Arraial do Pavulagem

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Arraial do Pavulagem, grupo musical de música regional paraense, formado em 1987 com os músicos Ronaldo Silva, Júnior Soares, Rui Baldez.

Foi consagrado em 27 de junho de 2017 como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do município de Belém por unanimidade na Câmara Municipal da cidade. Em valorização dos 30 anos de trabalho de difusão e o fortalecimento da cultura brasileira praticada em nossa região.[1][2][3]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Tem este nome derivado de arraial - local onde se realizam as celebrações/festas durante as festividades dos santos - e de pavulagem - neologismo originário de pavão, que significa bonito e pomposo - na linguagem popular representa "o que gosta de aparecer".

Origem[editar | editar código-fonte]

Em 1987, fizeram uma brincadeira na Praça da República com finalidade de divulgar a banda Arraial do Pavulagem e valorizar a música de raízes amazônicas.[3] os músicos da formação inicial da bandaevavam aos domingos a alegoria o "Boizinho na Tala" e o bloco "Batalhão da Estrela",[4] em um palco improvisado em frente ao Teatro Waldemar Henrique, na Praça da República, em Belém (PA),[5] onde tocavam e cantavam em show gratuito e livre aos transeuntes do local, nascendo assim, o bloco/cortejo Arrastões Juninos do Pavulagem.[3][6]

Com aumento da popularidade da brincadeira, o músico Ronaldo Silva, integrante da banda, quis aprofundar o trabalho, e pesquisou nos municípios do interior do Estado do Pará elementos da cultura de raiz para divulgar à grande população da capital Belém (PA),[3] como: sons, ritmos, confecção de instrumentos próprios, como, por exemplo, o curimbó.[3]

Cantadores e compositores, entre outros, tinham uma ideia, a de formar plateia e assim criar um espaço para divulgarem seus trabalhos. A princípio, o boi era chamado “Pavulagem do Teu Coração”, somente a partir de 1987, passou a ser chamado de "Arraial do Pavulagem". A mudança se deu pelo fato de se ter uma visão mais ampla do contexto cultural podendo, assim trazer um universo de elementos populares para o Arraial e não se limitar somente à cultura do boi-bumbá, após 17 anos de vivência o grupo musical resolve fortalecer as ações públicas criando para isso o Instituto Arraial do Pavulagem em 2003.

O Instituto Arraial do Pavulagem[editar | editar código-fonte]

O Instituto dedica-se à pesquisa, à produção e à valorização da cultura popular de raiz feita na Amazônia, utilizando as linguagens, os ritmos, elementos simbólicos de folguedos, as danças e a religiosidade popular como base de referência para a difusão das tradições culturais, ao mesmo tempo em que dá continuidade ao seu processo criativo, procurando harmonizar o tradicional e o moderno buscando aprimorar sua linguagem musical e buscando o fortalecimento da identidade cultural paraense, oferecendo ao público um trabalho criativo e original.

O Arraial realiza inúmeras atividades socioculturais direcionadas à comunidade tais como:

Cordão do Peixe-Boi[editar | editar código-fonte]

O Cordão do Peixe-Boi é um cortejo popular de cunho cultural, ambiental, ação educativa, artística e de mobilização sócio-ambiental que antecede os preparativos do Carnaval. E que sai pelas ruas do centro comercial e na Cidade Velha.

Os cordões de bichos são formas de carnavalização populares e a festa se realiza na rua com seus formatos coloridos, manifestações cênicas e musicais espontâneos.

A escolha do peixe-boi também é estratégica. O brinquedo de rua, confeccionado todo em armação de arame, ganhou uma roupagem que alia arte e reciclagem. Tratando um olhar para a responsabilidade ambiental em um cenário lúdico de símbolos da natureza feitos com materiais reaproveitados como PET e papelão.

O grande cortejo reunindo todos os integrantes das atividades, que mostrarão tudo o que aprenderam nas oficinas de ritmo e percussão, cantos populares, sopro em metais e confecção de objetos simbólicos.

Durante o cortejo, o peixe-boi é levantado pelos brincantes que fazem à festa descendo a escadinha do Cais do Porto (na Praça Pedro Teixeira), onde estará concentrados a média de quatro mil brincantes e o cortejo seguirá pelas ruas do Comércio, até a dispersão na Praça do Carmo.

O cortejo é formado pelo estandarte, pelas marujas, máscaras que vestem participantes, lembrando seres encantados da natureza, o Peixe-Boi (boneco confeccionado pela In Bust Teatro), o peixinho, o efeito de água, bichos da água, canoa de miriti com flores, canoa com frutas, rede de pesca e bandeiras coloridas.

O Cordão do Peixe-Boi é a primeira das atividades do calendário anual do Instituto Arraial do Pavulagem que inclui ainda dois outros cortejos populares nos meses de Junho e Outubro.

