Mulher

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A fonte (Jean Auguste Dominique Ingres, 1856, óleo sobre tela)
Mulher adulta em um jardim.

Uma mulher (do latim muliere[1]) é um ser humano adulto do sexo feminino. Na infância, normalmente é denominada em português como menina; na adolescência e juventude, como moça ou rapariga (sendo pejorativo o uso deste último no Brasil); na fase adulta, simplesmente como mulher ou senhora; na velhice, além dos dois termos anteriores, pode ser chamada anciã. As mulheres correspondem atualmente a aproximadamente 49,5% da população humana mundial,[carece de fontes?] sendo que o termo mulher é usado para indicar tanto distinções biológicas quanto socioculturais.

Idade e Terminologia[editar | editar código-fonte]

Mulher do Xale Verde (Cyprien Eugene Boulet)

A palavra mulher pode ser usada de forma específica, significando um ser humano fêmea adulto particular, ou genericamente, significando todo ser humano fêmea. A palavra menina significa originalmente uma criança do sexo feminino, embora atualmente seja comum a utilização coloquial do termo para se referir a mulheres quando novas ou solteiras, podendo também ser utilizado de forma afetuosa, ou para não dar a entender que a mulher já chegou à idade madura.

Jovem Mulher com Flores Corda-de-viola no Cabelo (Jules Joseph Lefebvre)

Biologicamente, uma criança do sexo feminino se torna mulher ao fim da fase infantil, sendo marcada esta mudança pela ocorrência da menarca. Entretanto, as diferentes sociedades humanas costumam ter critérios sociais próprios para indicar esta passagem; como esta se baseia tanto em critérios biológicos quanto socioculturais, pode variar bastante entre diferentes culturas.

Muitas culturas apresentam ritos de passagem para simbolizar a chegada da maturidade, como a confirmação em algumas ramificações do cristianismo, o B'nai Mitzvá no judaísmo ou até mesmo o costume de se realizar uma celebração especial para um determinado aniversário, geralmente entre 12 e 21 anos, como o baile de debutante, geralmente realizado no aniversário de 15 anos. É interessante observar que debutante deriva do francês debutante, que pode ser traduzido como "a jovem que se estreia na vida social".

Na maioria das culturas, como a virgindade feminina está atrelada à sua própria honra e à da família da qual faz parte, a referência a uma mulher solteira como "mulher", em certas sociedades pode ser subentendida como uma suposição de não-virgindade, o que seria um insulto à moça e a sua família.

Símbolo[editar | editar código-fonte]

Símbolo do sexo feminino

O símbolo de Vénus, também referido para o sexo feminino, remete à deusa Vénus, deusa do amor e da beleza na mitologia romana, equivalente à Afrodite na mitologia grega. É uma representação simbólica do espelho na mão da deusa Vénus ou um símbolo abstrato para esta deusa: um círculo com uma pequena cruz equilateral embaixo (Unicode: ). O símbolo de Vénus também representa a feminilidade, e na antiga alquimia representava o Cobre.

Fisiologia[editar | editar código-fonte]

Em termos fisiológicos, os órgãos sexuais femininos fazem parte de seu sistema reprodutivo, enquanto que os caracteres sexuais secundários estão possivelmente ligados a fatores de sobrevivência da mulher e de sua prole, tais como a nutrição da criança antes e depois do parto, a uma maior adaptabilidade a circunstâncias naturais hostis, tais como invernos rigorosos e escassez de alimentos, e a um menor risco de mortalidade durante o parto; por conseguinte, os caracteres secundários também influenciam a atração instintiva exercida sobre os homens, embora isto possa variar, em certo grau, conforme a cultura e as vestimentas de cada povo.

Representação do sistema reprodutor feminino

Os órgãos reprodutivos femininos são os ovários, o útero, a vagina e a vulva, enquanto geralmente se consideram como caracteres secundários os quadris e os seios, sendo possível, em relação a estes, haver variações conforme a cultura de cada povo, às vezes incluindo outras partes do corpo, ou não considerando algum desses elementos.

