Fandango

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Fandango
Origens estilísticas Ibérico
Contexto cultural século XVIII, Espanha
Instrumentos típicos viola, rabeca, maxixe
Popularidade Espanha, Portugal, México e Brasil (Paraná, São Paulo)
Formas derivadas Marujada, Fandango Caiçara, Fandango do Nordeste do Brasil

Fandango ou Marujada é um estilo musical caracterizado pela sua dança, com movimentos frenéticos, conhecido na Europa, na Espanha e Portugal desde o período barroco, além de outros países, como Brasil e México. Sua singularidade é caracterizada por movimentos vivos e exibicionistas, sendo observado o uso de cânticos litúrgicos e populares semelhantes da Idade Média.[1][2][3][4][5][6]

Fandango em Portugal[editar | editar código-fonte]

Pintura de dançarinos de fandango castelhano do século XVIII, por Pierre Chasselat (1753-1814).

O fandango lusitano é preservado em várias comunidades de Portugal. A dança e festividades aparece como manifestações folclóricas em diversas regiões.[7] O fandango chegou em Portugal no século XVIII, vindo dos palcos do teatro espanhol. O ritmo espanhol foi contagiante em Portugal. Chegou primeiro no círculo da aristocracia como dança de salão e posteriormente invadiu as tabernas, em ambiente de homens. Tal influência foi tão significativa que o fandango alcançou até mesmos os conventos. Neste momento as mulheres já ocupavam os espaços das danças, rodopiando ao som da música e do estalido dos dedos. Foi a partir daí que o fandango passou a ser visto também como instru­mento de sedução.[7]

De modo geral a dança portuguesa é caracterizada como inebriante e viril.[7] O Fandango Ribatejano é um dos fandangos mais conhecidos. No norte da província ribatejana, na margem do rio Tejo, os campinos usam trajes típicos mais escuros e mantêm danças mais lentas. Na região da grande lezíria os fandangueiros dançam nas áreas rurais, de forma mais agitada, vestindo roupas típicas mais elegantes e com adornos. As características musicais do fandango de Ribatejo é semelhante com as encontradas em Alentejo.[7] O fandango ainda é dançado em praticamente em todas as províncias de Portugal, com diferentes arranjos, ritmos, cantares e movimentos coreográficos. Somente em Ribatejo há quase vinte variantes de fandangos, além de acordeons, tocados também por pífaros, gaitas-de-beiços, harmónios e clarinetes. Nas suas variadas formas, o fandango português pode ser ainda também uma versão apenas instrumental, sendo ou não cantado, dançado em roda ou dançado a pares com várias combinações.[8]

Fandango no Brasil[editar | editar código-fonte]

O termo fandango, no Brasil, se aplica a dois grandes grupos de folguedos populares:[1][2][3][4][5][6]

Alunos do Programa de Iniciação à Docência do Curso de Arte da Universidade Estadual do Centro-Oeste dançando fandango numa apresentação artístico-cultural.

No litoral do Paraná e de São Paulo, o fandango é um gênero musical e coreográfico fortemente associado ao modo de vida da população caiçara, por isso é denominado de Fandango Caiçara. É considerado uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva, com características particulares das culturas que colonizaram as regiões do litoral sul paulista e paranaense.[1][2][3][4][5][6]

Os primeiros colonizadores açorianos trouxeram o fandango ao litoral do Paraná, em 1750.[10] Os açorianos, os escravos e os indígenas começaram a praticar o fandango durante o entrudo, evento antecessor do carnaval. Durante os quatro dias de festas, o povo recorria com exclusividade para tocar o fandango. Para além dos mutirões, o fandango era a principal diversão e momento de socialização das comunidades caiçaras, estando presente em diversas festas religiosas, batizados, casamentos e, especialmente, no carnaval, quando os quatro dias de festa eram realizados ao som dos instrumentos do fandango.[2][3][4][5][6] Os bailarinos são chamados de folgadores ou folgadeiras, até porque dançavam na folga do sábado para o domingo.[9] Eles interpretam diversas coreografias as quais ganham nomes específicos como Andorinha, Xarazinho, Tonta, etc. O fandango é acompanhado com duas violas (as quais de maneira geral tem cinco cordas), uma rabeca ou maxixe.[10]

