Feliz Lusitânia

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Feliz Lusitânia
Tipo monumento histórico
Geografia
Localização Belém
País Brasil


Feliz Lusitânia é a denominação usada por colonizadores portugueses para o núcleo inicial do município de Belém (Estado do Pará), atualmente é o centro histórico do município situado no bairro da Cidade Velha, uma região portuária e turística que após restauração em 2002 foi rebatizado com a denominação Complexo Turístico Feliz Lusitânia, dirigido pelo Governo do Estado do Pará.[1][2]

O complexo foi resgatado pelo então Secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, pois o município passava por um processo de decadência urbana histórica devido a depredação do patrimônio e verticalização predial.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O povoado de Feliz Lusitânia foi criada na aldeia de Mairi, na área do igarapé do Piry, moradia dos índios Tupinambás e Pacajás,[4][5] quando o capitão Francisco Castelo Branco, a mando do rei da União Ibérica (durante a Dinastia Filipina Dom Manuel) foi enviado, para defender a Amazônia dos estrangeiros, que disputavam o território das drogas do sertão, e colonizar a Conquista do Pará (ou Império das Amazonas).[5][6][7] Assim, em 12 de janeiro de 1616, fundou um fortim de madeira então denominado Forte do Presépio (atual Forte do Castelo).[8][9]

Áreas do complexo[editar | editar código-fonte]

Este complexo abrange:[2]

Forte do Presépio[editar | editar código-fonte]

Berço da cidade foi construído por Castelo Branco em 1616 para proteger a Amazônia dos invasores holandeses e franceses. Possui um acervo com peças de cerâmica marajoara e tapajônica de anteriores a chegada dos portugueses. O forte guarda intacto os canhões originais.

Praça Dom Frei Caetano[editar | editar código-fonte]

Foi concluída em 1900, também é conhecida como Largo da Sé. É o ponto de partida para passeios turísticos no centro histórico, a praça possui um monumento de bronze dedicado ao Bispo Caetano Brandão.

Palacete das Onze Janelas[editar | editar código-fonte]

Importante marco urbanístico em Belém erguido no século XVIII, por Domingos da Costa Barcelar, um rico senhor do engenho. Em 1768, foi convertida em hospital militar pelo governo do Grão-Pará. A casa teve funções militares entre 1870 até 2001, quando foi comprada pelo governo estadual para servir como ponto turístico da capital.

Museu de Arte Sacra[editar | editar código-fonte]

Arquitetada em estilo barroco Amazônico, a versão atual foi concluída em 1719, seu convento é o complexo jesuíta mais importante do Brasil, foi recentemente restaurada para receber o Museu de Arte Sacra.

O Museu de Arte Sacra é composto pela Igreja de Santo Alexandre e pelo Palácio Episcopal (antigo Colégio de Santo Alexandre). A igreja é um exemplar da arquitetura jesuítica no Brasil, teve o início da sua construção por volta de 1698 e inauguração a 21 de março de 1719, também funciona como espaço cênico-musical para espetáculos teatrais e recitais, além de ser objeto museal.

Catedral Metropolitana de Belém[editar | editar código-fonte]

Teve o início da sua construção por volta de 1748 sendo totalmente concluída em 1782 por Antônio Landi após algumas interrupções. Seu altar foi doado pelo papa Pio XI, a igreja suntuosa possui 28 candelabros ingleses de bronze e dez altares laterais com belíssimos quadros.

Ladeira do Castelo[editar | editar código-fonte]

A primeira rua de Belém, na verdade, é a Rua Siqueira Mendes, antiga Rua do Norte (Ernesto CRUZ, História de Belém, Belém, Ed. UFPA, 1968, 2 v.) Há casos em que a Ladeira do Castelo costuma ser registrada como a primeira rua da cidade de Belém, localizado ao lado do Forte do Presépio, ligando a Praça da Sé a Feira do Açaí. Na verdade, o traçado Norte/Sul; Leste/Oeste das "cidades novas" portuguesas reforça o registro da historiografia regional sobre o pioneirismo da Rua Siqueira Mendes/Rua do Norte, inclusive pela ligação do Largo da Sé (atual Praça Frei Caetano Brandão) com o Largo do Carmo.

Problema da Gentrificação[editar | editar código-fonte]

Assim como os demais projetos atrelados a linha da gentrificação, como a Estação das Docas e Mangal das Garças, são tidos como enclaves na paisagem, devido não articularem com a comunidade do entorno (de classe baixa), podendo gerar processos de segregação sócio-espacial, tornando-se projetos classistas e elitistas. Em tais espaços as populações do entorno não se vê inserida no projeto e não consegue consumi-lo em sua totalidade, dado o seu caráter excludente da dinâmica capitalista.[11]

Referências

  1. Secretaria de Estado de Turismo do Pará - PARATUR. «Feliz Luzitânia» [ligação inativa] 
  2. a b «Folha Online - Turismo - Pará: Núcleo Feliz Lusitânia mantém arquitetura do além-mar - 10/02/2005». Jornal Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de outubro de 2020 
  3. «Feliz Lusitânia: intervenção e intransigência». Jjornal Beira do Rio. UniversidAde Federal do Pará - UFPA. Consultado em 13 de outubro de 2020 
  4. Brönstrup,, Silvestrin, Celsi; Gisele,, Noll,; Nilda,, Jacks, (2017). Capitais brasileiras : dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. Curitiba, PR: Appris. ISBN 9788547302917. OCLC 1003295058. Consultado em 30 de abril de 2017. Resumo divulgativo 
  5. a b «Brasil, Pará, Belém, História». Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 8 de março de 2018 
  6. da Costa TAVARES, Maria Goretti (2008). «A Formação Territorial do Espaço Paraense». Universidade Federal do Pará - UFPa. Revista ACTA Geográfica nº 3 - Ano II. ISSN 1980-5772. doi:10.5654/actageo2008.0103.0005. Consultado em 4 de maio de 2016 
  7. Pará, G1 (9 de janeiro de 2016). «Veja como foi a fundação de Belém em 1616 e conheça sua história». Notícias Estado do Pará. Globo Comunicação S.A. Consultado em 4 de maio de 2016 
  8. «Brasil, Pará, Belém, História». Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 8 de março de 2018 
  9. Cultura e Esportes Ltda, Companhia Brasileira de Arte (2015). «Belém: quatro séculos de história». Sistema de Apoio às Leis de Incentivo a Cultura - SALIC. Ministério da Cultura - Governo Federal do Brasil. Consultado em 4 de maio de 2016 
  10. Cybelle Salvador Miranda. «Cidade Velha e Feliz Luzitânia: Cenários do Patrimônio Cultural em Belém» (PDF). Consultado em 1 de março de 2013 
  11. Juliano Pamplona Ximenes Ponte. «A Orla de Belém: Intervenções e Apropiação» (PDF) [ligação inativa] 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]