Os ovários femininos, além de regularem a produção de hormônios, produzem o gameta feminino, o óvulo, que quando fertilizado pelo gameta masculino, o espermatozoide, dá origem a um indivíduo geneticamente novo, isto é, ocorre a concepção de um novo ser humano. O útero é um órgão composto por uma série de tecidos que promovem a proteção e a nutrição do feto. É revestido por uma camada de músculos lisos que realizam as contrações durante o parto para promover a saída da bebê através do canal vaginal. A vagina é um órgão que serve tanto às funções de cópula quanto de parto. Frequentemente a palavra "vagina" é usada de forma coloquial e incorreta para se referir à vulva (isto é, a genitália externa) das fêmeas, que inclui também os lábios, o clitóris e a uretra.

Os seios supostamente evoluíram entre os primeiros mamíferos, a partir das glândulas de suor, para a produção do leite, uma secreção nutritiva que é a característica mais específica de todos os mamíferos. Em mulheres maduras, o seio é geralmente mais proeminente quando comparado a maioria dos outros mamíferos, mesmo no período em que não está amamentando, porém esta proeminência não é necessária para a produção de leite. O quadril apresenta um aumento de tamanho entre a infância e a maturidade sexual para permitir o acúmulo de reservas de energia em forma de gordura, para posterior utilização, quando servirão ao desenvolvimento do feto e à amamentação.

Cariótipo típico de uma mulher com 22 pares de cromossomos autossômicos e o par de X

Um desequilíbrio de níveis hormonais e alguns produtos químicos, como o uso de drogas, podem alterar as características sexuais primárias ou secundárias do feto. A maioria das mulheres têm o cariótipo 46, XX, mas aproximadamente uma em cada mil mulheres será 47, XXX, e uma em 2500 mulheres será 45, X, porém tal variação não constitui problema para a portadora, pois em uma mulher normal XX, apenas um X está em funcionamento. Isto contrasta com o cariótipo masculino típico de 46, XY; assim, os cromossomos X e Y são conhecidos como cromossomo feminino e cromossomo masculino, respectivamente. Ao contrário do cromossomo Y, o X pode vir tanto da mãe como do pai. Sendo assim, os estudos de genética que focalizam a linhagem feminina usam o DNA mitocondrial, que tipicamente provém da mãe.

A maioria de mulheres, ao terem a menarca, já podem então ficar grávidas e dar à luz uma criança. Isto requer a fertilização interna de um dos seus óvulos com o esperma masculino, ou através de inseminação artificial ou da implantação cirúrgica de um embrião pré-existente. As mulheres geralmente alcançam a menopausa entre o final dos quarenta anos e início dos cinquenta. Neste ponto, seus ovários cessam de produzir o estrogênio, e ela já não mais estará apta a engravidar.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Em geral, as mulheres sofrem das mesmas doenças que os homens. Existem determinadas doenças que afetam com mais frequência as mulheres, tais como o lupus (bem como existem doenças que afetam mais os homens). Também há algumas doenças sexo-relacionadas que são encontradas mais frequentemente ou exclusivamente nas mulheres, como, por exemplo, o câncer de mama, o qual, em 80% dos casos, é em mulheres contra os 20% de ocorrência nos homens, e o câncer cervical ou o câncer de ovário, exclusivos em mulheres. Mulheres e homens podem apresentar sintomas diferentes para a mesma doença e podem também responder diferentemente a um mesmo tratamento médico.

Aleitamento[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Amamentação
Uma mulher amamentando seu bebê.

