Círio de Nossa Senhora de Nazaré

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O Círio de Nazaré, é uma manifestação religiosa cristã em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, que ocorre no município de Belém, no estado brasileiro do Pará. Celebrado anualmente desde 1793, no segundo domingo de outubro, reunindo cerca de dois milhões de pessoas em todos os cultos e procissões. Uma vocação religiosa herdada dos colonizadores portugueses - em Portugal é celebrado no dia 8 de setembro na vila da Nazaré.[1]

Em outras regiões, devido a migração de paraenses, acabaram criando-se procissões para sentirem-se próximos de Belém, através do ato de Fé. No Brasil, no início era uma romaria vespertina, e até mesmo noturna, daí o uso de velas. No ano de 1854, para evitar a repetição da chuva torrencial como a que havia caído no ano anterior, a procissão passou a ser realizada pela manhã.

O Círio foi instituído em 1793 em Belém do Pará,[1] e até 1882, saía do Palácio do Governo. Em 1882, o bispo Dom Macedo Costa, em acordo com o Presidente da Província, Justino Ferreira Carneiro, instituiu que a partida do Círio seria da Catedral da Sé, em Belém.

O Círio é a maior manifestação cristã do brasil - e um dos maiores eventos do mundo - reunindo mais de dois milhões de pessoas em uma só manhã.[2][3] Sendo em dezembro de 2013, declarado pela UNESCO, Patrimônio Cultural da Humanidade.[4][5][6]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo Círio vem do latim Cereus, que significa "vela grande".[7]

Lendas e histórias[editar | editar código-fonte]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

A Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré, Portugal

Segundo a Lenda da Nazaré, sobre a antiga e pequena estátua da Virgem Maria entalhada em madeira, teve origem na cidade de Nazaré (Israel). Onde representa Maria, de cor escura, sentada e tendo em seu colo o menino Jesus, o qual amamenta.[7]

A estátua, chamada de Imagem, é identificada como objeto original dos primeiros séculos do Cristianismo. Percorreu a cristandade desde a cidade de Nazaré (Israel), passando por Mérida (Espanha), até surgir no ano de 711 na cidde de Nazaré (Portugal).[7]

No século XII, tornou-se símbolo de fé do cavaleiro D. Fuas Roupinho, o qual mandou erguer em 1182 a Capela da Memória em agradecimento à Virgem, após ter sido salvo de um acidente muito grave quando, montado a cavalo, perseguia um cervo. A capela foi erigida sobre uma gruta onde estava a sagrada imagem. Em 1377 o rei D. Fernando (1367-1383) fundou um templo maior, o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, para onde transferiu a imagem.[7] Desde então, anualmente no mês de setembro, os portugueses reúnem-se no Sítio da Nazaré, para reverenciar Nossa Senhora da Nazaré. A principal romaria, o Círio da Prata Grande, inicia no concelho de Mafra e transporta, em uma berlinda, uma outra imagem, onde a Virgem Maria está em pé - semelhante a venerada no Círio brasileiro.[7]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No século XVII, ocorreu a introdução da devoção à Senhora da Nazaré, no Pará, através dos padres jesuítas. Embora o culto tenha se iniciado na cidade de Vigia de Nazaré, a tradição mais conhecida relata que em 1700, Plácido, um caboclo (descendente de portugueses e de índios) andava pelas imediações do então igarapé Murutucu na cidde de Belém (área atualmente corresponde aos fundos da Basílica de Nazaré) quando encontrou uma pequena estátua deteriorada de Nossa Senhora da Nazaré - réplica da estátua em Portugal - entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, entre pedras lodosas.[7]

Plácido levou a imagem para sua residência, onde limpou e improvisou um altar de culto. De acordo com a história da tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer sozinho uma pequena ermida no local. A divulgação do milagre da imagem, atraiu a atenção dos habitantes da região, que passaram a visitar à capela para homenageá-la. Atraindo também a atenção do então governador da Capitania, D. Francisco Maurício de Sousa Coutinho, que determinou a transferência da imagem para a capela do Palácio da Cidade, em Belém. Porém, mesmo mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, ressurgindo na capela.[7] Desse modo, a devoção adquiriu caráter oficial, erguendo-se atualmente, no lugar da primitiva ermida, uma capela, hoje a Basílica de Nazaré.[7]

