Theatro da Paz

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Theatro da Paz
Tipo teatro, teatro de ópera
Engenheiro José Tibúrcio de Magalhães
Estilo dominante arquitetura neoclássica
Designação do patrimônio , patrimônio histórico
Inauguração 1874
Abertura oficial 1878
Nomeado em homenagem a Nossa Senhora da Paz
Capacidade 787
Geografia
País Brasil
Localização Belém
Coordenadas 1° 27' 10" S 48° 29' 37" O
Website oficial

O Theatro da Paz[1] (inicialmente chamado Theatro Nossa Senhora da Paz)[2][3] é um teatro brasileiro localizado na cidade de Belém, no estado do Pará, projetado pelo engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães e inaugurado em 1878[2] (um dos primeiros grandes teatros líricos do Brasíl),[4] no período áureo da exploração da borracha na Amazônia, construído em linhas neoclássicas. Considerado um teatro-monumento segundo o IPHAN.[5]

Inicialmente chamado "Teatro de Nossa Senhora", sugerido pelo então bispo Dom Antônio de Macedo Costa, que lançara a pedra fundamental do edifício em 3 de março de 1869. Posteriormente, antes da inauguração, o próprio bispo decidiu trocar o nome para "Teatro da Paz", pois dar o nome de Nossa Senhora lhe seria indigno, visto que o local abrigaria "apresentações mundanas". O nome definitivo é uma alusão ao fim da Guerra do Paraguai.[5]

Para o lançamento oficial do teatro, foi encenada a produção do dramaturgo francês Adolphe d'Ennery, As duas órfãs, pela companhia do pernambucano Vicente Pontes de Oliveira.[6]

Hall de entrada.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A fachada em selo postal de 1978.

O Theatro inicialmente chamava-se Nossa Senhora da Paz, nomeado pelo então bispo Dom Macedo Costa em homenagem ao encerramento da guerra do Paraguai. Porém foi modificada a pedido do próprio Bispo, considerando ao ver que o nome de “Nossa Senhora” seria indigno figurar na fachada de um espaço onde se tinha apresentações mundanas e sem representação eclesiástica

O autor do projeto foi o engenheiro pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães. Foi construído por Calandrine de Chermont com pequenas alterações introduzidas pela repartição de Obras Públicas. Ficou pronto em 1874 mas, devido a denúncias contra os construtores, um inquérito foi aberto e o teatro apenas foi inaugurado após a sua conclusão.

Com o drama do francês Adolphe d'Ennery, As duas órfãs, no dia 15 de fevereiro de 1878 o Theatro da Paz foi aberto ao público, ao som da orquestra sinfônica do maestro Francisco Libânio Collas, espetáculo organizado pela companhia de Vicente Pontes de Oliveira. Que teve um contrato que durou cinco anos, tornando-o encarregado pela iluminação, decoração, coreografia no teatro, além de organizador da agenda de apresentações que se seguiram.

O teatro sofreu alterações na sua fachada, após a grande reforma de 1904. Foi retirada uma coluna do pátio frontal superior do Theatro, que era em número de 7, o que feria os preceitos arquitetônicos do período neoclássico, que pede número par de colunas em frontarias. Cobrado pela Sociedade Artística Internacional, que mantinha o Theatro, o então Governador Augusto Montenegro mandou demolir a fachada, que era um pátio coberto, e reconstruí-la recuando a fachada e retirando uma coluna, e no vácuo que ficou a mostra, antes preenchido por pequenas janelas, mandou botar bustos simbolizando as artes: Dança, Poesia, Música e Tragédia, e ao centro o brasão de armas do estado do Pará, para fortalecer a simbologia republicana que estava enfim instaurada. Entretanto, suas linhas arquitetônicas gerais foram mantidas.

O Theatro da Paz, no dizer de Leandro Tocantins, "é um monumento neoclássico por excelência". Nas laterais, pátios cercados de colunas, escadas que dão acesso à Praça da República. Poltronas de palhinhas, (não de almofada), seguindo o formato de ferradura. No saguão, há dois bustos talhados em mármore de carrara: José de Alencar e Gonçalves Dias, introdutores do indianismo no Brasil. No salão nobre, ao lado de espelhos de cristal, estão os bustos dos maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão.

Ali Carlos Gomes encenou sua mais famosa ópera, O Guarani, e a bailarina russa, Anna Pavlova, passou com suas sapatilhas. O decorador desse cenário privilegiado foi o italiano Domenico de Angelis que, posteriormente, decorou o Teatro Amazonas de Manaus. Ele foi também o autor do belo painel representando os deuses gregos Apolo e Diana, no cenário amazônico que fica no teto da sala de espetáculos. Dele também era o teto de jover, perdido por causa de uma infiltração. Esse teto foi repintado em 1960 por outro artista italiano, Armando Balloni.

Interior.

Durante o ciclo da borracha, as mais famosas companhias líricas se apresentaram ali. Com o declínio da borracha, o Theatro da Paz passou por grandes dificuldades. Sem apresentações, estava quase sempre fechado, e as restaurações não eram suficientes para lhe garantir um bom funcionamento.

Em 2002, o Theatro após dois anos de restauração reabriu com o "Festival de Ópera do Theatro da Paz" (FOTP), o segundo do tipo mais antigo do país, destaca Daniel Araújo, atual diretor do Theatro - “Ao longo de 20 anos de história fomos construindo um casting de cantores, produtores, cenógrafos e cenotécnicos, de toda uma equipe que é multidisciplinar que trabalha nos bastidores e nos palcos que hoje nos permite fazer ópera como nós fizemos no passado, trazendo convidados mas essencialmente com coro, orquestra, com toda essa equipe técnica formada aqui”.[7] O primeiro Festival de Ópera contou com atrações nacionais e internacionais, como a ópera Macbeth do compositor italiano Giuseppe Verdi, regida pelo maestro inglês Patrick Shelley.[7]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

O Theatro mistura o estilo neoclássico com elementos amazônicos, onde hall de entrada: possui piso formado por pedras portuguesas com desenhos marajoaras e piso em acapu e pau-amarelo, lustres de cristal francês, estátuas de ferro inglesas, escadas de mármore italiano.[4]

Na sala de espetáculo, há um lustre americano de bronze, no teto uma pintura do italiano Domenico de Angelis, sobre uma viagem do deus Apolo à Amazônia, as musas e a deusa Diana, como índia caçadora enfrente uma onça. A pintura de boca do palco de 1890, é uma alegoria à República, feita pelo francês Carpezat.[4]

Referências

  1. Como sinal de tradição, a prefeitura prefere manter a grafia arcaica theatro com "th" como figura em sua fachada.
  2. a b portal.iphan.gov.br http://portal.iphan.gov.br/ans.net/tema_consulta.asp?Linha=tc_hist.gif&Cod=1483. Consultado em 27 de outubro de 2021  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. «Theatro da Paz - Guia das Artes». www2.guiadasartes.com.br. Consultado em 27 de outubro de 2021 
  4. a b c «Restaurado, Theatro da Paz tem uma programação intensa». Folha de São Paulo. Consultado em 27 de outubro de 2021 
  5. a b Rose Silveira. «O Theatro da Paz e sua história». Internet Movie Database. Consultado em 14 de maio de 2012 
  6. Vicente Sales. «Theatro da Paz - Tempo e Gente». Theatro da Paz. Consultado em 14 de maio de 2012 
  7. a b «Festival de Ópera do Theatro da Paz chega ao 20º ano mais acessível e inclusivo». Agência Pará de Notícias. Consultado em 27 de outubro de 2021 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]