram destinados, em muitos casos, ao reassentamento de famílias removidas por obras de infraestrutura no centro da cidade.[83]
A expansão aconteceu nos eixos viários das rodovias BR-316 e Augusto Montenegro, região conhecida como "Nova Belém" ou "Segunda Légua Patrimonial de Belém" — nome atribuído desde 1899, com base na Lei de Terras que doou essas áreas à Intendência Municipal. Entre os principais bairros dessa expansão destacam-se a Cidade Nova e a Nova Marambaia.[82][84][85] No entanto, a falta de infraestrutura de mobilidade prejudicou o êxito inicial desse crescimento, elevando os custos de deslocamento até o centro.[82]
Em 1960, foi fundado o campus principal da Universidade Federal do Pará, em Belém, no bairro do Guamá.[86] Na mesma época teve início a desativação da ferrovia Belém-Bragança, motivada pela queda de investimentos e pelo crescimento do transporte rodoviário. Em 1965, o então Ministro da Aviação Juarez Távora, no governo de Humberto de Alencar Castelo Branco, ordenou a destruição das locomotivas e das principais estações ferroviárias do estado.[87] A Estação Ferroviária de São Brás foi substituída por uma rodoviária, sob ordens do interventor Alacid Nunes — ato que, segundo alguns, teria sido uma forma velada de retaliação a um episódio de 1930, quando Távora foi pressionado por políticos e militares paraenses a nomear Magalhães Barata como interventor estadual.[87]
A partir da década de 1990, houve uma nova fase de expansão na Nova Belém, marcada pela construção de condomínios de alto padrão ao longo da rodovia Augusto Montenegro.[83]
Geografia
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Belém é a primeira capital da Região Norte do Brasil,[88] situando-se a uma latitude 01º27'21" sul e longitude 48º30'16" oeste.[89] Está a 2 120 quilômetros da capital federal Brasília.[2] Possui uma altitude de dez metros ao nível médio do mar, com um relevo predominantemente plano.[90] Seu território é o décimo terceiro maior entre as capitais brasileiras,[91] com área de 1 059,458 km²,[4] dividida entre uma porção continental e outra insular,[91] composta por quarenta e duas ilhas, que correspondem a 65% do território municipal, entre elas Mosqueiro, Cotijuba, Caratateua e Combu.[91]
Segundo a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Belém.[92] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Belém, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belém.[93] Belém é a metrópole mais influente da Região Norte, exercendo influência sobre todo o Pará e o Amapá, e parcialmente sobre o Maranhão e o Tocantins, de acordo com o estudo "Regiões de Influência das Cidades 2018" (REGIC 2018), divulgado pelo IBGE. Sua rede urbana é mais complexa que a de Manaus, e a população sob sua área de influência é de 9,3 milhões de habitantes.[94]
Geologia
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Belém apresenta solos de textura média, semelhantes aos encontrados na região Bragantina, com ocorrência de latossolos distróficos e solos concrecionários lateríticos.[95]:17 O município é cercado por terrenos alagadiços e igarapés, com forte atuação de processos intempéricos, que favorecem a formação de perfis lateríticos.[96] A topografia é predominantemente baixa, com altitude média de quinze metros. O ponto mais alto atinge 25 metros na ilha de Mosqueiro, enquanto boa parte da área urbana está abaixo de quatro metros, sendo suscetível à influência das marés altas.[97]
As unidades litoestratigráficas (camadas rochosas) pertencem ao Grupo Barreiras, composto por oito fácies litológicas, além dos sedimentos Pós-Barreiras e da Unidade de Cobertura Detrítica-Laterítica. O Grupo Barreiras apresenta argilitos, siltitos e intercalações de lentes de arenitos; os sedimentos Pós-Barreiras consistem em depósitos inconsolidados (solos) de cor amarelada, formados por grãos de quartzo arredondados e de granulação fina, sobrepostos às rochas do Grupo Barreiras, mas lateritizados; já a Unidade de Cobertura Detrítica-Laterítica é geralmente recoberta por latossolos amarelados.[96]
Hidrografia
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Belém é banhada pelas águas da baía do Guajará e do rio Guamá, sendo entrecortada por uma extensa rede de rios e igarapés que delimitam áreas conhecidas como "terras altas" e "terras baixas". O município possui quatorze microbacias hidrográficas. Os principais cursos d'água da região são os rios Guamá e Maguari.[98] Situado no nordeste do Pará, o rio Guamá possui uma bacia hidrográfica com área de drenagem de 87 389,54 quilômetros quadrados,[99] abrangendo vários municípios além da capital paraense.[98] A baía do Guajará é formada pelo encontro das fozes dos rios Guamá e Acará, que também banha o município de Barcarena.[99]
Embora a rede de abastecimento de água atenda a cerca de 80% das residências, apenas 6,5% do esgoto domiciliar está conectado à rede coletora, o que resulta no despejo inadequado de dejetos em quatorze bacias hidrográficas, onze delas ligadas ao rio Guamá.[100]
Meio ambiente e ecologia
[editar | editar código]Belém está inserida no bioma Amazônia e abriga uma expressiva diversidade ambiental, marcada por extensas áreas de várzeas (manguezais e alagadas) e terras firmes, especialmente em sua região insular. A cobertura vegetal do município é composta predominantemente por florestas secundárias que substituíram a antiga floresta densa dos baixos platôs, ainda presentes em partes das ilhas de Mosqueiro, Outeiro e outras com menor ação humana. Nas margens dos rios e zonas estuarinas predominam manguezais, enquanto a floresta ombrófila caracteriza os trechos marginais dos cursos d’água e baixadas, formando ecossistemas de elevada biodiversidade que sustentam atividades como pesca, agricultura familiar e extrativismo vegetal.[95]:17,18
Entre 1976 e 1997, cerca de 54% da cobertura vegetal original foi desmatada, resultado da expansão urbana e da degradação das florestas remanescentes. Em 2006, a floresta urbana correspondia a aproximadamente 31% da Região Metropolitana de Belém, com uma média de 85 metros quadrados de floresta por habitante — o menor índice da região. O município possui cerca de 18% do seu território protegido por unidades de conservação, como o Parque Estadual do Utinga, Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro, Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém (APA Belém), APA da Ilha do Combu, Bosque Rodrigues Alves e Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.[95]:18,19
O Bosque Rodrigues Alves é considerado um fragmento de floresta nativa preservada,[101] com área de 150 mil metros quadrados, que conserva parte da vegetação original de Belém anterior à expansão urbana ocorrida na década de 1950.[102] O espaço abriga mais de 10 mil espécimes vegetais, distribuídos entre 332 espécies, 194 gêneros e 50 famílias botânicas, sendo 92% nativas e 8% exóticas, e desempenha um papel essencial na conservação da fauna e da flora locais.[101] Desde 2002, o bosque integra a rede nacional e internacional de espaços de preservação natural e histórica, a Botanic Gardens Conservation International (BGCI).[103]