Amamentação ou aleitamento é a alimentação de bebês e crianças pequenas com leite produzido pelas mamas de uma mulher.[2] Os profissionais de saúde recomendam que se inicie a amamentação na primeira hora de vida do bebé e que continue a ser amamentado com a frequência e quantidade que o bebé desejar.[3][4] A amamentação possui uma série de benefícios para a mãe e para o bebé, benefícios esses que não estão presentes no leite artificial.[4][5] Entre os benefícios da amamentação para a mãe estão uma diminuição das hemorragias após o parto, melhor recuperação do útero, perda de peso e menor incidência de depressão pós-parto. A amamentação atrasa o regresso da menstruação e da fertilidade, um fenómeno denominado amenorreia lactacional. Entre os benefícios a longo prazo para a mãe estão a diminuição do risco de cancro da mama, doenças cardiovasculares e artrite reumatoide.[4][6] A amamentação é geralmente menos dispendiosa do que o leite artificial.[7][8] As organizações de saúde, entre as quais a Organização Mundial de Saúde, recomendam que as crianças sejam amamentadas em exclusivo durante seis meses.[3][9]

Perspectiva Bíblica[editar | editar código-fonte]

Eva[editar | editar código-fonte]

Eva no Éden (Gustave Surand, 1863-1917)

Segundo a Bíblia Sagrada, conforme consta no primeiro capítulo do primeiro livro (Gênesis), a mulher foi criada "à imagem e semelhança de Deus",[10] tal qual o homem; isto significa que ambos eram perfeitos, semelhantes a Deus e entre si, no tocante aos atributos divinos transmissíveis (ou comunicáveis), tais como a vida, a dimensão espiritual ou imaterial, a imortalidade, a consciência, a liberdade, o uso da razão, a noção de justiça e de responsabilidade, o senso ético e moral, a santidade, a virtude, a bondade, a integridade, a fidelidade, a honra, a autoridade sobre o restante da criação, a criatividade, o uso da linguagem, a convivência comunitária com seus semelhantes (tal como na Trindade) e a capacidade de compreendê-los, a capacidade de gerar vida, de cuidar e de ensinar outros seres humanos, dentre outros atributos. A criação do homem e da mulher satisfez e agradou muito ao Criador, e naquele momento a obra de criação atingiu seu ápice de perfeição, o que se percebe pela declaração: "Viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom".[11]

Baigneuse (Marguerite Arosa, 1884): representação de uma mulher perto da água, em um jardim.

A origem da mulher, de acordo com a Bíblia, foi extraordinária e sobrenatural. O relato bíblico,[12] que se passa no Jardim do Éden, declara que Deus criou o primeiro homem, Adão, a partir da terra, após soprar em suas narinas o espírito, isto é, o fôlego divino; em seguida, planejando criar a primeira mulher, o Criador ordenou que Adão desse nome aos animais. Ao atender à ordem, Adão percebeu que cada em espécie de animal havia pares, pois de cada animal havia macho e fêmea, e então sentiu falta de não haver nada na criação que lhe correspondesse inteiramente, nenhum ser semelhante que lhe fizesse companhia.

Cypripedia (William Sergeant Kendall, 1927): representação de uma mulher sob a luz do sol, despertando em um jardim.

Após inventar nomes para centenas de animais, Adão se sentiu cansado, e adormeceu profundamente, possivelmente no horário da sesta, já que tudo ocorreu em só dia. Então Deus retirou uma costela de Adão, e criou a partir dela uma mulher, a primeira mulher, que viria a se chamar Eva; uma vez criada, o próprio Deus a trouxe até Adão, e, quando este despertou do sono, o Criador os apresentou um ao outro. Ao conhecê-la, o homem declarou em forma poética aquelas que seriam as suas únicas palavras registradas antes da Queda: "Esta, verdadeiramente, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; receberá o nome de mulher, porque a partir do homem foi formada".[13][12] A afirmação de Adão indica que os termos para homem e mulher eram parecidos na língua adâmica, já que na língua original em que o texto bíblico foi escrito, hebraico, homem se traduz Ish, enquanto mulher se traduz Isshah, sendo, portanto, nomenclaturas derivadas uma da outra, tal como menino e menina, em português.

