Guitarrada

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Guitarrada é um gênero musical instrumental brasileiro surgido no estado do Pará, oriundo da fusão do choro com o carimbó, cúmbia, merengue, mambo, bolero o movimento iê-iê-iê, entre outros. A guitarra elétrica é predominantemente a solista, mas existem diversas canções, geralmente baladas de amor ao estilo brega. Também é chamado de lambada instrumental. Mestre Vieira é o criador gênero.

A Guitarrada tem como marco o lançamento do disco “Lambadas das Quebradas”, em 1978, de Mestre Vieira. O disco foi o primeiro a presentar temas instrumentais para guitarra, valorizando os ritmos amazônicos e caribenhos. Vieira tem seu trabalho fortemente influenciado pelo choro e revelou-se virtuose ainda criança, porém seu contato com a guitarra elétrica foi ocorrer apenas na década de 70, após ter passado pelo bandolim, banjo, cavaquinho, violão e instrumentos de sopro. Lançou ao longo da carreira 18 discos. Vieira é considerado por muitos músicos e pesquisadores um dos pilares da música paraense, no mesmo patamar dos mestres Verequete, Pinduca, Lucindo e Cupijó.

Aldo Sena é outro grande expoente da guitarrada, e fortemente influenciado por Mestre Vieira. Integrando a banda Os Populares de Igarapé-Miri no fim dos anos 70, Sena começa a se destacar como solista, apresentando um sotaque peculiar na guitarra. Em 81 Os Populares lançam o disco "Lambadas Incrementadas". E a partir de 1983 , Aldo Sena inicia sua carreira solo.

Em 1982 temos outro marco histórico decisivo para o gênero. É nesse ano que o empresário e cantor paraense Carlos Santos , dono da Gravasom, importante gravadora sediada em Belém (ativa nos anos 70/80), resolve lançar o LP "Guitarradas - Lambadas Ritmo Alucinante", um disco instrumental também tendo a guitarra como solista , imitando um modelo instrumental que já era realizado por Vieira e seu conjunto desde os anos 70, bem como pelas bandas Populares de Igarapé Miri (surgida no fim dos anos 70) e Lambaly (criada no início dos 80), ambas também influenciadas pelo som de Vieira. O fato é que o disco gestado por Carlos Santos se tornou um grande sucesso de vendas, gerando ao longo de toda a década de 80 mais 6 volumes. A partir de então, a população paraense passou a denominar a "lambada instrumental" desses guitarristas locais de "guitarrada". Vale ressaltar que o estúdio da Gravasom foi um importante pólo onde foram registrados uma grande leva de discos da lambada paraense, incluindo vários de Vieira (que mesmo sendo do casting da Continental, gravou muitos dos seus discos por lá). Do mesmo modo, os estúdios Rauland (um dos mais antigos estúdios de Belém responsável pelas primeiras gravações de Pinduca e Vieira nos anos 70) e Mix Som, também foram relevantes para a solidificar a guitarrada nos anos 80.

Todos esses volumes da série "Guitarradas" tem a assinatura de um certo "Carlos Marajó" como autor das faixas. Na verdade , Marajó é um nome fictício criado pelo empresário Carlos Santos. Sabe-se que Aldo Sena foi o verdadeiro solista de vários desses discos, aparentemente não todos. Inclusive, algumas canções de Sena estão presentes tanto na sua carreira solo quanto em alguns desses discos da série "Guitarradas", mas com nomes diferentes.

Outros importantes nomes do gênero, os chamados "guitarristas da primeira geração da lambada", atuantes entre os anos 70 e 90, são: Mário Gonçalves (irmão de Pinduca), Solano, João Gonçalves, Oséas (que integrou o grupo Lambaly), Magalhães, André Amazonas, Barata (irmão de Manoel Cordeiro, tecladista e arranjador nos anos 80 e atualmente também um ativo guitarrista), Didi (músico de estúdio do selo Gravasom nos anos 80) e Marinho "guitarra de ouro".

Discografia básica[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]


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