Em 1993, foram criados a APA Belém e o Parque Estadual do Utinga para possibilitar a proteção dos principais mananciais que abastecem a capital paraense — os lagos Água Preta e Bolonha. Ambos têm como os objetivos de proteger e conservar o meio ambiente, promover a pesquisa científica, a educação ambiental e o turismo ecológico, além de assegurar a potabilidade da água dos mananciais e conservar a biodiversidade amazônica.[104][105] Em 2005, foi criado o Sistema Municipal de Meio Ambiente de Belém (Lei n.º 8.489), responsável pela gestão integrada dos recursos naturais e pela conservação, proteção e recuperação do equilíbrio ecológico no município.[106]
Clima
[editar | editar código]| Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados em Belém por mês (INMET)[107][108] | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Acumulado | Data | Mês | Acumulado | Data |
| Janeiro | 118,2 mm | 10/01/1971 | Julho | 111 mm | 13/07/1974 |
| Fevereiro | 161,2 mm | 13/02/2013 | Agosto | 80,4 mm | 11/08/1969 |
| Março | 195,6 mm | 09/03/2020 | Setembro | 67,4 mm | 23/09/1964 |
| Abril | 200,8 mm | 25/04/2005 | Outubro | 74,4 mm | 07/10/2005 |
| Maio | 125,6 mm | 20/05/1935 | Novembro | 157,8 mm | 23/11/2020 |
| Junho | 99,7 mm | 20/06/1996 | Dezembro | 121,4 mm | 21/12/1989 |
| Período: 01/01/1931 a 30/09/1964 e 01/01/1967–presente | |||||
Com clima tipicamente equatorial (Af, segundo Köppen-Geiger),[109] Belém apresenta um dos maiores índices pluviométricos do país e o maior entre as capitais brasileiras,[110] superando os 3 mil milímetros anuais. As chuvas são abundantes durante todo o ano, sendo mais frequentes entre dezembro e maio, com maior ocorrência no período da tarde.[111] A cidade registra mais de 2 200 horas anuais de insolação ao ano e apresenta elevados índices de umidade relativa do ar,[112] mantendo o calor constante ao longo do ano, com temperaturas que podem chegar a 33 graus nos meses mais quentes.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), de 1931 a 1964 e a partir de 1967, a menor temperatura já registrada em Belém ocorreu em 26 de agosto de 1984, quando os termômetros marcaram 18,5 graus. Por outro lado, a maior temperatura foi registrada em 1.º de dezembro de 2015, com máxima chegou de 38,5 °C.[113]
O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 200,8 milímetros, registrado em 25 de abril de 2005, seguido por 195,6 milímetros em 9 de março de 2020, 161,2 milímetros em 13 de fevereiro de 2013 e 157,8 milímetros em 23 de novembro de 2020. O mês mais chuvoso da série histórica foi março de 2020, com um total de 934 milímetros de precipitação, enquanto outubro de 1997 teve o menor índice, com apenas 8,2 milímetros.[113]
| Dados climatológicos para Belém | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima recorde (°C) | 36 | 36,3 | 35,2 | 35,2 | 35,5 | 35,6 | 35,8 | 37,2 | 38,1 | 37,4 | 37,9 | 38,5 | 38,5 |
| Temperatura máxima média (°C) | 31,4 | 31 | 31,1 | 31,5 | 32,2 | 32,5 | 32,6 | 33 | 33,2 | 33,1 | 33,1 | 32,5 | 32,3 |
| Temperatura média compensada (°C) | 26,3 | 26,1 | 26,3 | 26,5 | 26,8 | 26,9 | 26,8 | 27,1 | 27,3 | 27,3 | 27,4 | 27 | 26,8 |
| Temperatura mínima média (°C) | 23 | 23,1 | 23,3 | 23,4 | 23,4 | 23,1 | 22,8 | 22,9 | 22,9 | 22,9 | 23,1 | 23,1 | 23,1 |
| Temperatura mínima recorde (°C) | 19,4 | 18,8 | 19,6 | 19,2 | 20 | 19,8 | 18,9 | 18,5 | 18,8 | 18,9 | 18,6 | 19 | 18,5 |
| Precipitação (mm) | 393,8 | 437,8 | 506,3 | 465,5 | 323,6 | 205,8 | 156 | 128,7 | 120,1 | 135,8 | 151,4 | 283,5 | 3 308,3 |
| Dias com precipitação (≥ 1 mm) | 25 | 25 | 26 | 25 | 23 | 17 | 14 | 12 | 12 | 13 | 13 | 19 | 224 |
| Umidade relativa compensada (%) | 88,1 | 89,5 | 89,7 | 88,9 | 86,3 | 82,8 | 81,5 | 80,2 | 79,3 | 79,3 | 79,6 | 83,7 | 84,1 |
| Insolação (h) | 132,9 | 104,7 | 117,2 | 138,7 | 187,3 | 230,3 | 250,1 | 264,9 | 247,1 | 240,6 | 205,1 | 168,1 | 2 287 |
| Fonte: INMET (normal climatológica de 1991-2020; recordes de temperatura de 01/01/1931-30/09/1964 e 01/01/1967-presente)[107][114][113][108] | |||||||||||||
Demografia
[editar | editar código]| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1872 | 61 997 | ||
| 1890 | 50 064 | −19,2% | |
| 1900 | 96 560 | 92,9% | |
| 1920 | 236 402 | 144,8% | |
| 1940 | 206 331 | −12,7% | |
| 1950 | 254 949 | 23,6% | |
| 1960 | 402 170 | 57,7% | |
| 1970 | 642 514 | 59,8% | |
| 1980 | 949 545 | 47,8% | |
| 1991 | 1 244 688 | 31,1% | |
| 2000 | 1 279 861 | 2,8% | |
| 2010 | 1 393 399 | 8,9% | |
| 2022 | 1 303 403 | −6,5% | |
| Fonte: IBGE[115] | |||
A população do município é de 1 303 403 habitantes, de acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o município mais populoso do Pará, o segundo da Região Norte e o décimo segundo do Brasil,[4] apresentando uma densidade demográfica de 1 230,25 habitantes por quilômetro quadrado[116] e taxa de urbanização de 99,14%.[117] Em comparação com a década anterior, houve uma queda populacional de 6,5%. Em 2025, a estimativa era de 1 397 315 habitantes.[4]
Da população total, 610 777 habitantes são do sexo masculino (46,86%) e 692 626 do sexo feminino (53,14%), com uma razão sexual de 88,18.[118] Quanto à faixa etária, 57 589 são crianças de 0 a 4 anos (4,41%), 80 003 de 5 a 9 anos (6,14%), 84 509 de 10 a 14 anos (6,48%), 297 715 jovens de 15 a 29 anos (22,83%), 402 543 adultos de 30 a 49 anos (30,88%), 278 538 de 50 a 69 anos (21,37%) e 89 470 idosos de 70 anos ou mais (6,86%).[119] A idade mediana é de 36 anos, com um índice de envelhecimento de 59,5, o maior entre os municípios do estado.[120] O índice de alfabetização é de 97,5%.[116]
Composição étnica
[editar | editar código]Segundo o Censo 2022, cerca de 61,8% (806 103 pessoas) dos belenenses se declaram pardos, 26,3% (342 476) brancos, 11,5% (149 395) pretos e 0,3% (3 298) amarelos. A capital abriga ainda 2 125 indígenas (0,16% da população) e 1 361 pessoas (0,10%) que se declaram quilombolas.[116] Na Região Metropolitana de Belém (RMB), residem 3 389 moradores indígenas, sendo 57% em Belém e 15% em Ananindeua, e cerca de 10 600 quilombolas, dos quais 51% em Barcarena e 21% em Santa Isabel do Pará.[121]
Um estudo genético de 2013 apontou que a ancestralidade da população de Belém é composta por 53,7% de contribuição europeia, 29,5% indígena e 16,8% africana.[122]
Religião
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Segundo o Censo 2022, a população de Belém é predominantemente católica, com 55,25% de adeptos, seguida por 33,43% de evangélicos ou protestantes; 1,27% espíritas; 0,81% umbandistas ou candomblecistas; 0,01% seguidores de religiões tradicionais; 3,41% de outras religiões; 5,72% sem religião; 0,02% desconhecidos e 0,08% não declarados.[123]
Em 2010, Belém tinha 1 346 judeus, de acordo com o Censo daquele ano.[124] A cidade também possui uma comunidade muçulmana, representada pelo Centro Islâmico Cultural do Pará, que mantém uma mesquita.[125]
O Círio de Nazaré, realizado anualmente durante o mês de outubro, é a maior manifestação religiosa do Brasil e a maior procissão católica do mundo, reunindo cerca de dois milhões de devotos de Nossa Senhora de Nazaré.[126][127]
