Culicidae

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Como ler uma caixa taxonómicaCulicidae
Culiseta longiareolata

Culiseta longiareolata
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Diptera
Subordem: Nematocera
Família: Culicidae
SubFamília
Toxorhynchitinae

Culicinae

Anophelinae

Culicidae é uma família de insetos habitualmente chamados de mosquitos e pernilongos. As fêmeas em muitas regiões são designadas vulgarmente como melgas. Como os outros membros da ordem Diptera, os mosquitos têm um par de asas e um par de halteres.

Em geral, apresentam dimorfismo sexual acentuado: as fêmeas apresentam antenas pilosas e são muito mais corpulentas que os machos, que apresentam antenas plumosas.

As fêmeas na maioria das espécies de mosquitos sugam sangue (hematófaga) de outros animais [1], que lhes deu a fama de ser o mais mortífero vetor de doenças conhecido pelo o homem, matando milhões de pessoas ao longo de milhares de anos e continuam a matar milhões por ano com a disseminação de doenças[2][3]. O comprimento varia, mas raramente é superior a 16 milímetros [4], e peso de até 2,5 mg. Um mosquito pode voar por 1 a 4 horas continuamente até 1–2 km / h [5] viajando até 10 km em uma noite. A maioria das espécies alimenta-se no período menos luminosidade, do entardecer ao amanhecer.

Regionalismos[editar | editar código-fonte]

Em várias partes do Brasil, faz-se distinção entre mosquito e pernilongo: o primeiro refere-se a pequenas moscas, como as drosófilas, enquanto que o segundo, além dessa denominação, é também referido como "muriçoca"[6]. Na maioria dos estados da Região Norte do Brasil, este pernilongo chama-se "carapanã".[7]. As fêmeas do pernilongo são também conhecidas como "melgas" ou "trompeteiros".

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Mosquito" vem do latim musca[8]. "Pernilongo" é uma referência às longas pernas do inseto[9]. "Mosquito-prego" é uma referência a sua picada que se assemelha à perfuração de um prego. "Muriçoca", "meruçoca" e "muruçoca" são oriundos do tupi muri'soka[10]. "Carapanã" vem do tupi karapa'nã[11]. "Carapanã-pinima" vem da junção dos termos tupis karapa'nã ("mosquito") e pi'nima ("pintado)[11]. "Fincão" e "fincudo" vem de "fincar"[12] e são uma referência a sua picada. "Sovela" é uma referência ao instrumento cortante homônimo utilizado pelos sapateiros e correeiros[13], numa alusão à picada dos insetos. "Perereca" vem do gerúndio do tupi pere'reg, "ir aos saltos"[14] e é uma alusão ao hábito do inseto de pular de um lugar para outro para fugir de seus inimigos. "Bicuda" é uma alusão à sua picada.

Evolução[editar | editar código-fonte]

Um mosquito e uma mosca num colar de âmbar Báltico, estimado entre 40 e 60 milhões de anos

Acredita-se que os mosquitos tenham evoluído cerca de 170 milhões de anos atrás, no momento o primeiro registro conhecida ocorreu durante o período Jurássico (199-144 milhões de anos atrás), com o mais antigos fósseis conhecidos são do Cretáceo (144-65 milhões de anos atrás).[15] Acredita-se que tenham evoluído na América do Sul, espalhando inicialmente para o norte do continente Laurásia e re-entrando nos trópicos pelo norte do país.[16] A família Culicidae, um grupo irmão de Chaoboridae, pertence à ordem Diptera e contém cerca de 3600 espécies em três subfamílias: Anophelinae (3 gêneros), o Culicinae (pelo menos 37 gêneros e mais de 80% de todas as espécies) E os Toxorhynchitinae (1 gênero).

Biologia[editar | editar código-fonte]

Hábitos alimentares[editar | editar código-fonte]

Nos chamados mosquitos a probóscide (tromba) está adaptada para a sucção de líquidos como néctar, seiva ou sangue. Ambos os sexos se alimentam de néctar, mas a fêmea também é capaz de haematofagia (beber sangue). Fêmeas não precisam de sangue para sobreviver, mas precisam de substâncias suplementares (como proteínas e ferro) para o desenvolvimento e postura dos seus ovos, menos a sub familia Toxorhynchitinae que é constituida de larvas predadoras.

Anatomia[editar | editar código-fonte]

O mosquito é composto por uma cabeça, tórax e abdómen, o corpo é composto de uma série de segmentos. A cabeça é, na sua maior parte, composta dos olhos e probóscide. Cada olho é constituído por muitas e minúsculas lentes que formam um olho composto. Este tipo de olho permite um grande campo de visão que facilita a deteção de movimentos. O probóscide é o aparelho perfurante usado para sugar sangue de suas presas. O tórax tem um par de asas e um par de halteres. No abdómen se encontra o intestino posterior e as gónodas.

