Modinha

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Modinha é um gênero musical de canção sentimental brasileira e portuguesa, cultivada nos séculos XVIII e XIX [1].[2] .A modinha é marcada pela influência da ópera italiana. O termo modinha não deve ser confundido com o gênero moda, também de origem portuguesa[3]. Para a pesquisadora Susana Sardo[4], o termo "moda" era empregado para representar as práticas musicais e coreografias mais comuns nas zonas rurais portuguesas, conceito que Manoel Joaquim Delgado[5] também utiliza para se referir às tradições locais que caiam no gosto do povo português.

ORIGENS

Sobre as origens do termo "modinha", Monteiro (2018)[6] apresenta três hipóteses: (1) Os portugueses que migraram para o Brasil durante o período colonial seriam os responsáveis pela aculturação dessas canções que caíram no gosto popular. (2) O dramaturgo António José da Silva , conhecido como "O Judeu", seria o responsável pelo fato de ter introduzido modinhas em suas óperas. (3) Domingos Caldas Barbosa, que, tendo estudado direito em Coimbra, teria levado a modinha brasileira para Portugal (A partir de 1775, já há notícias de sua atuação nos salões lisboetas).

ETIMOLOGIA

Consonante às pesquisas recentes, Monteiro (2018, p. 137) aponta que o termo "modinha" de fato nasceu em terras brasileiras. O autor argumenta que o sufixo diminutivo "inha" era um traço típico da sociedade brasileira à época e não de Portugal.

INSTRUMENTAÇÃO

Os instrumentos típicos acompanhadores das modinhas cultivadas em solo brasileiro em sua fase inicial foram: a viola de arame e a guitarra que, conforme cita Siqueira[7] (1979, p.38), foram trazidas pelos colonizadores portugueses.

Viola de Arame

Apesar dos acompanhamentos em sua maioria terem sido escritos para violão ou viola de arame, Edilson Lima[8] (2001) ressalta que algumas composições foram direcionadas aos instrumentos de teclado:

"Em outras modinhas da série, entretanto, levando em consideração a escrita do baixo não arpejado, e até mesmo a tonalidade em que se encontram, diríamos não terem sido concebidas diretamente para violão ou viola, mas para teclado, o que não impediria serem acompanhadas por aqueles instrumentos. (LIMA 2001, p.18)

CANCIONEIRO BRASILEIRO

No período entre 1808 -1889 uma série de modinhas foram compostas pelos compositores músicos da Cepela Real do Rio de Janeiro. Influenciados pela técnica do Bel Canto italiano, elaboraram composições com um alto nível de erudição no que diz respeito à estrutura das linhas vocais delineadas. Outra peculiaridade entre os modinheiros da Capela Real era a utilização do piano como instrumento acompanhador (ver imagem ao lado).

No século XX, após a extinção da Capela Real do Rio de Janeiro, as modinhas se mantiveram nas zonas interioranas do Brasil como parte das tradições de diversos povoados[9]. Diferente do contexto palaciano em que os músicos da Capela Real do Rio de Janeiro viviam, sua formação consistia dos seguintes instrumentos: violões, viola de arame, bandolim ou cavaquinho (SIQUEIRA, 1979, p. 128). Atualmente, apesar de alguns pesquisadores levantarem questões que delimitem o conteúdo nelas esboçado, em ambos os contextos a temática trata dos mesmos assuntos: amores não correspondidos, devaneios e protestos comedidos por ironias às injustiças praticadas pelos governantes à época.

Modinha do compositor: Gabriel Fernandes da Trindade. Disponível no site da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Antecedente do lundu e a ele muito associada em seu gênero de canção, a modinha foi, também, um fenômeno musical brasileiro mais tardio do século XIX.[10] A modinha popularizou-se pelos territórios sob influência Portuguesa[11]

Referências

  1. Béhague, Gerard (2001). Modinha (verbete). [S.l.]: The New Grove Dictionary of Music and Musicians, Macmillan 
  2. de acordo com a Enciclopédia Britânica: light and sentimental Portuguese song popular in the 18th and 19th centuries. Some of the earliest examples of modinhas are in the Óperas Portuguesas (1733–41) by António José da Silva, who interspersed the songs into the prose dialogue of his dramas.«modinha | Portuguese song genre». Encyclopedia Britannica 
  3. Andrade, Mario de (1930). Modinhas Imperiais. São Paulo: [s.n.] 
  4. SARDO, Susana (2010). Moda. Lisboa: Círculo de Leitores. pp. página 805 
  5. DELGADO, Manuel Joaquim (1955). Subsídios para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo. Lisboa: Edição de Álvaro Pinto 
  6. MONTEIRO, José Fernando Saroba (2018). «Modinha: um estudo etimológico sobre o termo». Revista Intellèctus: Modinha: um estudo etimológico sobre o termo. Consultado em 15 de novembro de 2019 
  7. SIQUEIRA, Batista (1979). Modinhas do Passado. Rio de Janeiro: Folha Carioca Editora 
  8. LIMA, Edilson Vicente de (2001). As Modinhas do Brasil. São Paulo: Edusp 
  9. GALVÃO, Cláudio (2000). A Modinha Norte Rio - Grandense. Rio Grande do Norte: Ed. da UFRN 
  10. Sadroni, Carlos (2001). Transformação do Samba Carioca no Século XX. Rio de Janeiro: Zahar 
  11. Diniz, André (2006). Almanaque do Samba. Rio de Janeiro: Zahar Editora 

Bibliografia consultada[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]