A Eshel Abraham é a primeira sinagoga judaica do Brasil Império, preservando a religião e a cultura sefaradi-marroquina de famílias judaicas que imigraram no século XIX, em sua maioria oriundas do Marrocos.[128] Belém abriga ainda o Centro Israelita do Pará, com duas outras sinagogas, além da Necrópole Israelita, o primeiro cemitério judaico do Brasil.[128][129]
Pobreza e desigualdade social
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Um estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em 2021, aponta que a Região Metropolitana de Belém (RMB) tem cerca de 816 923 pessoas vivendo em situação de pobreza, apresentando o quinto maior nível de desigualdade social entre as regiões metropolitanas, com um índice de Gini de 0,582, usado para medir a concentração de renda entre os indivíduos da população. Na capital paraense, aproximadamente 197 780 pessoas vivem em situação de extrema pobreza, com renda mensal de até 160 reais.[130] Segundo um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas para Pessoas em Situação de Rua em 2025, Belém registrou um aumento de 500% no número de pessoas vivendo em situação de rua nos últimos oito anos, totalizando 1 952 indivíduos nessa condição.[131] Dados do Instituto Cidades Sustentáveis mostram que Belém tem a terceira pior taxa de mortalidade entre as capitais (15,52%) e a segunda pior taxa de desnutrição infantil (2,19%). No Mapa da Desigualdade, a cidade ocupa a 24.ª posição, com uma pontuação de 393, ficando atrás de outras capitais estaduais da Região Norte, como Manaus, Rio Branco, Macapá e Boa Vista.[132]
Belém é a capital brasileira com maior proporção de habitantes vivendo em favelas, com 745 140 pessoas distribuídas em 214 áreas urbanas de ocupação precária (57,17%). A Baixada da Estrada Nova, no bairro Jurunas, concentra cerca de 15 mil domicílios registrados, sendo a maior favela do município, a segunda maior da Região Norte e a décima primeira do Brasil. A Vila da Barca, no bairro Telégrafo, abriga moradores em palafitas às margens da baía do Guajará, sem saneamento básico adequado, afetando cerca de 212 mil pessoas diariamente, equivalente a 16% da população municipal.[133] Apenas 19,3% da população tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, bem abaixo da média nacional, de 59,7%.[134]
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é de 0,746 (considerado alto), sendo o maior do Pará, o sexto entre os municípios da Região Norte e o vigésimo segundo entre as capitais brasileiras. Os subíndices de longevidade, renda e educação, são, respectivamente, 0,822, 0,751 e 0,673.[5] Apesar do IDH elevado, Belém ocupa a quarta posição entre as capitais brasileiras com pior qualidade de vida no Índice de Progresso Social (IPS), que avalia condições de bem-estar da população com base em indicadores oficiais.[135] No antigo lixão do Aurá, mais de duzentos catadores ainda trabalham retirando materiais recicláveis para subsistência, impactando diretamente 500 famílias com a fumaça do local, o que totaliza duas mil pessoas na divisa entre Belém e Ananindeua.[136] Segundo o Censo 2022, apenas 44,65% da população de Belém vive em áreas urbanas com pelo menos uma árvore próxima aos domicílios, fazendo de Belém a sexta capital menos arborizada do Brasil.[137]
Segurança pública e criminalidade
[editar | editar código]Em 2018, Belém foi apontada como a capital brasileira com a maior taxa de homicídios violentos, com 77 casos por 100 mil habitantes,[138] e já figurou entre as 50 cidades mais violentas do mundo: em 2017 estava na décima posição e em 2018 na décima segunda, de acordo com levantamentos internacionais sobre criminalidade urbana.[139]
Em 2014, o município tinha taxas entre 40,0 e 49,3 homicídios por 100 mil habitantes, especialmente entre a população jovem (15 a 28 anos), refletindo fatores urbanos e contextos sociopolíticos locais.[140] Estudos recentes indicam que Belém registrou queda de 73% nos homicídios expressiva no número absoluto de homicídios, de 877 casos em 2017 para 245 em 2022.[141]
| 2007 | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 37,0 | 52,7 | 49,4 | 65,3 | 49,8 | 56,4 | 60,2 | 59,0 | 61,5 | 76,7 | 74,3 | |
| Variação percentual no período | |||||||||||
| 2007–2017 | 2012–2017 | 2016–2017 | |||||||||
| 101,1 % | 31,8 % | −3,1 % | |||||||||
Política
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Belém nasceu já com foros de cidade, porém a data e o ato de criação perderam-se devido à deficiência de documentação e arquivamento, assim como os nomes das primeiras autoridades que integraram a fase inicial da administração municipal. Conforme aponta Palma Muniz, há indícios da existência de um Senado da Câmara desde 1625, o qual deliberava sobre questões relacionadas aos povos indígenas, como a administração das aldeias.[143]
Em 1655, possivelmente ocorreu a elevação do povoado à categoria de cidade (segundo ofício de 1733), quando os oficiais da Câmara comunicaram ao Governo da Capitania que o rei os deixara sem privilégios por 78 anos, reivindicando, assim, os mesmos direitos da cidade do Porto. A vereação mais antiga de que se tem registro data de 1661, composta pelos vereadores Bernardino de Carvalho, Manoel Álvares da Cunha, Gaspar da Rocha Porto Carneiro, Braz da Silva e Manoel Braz.[143]
O Poder Executivo é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, em observância ao disposto na Constituição Federal.[144] A Lei Orgânica do Município estabelece diretrizes gerais para a elaboração do orçamento municipal, abrangendo despesas com pessoal, encargos sociais e eventuais alterações na legislação tributária.[145]
O Poder Legislativo é representado pela Câmara Municipal, composta por vereadores eleitos para cargos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição, que disciplina um número mínimo de 33 e máximo de 41 para municípios com mais de um milhão e menos de cinco milhões de habitantes). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo.[144]
Além do processo legislativo e da estrutura de secretarias, o município conta com diversos conselhos municipais, formados por representantes da sociedade civil e do poder público. Entre os principais estão o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDAC), o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), o Conselho Municipal de Saúde (CMS), o Conselho Municipal de Transporte (CMT), o Conselho Municipal de Educação (CME) e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU).[146]
Em 2025, Belém tornou-se capital federal temporária do Brasil entre os dias 11 e 21 de novembro, durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, em transferência simbólica de Brasília para a capital paraense, conforme a Lei n.º 15 251. Durante esse período, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário podem se instalar na cidade para exercer suas atividades, e os atos do presidente da República e dos ministros de Estado assinados nesses dias passam a ser datados em Belém.[147]
Cidades-irmãs