Em 1773 o bispo do Pará, Dom João Evangelista, colocou a cidade de Belém sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré. No início do ano seguinte (1774), a imagem foi enviada a Portugal, onde foi submetida a uma completa restauração.[7] O seu retorno ocorreu em outubro desse mesmo ano, tendo a imagem sido transportada, do porto até ao santuário por fiéis em romaria, acompanhada pelo Governador, pelo Bispo e pelas demais autoridades, civis e eclesiásticas, sendo considerado o primeiro Círio.[7] Desde então, o Círio de Nazaré é realizado anualmente, no segundo domingo do mês de outubro.[7]

Entre os milagres mais expressivos atribuídos à imagem de Belém, encontra-se o que envolveu os passageiros do brigue português "São João Batista". Partindo de Belém rumo a Lisboa, no dia 11 de Julho de 1846, a embarcação de dois mastros à vela veio a naufragar decorridos poucos dias da partida, sendo os passageiros salvos por um bote que os conduziu de volta a Belém.[7] Este brigue seria a mesma embarcação que, anos antes (1774), havia transportado a imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Lisboa, para ser restaurada; o bote também seria o mesmo que levou a imagem ao brigue ancorado em Belém, assim passou a acompanhar a procissão a partir do ano de 1885.[7]

Apesar de o Círio em Belém ser o mais conhecido no Brasil, o mais antigo do Brasil data de 1630 na cidade de Saquarema (Rio de Janeiro).[7] Após noite tempestuosa, a miraculosa imagem da Virgem Maria foi encontrada por pescadores nos penedos que separam o mar da lagoa, onde hoje se encontra a Igreja Matriz. Segundo a lenda, a imagem sempre retornava aos penedos onde fora encontrada, assim os religiosos da época iniciaram à construção de uma capela, que posteriormente mais deu lugar ao templo atual.[7] O Reconhecimento do Círio de Saquarema como o mais antigo do Brasil deu-se com a visita da imagem peregrina de Belém em 23 de setembro de 2009.[7]

Romarias oficiais[editar | editar código-fonte]

Atualmente as manifestações de devoção religiosas estendem-se por quinze dias, durante a chamada quadra Nazarena. Entre os pontos altos dessa manifestação, destacam-se:

  • Traslado

Assim chamada, porque marca o percurso da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, da Basílica de Nazaré, pelas ruas da cidade, até a igreja matriz, no município de Ananindeua, município vizinho a Belém. Percurso este que é feito em carro aberto, e onde Nossa Senhora recebe inúmeras homenagens. A imagem da Santa, passa a noite neste município, onde o povo fica durante toda à noite em vigília. Essa Romaria acontece de sexta para sábado, que antecede o domingo do círio. Esta romaria normalmente sai às 9:00 da Basílica de Nazaré, e segue pela Avenida Nazaré, Avenida Almirante Barroso, BR-316, Ananindeua, Marituba e volta para Ananindeua até a Igreja Matriz.

  • Romaria Rodoviária

Depois de uma noite em Ananindeua, e uma missa pela manhã, a imagem parte, de madrugada, em mais uma procissão, agora em uma nova direção, a Vila de Icoaraci, distrito de Belém. Mesmo sendo de madrugada, os fiéis aguardam a passagem da Santa, rendendo-lhe inúmeras homenagens. A procissão é acompanhada pelos carros da diretoria do círio, carros de polícia, bombeiros, ambulâncias, carros oficiais e civis. Daí a origem do nome da romaria.