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Em seu ciclo de vida do mosquito sofre metamorfose completa, passando por quatro fases distintas: ovo, larva, pupa, e adultos, primeiramente descrito pelo filósofo grego Aristóteles[17].

Ovo[editar | editar código-fonte]

A fêmea do mosquito põe seus ovos, um de cada vez ou juntos em jangadas com uma centena ou mais, numa superfície fresca ou quaisquer águas estagnadas. Os mosquitos Anopheles e Aedes não fazem ovo jangadas mas põe seus ovos separadamente. Culex, Culiseta e Anopheles põe os seus ovos na água enquanto Aedes põe seus ovos em solo úmido que é periodicamente alagado pela água. A maioria dos ovos eclodem em larvas em cerca de 48 horas

Larval[editar | editar código-fonte]

Larvas de Culicidae coletadas pela vigilância epidemiológica

Os ovos incubados transformam-se em larvas que vivem na água, próximo à superfície, para respirar o ar atmosférico. A primeira fase larval é conhecida como o primeiro estágio. Com o crescimento ocorrem as mudas, cerca de quatro vezes, que cresce após cada muda. Após a primeira muda ocorre o segundo estágios e, em seguida, o terceiro estágio, depois o quarto. A maioria das larvas utiliza o sifão, que é um tubo ligado à superfície da água para respirar. As larvas Anopheles não têm um sifão e por isso se mantém paralelas à superfície da água. As larvas comem microrganismos e matéria orgânica na água. Elas podem viver na água de 7 a 14 dias, dependendo da temperatura. O comprimento das três primeiras etapas (ou estágios) depende da espécie e da temperatura, com temperaturas mais baixas há o aumento da duração da fase de desenvolvimento[18].

Pupa[editar | editar código-fonte]

As pupas são mais leves que a água e flutuam sobe a superfície enquanto ocorre a metamorfose da larva mosquito (mudanças) em um mosquito adulto em cerca de dois dias. Não apresentam boca e durante este período o mosquito não se alimenta e utiliza as reservas de energia acumuladas durante o período larvar.

Adulto[editar | editar código-fonte]

Os adultos recém emergidos do estado de pupa deve repousar sobre a superfície da água por um curto espaço de tempo para permitir que o seu exoesqueleto se seque e todos os seus componentes endureçam antes que possa voar.

Chave[editar | editar código-fonte]

Chave de identificação das subfamílias que estão contidas na família Culicidae.

Larva[editar | editar código-fonte]

A subfamília Toxorhynchitinae se diferencia das outras SubFamílias por ter a larva de porte grande com listra na região cefálica. O Culicinae e Anophelinae se diferenciam pelo sifão respiratório, que no Anophelinae esta ausente, o que os obriga a nadar paralelamente à água, e em Culicinae está presente, o que os permite formar um ângulo de 45°, em média, com a lâmina de água.

Adulto[editar | editar código-fonte]

Nos adultos, Toxorhynchitinae se diferencia das outras SubFamília por ter a probóscide curva, normalmente para baixo, adaptada para coletar néctar, e o Culicinae e Anophelinae se diferenciam devido ao escutelo arredondado e primeiro tergito abdominal nu no Anophelinae, enquanto em Culicinae primeiro tergito abdominal com escamas e escutelo é trilobado.

Referência bibliográfica[editar | editar código-fonte]

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Culicidae
  • Consoli RAGB, Lourenço-de-Oliveira R. (1994). "Principais mosquitos de importância sanitária no Brasil" (PDF). Editora Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Corrêa RR, Ramalho GR. Revisão de Phoniomyia Theobald, 1903. Folia Clínica et Biológica, 1956,25:1-176
  • Forattini OP. Culicidologia médica: identificação, biologia, epidemiologia v.2. EDUSP São Paulo, 2002.
  • Peryassú AG. Os Culicídeos do Brasil. Trabalho do Instituto de Manguinhos. Typographia Leuzinger, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1908,322-407

Referências

  1. «Tiny Mosquito: Understanding the Mosquito». Consultado em 2007-05-19. 
  2. Molavi, Afshin (2003-06-12). «Africa's Malaria Death Toll Still "Outrageously High"» National Geographic [S.l.] Consultado em 2007-07-27. 
  3. «Pest Control—Mosquitoes». Consultado em 2007-07-27. 
  4. «Mosquito». Consultado em 2007-05-19. 
  5. [1]
  6. Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa, ed. Nova Fronteira
  7. Dicionário Online de Português, http://www.dicio.com.br/carapana_2/ 10 de Janeiro de 2010
  8. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. pp.1 163,1 162
  9. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 314
  10. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome FERREIRA.2C_A._B._H._1986._p.1
  11. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.348
  12. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.781
  13. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 616
  14. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 308
  15. French language
  16. [2]
  17. [3]
  18. [4]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]