Arrastão do Pavulagem (Arrastão do Boi Azul)[editar | editar código-fonte]

No segundo domingo de Junho sai um barco da Praça Princesa Isabel, no bairro do Condor (Belém), transportando o Boi Pavulagem e convidados (Boi Malhadinho e Boi Orube) juntamente com o mastro de São João rumo à escadinha do cais na Praça Pedro Teixeira, seguindo até a Praça da República onde o mastro é fincando, permanecendo lá até o final da quadra junina, onde acontece a derrubada do mesmo.

O carimbó, o siriá e as toadas de boi deram o tom ao arrastão do mês, realizado pelo Arraial do Pavulagem, na Praça da República, para resgatar a essência da cultura paraense e festejar a quadra junina. Hoje essa grande festa da tradição popular chega a reunir em um único domingo mais de quinze mil pessoas, entre participantes e brincantes, que aderem ao cortejo, que tomou conta da Avenida Presidente Vargas desde a escadinha da Estação das Docas. A grande apoteose do arrastão aconteceu com a cerimônia dos mastros de São João e show da banda Arraial do Pavulagem, em um palco na praça.

Santos da época, cavalinhos e os tradicionais “cabeções”, além de adereços relativos à festa junina e às bandeiras fazem parte dos grupos do arrastão, valorizando os ritmos da terra e a cultura amazônica.

Arrastão do Círio (Arrastão da Cobra Grande)[editar | editar código-fonte]

Em outubro acontece às vésperas do Círio de Nazaré* percorrendo o centro histórico de Belém, logo após a chegada da romaria fluvial. O tradicional cortejo que o Instituto faz na véspera do Círio de Nazaré, em homenagem à padroeira dos paraenses, tendo como brinquedo uma imensa cobra de miriti de trinta metros, simbolizando os tradicionais brinquedos do círio oriundos do município de Abaetetuba. Quando a imagem da Santa chegar à Escadinha do Cais, após a romaria fluvial, os brincantes e os músicos Batalhão da Estrela e convidados farão soar o hino “Vós Sois o lírio mimoso” de suas barricas, e começa o trajeto até a Praça do Carmo.

O cortejo sai da Praça dos Estivadores rumo a Praça do Carmo, encerrando com um show cultural. Na praça, acontece o encerramento do cortejo com um show da banda Arraial do Pavulagem, que traz para a rua um repertório de boi, carimbó, mazurca, xote bragantino, retumbão e as músicas dos cortejos populares. O Largo do Carmo também foi escolhido para ser o local do término do Arrastão do Círio, porque tem uma relação muito forte com a festa religiosa. É lá que, tradicionalmente, os romeiros e artesões de Abaetetuba sempre expõem e comercializam seus brinquedos de miriti numa grande feira de produtos.

Roda de boi[editar | editar código-fonte]

É o encontro para a diversão e mobilização de todas as pessoas interessadas em conhecer e participar dos trabalhos do Arraial do Pavulagem e para divulgar o ritmo da região através do boi-bumbá, carimbó, lundu, retumbão, xote e outros.

Títulos/Homenagem[editar | editar código-fonte]

Em 2006 o enredo que foi apresentado pela Lins Imperial, no carnaval carioca , cujo enredo é um passeio de descobrimentos pela rica e colorida história do folclore, costumes, cantigas, e crenças do Estado do Pará e de suas micro-regiões. Em 2007 atravé da Lei nº 7.025 de 30 de junho de 2007, foi reconhecido como utilidade pública para o Estado do Pará.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  1. «Arraial do Pavulagem encerra festejos juninos neste domingo». G1 
  2. «CMB aprova reconhecimento do Arraial do Pavulagem como patrimônio cultural imaterial de Belém | Câmara Municipal de Belém». www.cmb.pa.gov.br. Consultado em 17 de julho de 2017 
  3. a b c d e Lima, Dula Maria Bento; Gomberg, Estélio (2012). «CULTURA, PATRIMÔNIO IMATERIAL E SEDUÇÃO NO ARRAIAL DO PAVULAGEM, BELÉM (PA) BRASIL» (PDF). TECAP UERJ. Cultura e arte populares. Consultado em 17 de julho de 2017 
  4. «Em Belém, Arrastão do Pavulagem anima São João com folclore do PA». São João 2014 no Pará. 20 de junho de 2014 
  5. BARRETTO, JOANA CÉLIA COUTINHO (2012). «CULTURA E MEIO AMBIENTE: AS AÇÕES SOCIOEDUCATIVAS DO INSTITUTO ARRAIAL DO PAVULAGEM» (PDF). Consultado em 17 de julho de 2017 
  6. «Arraial do Pavulagem lança livro para celebrar 30 anos de suas canções | Janela Urbana». Janela Urbana. 18 de março de 2017