[editar | editar código]A política de cidades-irmãs de Belém tem tratado de firmar acordos com cidades com semelhanças culturais ou históricas, com o intuito de promover cooperação, intercâmbio de informação e, eventualmente, ações que possam beneficiar a cidade.[148][149] Belém possui as seguintes cidades-irmãs:
Subdivisões
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Com base no Plano Diretor Municipal de Belém (Lei n.º 8 655), que estabelece o ordenamento territorial do município, a cidade está organizada em oito unidades básicas de planejamento, denominadas Distritos Administrativos de Belém (DABEL), Benguí (DABEN), Entroncamento (DAENT), Guamá (DAGUA), Icoaraci (DAICO), Mosqueiro (DAMOS), Outeiro (DAOUT) e Sacramenta (DASAC),[86][152] com 72 bairros oficiais definidos conforme a Lei n.º 7 806/1996 e Lei Municipal n.º 9 453/2019.[117][153]
| Distritos administrativos | N.º de bairros | Bairros |
|---|---|---|
| Centro (DABEL) | 8 | |
| Benguí (DABEN) | 8 | |
| Entroncamento (DAENT) | 10 | |
| Guamá (DAGUA) | 6 | |
| Icoaraci (DAICO) | 10 | |
| Mosqueiro (DAMOS) | 19 | |
| Outeiro (DAOUT) | 4 | |
| Sacramenta (DASAC) | 7 | |
| Total | 72 | |
Economia
[editar | editar código]Em 2021, o produto interno bruto (PIB) de Belém era de 33 467 126 mil de reais,[156] representando cerca de 12,7% do PIB estadual,[157] enquanto a renda per capita era de 22 216,33. O setor de serviços dominou a economia municipal, contribuindo com 86,6% do total, seguido pela indústria com 13,1% e a agropecuária com 0,4%.[158]
Em 2024, o mercado imobiliário de Belém e Ananindeua registrou um Valor Geral de Vendas (VGV) de 1,5 bilhão de reais, representando um crescimento de 34,3% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, o setor manteve o ritmo de expansão, alcançando 418 milhões de reais em VGV, um aumento de 11% em comparação com o mesmo período de 2024.[159] Ainda em 2024, o setor de hotelaria registrou um desempenho recorde, com taxa de ocupação de 85%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Pará (ABIH‑PA).[160]
Em preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) realizada em Belém durante o mês de novembro, foram investidos aproximadamente sete bilhões de reais em mais de 30 obras de hospedagem, infraestrutura urbana, mobilidade e saneamento, destacando-se a criação do Parque da Cidade — que abrigará a Zona Azul (destinada às negociações diplomáticas) e a Zona Verde (aberta ao público para atividades científicas) — e a modernização do Aeroporto Internacional de Belém.[161] Ao todo, 53 mil leitos foram reservados para hospedar representantes de mais de 130 países confirmados para o evento.[162]
Na época colonial, a atividade econômica iniciou-se com a lavoura de cana-de-açúcar, que não prosperou devido às dificuldades naturais da mata e dos rios. Com o declínio das plantações, a economia voltou-se para a exploração das drogas do sertão (plantas medicinais e aromáticas, cacau, canela, cipós, raízes, etc). Na segunda metade do século XIX, Belém começou a se consolidar economicamente com a intensificação da extração de borracha, implantando diversos serviços urbanos, como bondes eletrificados, iluminação pública, esgoto, limpeza urbana, forno crematório, corpo de bombeiros e calçamento de ruas.[163]
A economia belenense baseia-se principalmente no comércio e nos serviços, embora também apresente desenvolvimento industrial, com destaque para os setores alimentício, naval, pesqueiro, metalúrgico e químico. Belém, juntamente com o município de Barcarena, forma o segundo maior parque industrial da Amazônia, e conta com um dos portos brasileiros mais próximos da Europa e dos Estados Unidos (Belém, Miramar e Outeiro).[164]
A agricultura urbana em Belém concentra-se no cultivo de produtos tradicionais e culturais, como espécies frutíferas, temperos e hortas com verduras, destacando-se o açaí (45,2%), macaxeira (41,9%), cupuaçu (35,5%) e maxixe (25,8%), além de outros produtos relevantes como cariru, coco e cheiro-verde, principalmente oriundos das comunidades ribeirinhas da área insular do município. A agroindústria local é formada por pequenas unidades de produção, em escalas não muito amplas, limitadas pela escassez de mão de obra e por restrições nas áreas utilizadas, de forma a não comprometer a sustentabilidade produtiva e ambiental dos espaços.[166]
A Feira do Açaí, localizada atrás do Forte do Castelo, funciona de madrugada, recebendo toneladas de açaí em grandes cestas de palha trazidas por dezenas de embarcações, que são então processadas nos bairros de Belém, transformando-se no popular "vinho do açaí" antes de ser distribuído para todo o Brasil.[167] O Pará é o maior produtor nacional de açaí, respondendo por mais de 90% da produção brasileira, um setor que movimenta anualmente mais de 1,5 bilhão de dólares e contribui com cerca de 3% para o PIB estadual.[168]
Os principais centros comerciais são o Boulevard Shopping Belém, Castanheira Shopping Center, Parque Shopping Belém, Shopping Bosque Grão-Pará e o Shopping Pátio Belém.[169] Entre os mercados públicos, destaca-se o Ver-o-Peso,[165] visitado diariamente por cerca de 50 mil pessoas e movimentando aproximadamente um milhão de reais por dia.[170] Considerado símbolo de Belém,[171] foi eleito uma das sete maravilhas brasileiras por ser um dos mercados públicos mais antigos do país. O mercado abastece a cidade com alimentos variados e ervas medicinais, trazidos das ilhas próximas e de municípios do interior por via fluvial.[165]
O Complexo do Ver-o-Peso, com uma área de 25 mil metros quadrados, é formado por vários mercados e praças, incluindo o Mercado de Peixe, o Mercado da Carne e a Feira do Açaí, além da Doca do Ver-o-Peso, das praças do Relógio e Dom Pedro II, das ruas Boulevard Castilhos França e Ladeira do Castelo e do prédio Solar da Beira.[30] Outro complexo histórico é o Mercado de São Brás, inaugurado em 1911, com elementos dos estilos art nouveau e neoclássico, onde são comercializados artesanato, ervas, artigos de umbanda, vestuário, móveis, sebos e produtos de mercearia.[172]
O Espaço São José Liberto, inaugurado como polo joalheiro no bairro do Jurunas, comercializa gemas e joias com identidade regional amazônica, movimentando cerca de 4,5 milhões de reais por ano, sendo 3,9 milhões em joias, 400 mil em artesanato e 120 mil em moda autoral, e empregando mais de mil empreendedores.[173] Inspirada nas tradições marajoara e tapajônica, a cerâmica de Icoaraci, reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Belém, é um dos principais polos de artesanato da região, movimentando vendas para todo o país e apoiando dezenas de olarias de famílias artesãs do distrito, com produção exposta e comercializada na tradicional Feira de Artesanato do Paracuri.[174]
Turismo
