Antônio José Landi

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Catedral Metropolitana de Belém
Gravura anônima mostrando o aspecto da catedral no século XIX

Antônio José Landi (Bolonha, 30 de outubro de 1713Belém, 22 de junho de 1791) foi um arquiteto italiano com marcante atuação na Amazônia. Era o quarto filho dos nove do casal Antonio Landi, médico, e Antonia Maria Teresa Gughliel.

Tinha o título honroso de membro da Academia Clementina, eleito em 16 de fevereiro de 1743. Aluno do mestre Fernando Galli Bibiena, foi premiado em 1731 e em 1734. Deixou, trabalho de Bolonha, estampas e gravuras de portas e janelas por ele próprios criadas ou de monumentos arquitetônicos, como a Igreja metropolitana e o Museu arquiepiscopal de Ravena, a Igreja de Jesus Maria, a de São Pedro, a de São Jorge, a de São Paulo, em Bolonha. Como diz Leandro Tocantins, é opinião do professor Robert Smith, da Universidade de Pensilvânia, que se ficasse na Itália teria tido papel de primeira plana comparável a Luís Vanvitelli ou a Carlos Dotti.

O rei de Portugal encarregou o carmelita João Alvares de Gusmão de contratar nas cidades italianas «sujeitos práticos nos estudos de geografia e astronomia» para fazerem observações astronômicas e formarem cartas geográficas do Brasil. Portugal e Espanha acabavam de assinar o Tratado de Madri em 1750 e o rei desejava técnicos para trabalhar na comissão de limites que iria estabelecer os marcos de fronteira - e preferia que «fossem versados na filosofia experimental» e «práticos de Medicina, especialmente de Botânica», e «suficientemente desenhadores para tirarem vistas dos lugares mais notáveis e debuxarem as plantas, animais e outras coisas desconhecidas e dignas de notícia» - eram as instruções de Marcos de Azevedo Coutinho.

Professor de arquitetura e de perspectiva em Bolonha,[1] foi contratado por D. João V como desenhista para a Expedição Demarcadora dos Territórios Portugueses no Norte do Brasil.

Não se sabe como se produziu o contato entre o carmelita e Landi, mas o primeiro o contratou, assim como ao astrônomo João Angelo Brunelli. Deixaram Bolonha em fins de 1750 ou princípios de 1751, tomando um barco em Gênova com destino a Lisboa. Landi permaneceu em Portugal dois anos. Já no trono o novo rei D. José I de Portugal, Landi partiu para o Pará a 2 de junho de 1753 com os demais membros da comissão técnica. A comissão permaneceu um ano em Belém antes de subir para o alto rio Negro, teatro das futuras operações.

Era governador e capitão general do Estado do Grão Pará Francisco Xavier de Mendonça, irmão do conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro marquês de Pombal. Landi atuou como naturalista amador, desenhando pela primeira vez a flora e a fauna amazônicas. Somente na pequena vila de Barcelos permaneceria seis anos!

Ficaria entretanto conhecido pelo plano urbanístico da cidade de Belém, traçando fachadas, prédios, porto, praças e demais desenhos arquitetônicos. Ainda segundo Leandro Tocantins, «jamais representou o abandono dos valores culturais que faziam parte de sua personalidade de homem europeu e, especialmente, de italiano. Ao contrário, sua presença no Brasil - e no Brasil mais tropical que é a Amazônia - significou a introdução de formas e concepções técnicas e artísticas novas para o Brasil daquela época, e a feliz convergência de estilos em voga na Itália e em Portugal, sem esquecer a íntima correlação entre a arquitetura e o meio, fenômeno que Landi teve a sensibilidade de perceber. O que lhe proporcionou a vantagem de construir prédios, palácios e igrejas mais ou menos adaptados às condições climáticas da Amazônia, e nunca a transposição integral dos modelos europeus para os trópicos amazônicos. Neste ponto, Antonio Landi absorveu as constantes culturais nas áreas tropicais. E ainda foi além (...) adotou uma vida totalmente luso-tropical nos hábitos, em ser lusitanamemte membro da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em apreciar as viagens fluviais de exploração científica, no prazer de confraternizar com as populações nativas, na associação franciscana com a natureza e na curiosidade de investigá-la na propensão de fazer ciência experimentalista, dentro das tradições lusas e franciscanas do «saber de experiência feito.» E, por fim, na constituição da família, escolhendo para mulher uma senhora luso-brasileira, descendente do sólido tronco português .»

Obras relacionadas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Amazónia Felsinia, itinerário artístico e científico de um arquitecto bolonhês na Amazónia do século XVIII, Isabel Mayer Godinho Mendonça (coord.), ed. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, 1999.
  • Brasiliana da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 2001.
  • Landi - um italiano luso-tropicalizado, Leandro Tocantins, in Revista Brasileira de Cultura, Ano I, Julho/Setembro de 1969, nº 1. MEC-Conselho Federal de Cultura.
  • António José Landi (1713/1791) - Um artista entre dois continentes, Isabel Mayer Godinho Mendonça, ed. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003.

Referências

  1. Brasiliana da Biblioteca Nacional, pg 49

Ligações externas[editar | editar código-fonte]