Mineralogia

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Um policristal de quartzo, um dos minerais mais comuns na Terra.

Mineralogia é a ciência da terra que se dedica ao estudo da química, estruturas molecular e cristalina e propriedades físicas (incluindo ópticas e mecânicas) de minerais, bem como a sua génese, metamorfismo, evolução química e meteorização. A mineralogia começou por ter um carácter marcadamente taxonómico, isto é, baseada na nomenclatura e classificação dos minerais, mas evoluiu para o campo da física aplicada, tendo hoje grande peso as áreas da cristalografia, da óptica, da simulação matemática e da nano-mecânica.

História e evolução da mineralogia[editar | editar código-fonte]

A mineralogia enquanto ciência surgiu por diferenciação no seio daquilo que se designou, desde o Renascimento até ao início do século XX, por história natural. Os minerais eram vistos como parte dos produtos da natureza, e a sua diversidade, e o conhecimento de que eram os blocos constituintes das rochas pintudas, levou a que considerável esforço fosse dedicado à sua colecção, catalogação e nomenclatura, seguindo de perto os esforços taxonómicos desencadeados nos diversos ramos da Biologia.

A primeira abordagem científica autónoma da mineralogia surgiu com Georg Bauer (1490-1555), um humanista e homem de ciência da Saxónia, que latinizou o seu nome para Georg Agricola, que a partir da observação dos produtos da mineração alemã, iniciou a sistematização do conhecimento dos minerais. É por isso justamente conhecido pelo pai da mineralogia.

A partir daí, o interesse pela mineralogia expandiu-se rapidamente para cerca de um século depois ser comum nas cortes europeias e nas nascentes academias de ciências existirem Gabinetes de Mineralogia, onde extensas colecção de minerais eram mantidas e estudadas.

O passo seguinte deu-se com os avanços na cristalografia, nos quais assume particular relevo o postulado dos índices racionais por René Just Haüy e todos os desenvolvimentos teóricos que esta descoberta desencadeou.

Mais recentemente, devido à disponibilidade de técnicas que permitem estudar a estrutura atómica dos materiais, tais como a difracção de neutrões, e de capacidade de cálculo automático que permite a simulação dos processos atómicos e do comportamento físico dos cristais, a mineralogia abandonou a sua visão puramente taxonómica e cristalográfica, para se diversificar em múltiplas áreas da Química e da Física, com destaque para os campos vulgarmente designados por ciência dos materiais, química inorgânica e física do estado sólido.

Mantém contudo o seu centro de interesse em torno das estruturas cristalinas mais comuns nos minerais que formam as rochas (com destaque para os silicatos mais comuns, as argilas e as perovskites e minerais similares).

Um campo que tem registado grandes avanços é a compreensão da relação entre as estruturas cristalinas à escala atómica dos minerais e as suas características físicas e função na composição das rochas e nos processos de litificação.

Tal compreensão tem levado à determinação precisa das propriedades elásticas e de resistência à degradação dos minerais, o que por sua vez tem permitido uma melhor compreensão do comportamento mecânico das rochas, com impacte sobre o estudo do mecanismo focal dos sismos e sobre a propagação das ondas sísmicas. Essa mesma compreensão permitiu reinterpretar a informação tomográfica obtida com os sismos sobre o interior da Terra, redefinindo o conhecimento sobre o manto, o núcleo e outras estruturas do interior do planeta.

Neste aspecto, ao focar a atividade da mineralogia no estudo da relação entre os fenômenos à escala atômica dos minerais e as propriedades macroscópicas das rochas que estes constituem, as ciências minerais (mineral science), como agora são chamadas, aproximam-se cada vez mais da ciência dos materiais, especializando-se nos materiais silicatados, os mais abundantes constituintes do planeta.

A Associação Mineralógica Internacional[editar | editar código-fonte]

A preocupação taxonómica que dominou a maior parte da história da mineralogia, e que ainda é importante na comunidade científica, levou ao surgimento da Associação Mineralógica Internacional (IMA), uma federação das organizações representativas dos mineralogistas nos diversos países e regiões. As suas actividades incluem o registo e controle dos nomes dos minerais (através das Comissões de Novos Minerais e de Nomenclatura Mineral), a garantia de localização, acessibilidade e registo do espécime tipo utilizado para a descrição dos minerais conhecidos, e outras tarefas destinadas a garantir a homogeneidade das designações e a fidelidade das descrições.

Em 2004, encontravam-se validados pela IMA mais de 4000 espécies de minerais. Destes, cerca de 150 são considerados comuns, outros 50 são ocasionais, sendo os restantes considerados raros ou extremamente raros.

Ver também[editar | editar código-fonte]


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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