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Conhecida como a "porta de entrada da Amazônia" e "cidade das mangueiras",[175] Belém é um dos principais destinos de turismo esportivo e de negócios na Região Norte do Brasil,[176] liderando o ranking de "Destinos Emergentes" na preferência dos viajantes brasileiros, segundo o Anuário Braztoa 2025.[177] É a segunda cidade mais visitada da Amazônia no setor turístico[178] e combina diversidade cultural, gastronomia premiada, patrimônio histórico e natureza exuberante,[177] estando entre as dez melhores cidades gastronômicas do mundo, segundo a revista Lonely Planet.[179] Em 2015, Belém foi eleita Cidade Criativa da Gastronomia pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), tornando-se referência mundial em gastronomia.[180]
As 18 ilhas ao redor da capital paraense, habitadas por comunidades ribeirinhas, oferecem atrações turísticas pouco exploradas. Entre elas, estão a ilha do Combu, com 12 restaurantes frequentados por belenenses nos almoços de fim de semana; a ilha dos Papagaios, conhecida pela revoada de aves da espécie Amazona amazonica; e a ilha de Cotijuba, com praias de água doce.[181] Opções mais distantes incluem as ilhas de Mosqueiro[181] (famosa pelas "praias de rio com ondas")[182] e de Outeiro.[181]
Belém se consolida como referência nacional e internacional para eventos de grande porte, sediando o Fórum Social Mundial em 2009,[183] o Global Citizen Festival (primeira edição na América Latina)[184] e a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em 2025 (primeira edição na Amazônia).[185] O Hangar e a Estação das Docas são os principais polos de eventos,[186] recebendo congressos, simpósios, festivais, seminários, espetáculos, fóruns, palestras, feiras, premiações, conferências, cursos e shows.[187] O estádio do Mangueirão, reinaugurado em 2023, também é palco de eventos esportivos, culturais e religiosos.[188]
Os principais eventos locais incluem o Círio de Nazaré, a maior manifestação católica do Brasil; a Feira Pan-Amazônica do Livro, a quarta maior do país em seu gênero; a SuperNorte, o principal evento empresarial da Região Norte; a Feira Internacional de Turismo da Amazônia (FITA); além de eventos de moda, como o Belém Fashion Days, um dos cinco maiores do Brasil; e a Amazônia Fashion Week, o maior do segmento na Amazônia.[189]
Infraestrutura
[editar | editar código]Requalificação urbana
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A partir de 1995, iniciou-se o Movimento Orla Livre, que discute a ocupação irregular das margens do rio Guamá e da baía do Guajará — uma faixa de trinta quilômetros de extensão que, desde o ciclo da borracha, foi sendo apropriada por inúmeros portos, estâncias e palafitas.[190] O movimento luta pelo usufruto dessas áreas pela população, por meio de projetos urbanísticos voltados a espaços de lazer, cultura, turismo, valorização do patrimônio histórico e habitação sustentável, visando à requalificação do ambiente urbano e à modernização portuária, conforme previsto no Plano de Gestão Integrada da Orla de Belém, no Plano Diretor Urbano, nas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e nas Áreas de Preservação Permanente (APP).[191][192]
Neste contexto, foram construídos, inicialmente, o Ver-o-Rio — localizado na antiga desembocadura do Igarapé das Almas[193][194] a Praça Princesa Isabel e; e a Vila da Barca, como parte de um processo de valorização e reocupação de áreas da orla, em conformidade com o Estatuto da Cidade (Lei 10 257/2001).[195] A atuação do Movimento Orla Livre intensificou-se entre 2012 e 2014, combatendo a implantação de projetos imobiliários residenciais às margens do rio Guamá e da baía do Guajará, que são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP).[191]
No ano de 2000, outras iniciativas ganharam destaque, como a Estação das Docas: antigos armazéns de ferro do porto, construídos em 1902 e administrados pela Companhia Docas do Pará (CDP), foram transformados em um espaço de turismo, cultura e gastronomia,[190] acrescentando mais 540 metros de orla livre à cidade, seguindo a tendência urbanística de cidades como Nova Iorque e Buenos Aires;[190] o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, resultado de uma intervenção concluída em janeiro de 2005, próximo ao centro histórico, em uma antiga área alagadiça com extenso aningal de 40 mil metros quadrados às margens do rio Guamá,[196] que atualmente recebe mais de 300 mil visitantes por ano, contando com restaurantes, viveiro de aningas e borboletas,[197] além de representar macrorregiões florísticas do Pará; e o Portal da Amazônia,[196] cuja execução teve início em dezembro de 2006, com uma intervenção territorial de seis quilômetros de extensão ao longo do rio Guamá.[192]
Transportes
[editar | editar código]Conforme o Plano Diretor Urbano de Belém (Lei n.º 8 655),[86][198] uma subdivisão do bairro Universitário foi classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). Essa área, estabelecida a partir da década de 1960 com a expansão urbana em direção à periferia, foi preparada para receber ações de urbanização e regularização fundiária.[86] A partir de 2013, a região passou a receber intervenções do Programa Proinveste, com melhorias no ordenamento espacial e na mobilidade urbana. Entre as ações implementadas, destacam-se o prolongamento e a duplicação das avenidas Independência, João Paulo II e Perimetral da Ciência, que ligam o centro da cidade aos municípios do interior.[199]
Em 2018, Belém possuía uma frota de 451 776 veículos no total, sendo 231 131 automóveis, 120 936 motocicletas, 18 800 motonetas, 29 167 camionetes, 18 342 camionetas, 8 859 caminhões, 3 814 ônibus, 2 097 micro-ônibus, 1 101 caminhões-trator, além de 10 440 outros tipos de veículos.[200]
O Aeroporto Internacional de Belém, localizado a doze quilômetros do centro da cidade, tem capacidade para atender 2,7 milhões de passageiros por ano e, em 2007, registrou um movimento operacional de 2 119 552 passageiros, contribuindo para o incremento do turismo, o escoamento da produção e a atração de investimentos. Com arquitetura futurista, foi projetado para aproveitar a iluminação natural, e seu interior é ornamentado com plantas regionais dispostas em uma fonte que imita o som da chuva, característica marcante da região. O aeroporto conta com estacionamento para aeronaves com 11 posições e 700 vagas para veículos.[201]
Saúde
[editar | editar código]A Secretaria Municipal de Saúde de Belém (SESMA) é a gestora do Sistema Único de Saúde (SUS) em âmbito municipal, sendo responsável por elaborar, executar, monitorar e avaliar as políticas públicas de saúde, com cobertura nos oito distritos administrativos, em articulação com os governos estadual e federal. O Plano Municipal de Saúde (PMS), juntamente com o Plano Plurianual de Governo (PPA), é o instrumento norteador das ações e serviços locais de saúde, organizados nas Programações Anuais de Saúde (PAS).[202]
Desde 2020, a rede básica de saúde do SUS Municipal conta com dois hospitais de pronto-socorro, um hospital de retaguarda, um hospital geral no distrito de Mosqueiro, atendimento domiciliar com equipes do EMAD e EMAP, cinco Unidades de Pronto Atendimento (UPA), 107 equipes de Saúde da Família (ESF), onze Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), 54 Unidades de Saúde da Família (USF) e 29 Unidades Básicas de Saúde (UBS), sendo nove delas com serviço de urgência. A rede de atendimento a doenças crônicas é composta pelos hospitais Ophir Loiola, Universitário João de Barros Barreto, Santa Casa de Misericórdia do Pará, Gaspar Viana, Dom Luiz e a Casa do Idoso.[202]