O texto bíblico é claro em dizer que a mulher foi criada como equivalente e semelhante ao homem: "Disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora que lhe seja idônea".[14] O termo "idônea" pode ser traduzido também como "correspondente", "semelhante", "complementar", 'equivalente", "à sua altura" e "companheira". O fato de Eva ter sido criada por Deus a partir de uma costela do corpo de Adão significa que a mulher tem a mesma natureza e essência dele, tanto espiritualmente quanto materialmente, como sugere o próprio texto;[13] além disso, significa que a mulher foi criada como sua companheira, ou seja, está a seu lado, assim como, simbolicamente, estão as costelas.

Nesse sentido, interpreta-se que o osso da costela aludiria à igualdade entre homem e mulher, dado que não foi utilizado um osso inferior (um osso do pé, por exemplo), nem um osso superior (do crânio, por exemplo), mas sim um osso do lado. Outra interpretação, em sintonia com a primeira, lembra que a mulher é protetora da vida e do que há de mais precioso no ser humano, dado que os ossos da costela protegem o coração. Vale notar que o coração, enquanto órgão central do organismo, é utilizado quase como sinônimo de "alma" na linguagem bíblica, abrangendo emoções, sentimentos, pensamentos, consciência, vontade e todos os outros aspectos imateriais do ser humano, como se percebe em muitas passagens do Antigo Testamento.

O papel da mulher na Bíblia[editar | editar código-fonte]

Sara e Abraão hospedando o Senhor e dois anjos: aos noventa anos de idade, estava prestes a miraculosamente conceber seu filho Isaque, de quem descenderia a linhagem do Messias.
O Cântico de Débora (Gustave Doré, c.1866): a juíza admirada por sua sabedoria no julgar, que convenceu e aconselhou Baraque a lutar uma guerra e libertar o povo.
Samuel sendo dedicado por Ana ao serviço a Deus (Frank W.W. Topham)

O papel atribuído à mulher é referido na Bíblia como portadora, tal como o homem, da marca da divindade, de Deus.[10] Nas Escrituras Sagradas, há muitas histórias registradas sobre mulheres, dentre as quais podem-se destacar Eva, Sara, Rebeca, Lia (ou Leia), Raquel, Miriã, Raabe, Débora, Jael, Noemi, Rute, Ana (mãe de Samuel), Abigail, Hulda, Ester, Judite, Ana (a profetisa), Isabel, Maria, Maria Madalena, Febe, Priscila, dentre muitas outras, quase todas consideradas heroínas ou colaboradoras daqueles que praticaram atos heroicos, havendo também cerca de meia dúzia de vilãs e antagonistas: a esposa de Potifar, Dalila, Jezabel, Atalia, Herodíade, Salomé e Safira, basicamente.

Ester (Jean-François Portaels, c.1869): a rainha que arriscou morrer para salvar seu povo de um genocídio.

As esposas têm papel sempre importante nos relatos bíblicos, seja como amadas parceiras ou como companheiras de vida de seus maridos (Gênesis, 2:20-24; Provérbios, 19:14; Eclesiastes, 9:9); do Monte Sinai, Deus ordenou às crianças que honrem tanto a mãe quanto o pai (Êxodo, 20:12).[15]

A maternidade, na perspectiva bíblica, é de extrema relevância, sendo a mais alta dignidade que um ser humano pode receber da parte de Deus, como consta desde o terceiro capítulo do Livro de Gênesis: a salvação da humanidade reside na semente da mulher, isto é, na sua descendência, haja vista que a promessa dada por Deus após a Queda no Éden seria a restauração do homem e da mulher através de um descendente desta, que um diria pisaria a cabeça da serpente.[16] Após saírem do Éden, a primeira atitude realizada pelo casal foi o gesto de Adão em dar à sua esposa o nome de Eva, cujo significado é mãe, já que ela seria a mãe da humanidade.[17] Os cristãos consideram Jesus Cristo como o descendente prometido da mulher: "Vindo, pois, a plenitude dos tempos, enviou Deus seu Filho, nascido de mulher...",[18] o qual cumpriu a profecia ao vencer a morte na Cruz[19], e um dia ressuscitará todos os que creem na promessa, dando-lhes vida eterna.[20]