NHo Garnier Sampaio (H-37) liderando a romaria fluvial do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em 2005.
  • Romaria Fluvial

Nesta romaria, a imagem da Santa é levada de barco, pela Baia do Guajará, baia esta que cerca a cidade de Belém, e é seguida por inúmeros outros, enfeitados de acordo com as condições do próprio dono. Aqui se vêem barcos, iates e simples canoas de ribeirinhos que seguem a procissão. O percurso Icoaraci-Belém pode levar até 5 horas. Ao chegar no cais do porto da cidade, é recebida por uma multidão e outras homenagens se seguem. A romaria foi introduzida em 1985, como uma forma de homenagear a todos os que vivem e dependem dos rios da região, como a população ribeirinha, que, devido às suas condições, não pode se dirigir a Belém, e com isso, pode fazer suas homenagens.

  • Moto-Romaria

Por volta das 11 horas da manhã de sábado, a imagem da Santa chega ao cais de Belém. Dali a imagem segue em carro aberto, agora seguida por motoqueiros que buzinam incessantemente, anunciando a passagem da Santa. O povo pára nas ruas seus afazeres, sai de suas casas, e saúda a Virgem, com as mãos levantadas, como a pedir a bênção. A Romaria se estende pelas ruas da cidade até o Colégio Gentil Bittencourt, onde uma outra multidão de fiéis espera a Imagem. E à noite, logo após a missa, ocorrerá o início da Trasladação.

  • Trasladação

A trasladação da imagem ocorre uma noite antes do Círio, em uma procissão à luz de velas. Simbolicamente visa recordar a lenda do descobrimento da imagem e o retorno ao local de seu primeiro achado. Nesta cerimonia somente a Berlinda (carro onde é levada a imagem de Nossa Senhora) é utilizada, num trajeto em sentido inverso ao do Círio

  • Procissão do Círio

Que atualmente reúne centenas de milhares de fiéis (mais de 2 milhões e 300 mil), em um cortejo que, em épocas recentes, chegou a durar cerca de nove horas, e que hoje, devido a uma melhor organização e planejamento por parte da diretoria da festa, demora bem menos, percorrendo uma distância de cerca de cinco quilômetros entre a Catedral Metropolitana e a Basílica de Nazaré. Esta celebração é dividida em três momentos: o Círio propriamente dito - o evento é iniciado às seis horas da manhã com a celebração de uma missa, após a qual os fiéis se postam nas ruas ao longo do trajeto. Às sete horas, o Arcebispo conduz a imagem de Nossa Senhora até a Berlinda, para dar início ao Círio. Antigamente e até o início dos anos 2000, chegava no destino por volta das duas horas da tarde. Hoje, isso acontece antes mesmo do meio-dia. A imagem chega à Basílica de Nazaré, sendo retirada da Berlinda para a celebração litúrgica.

  • Ciclo-romaria

É a mais nova das procissões. Foi criada em 2004 a pedido da Federação dos Ciclistas do Pará e da Associação dos Ciclistas de Icoaraci. É realizada no sábado posterior ao Círio, com saída da Praça Santuário e percorre aproximadamente 9 km e a cada ano é definido um novo trajeto.

  • Romaria da Juventude

É considerada a mais animada de todas as 11 romarias oficiais da chamada "quadra nazarena". A procissão acontece desde 2001. Nela, comunidades juvenis de várias paróquias se reúnem para louvar a Rainha da Amazônia. É um modo de mostrar a integração das paróquias e a alegria da juventude católica. Em 2012, além da berlinda com a imagem da santa, foram levados, na procissão, os símbolos da Jornada Mundial da Juventude, a cruz missionária e o ícone de Nossa Senhora.

  • Romaria das Crianças

No primeiro domingo após o Círio de Nazaré, é a vez das crianças irem às ruas prestar suas homenagens a Nossa Senhora. A Romaria, criada com o objetivo de construir e fortalecer a devoção mariana entre os pequenos, começa às 8 horas da manhã, saindo da Praça Santuário e percorrendo várias ruas do bairro de Nazaré, em Belém. O crescimento da participação popular na Romaria das Crianças, principalmente nos últimos 8 anos, é consequência de pelo menos dois fatores: o crescimento da quantidade de crianças acompanhadas de seus pais na procissão e o aumento de idosos, devido as crescentes dificuldades no acompanhamento da Trasladação e do Círio. Além da Berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, durante a Romaria das Crianças há ainda o carro dos milagres e os carros dos anjos.

