Museu Goeldi

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Museu Goeldi
Tipo Área de Relevante Interesse Ecológico
Inauguração 1866 (156 anos)
Website oficial
Geografia
Coordenadas 1° 27' 9" S 48° 28' 35" O
Localidade Belém
Localização Pará - Brasil

O Museu Paraense Emílio Goeldi (sigla MPEG, inicialmente denominado Associação Philomática) popularmente conhecido como Museu Goeldi, é uma instituição museológica e científica pública e um parque zoobotânico brasileiro, fundada em 1911 pelo naturalista Domingos Soares Ferreira Penna, no município brasileiro de Belém (capital do estado do Pará),[1][2] vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Governo Federal (desde o ano 2000, antes ligado ao CNPq).[3] É o primeiro parque zoobotânico do Brasil, a mais antiga instituição científica da Amazônia e, o segundo museu de história natural brasileiro.[4]

Possui acervos de conhecimentos nas áreas de ciências naturais e humanas relacionados à Amazônia, além de promover pesquisas e estudos científicos dos sistemas naturais e culturais da região. É a mais antiga instituição na região amazônica[5] e reconhecido mundialmente como uma das importantes instituições de investigação científica sobre a Amazônia brasileira.

História[editar | editar código-fonte]

O século XIX foi o auge das expedições naturalistas na Amazônia,[6] com a chegada à região de estrangeiro (ingleses, alemães, franceses, italianos, estadunidenses e russos) devido a abertura dos portos tornou do Brasil em 1808, tornou mais acessível aos naturalistas e artistas, que vieram com grande entusiasmo estudar e retratar a natureza amazônica.[5][2]

Nesse contexto, em 1866,[7] houve na cidade de Belém a fundação da "Associação Philomática" (amigos da ciência), por Domingos Soares Ferreira Penna. com objetivo de estudar o homem indígena amazônico.[8] Posteriormente, outras áreas de conhecimento, pouco estudadas na época também forma objeto de estudo, como a geografia e a geologia.[8]

As obras de implantação do museu foram iniciadas em 1895.[9] Emílio Goeldi planejou tecnicamente as linhas do horto, gaiolas, tanques, aquário e, cercados, auxiliado pelo botânico Jacques Huber, que planejou o Jardim Botânico; sendo tudo inaugurado em 1911.[9]

Museu Paraense[editar | editar código-fonte]

A urbanização e o crescimento da cidade, transformou-a em metrópole, onde um dos marcos desta mudança ocorreu em 1870, quando a Associação passou a chamar-se Museu Paraense de História Natural e Ethnografia.[8] E em 25 de março de de 1871, o Governo do Estado do Pará tornou-se oficialmente um órgão da província,[8] e Domingos Soares Ferreira Penna designado seu primeiro diretor.[10]

Na década de 1880, a conjuntura política era complicada, envolvendo Ferreira Penna em disputas políticas, que somadas a saúde delicada não permitiam a instalação adequada do Museu.[10] Tendo uma instalação precária, com reduzida equipe técnica e falta de apoio às pesquisas, levando as coleções existentes a se perderem com as más condições de conservação. Assim, a produção científica praticamente resumiu-se aos próprios trabalhos do presidente da instituição, sobre Geografia, Arqueologia e outros assuntos.

Em 1889, no final do período imperial, com a morte do naturalista o museu foi sub-utilizado,[1] e sem apoio governamental foi fechado em seguida.[1][8]

Dois anos depois, influenciados pela filosofia do Positivismo, os políticos republicanos Justo Chermont, José Veríssimo e Lauro Sodré reabriram o Museu Paraense, pois perceberam a importância que do local para a cultura da região.

Naturalista Emilio Goeldi[editar | editar código-fonte]

Em 1893, o governador Lauro Sodré contratou, da cidade do Rio de Janeiro, o naturalista suíço Emílio Goeldi (Émil August Goeldi, 1859-1917),[8] demitido do Museu Nacional por questões políticas após a Proclamação da República.[5]

O zoólogo assumiu a direção do Museu com a missão de transformá-lo em um grande centro de pesquisa sobre a região amazônida. Sua estrutura foi modificada para enquadrá-lo aos padrões dos museus de história, sendo contratada uma produtiva equipe de cientistas e técnicos. Em 1895, criava-se o zoológico e o horto botânico, mostra da fauna e flora regionais para educação e lazer da população.[8]

Em 1896, começou a publicação do Boletim Científico. Grande parte da Amazônia foi visitada, realizando-se intensivas coletas para formar as primeiras coleções zoológicas, botânicas, geológicas e etnográficas. Goeldi contratou o excelente pintor e profundo conhecedor do ambiente amazônico, Ernesto Lohse, que ilustrou o livro “Álbum de Aves Amazônicas” (Lohse viria a ser morto, durante a Revolução de 1930, à porta do Museu).[1]