Não há qualquer motivo para considerar Eva marginalizada ou relegada a qualquer status secundário a Adão; muito pelo contrário, a Escritura situa a mulher com honras especiais[21]; por fim, a Bíblia celebra e reconhece grandemente o valor de mulheres virtuosas,[22][23] e estabelece a submissão integral da mulher a seu marido como o padrão ideal para a vida no lar, instituindo também o dever do marido de amar sua mulher mais que a si mesmo, de maneira sacrificial, e se for necessário, até com o custo de sua própria vida.[24]

Análise cética, mitológica e religiosa comparada[editar | editar código-fonte]

Pigmaleão e Galateia (Ernest Normand, 1886): mito grego sobre um homem bom e solitário, rei de Chipre, que foi agraciado por uma divindade ao receber a bênção de ver uma bela estátua feminina, que ele mesmo tinha esculpido, transformar-se em uma mulher de verdade, que se tornaria desde então sua esposa.
O Nascimento de Vênus (Alexandre Cabanel, 1875): representação mítica do surgimento de uma mulher.

Joseph Campbell acreditava que o relato da criação de Eva era uma metáfora criada pela tradição religiosa hebraica.[25] Campbell expõe que a metáfora da costela de Adão exemplificaria o distanciamento dos hebreus da religião cultuada entre os povos antigos — a do culto à Mãe Terra, Mãe Cósmica ou Deusa Mãe. Este culto inseria-se dentro de um contexto social e religioso cujas raízes remontam aos registros pré-históricos do Paleolítico e do Neolítico.[26]

O Nascimento de Vênus (William-Adolphe Bouguereau, 1879, detalhe): representação mítica do surgimento de uma mulher.

A arqueologia pré-histórica e a mitologia pagã registram esta origem do culto à Deusa-Mãe. Algumas remotas descobertas de religião humana remetem, inicialmente, ao culto aos mortos, e ao intenso culto da cor vermelha ou ocre associado ao sangue menstrual e ao poder de dar a vida.

Na mitologia grega, por exemplo, a chamada "mãe de todos os deuses", a deusa Reia (ou Cibele, entre os romanos), exprime este culto na própria etimologia: reia significa "terra" ou "fluxo". Campbell argumenta que Adão (do hebraico אדם, relacionado tanto a adamá ou "solo vermelho", "barro vermelho", quanto a adom ou "vermelho", e dam, "sangue") teria sido criado a partir do barro vermelho ou argila.

A identidade da religião com a Mãe Terra, a fertilidade, a origem da vida e da manutenção da mesma com a mulher, seria, segundo Campbell, retratada também na Bíblia: "(...) a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa. Ao criar, Jeová cria o homem a partir da terra [da Deusa], do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não está ali, presente, nessa forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua aqui fora. O corpo de cada um é feito do corpo dela. Nessas mitologias dá-se o reconhecimento dessa espécie de identidade universal".[27]

Todavia, uma análise mais atenciosa ao texto bíblico, em si mesmo, demonstra que não há nenhum elemento no próprio texto que dê fundamento à teoria de Campbell, haja vista que em nenhum momento é atribuído algum poder vital à terra; isto é, desde o primeiro capítulo de Gênesis, a terra é vista apenas como um fator físico (matéria), criado por Deus no início de tudo, e usado por ele como uma espécie de matéria-prima para a criação dos seres vivos. Em outras palavras, a vida não surge espontaneamente da terra, ela surge somente no momento em que o próprio Deus determina, pelo poder de sua palavra, que isto aconteça, e é dessa forma que foram criadas as plantas[10] e os animais.[28]

Eva (Viktor Karlovich Schtember): sua atitude precipitada, confirmada e repetida por seu marido, acarretaria terríveis consequências, mas um dia ambos seriam redimidos pelo seu próprio descendente.[16]