  • Romaria dos Corredores

Em 2014, mais uma romaria oficial entrou para o calendário da grande festa do Círio de Nazaré: a Romaria dos Corredores. Totalizando 12 romarias oficiais, a mais nova procissão é realizada no último final de semana das romarias do círio.

A procissão ocorre em forma de trote (corrida de pouca velocidade) com aproximadamente 8 a 9 km/h para que os corredores devotos possam acompanhar a Imagem Peregrina de perto. O evento não tem caráter competitivo, portanto não haverá cronometragem, nem premiação.

O trajeto da procissão tem aproximadamente 8 km com início no CAN – Centro Arquitetônico de Nazaré – passando pelas ruas principais e adjacentes da procissão do Círio: Avenida Nazaré, Travessa 14 de Março, Avenida Governador José Malcher, Avenida Assis de Vasconcelos, Rua Oswaldo Cruz, Rua Riachuelo, Travessa Padre Eutíquio, Rua João Diogo, Palácio da Cabanagem, Praça da Sé, Avenida Almirante Tamandaré e Avenida Nazaré retornado ao CAN. Na chegada há o rito da bênção com a Imagem Peregrina.

  • Procissão da Festa

A Procissão da Festa é o penúltimo evento das Romarias Nazarenas do Círio e a terceira romaria mais antiga, depois do Círio e da Trasladação. O percurso é diferente a cada ano e possui cerca de 2,8 Km, com previsão de 2h de duração. A procissão é acompanhada pela Diretoria da Festa de Nazaré e as comunidades que fazem parte da Basílica Santuário. É a romaria realizada na manhã do segundo domingo após o Círio, saindo às 8 horas da Praça Santuário, depois da celebração de uma missa.

A Procissão da Festa é organizada pelas próprias comunidades ligadas à Basílica e percorre as ruas do Bairro de Nazaré, num trajeto de 2,8 km. Todo ano, uma das comunidades é prestigiada pela procissão. O percurso é definido pelo pároco da Basílica e de acordo com a localidade da comunidade contemplada.

Histórico – Não se sabe precisamente quando a primeira procissão da Festa foi realizada, mas em 1881 já se tem notícia, 24 anos antes dos Barnabitas assumirem a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, em 1905. Era realizada à tarde, até que uma chuvarada em 1953 passou-a para a parte da manhã, o que veio a mudar em 1954. Antigamente, a procissão costumava sair de dentro da Basílica, enquanto não existia a Praça Santuário.

Em 2000, no dia 22 de outubro, a procissão coincidiu com o Jubileu de ordenação de Arcebispo Metropolitano de Belém na época, Dom Vicente Zico, e por esse motivo a Procissão saiu da Praça Santuário para a Catedral, onde foi celebrada uma Missa solene no tablado armado em frente à Igreja. A Imagem da Santa foi levada no mesmo carro utilizado no Traslado para Ananindeua (PRF). Em 2001, passou por todas as comunidades que fazem parte da Paróquia de Nazaré, sendo o percurso considerado muito longo, um total de 4,3 km.

  • Recírio

Duas semanas após o Círio, acontece o Recírio, uma procissão de despedida.

O Recírio é o momento que encerra toda a Festividade Nazarena. É quando os paraenses se despedem da Rainha da Amazônia. A procissão do Recírio acontece 15 dias após a grande procissão de domingo, numa segunda-feira. A procissão começa após uma missa campal, realizada na Praça Santuário às 6h. Ao final da missa, a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré retorna ao Glória, sobre o altar-mor da Basílica Santuário. É emocionante! Os h2hares de fiéis, ali reunidos, vêem o arcebispo de Belém caminhar até o nicho, retirar a pequena imagem e erguê-la para os abençoar. Ela é reconduzida então à sua redoma de cristal, lá permanecendo entre os anjos esculpidos que lhe fazem companhia até o próximo Círio. Às 7h, a imagem da Virgem de Nazaré é conduzida num percurso de 250 metros, em direção à Capela do Colégio Gentil Bittencourt.