Consolidação das fronteiras e do Museu[editar | editar código-fonte]

Na virada do século, o Brasil consolidava suas fronteiras e nessa ocasião, os limites entre Brasil e França, no norte do Pará, estavam sendo questionados por ambos os países. As pesquisas que o Museu Paraense iniciava na região, levantando dados sobre a geologia, a geografia, a fauna, a flora, a arqueologia e a população, foram decisivas para municiar a defesa dos interesses brasileiros, representados pelo Barão do Rio Branco. Em dezembro de 1900, com intermédio de laudo de Berna, na Suíça, sede do julgamento internacional, o Amapá foi definitivamente incorporado ao território do Brasil. Em homenagem a Emílio Goeldi, o governador Paes de Carvalho alterou a denominação do Museu Paraense, que passou a se chamar Museu Goeldi.[2]

Luta contra Febre Amarela[editar | editar código-fonte]

Desde 1850, a Febre Amarela causava muitas mortes em Belém e dentre suas vítimas, incluíram-se dois pesquisadores recém-chegados da Europa para trabalhar na Seção de Geologia do Museu Paraense. Emílio Goeldi decidiu, então, incorporar-se à luta contra a doença, procurando identificar as principais espécies de mosquitos da Amazônia, bem como o ciclo reprodutivo desses insetos. As pesquisas intensificaram-se a partir de 1902, quando Goeldi publicou, no Diário Oficial, um trabalho sobre profilaxia e combate à Febre Amarela, Malária e Filariose, antecedendo as recomendações que o médico Oswaldo Cruz faria quando esteve em Belém, em 1910.[5][7]

Reconhecimento internacional[editar | editar código-fonte]

Durante a gestão Goeldi, o Museu ganhou respeito internacional, sendo desenvolvidas pesquisas geográficas, geológicas, climatológicas, agrícolas, faunísticas, florísticas, arqueológicas, etnológicas e museológicas. O papel educacional do museu foi reforçado com o parque zoobotânico, publicações, conferências e exposições. Em 1907, após 13 anos de atividades incessantes em Belém, Emílio Goeldi retirou-se, doente, para a Suíça, onde veio a falecer em 1917 e seu conterrâneo, o botânico Jacques Huber, assumiu a direção do Museu Goeldi, juntamente com o amigo marinheiro Nabor da Gama Junior.

Centro de referência[editar | editar código-fonte]

A Revolução de 1930[2] e o período posterior, marcado pela ditadura de Getúlio Vargas, foi o início da transformação pela qual o Estado brasileiro passaria e as velhas oligarquias agrárias estavam sendo substituídas por uma nova classe, representante do poder industrial. No Pará, o interventor Joaquim de Magalhães Barata nomeou o pernambucano Carlos Estevão de Oliveira para a direção do Museu Goeldi. De acordo com a ideologia do novo regime, caracterizada pelo populismo e pelo nacionalismo, foram recuperadas as dependências do Parque Zoobotânico (principal área de lazer da população) e alterou-se novamente o nome da instituição, para Museu Paraense Emílio Goeldi.[8]

A partir de 1931, através de investimentos regulares, o Parque Zoobotânico tornou-se reconhecido nacionalmente, chegando a abrigar 2.000 exemplares de animais vertebrados e centenas de espécies da região, muitas das quais raras ou pouco conhecidas. Esse reconhecimento foi possível graças à subvenção que o Governo Estadual impôs às prefeituras do interior, obrigando-as a remeter mensalmente animais e parte de sua arrecadação ao Museu Goeldi. Muitas espécies foram reproduzidas em cativeiro com sucesso, em especial répteis e peixes. Somente nos três primeiros anos de coletas sistemáticas, foram descritas cinco novas espécies de peixes, inclusive um gênero novo.

No início dos anos de 1950,[7] durante o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, o museu foi vinculado ao recém-criado Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), instalado em Manaus. No dia 7 de dezembro de 1954, José Olympio da Fonseca, diretor do INPA, firmou com o governador do Pará, General Zacarias de Assunção, um Termo de Acordo pelo qual o Museu Goeldi seria administrado e recuperado pelo INPA, durante 20 anos. Com essa medida, o Museu Goeldi pôde, mesmo com dificuldades, intensificar suas pesquisas científicas.

Na década de 1970, a limitação do espaço do Parque Zoobotânico, impedia o crescimento do Museu Goeldi e esse foi o principal motivo para a instalação de um campus de pesquisa, na periferia da cidade, para onde viriam a ser transferidos os departamentos de pesquisa, biblioteca e administração e o campus de pesquisa já é o local principal da realização dos experimentos científicos e da guarda das coleções do museu. O Parque Zoobotânico permanece como uma mostra viva da natureza amazônica e ponto de referência para o programa de educação científica do Museu Goeldi.[2]

O museus possui um aquário com amostras de peixes ornamentais amazônicos e espécies de importância econômica para a região.