Em 2017, o município apresentou uma taxa média de mortalidade infantil, entre menores de cinco anos de idade, de 13,55 óbitos para cada mil nascimentos, sendo registrados 19 409 nascidos vivos.[203]
Educação e ciência
[editar | editar código]Um estudo publicado pela revista Exame/Macroplan aponta Belém como a quarta pior capital do Brasil quando em indicadores de educação. O levantamento baseia-se nos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a habilidade dos estudantes em matemática, ciências e leitura.[204] Entre as capitais estaduais, Belém ocupa a 23.ª posição, com um índice de educação de 0,369, ficando à frente apenas de Macapá, Porto Velho e Maceió.[204]
Em relação ao ensino superior, a Universidade Federal do Pará (UFPA) foi eleita a melhor universidade do estado e da região Norte em 2013, segundo o Índice Geral de Cursos.[205][206] Há seis universidades públicas ou institutos sediados em Belém, a saber: Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA),[207] Instituto Federal do Pará (IFPA), Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).[208]
Belém possui algumas bibliotecas públicas de destaque, como a Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará, a Biblioteca Clara Galvão, a Biblioteca Irmãos Guimarães, a Biblioteca do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Biblioteca Municipal Avertano Rocha e a Biblioteca Pública Arthur Vianna.[209]
Conforme o Plano Diretor Urbano de Belém (Lei n.º 8 655),[86][198] os espaços institucionais se destacam no município, com maior concentração na parte sul, mais especificamente no bairro Universitário (distrito DAENT), classificado como Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA) — área vetada para fins habitacionais e destinada a abrigar instituições de ensino e pesquisa, estabelecidas a partir da década de 1960, com a expansão urbana em direção à periferia.[86] Entre elas estão: Companhia de Pesquisa dos Recursos Minerais (CPRM); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental); Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa); Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA); Universidade Federal do Pará (UFPA); Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa); Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte); Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT-Guamá);[86] Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP); e o Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi.[210]
A REDECOMEP, uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), tem como objetivo implementar, nas regiões metropolitanas brasileiras, uma rede de fibra óptica interligando instituições de pesquisa e de ensino superior.[211][212] Desde 2007, a Região Metropolitana de Belém conta com a ramificação denominada Rede Metropolitana de Educação e Pesquisa (Metrobel), com uma extensão de 52 quilômetros.[212]
Comunicação
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Na área de telefonia, a cidade é identificada no serviço de Discagem direta a distância (DDD) pelo código de área 91. O setor de comunicação em Belém e no Pará é dominado principalmente por dois grupos empresariais de origem familiar (formando um duopólio), a saber: a família Maiorana,[213] proprietária do conglomerado de mídia Grupo Liberal, que inclui a emissora de televisão TV Liberal (afiliada da TV Globo),[214] os rádios Liberal AM e FM, os jornais impressos O Liberal e Amazônia e a empresa de eventos Bis Entretenimento; e a família Barbalho,[213] proprietária do Grupo RBA de Comunicação, que reúne a emissora RBA TV (afiliada da Band),[214] as rádios Clube do Pará, 99 FM e Diário FM, além do jornal impresso Diário do Pará.[215][216] Também circulam na cidade outros jornais de menor tiragem, como A Província do Pará, de publicação quinzenal e pertencente ao Grupo Marajoara (de propriedade do radialista e empresário Carlos Santos),[217] e o independente Jornal Pessoal, editado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto.[218]
Outros veículos de comunicação em Belém incluem rádios, jornais impressos de circulação mais restrita e diversas emissoras de televisão, em sua maioria atuando apenas como retransmissoras, com pouca ou nenhuma programação local. Entre os canais abertos disponíveis na cidade estão: TV Cultura do Pará (TV Cultura), Boas Novas Belém (Boas Novas), SBT Pará (SBT), Record Belém (Record), TV Grão Pará (TV Gazeta), TV Metropolitana (Rede Brasil), Redevida, Record News, TV Ideal, TV Aparecida, TV Nazaré, TV Canção Nova, RIT, Rede Mundial, RedeTV! Belém (RedeTV!) e TV Novo Tempo. As transmissões digitais na região foram iniciadas em julho de 2009, com a emissora RBA TV, utilizando o padrão ISDB-TB, com qualidade HDTV e tecnologia 1seg).[219]
Cultura
[editar | editar código]Música e dança
[editar | editar código]Devido à sua posição geográfica estratégica,[27][28] Belém foi rota de muitas companhias de navegação internacionais durante o ciclo da borracha. Na década de 1950, formou-se uma "rede de difusão cultural transatlântica", que levou ao surgimento das aparelhagens sonoras, das festas de gafieira e dos cabarés. Esses fatores contribuíram para a chegada da música afro-latino-caribenha (boleros e merengues) e para o início do circuito bregueiro na cidade.[220] Os ritmos mais populares são o calypso, brega paraense, o tecnobrega, o carimbó e a guitarrada.[221] O movimento se fortaleceu na década de 1970, quando as rádios populares de Belém começaram a captar sinais de países como Suriname, Guianas e Bolívia, difundindo cúmbia, merengue, salsa e zouk, e consolidando a lambada e o brega como gêneros próprios.[222]
Até o final da década de 1950, o carimbó era visto apenas como uma manifestação folclórica, sendo que, nesse período, a maioria dos compositores se concentrava nas cidades do interior paraense.[223] Após um período de proibição governamental no município de Belém (Lei n.º 1 028)[224][70] devido à sua origem indígena e negra, o carimbó ressurgiu como um autêntico ritmo musical "amazônida parauara" (também chamado de "samba de roda do Marajó" e "baião típico de Marajó").[225] Tornou-se uma das principais matrizes rítmicas de gêneros contemporâneos, como o tecnobrega.[225]
A popularização do carimbó ocorreu a partir do interesse de setores estudantis e da classe média politizada,[70] envolvidos nos debates de experimentação estética e artística das décadas de 1960, período da moderna música popular brasileira, inaugurado com a bossa nova e os movimentos antigolpe de 1964.[55][70] Em Belém, diversos eventos musicais foram realizados até a década de 1970, como o Festival de Música Popular Paraense (1967), o festival da Casa de Juventude Católica (CAJU) e, entre 1968 e 1969, uma série de festivais universitários.[55] Esses eventos estimularam a formação de grupos folclóricos e bandas de baile, além de ampliar a presença do carimbó nas rádios.