Durante o trajeto, a procissão faz o contorno na Praça Santuário, segue pelas avenidas Generalíssimo Deodoro, Nazaré e Magalhães Barata até chegar ao Colégio Gentil. Enquanto passa, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é saudada e aclamada pelos paraenses que acompanham a caminhada ou a assistem pelas janelas de suas casas. A despedida é sempre emocionante. Entre muitas orações e canções, os fiéis prestam suas últimas homenagens à Santinha. Em grande estilo, o Recírio encerra o Círio de Nazaré marcado por muita fé, fogos de artifício e pela espera da Festa no próximo ano.

Incineração das Súplicas – Durante a missa que antecede a procissão do Recírio, os Diretores da Festa de Nazaré reúnem-se para recolher todos os pedidos depositados no Altar Monumento da Praça Santuário e no Nicho, onde a Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré ficou durante os 15 dias da Festividade. Tradição que acontece desde 1994, neste momento, em oração, numa cerimônia singela, na Praça Santuário, a Diretoria procede à queima desses pedidos: é a Incineração das Súplicas. As primeiras queimas eram realizadas na lateral da Basílica em frente à Sala dos Milagres.[8]

Os símbolos[editar | editar código-fonte]

O Círio tem vários objetos simbólicos que podem ser apreciados durante o seu trajeto. Os principais são:

  • A berlinda, que leva a imagem da Santa;
A corda, espaço de pagamento de promessas dos romeiros.
  • A corda, que sustenta a fé na padroeira dos paraenses, possui a média de 400 metros de comprimento e pesa aproximadamente 700 quilos, de puro sisal torcido, que requer maior sacrifício físico e emocional. Incorporada à celebração em 1868, originalmente substituía a junta de bois que até então puxava a berlinda da imagem; posteriormente passou a ser utilizada para separar a berlinda e o carro dos milagres juntamente com os políticos e signatários, da multidão que a acompanha e assim conservar um equilíbrio perfeito característico da fé aliada a obediência. No ano de 2005 a direção do Círio, modificou o formato da corda, que ao invés de contornar a berlinda como normalmente era feito, a corda ainda do mesmo tamanho, veio na forma de um rosário, na tentativa de que não ocorressem atrasos no traslado, como já havia ocorrido anos antes.
  • O manto é mais um dos símbolos da Festa de Nazaré. A cada procissão, há sempre um novo manto envolvendo a figura de Nossa Senhora. O manto tem sempre uma conotação mística, relatando partes do evangelho. Confeccionado com material caro e importado. O trabalho da confecção do manto iniciou-se pelas filhas de Maria. Anos depois, assumindo a confecção do mesmo, a irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant’Ana. Com a sua morte, a confecção do manto ficou por conta de uma ex-aluna interna do Colégio Gentil Bittencourt, Srta. Esther Paes França, que por 19 anos o teceu, e de suas mãos saíram os mais belos mantos. A confecção do manto é toda envolvida em clima de mistério, feitas com a ajuda de doações, quase sempre anônimas.
  • As velas, ou círios, são feitas de cera, em vários formatos, retratando partes do corpo humano, ou ainda, uma vara de cera da mesma altura do pagador da promessa. As velas, são um símbolo da fé dos promesseiros, que através delas, 'pagam' a uma graça alcançada.
  • Os carros de promessas ou dos milagres, que recolhem os ex-votos ilustrativos das graças alcançadas pelos fiéis;
  • As crianças, tradicionalmente vestidas de anjos;
  • As homenagens de fogos de artifício, queimados durante a passagem da imagem pelas ruas do centro histórico de Belém.

Outros símbolos também integram a tradição:

  • As novenas, ciclos de orações realizadas durante as semanas que antecedem a festividade, por devotos que realizam pequenas romarias pelas casas de vizinhos.
  • Os cartazes oficiais anunciando a festividade.
  • O almoço com a família, realizado no domingo da procissão, como um ato de comunhão. Tradicionalmente é composto de:[2]
  • O arraial no largo de Nazaré, em frente à Basílica.
  • os brinquedos de miriti.