Para obter um batido ritmado e forte, os homens usam botas ou tamancos. Possui uma coreografia espontânea, podendo ser valsada, com participantes que dançam com os pés rastejados no chão, ou podendo ser sapateadas, tendo acompanhamento de palmadas. Sua singularidade pode ser observada na escala que eles utilizam, semelhante aos cânticos litúrgicos e populares da Idade Média.[10]

No Paraná a culinária dessas comunidades caiçaras receberam influências indígenas e açorianas, e podem, por exemplo, encontrar o barreado, prato típico preparado a base de carne, toucinho e vários temperos. Em 2011 o Fandango Caiçara foi agraciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como Patrimônio Cultural do Brasil, o primeiro "bem imaterial" do Sul do Brasil.[1][2][3][4][5][6]

Fandango no México[editar | editar código-fonte]

Instrumentos musicais usados no fandango, no Museo Regional de San Andres Tuxtla, Veracruz, México.

No México o fandango está presente desde a época da colonização, sendo a dança levada pelos espanhóis. O fandango mais conhecido é o Fandango Veracruzano, da região de Veracruz. O fandango desta região é uma festa popular onde as pessoas se reúnem para dançar, tocar e cantar em um ambiente comunitário. Os músicos locais tocam músicas do estilo Son Jarocho, estilo musical folclórico típico da região.[11] As pessoas dançam o sapateado (zapateado) em cima de um grande tablado de madeira.[12]

Referências

  1. a b c d OHTAKE, Ricardo. Danças populares Brasileiras. [S.l.]: Rhodia, 1989.
  2. a b c d e Página - IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Portal.iphan.gov.br. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/83>. Acesso em: 19  fev.  2020.
  3. a b c d e Parecer do DPI. Portal.iphan.gov.br. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Parecer_DPI_fandango_caicara(1).pdf>. Acesso em: 19  fev.  2020.
  4. a b c d e Parecer do Conselho Consultivo. Portal.iphan.gov.br. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Parecer_conselho_consultivo_fandango_cai%C3%A7ara(1).pdf>. Acesso em: 19  fev.  2020.
  5. a b c d e Titulação. Portal.iphan.gov.br. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Titulacao_fandango_caicara.pdf>. Acesso em: 19  fev.  2020.
  6. a b c d e Certidão. Portal.iphan.gov.br. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Certid%C3%A3o_FANDANGO_CAI%C3%87ARA(1).pdf>. Acesso em: 19  fev.  2020.
  7. a b c d «Fandango - Danças Tradicionais Populares». Folclore de Portugal. Consultado em 28 de abril de 2021 
  8. «O Fandango Ribatejano». Lezíria do Tejo. Consultado em 28 de abril de 2021 
  9. a b Léslier Maria Pelegrini; Ieda Parra Barbosa Rinaldi (2013). «Roseira do Paraná: Resgate de uma dança do folclore paranaense na educação básica» (PDF). Secretaria de Estado da Educação. Governo do Paraná. Consultado em 28 de abril de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 31 de outubro de 2020 
  10. a b c Verano 2009, p. 4511–4512.
  11. «A Musical Style That Unites Mexican-Americans» (em inglês). NPR. 28 de novembro de 2011. Consultado em 29 de abril de 2021 
  12. Mabarak Sonderegger; Melba Alí Velázquez (4 de abril de 2008). «Dos proyectos de salvaguarda de fandangos: el Movimiento Jaranero (México) y el Museu Vivo do Fandango (Brasil)» (em espanhol). Unila - Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Consultado em 29 de abril de 2021 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]