O carimbó sofreu influências e evoluiu do tradicional para um ritmo moderno, com a adição de instrumentos elétricos, como a guitarra.[226] Assim, passou a integrar o circuito cultural mais amplo da indústria regional, impulsionado pela popularização das gravações em long play, pelas apresentações na televisão e pela difusão nas rádios.[227] Esse processo levou alguns artistas a obterem reconhecimento no cenário nacional e internacional.[70][228] Entre os músicos e compositores que se destacaram estão Lucindo, Pinduca, Arraial do Pavulagem, Mestre Cupijó e Mestre Verequete.[229]
Na década de 1990, a lambada deu lugar a outros ritmos com maior apelo comercial nacional, surgindo o brega-pop — termo criado pelos radialistas Jorge Reis, Rosenildo Franco e Marquinho Pinheiro para diferenciar o brega paraense.[230] Compositores como Tonny Brasil, Kim Marques, Adilson Ribeiro, Alberto Moreno, Edílson Moreno, Wanderley Andrade e Nelsinho Rodrigues tornaram-se figuras conhecidas nas rádios.[230] Nessa época, produtores das periferias da cidade passaram a gravar brega e lambada com batidas e melodias eletrônicas em CDs caseiros, amplamente distribuídos por camelôs. Esse movimento impulsionou o sucesso do tecnobrega, do brega-pop e calypso no Norte e Nordeste do Brasil.[231]
Em 2014, o carimbó foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro, por decisão unânime do IPHAN.[232][233][234] Nas últimas décadas, esta expressão espalhou-se também pela Região Nordeste do Brasil.[229] Desde 2004, o dia 26 de agosto é celebrado anualmente como o Dia Municipal do Carimbó.[235]
Atrações e eventos
[editar | editar código]O início do carnaval paraense data de 1695 a 1844, marcado pela celebração do entrudo trazido pelos colonizadores portugueses.[236] Em seguida, ocorreu o período pós-entrudo ou era do samba, de 1844 a 1934, caracterizado pelos bailes de máscaras, batalhas de confetes e corso carnavalesco.[236] Ao contrário dos grandes centros urbanos brasileiros, Belém não possui uma tradição de desfiles de agremiações.[237] Assim, para não coincidir com o calendário do Sudeste do país, os desfiles locais são realizados antes da data nacional, na Aldeia de Cultura Amazônica Davi Miguel, em formato semelhante aos carnavais de Vitória e Santos.[238]
Durante o carnaval, a cidade costuma esvaziar-se, pois grande parte da população se desloca para o interior do do Pará para participar dos blocos carnavalescos,[237] com destaque para os municípios de Abaetetuba, Cametá, Colares, Curuçá, Vigia e Tucuruí.[239] Em contrapartida, o festejo carnavalesco em Belém inicia-se já na primeira semana de janeiro, com o Pré-Carnaval da Cidade Velha,[240] uma realização da Liga dos Blocos da Cidade Velha (LBCV),[241] que promove o circuito de blocos guiados por trios elétricos, concentrados na Avenida Almirante Tamandaré.[240] Em 2020, seis produtoras locais se uniram para realizar o Circuito Mangueirosa, um projeto de entretenimento criado para resgatar o carnaval paraense durante o pré-carnaval[237] e divulgar a diversidade musical da região,[237] O evento contou com 50 atrações, divididas em três etapas diárias: iniciando com a etapa Pitiú, com apresentações em palco aberto; seguida pelo cortejo guiado por trio elétrico, chamado Revoada; e finalizando com o Banzeiro, um festejo indoor pago.[237]
Patrimônio arquitetônico e espaços culturais
[editar | editar código]Em 1940, ocorreram os primeiros tombamentos do patrimônio arquitetônico de valor histórico-cultural realizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reconhecendo a Coleção Arqueológica e Etnográfica do Museu Paraense Emílio Goeldi,[242] que reúne aspectos sobre a ocupação pré-colonial da Amazônia Oriental.[243] Em 1941, seguindo a proposta modernista de construção de uma identidade nacional, foram escolhidos os períodos colonial e barroco como representes da arte e arquitetura brasileiras, sendo tombadas, nesse contexto, as seguintes igrejas: Sé, Carmo, São João Batista, Mercedários e Santo Alexandre.[242][243]
Nas décadas de 1970 e 1980, os tombamentos passaram a incluir alguns conjuntos arquitetônicos dos séculos XIX e XX, como o Palacete Pinho; as avenidas José Malcher e Nazaré,[242] formadas por sobrados azulejados, um tipo de moradia mais modesta;[243] e o Ver-o-Peso e suas áreas adjacentes, incluindo os mercados municipais e as praças Pedro II e do Relógio,[244][243] esta última com um relógio inglês inaugurado em 1930 em homenagem a Antônio de Silveira Campos, revolucionário do Forte de Copacabana.[245]
Em 1981, foi tombado o Engenho Murutucu,[242] onde produziam cana-de-açúcar no século XVII.[246][247] sendo, à época, uma obra de engenharia rural amazônica inovadora, com um sistema de força movido por maré represada.[248] Destaca-se no local a Capela Carmelita da Conceição, de 1711,[247][249] cuja reforma foi realizada por Antônio Landi, que incorporou traços neoclássicos.[250][249]
A partir dos anos 2000, o Iphan passou a proteger algumas das principais manifestações culturais e religiosas do estado,[243] como o Círio de Nazaré (também considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO) e o carimbó, ritmo e dança típicos da região Norte.[243] Em 2012, foi a vez do conjunto arquitetônico dos bairros Cidade Velha e Campina,[242][243] além do Largo das Mercês e sua área de entorno, conhecidos como Núcleo Histórico de Belém (ou Complexo Feliz Lusitânia),[244] na região leste da cidade, que concentra a maior parte do patrimônio tombado[251] com mais de 2 mil edificações, entre palacetes, palácios, sobrados e casas comerciais.[244] Essa proteção reconhece a importância e a trajetória histórica do conjunto.[243] Fazem parte desse acervo a Catedral Metropolitana, a Igreja das Mercês, a sede da Prefeitura, a Praça Frei Caetano, a Casa das Onze Janelas, a Corveta Museu Solimões e Igreja de Santo Alexandre (atual Museu de Arte Sacra).[252]
Belém também conta com outras atrações turísticas, como:[253][254] a Basílica de Nazaré (1909), o bonde elétrico, o Ver-o-Peso, o Ver-o-Rio,[255][256] o Palácio Antônio Lemos (1883),[257] o Planetário Sebastião Sodré da Gama (1999), a Praça Batista Campos (1904) e o Theatro da Paz (1878).[258]