Bases[editar | editar código-fonte]

Arara-vermelha, uma das aves do museu

O Museu possui cinco bases físicas:[1]

  • Parque zoobotânico: é a mais antiga instituição brasileira do tipo,[4] instalada em 1895 em uma área de 5,2 ha, no centro urbano de Belém, onde encontram-se a Diretoria, as Coordenações de Administração e Museologia, a Assessoria de Comunicação Social e a Editora do Museu. O Parque é uma das principais áreas de lazer da população de Belém, recebendo mais de 400 mil visitantes anualmente, além de ser utilizado como instrumento de educação ambiental e científica, possuindo cerca de duas mil árvores nativas da região, como samaúma, acapu e cedro, e 600 animais, muitos deles ameaçados de extinção, como o peixe-boi, a arara-azul, o pirarucu e a onça pintada;
  • Aquário: com uma mostra de peixes e ambientes aquáticos amazônicos;
  • Exposição permanente: sobre a obra de Emílio Goeldi e as primeiras coleções formadas pelo naturalista;
  • Campus de Pesquisa: inaugurado em 1980, nas imediações da cidade, um Campus com 12 ha, para onde foram transferidas as coordenações científicas (Botânica, Zoologia, Ciências Humanas, Ciências da Terra e Ecologia), a Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, o Arquivo Guilherme de La Penha, o Horto Botânico Jacques Huber e vários laboratórios institucionais.
  • Estação Científica Ferreira Penna (ECFP): a mais recente base física, inaugurada em 1993, em 33 mil ha da Floresta Nacional de Caxiuanã, município de Melgaço (400 km da capital Belém). A área foi cedida pelo IBAMA e a base foi construída com recursos da Overseas Development Administration (ODA), atual DFID/Reino Unido). A ECFP destina-se à execução de programas de pesquisa e ações de desenvolvimento comunitário nas diversas áreas do conhecimento (há aproximadamente 200 famílias vivendo no interior da floresta e arredores), possuindo excelente infra-estrutura para o desenvolvimento de pesquisas em ambientes de floresta primária, sendo muito visitada por cientistas de instituições nacionais e estrangeiras.[1] Uma base de apoio aos pesquisadores da Floresta Nacional de Caxiuanã.[8]

Coleção Etnográfica[editar | editar código-fonte]

Instrumentos musicais Ka’apor[editar | editar código-fonte]

O Museu possui uma Coleção Etnográfica denominado Curt Nimuendajú, tombado em 1938, contendo os instrumentos musicais dos indígenas Ka’apor, onde consta o maracá (MPEG, não tombado); o colar-apito (MPEG, objetos n. 858; 860; 10559; 10905); a flauta transversal de bambu (MPEG, 11354; 10580); o trompete ou a buzina de madeira (MPEG, 11360; 10567), e; o tambor Ka’apor (MPEG, 886).[11]

Patrimônio histórico[editar | editar código-fonte]

Imagem do Palácio Antônio Lemos, sede municipal de Belém.

O Palácio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), localizada no logradouro Avenida Nazaré.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f «é mais antiga instituição de pesquisas da região Amazônica». Site Educar para Crescer - Editora Abril. Consultado em 1 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 11 de maio de 2014 
  2. a b c d e «Museu Paraense Emílio Goeldi». Site Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 1 de dezembro de 2014 
  3. Museu Paraense Emílio Goeldi abre concursos para 20 vagas, Portal G1, consultado em 12 de setembro de 2014 
  4. a b «Museu Emílio Goeldi, primeiro parque zoobotânico do Brasil, completa 155 anos». G1. Consultado em 17 de dezembro de 2021 
  5. a b c d «Parque Zoobotânico do MPEG – Museu Paraense Emílio Goeldi». sítio GIRAFAMANIA. Consultado em 1 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 22 de dezembro de 2014 
  6. «Museu Paraense Emílio Goeldi». Brasiliana. Centros e museus. Fundação Oswaldo Cruz - FioCruz. 1 de janeiro de 2001. Consultado em 17 de dezembro de 2021 
  7. a b c «Diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi é reconduzido ao cargo». Portal Brasil - Site do Governo Federal. Consultado em 1 de dezembro de 2014 
  8. a b c d e f g h i «Museu Goeldi faz 140 anos». AGÊNCIA FAPESP. Consultado em 17 de dezembro de 2021 
  9. a b c «Monumentos e Espaços Públicos Tombados - Belém (PA)». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN ). Consultado em 26 de janeiro de 2022 
  10. a b «PPP do zoobotanicoapresenta-novo-conceito-de-integracao-social-e-educacao-ambiental». Governo do Estado do Piauí 
  11. CAMARINHA, Hugo Maximino (2020). «O tambor Ka'apor e o percutir de outros povos: estudo introdutório sobre o membranofone em contextos indígenas» (PDF). Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Consultado em 17 de dezembro de 2021. Resumo divulgativo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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