Ciências humanas

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As ciências humanas ou humanidades são conhecimentos criteriosamente organizados da produção criativa humana, estudada por disciplinas como filosofia, história, direito, antropologia cultural, ciência da religião, arqueologia, teoria da arte, cinema, dança, teoria musical, design, literatura, letras, filologia, entre outras. O ponto comum entre essas ciências é o objetivo de desvendar as complexidades da sociedade humana, do aparelho psíquico e de suas criações, ou seja, têm o ser humano como seu objeto de estudo ou o seu foco. Englobam, portanto, o pensamento e a produção de conhecimento sobre a condição humana a partir de discursos específicos.

Assim como a condição humana, têm um caráter múltiplo: ao mesmo tempo em que engloba características teóricas em ramos tais como linguística, gramática e filosofia, engloba características práticas através do jornalismo, comunicação social e direito, além de englobar características subjetivas quando entra-se no ramo da arte.

As ciências humanas distinguem-se das Ciências Sociais - disciplinas que tratam dos aspectos do homem, como indivíduo e como ser social. Entretanto, em algumas disciplinas, essa distinção é menos acentuada, sobrepondo ambas abordagens, como ocorre com a antropologia, história, ciência política, linguística, psicologia, pedagogia e o direito.

Significado de "ciência"[editar | editar código-fonte]

Ambiguidade e confusão em relação ao uso dos termos 'ciência', 'ciência empírica' e 'método científico' têm complicado o uso do termo "ciência humana" no que diz respeito às atividades humanas. O termo 'ciência' pode ser adequadamente utilizado para se referir a qualquer ramo do conhecimento ou estudo que lidam com fatos ou verdades sistematicamente organizados para demonstrar a operação das leis gerais. A palavra "ciência" é derivada do latim scientia, que significa conhecimento.

No entanto, de acordo com os positivistas, o único conhecimento científico autêntico é aquele que vem da comprovação das teorias através de método científico rigoroso, a aplicação de conhecimento ou matemática. Como resultado da influência positivista, o termo ciência é frequentemente empregado como sinônimo de ciência empírica. A ciência empírica é baseada no conhecimento sobre o método científico, uma abordagem sistemática primeiramente desenvolvida para a verificação de teorias que lidam com fenômenos físicos naturais, enfatizando a importância da experiência baseada na observação sensorial. No entanto, mesmo no que diz respeito às ciências naturais, diferenças significativas existem entre os cientistas e filósofos da ciência no que diz respeito ao que constitui o método científico válido[1] - por exemplo, em biologia evolutiva, geologia e astronomia, que estudam muitos eventos que não podem ser repetidos, pode ser utilizado um método de narrativas históricas.[2]

Recentemente o uso do termo foi estendido para o estudo dos fenômenos sociais humanos, deste modo, as ciências naturais e as ciências sociais são comumente classificadas como ciência, ao passo que o estudo dos clássicos como línguas, literatura, música, filosofia, história, religião e as artes visuais são referidos como humanidades. A ambiguidade com relação ao significado do termo ciência é agravada pelo uso generalizado do termo ciência formal com referência a qualquer uma das várias ciências que são predominantemente preocupadas com a forma abstrata que não pode ser validado pela experiência física por meio dos sentidos, como a lógica, matemática e os ramos teóricos da ciência da computação, teoria da informação e estatística.

História[editar | editar código-fonte]

As ciências humanas (também conhecida como ciência social humanista e ciência moral) refere-se à investigação da vida e atividades humanas através da metodologia fenomenológica, que reconhece a validade tanto da experiência sensorial quanto psicológica, incluindo, mas não necessariamente limitando, os modos humanísticos dentro do campo das ciências sociais e humanidades, como a história, sociologia, antropologia e economia. Utilizando de uma metodologia empírica que engloba experiência psicológica, contrasta com a abordagem puramente positivista típica das ciências naturais, que excluem todos os métodos que não são baseadas em observações sensoriais. Assim, o termo é frequentemente usado para distinguir não só o conteúdo de um campo de estudo das ciências naturais, mas também a sua metodologia.[3]

O termo ciência moral foi utilizado por Hume em sua Investigação sobre os Princípios da Moral para referir-se ao estudo sistemático da natureza e relações humanas. Hume desejava estabelecer uma "ciência da natureza humana" com base em fenômenos empíricos e excluindo tudo o que não provém de observação. Rejeitando explicações teleológicos, teológicas e metafísicas, Hume procurou desenvolver uma metodologia essencialmente descritiva - onde os fenômenos deveriam ser caracterizados com precisão. Hume também enfatizou a necessidade de explicar cuidadosamente o conteúdo cognitivo de idéias e vocabulários, relacionando-as às suas raízes empíricas e significado no mundo real.[4]

Posteriormente, surgiram pensadores que tinham as ciências humanas como objeto de estudo e seguiram a linha de pensamento de Hume. Adam Smith, por exemplo, concebeu a economia como uma ciência moral, no sentido de Hume.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Popper, Karl (2002). The Logic of Scientific Discovery (em inglês) Psychology Press [S.l.] ISBN 9780415278447. 
  2. Mayr, Ernst (1995). Darwin's Impact on Modern Thought (em inglês) (Proceedings of the American Philosophical Society: American Philosophical Society). pp. 317–325. 
  3. Henrik Wright, Georg (2004). Explanation and Understanding (em inglês) Cornell University Press [S.l.] ISBN 9780801489365. 
  4. «David Hume» (em inglês). Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2001. Consultado em junho de 2016. 
  5. Young, Jeffrey T. (1997). Economics as a Moral Science: The Political Economy of Adam Smith (em inglês) Edward Elgar [S.l.] ISBN 9781858982670. 
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