Na década de 1950, iniciou-se o movimento regional e popular paraense "Raio Que o Parta" – presente principalmente em Belém, Cametá e Soure – com o objetivo de trazer para a região as novidades da arquitetura modernista que se espalhavam pelo Sudeste do Brasil.[259] Os estilos Art Nouveau e Art Déco foram os precursores dessa arquitetura local. Mestres de obra e engenheiros civis buscavam modernizar as construções das residências burguesas e dos edifícios públicos, inovando com mosaicos de azulejos nas fachadas, principalmente nas platibandas.[259] O uso de azulejos era comum entre os burgueses, mas seu alto custo incentivou o reaproveitamento de cacos rejeitados nas obras, permitindo que a população de baixa renda também aderisse à estética moderna com baixo custo e criatividade.[259] Na maioria das construções, os mosaicos formavam figuras geométricas com linhas semelhantes a raios, referência às formas modernistas, caracterizando uma “produção não oficial” típica das metrópoles do terceiro mundo, considerada modismo e não erudita.[259] O movimento também se manifestou em outros elementos estéticos, como molduras de janelas com laterais inclinadas, pestanas protegendo portas e janelas, telhados inclinados para dentro do terreno, painéis em combongós cimentados ou esmaltados em cores fortes, apoios de marquises e coberturas com colunas em forma de "V", além de muretas e contornos de jardineiras.[259]
Belém abriga diversos museus, entre eles: Corveta Museu Solimões, Museu das Onze Janelas (com artistas do século XX), Museu da Primeira Comissão Demarcadora de Limites, Museu da Santa Casa de Misericórdia, Museu da Universidade Federal do Pará, Museu de Gemas do Pará, Museu de Artes de Belém, Museu de Arte do CCBEU, Museu de Artes Populares, Museu de Arte Sacra, Museu do Círio, Museu do Estado do Pará, localizado no Palácio Lauro Sodré,[257] Museu do Forte do Presépio, Museu do Judiciário, Museu Naval da Amazônia, Museu da Navegação e Museu do Porto de Belém.[260] O Parque Zoobotânico Museu Paraense Emílio Goeldi, criado em outubro de 1866, é a mais antiga instituição de pesquisa da Amazônia,[261] localizado no centro urbano, com uma área de 5,2 hectares.[262]
Pintura
[editar | editar código]Uma tradição familiar tipicamente ribeirinha enriquece a cultura e embeleza os barcos da região por meio do trabalho dos artistas tipográficos conhecidos como Abridores de Letras, que batizam as embarcações pintando seus nomes com letras coloridas e ornamentadas[263] justamente para chamar a atenção.[264] Em 2014, foi criado o projeto "Letras que Flutuam" na Universidade Federal do Pará, por meio do edital Amazônia Cultural, que identificou 41 pintores nos municípios de Belém, Barcarena, Abaetetuba e Igarapé-Miri.[264][265] O objetivo é conscientizar a nova geração a preservar essa tradição, que vem se enfraquecendo, e expandi-la para outras áreas.[265]
A origem dessa arte tipográfica está ligada a um intercâmbio gráfico entre os municípios ribeirinhos, em que o abridor de letras era influenciado ao observar a pintura de outros artistas durante as navegações.[265]
Culinária
[editar | editar código]A Belém gastronômica é um verdadeiro caldeirão de misturas étnicas. Segundo o filósofo José Arthur Gianotti, reúne sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses, sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos, que, ao chegarem à capital, se encantaram com a cozinha nativa indígena — considerada genuinamente brasileira — e, aos poucos, foram incorporando seus ingredientes.[266]
A forte influência indígena deu origem a pratos típicos como pato no tucupi, tacacá, maniçoba, tucunaré cozido e caruru, normalmente acompanhados de jambu e farinha d’água,[14] além de delícias como o famoso açaí. Diz-se que o sabor dos peixes e das frutas da região é realmente único. Os elementos locais formam a base dos pratos e também das sobremesas, enriquecendo a mesa paraense. Destacam-se ingredientes como açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá.[267][268] Aproveitando essa diversidade, a cidade promove sua culinária com eventos como o Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense e o Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia.[181]
O prato mais representativo do estado é a degustação do vinho do açaí (a versão pura da fruta) servido em uma cumbuca ou tigela, com pouco açúcar — para não virar sobremesa — e acompanhado de farinha d’água ou de tapioca e de um complemento salgado e frito, como camarão, charque frito ou peixe.[269][270] Esse prato é muito encontrado nas barracas do Mercado Ver-o-Peso[270] e foi escolhido como símbolo da culinária local por voto popular durante as comemorações dos 400 anos do município.[271]
Na cidade, destaca-se o Restaurante Remanso do Bosque, considerado um dos 50 melhores da América Latina, famoso por seu cardápio baseado em ingredientes típicos da Amazônia.[272][273]
Esportes
[editar | editar código]Em Belém estão sediados os três principais clubes de futebol do Pará: Paysandu, Remo e Tuna Luso, conhecidos por sua intensa rivalidade.[275] Juntos, somam seis títulos nacionais, sendo: o Paysandu possui dois títulos do Campeonato Brasileiro - Série B, uma Copa dos Campeões (2002), uma Copa Norte e uma Copa Verde;[276][277] o Remo tem um título do Campeonato Brasileiro - Série C, três Copa Norte e um Campeonato Nacional Norte-Nordeste (1971);[276][277] e a Tuna Luso conquistou um título da Série B e outro da Série C do Campeonato Brasileiro.[278]
O Estádio Olímpico do Pará, conhecido como Mangueirão, projetado pelo arquiteto Alcyr Meira,[279][280] já recebeu cinco jogos da Seleção Brasileira (1990, 1997, 2005, 2011 e 2023). Em 1999, registrou um público recorde de 65 mil pessoas na final do Campeonato Paraense, entre Remo e Paysandu.[280][281]
Em 2002, Belém foi uma das quatro sedes brasileiras dos Jogos Sul-Americanos, recebendo as disputas de atletismo, natação, boxe e luta.[282]
Desde 2002, o Grande Prêmio Brasil Caixa de Atletismo é realizado no Mangueirão, tendo reunido mais de 42 mil pessoas em 2004, durante as apresentações de Maurren Maggi e Leonard Byrd, batendo o recorde de público para competições do gênero na América do Sul.[283][284]
Belém foi, no passado, uma das paradas da regata internacional Rallye des Iles du Soleil, especificamente em sua etapa conhecida como Rallye Transamazone, que percorria o rio Amazonas e destacava o potencial turístico da região.[285] No entanto, desde 2017, o evento mudou seu percurso e agora segue das Ilhas Canárias para Marie-Galante, Guadalupe, sem incluir o Brasil em sua rota atual.[286]
Feriados municipais
[editar | editar código]Os feriados municipais de Belém incluem o dia 8 de dezembro que celebra a padroeira Nossa Senhora da Conceição (Lei 6 306/1967).[287] Além dos feriados, há também o ponto facultativo para os servidores dos órgãos públicos municipais no dia 12 de janeiro, em comemoração ao aniversário de fundação do município.[288]
Ver também
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
- ↑ Por ter sua estrutura de ferro, o Mercado Ver-o-Peso era inicialmente conhecido como "Mercado de Ferro".
- ↑ Citado na segunda seção "Maranhão Taboa Segunda" do "Pequeno Atlas do Maranhão e Grão-Pará", do cartógrafo João Teixeira Albernaz I, por volta de 1630. Posteriormente, recebeu outros nomes: Estrada de Bragança, avenida Tito Franco e, atualmente, avenida Almirante Barroso.[65]
Referências
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Ligações externas
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