Palácio Lauro Sodré

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Palácio Lauro Sodré
Tipo palácio, museu
Geografia
Coordenadas 1° 27' 22.622" S 48° 30' 10.991" O
Localização Belém, Pará - Brasil
Patrimônio bem tombado pelo IPHAN, Património de Influência Portuguesa (base de dados)

Palácio Lauro Sodré (inicialmente chamado "Casa de Residência"), também chamado Palácio do Governo, é uma edificação pública, palácio, museu e, o governo estadual, construído em 1680,[1] situado no bairro da Cidade Velha, na cidade brasileira de Belém (estado do Pará).

Foi projetado pelo arquiteto bolonhês Antônio Landi (técnico do Reino) a pedido do governador do Grão-Pará, Manuel Bernardo Mello de Castro, no estilo clássico italiano e, inaugurado pelo administrador colonial português João Pereira Caldas,[2] para ser sede do governo português como palácio dos governadores,[2] do Estado do Grão-Pará e Maranhão.

Em 1994, o palácio foi transformado no Museu do Estado do Pará (MEP), durante administração do governador Jader Barbalho.[2] Abrigando diversas formas de manifestações artísticas, desde exposições de artes visuais até a projeção de video-mapping na sua fachada.[2]

Também chamado Palácio do Rei, devido aos rumores de que teria sido feito para a habitação de D. José I e a família real.

História[editar | editar código-fonte]

Palácio onde funciona o museu é um belo exemplar da arquitetura de Landi, e foi construído para abrigar a sede do Estado do Grão-Pará e Maranhão, que se transferira de São Luis para Belém, no século XVIII, quando também se transferia a capital do Estado do Brasil, de Salvador para o Rio de Janeiro.

Construção[editar | editar código-fonte]

Em 1754, durante o período Pombalino, o Frei Miguel de Bulhões, substituindo o governador Mendonça Furtado, requereu uma vistoria da Residência dos Governadores que apontou a necessidade do uso de escoramento para evitar desabamento. Em 1757, impossibilitada de permanecer na edificação, a administração da capitania informa à Corte a mudança para uma casa de aluguel. O governador Manuel Bernardo Mello de Castro, em 1759, comunica à Corte a situação do Palácio da residência dos Governadores e solicita uma vistoria dos técnicos do Reino, da qual Antônio Landi (Arquiteto), Galluzie e Manuel Mendes (Engenheiros) faziam parte. A comissão certifica o estado de ruína em que se encontrava o prédio e sugere sua demolição com o aproveitamento de algumas telhas e peças de madeira.[3]

O governador então solicita a Landi um projeto de uma “ casa descente e sem superfluidades” declarando que a casa não poderá ser de grande despesa e o encaminha à Corte. Em 1761, ainda sem resposta, o governador se dirige ao rei, remetendo uma nova planta de Landi. A primeira proposta consistia em uma prancha assinada por Landi contendo a fachada e um corte transversal. No corte se identificam: um pórtico de entrada com um terraço superior, atrás da fachada, um átrio de acesso principal com cobertura abobadada; uma escadaria desenvolvida em espaço com abóboda. A fachada, horizontal e simétrica, mostra-se com dois pavimentos e telhado aparente de beiral, assentado sobre cornija. O segundo projeto mostra planta baixa, fachada principal e um corte longitudinal. A fachada mostra-se idêntica ao projeto anterior pelo destaque do corpo central. A planta mostra um pátio central interno, rodeado por arcadas ao estilo cortile italiano.

De posse da aprovação do projeto, o capitão-general Fernando da Costa Athaide Teive pede a Landi um novo projeto com mais “Traça” para que a moradia estivesse à altura dos governadores e Capitães ali residentes. Diante de tal pedido, em 1767, o projeto foi reformulado almejando a grande escala que se apresenta até hoje.[4]

Em 1768 a construção teve seu início sendo dirigida pelo mestre pedreiro Jerônimo da Silva. Foi necessária a compra de três lotes adjacentes para que o prédio tivesse a dimensão desejada. A obra do Palácio foi concluída em 1771, mas foi ocupada apenas no ano seguinte pelo inaugurador João Pereira Caldas.

O palácio foi modificado com o passar dos anos, mas a estrutura se manteve. Após a proclamação da república houve um movimento no intento de retirar símbolos que marcavam a monarquia e assim o palácio foi redecorado ao modo republicano e recebeu seu nome atual em homenagem ao Governador Lauro Sodré, o primeiro após a proclamação da República.

Cabanagem[editar | editar código-fonte]

Em 6 de janeiro de 1835, liderados por Antônio Vinagre, os rebeldes tomaram de assalto o palácio do governo de Belém, onde permaneceram no controle até 1837, quando abandonaram Belém e fugir para o interior do Pará para continuar lutando.

Patrimônio histórico[editar | editar código-fonte]

O Palácio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), localizada no logradouro Avenida Portugal, junto às sedes do Poder Judiciário e do Legislativo do estado,[5] onde também estão outras edificações tombadas como patrimônio:a Doca do Ver-o-Peso, a Praça do Relógio, a Praça Dom Pedro II,[6] Palácio Antonio Lemos e, o Solar do Barão de Guajará.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. «Monumentos e Espaços Públicos Tombados - Belém (PA)». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN ). Consultado em 26 de janeiro de 2022 
  2. a b c d «DIÁRIO traz a série 'Casarões', com a história de importantes espaços arquitetônicos». Diário do Pará 
  3. MELLO JÚNIOR;Donato. Antônio José Landi: Arquiteto de Belém: Governo do Estado do Pará,1973
  4. MENDONÇA; Emília Isabel Mayer Godinho. Antônio José Landi (1713-1791): Um artista entre dois continentes. 1999. Tese (doutorado)- Faculdade de Letras/ Universidade do Porto
  5. «Belém celebra Dia do Patrimônio Histórico anunciando a reforma do Palácio Antônio Lemos». CODEM - Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém. Consultado em 17 de janeiro de 2022 
  6. «Ver-o-Peso (PA)». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Consultado em 26 de janeiro de 2022 
  7. «Monumentos e Espaços Públicos Tombados - Belém (PA)». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN ). Consultado em 26 de janeiro de 2022