Datas e quantidade de pessoas[editar | editar código-fonte]

A procissão do Círio acontece a cada segundo domingo de Outubro, sua data portanto é móvel. A seguir a numeração ordinal dos Círios de Nazaré, as suas datas, e a quantidade aproximada de pessoas que participaram.

  • 225º - 8 de outubro de 2017: 2,5 milhões de pessoas, durou 5 horas.
  • 224º - 9 de outubro de 2016: 2,6 milhões de pessoas, durou aproximadamente 5 horas e 20 minutos.
  • 223º - 11 de outubro de 2015: 2,8 milhões de pessoas, durou 5 horas e 15 minutos.
  • 222º - 12 de outubro de 2014: 2,4 milhões de pessoas, durou 5 horas e meia
  • 221º - 13 de outubro de 2013 : 2,3 milhões de pessoas, durou 6 horas.
  • 220º - 14 de outubro de 2012 : 2,3 milhões de pessoas, durou aproximadamente 6 horas
  • 219º - 9 de outubro de 2011: 2,3 milhões de pessoas, durou 5 horas e meia
  • 218° - 10 de outubro de 2010 : 2 milhões e 250 mil pessoas, durou 6 horas
  • 217° - 11 de outubro de 2009 : 2 milhões e 200 mil pessoas, durou 7 horas
  • 216° - 12 de outubro de 2008: 2 milhões de pessoas, durou 7 horas
  • 215° - 14 de outubro de 2007: 2 milhões e 700 mil pessoas, durou 7 horas
  • 214º - 8 de outubro de 2006: 2 milhões e 250 mil pessoas, durou 5 horas e meia
  • 213º - 9 de outubro de 2005: 2 milhões de pessoas, durou 5 horas (devido a um incêndio, o trajeto foi encurtado)
  • 212º - 10 de outubro de 2004: 1 milhão e 700 mil pessoas, durou mais de 9 horas (o mais longo da história e o último a usar a corda em formato de "U", passando a ter 5 estações, como o rosário católico.)
  • ...
  • 1º - 8 de setembro de 1793 (quarta-feira)

Círio de Nazaré em outras cidades[editar | editar código-fonte]

Procissões semelhantes a que ocorre em Belém, acontecem em várias outras cidades do Pará e do Brasil. As mais famosas são o Círio de Soure, o Círio de Vigia, além das procissões realizadas em Castanhal, Breves,Marabá e em outras cidades do estado do Pará. A cidade do Rio de Janeiro realiza a procissão no mês de setembro em Copacabana. Brasília, Manaus, Macapá e Recife[9] são algumas capitais onde o Círio de Nazaré foi introduzido por paraenses que moram em outros estados.

Referências

  1. a b Duran, Sabrina (7 de outubro de 2011). «Círio de Nazaré: por dentro da maior festa religiosa do Brasil». Turismo. Consultado em 16 de julho de 2018. 
  2. a b Sabrina Duran. «Círio de Nazaré: por dentro da maior festa religiosa do Brasil». Portal IG. Turismo - Destinos Nacionais. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  3. «Cirio de Nazaré». Visite o Brasil 
  4. «Círio de Nossa Senhora de Nazaré». Publicações. Portal IPHAN. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  5. «Círio de Nazaré é declarado Patrimônio Cultural da Humanidade». Globo Comunicação. G1 Pará. 4 de dezembro de 2013. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  6. Pordeus Leon, Lucas (12 de outubro de 2014). «CÍRIO DE NAZARÉ EM BELÉM: A MAIOR FESTA RELIGIOSA DO PLANETA». Cultura Agencia Brasil. Radiojornalismo EBC. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  7. a b c d e f g h i j k l m n o p «Realização no Estado do Pará das festividades alusivas ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré». Discurso em 09/10/2013. Câmara Legislativa do Brasil. Consultado em 16 de julho de 2018. 
  8. «Círio de Nazaré» 
  9. «Círio de Nossa Senhora de Nazaré será realizado domingo no Recife | Arquidiocese de Olinda e Recife». www.arquidioceseolindarecife.org. Consultado em 13 de outubro de 2015. 

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]