Um caso especial se dá na criação do homem e da mulher: no caso do homem, foi o próprio Deus que, pessoalmente, «formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.» (Gênesis 2:7). No caso da mulher, novamente, o próprio Deus intervém de forma pessoal: primeiro, «fez cair um pesado sono sobre Adão, e este adormeceu; depois, tomou uma de suas costelas, fechou o lugar com carne...» (Gênesis 2:21) (o que faz lembrar uma cirurgia), e «transformou [aquela costela de Adão] em uma mulher» (Gênesis 2:22), a primeira mulher, Eva. Posteriormente, em razão da queda do homem, Deus lhe diz que, assim como ele foi formado a partir da terra, assim voltará a ser em razão da morte, «porque tu és pó, e ao pó tornarás.» (Gênesis 3:19). Ou seja, na visão bíblica, a terra não tem vida em si mesma, nem qualquer atributo místico, pois é Deus quem dá vida a todos os seres; se isto não acontecesse, eles ainda seriam apenas terra, isto é, matéria inorgânica, sem vida, "pó". Portanto, a hipótese levantada por Campbell, de uma Deusa-Mãe presente subliminarmente e implicitamente no relato de Gênesis, não passa de uma especulação imaginada pelo próprio Campbell, sem qualquer amparo no relato bíblico; é, aliás, contrária ao que diz o próprio texto e rechaçada pelos demais textos das Escrituras. De acordo com a Bíblia, nem o homem nem a mulher devem ter a arrogância de considerar seu próprio gênero como superior,[29] haja vista que ambos foram criados pelo mesmo Deus, à semelhança dele, e devem a ele se submeter,[29] para não caírem em seus próprios erros.[30]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 168.
  2. «Breastfeeding and Breast Milk: Condition Information». 19 de dezembro de 2013. Consultado em 27 de julho de 2015 
  3. a b «Infant and young child feeding Fact sheet N°342». WHO. Fevereiro de 2014. Consultado em 8 de fevereiro de 2015 
  4. a b c Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome AAP2012
  5. Ip, S; Chung, M; Raman, G; Trikalinos, TA; Lau, J (outubro de 2009). «A summary of the Agency for Healthcare Research and Quality's evidence report on breastfeeding in developed countries.». Breastfeeding Medicine. 4 Suppl 1: S17-30. PMID 19827919. doi:10.1089/bfm.2009.0050 
  6. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Lancet2016
  7. «Breastfeeding and the use of human milk. American Academy of Pediatrics. Work Group on Breastfeeding.» (PDF). Pediatrics. 100 (6): 1035–9. Dezembro de 1997. PMID 9411381. doi:10.1542/peds.100.6.1035 
  8. «What are the benefits of breastfeeding?». 14 de abril de 2014. Consultado em 27 de julho de 2015 
  9. Kramer, MS; Kakuma, R (15 de agosto de 2012). «Optimal duration of exclusive breastfeeding.». The Cochrane database of systematic reviews. 8: CD003517. PMID 22895934. doi:10.1002/14651858.CD003517.pub2 
  10. a b c Gênesis 1:26-27
  11. Gênesis 1:31
  12. a b Gênesis 2:18-25
  13. a b Gênesis 2:23
  14. Gênesis 2:18
  15. Google Books, Introd., p. 12, Twelve Extraordinary Women: How God Shaped Women of the Bible, and What He ... Por John MacArthur
  16. a b Gênesis 3:15
  17. Gênesis 3:20
  18. Gálatas 4:4
  19. Colossenses 2:13-15
  20. João 3:16
  21. I Pedro 3:7
  22. Provérbios 12:4; Provérbios 31:10; I Coríntios 11:7
  23. Google Books, Twelve Extraordinary Women: How God Shaped Women of the Bible, and What He ... Por John MacArthur
  24. Efésios 5:25-31
  25. «Tu és Isso: A Religião como Metáfora». Consultado em 16 de maio de 2009. Arquivado do original em 28 de abril de 2007 
  26. tradições Revisado.
  27. As máscaras de Deus, p. 104
  28. Gênesis 1:20-21,24-25
  29. a b Gálatas 3:28
  30. Gênesis 3:8-13

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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