Beleza

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Beleza é uma característica de uma pessoa, animal, lugar, objeto ou ideia que oferece uma experiência perceptual de prazer ou satisfação.[1] É a qualidade do que é belo.[2]

A experiência de "beleza", muitas vezes, envolve uma interpretação de alguma entidade como estando em equilíbrio e harmonia com a natureza, o que pode levar a sentimentos de atração e bem-estar emocional. Como isso pode ser uma experiência subjetiva, muitas vezes se diz que "A beleza está nos olhos de quem vê".[3]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O substantivo grego clássico para "beleza" era κάλλος, kallos, e o adjetivo para "belo" era καλός, kalos. Em grego koiné, a palavra para bonito ou belo era ὡραῖος, hōraios,[4] um adjetivo que vem da palavra ὥρα, hōra, que significa "hora". No grego koiné, a beleza, então, era associada a "estar em sua hora/seu momento".[5] Assim, um fruto maduro (em seu tempo) era considerada bonito, enquanto uma jovem mulher que tenta parecer mais velha ou uma mulher mais velha tentando parecer mais jovem não seria considerado bonito. Em grego ático, hōraios teve muitos significados, incluindo "jovem" e "idade madura".[5]

Visão histórica da beleza[editar | editar código-fonte]

Catedral de Santa Maria del Fiore. Desde o Renascimento, a harmonia, simetria e proporções corretas são consideradas elementos essenciais da beleza universal.

Embora o estilo e a moda variem amplamente, pesquisas com diferentes culturas encontraram uma variedade de pontos em comum na percepção das pessoas sobre a beleza. A mais antiga teoria ocidental de beleza pode ser encontrada nas obras dos primeiros filósofos gregos pré-socráticos, tais como Pitágoras. A escola pitagórica viu uma forte conexão entre matemática e beleza. Em particular, eles observaram que os objetos com medidas de acordo com a proporção áurea pareciam mais atraentes.[6]

Platão considerava que a beleza era a ideia (forma) acima de todas as outras ideias.[7] Aristóteles viu uma relação entre o belo e a virtude, argumentando que "A virtude visa à beleza."[8]

A filosofia clássica e esculturas de homens e mulheres produzidos de acordo com os princípios desses filósofos de ideal da beleza humana foram redescobertos no Renascimento europeu, levando a uma readoção do que ficou conhecido como um "ideal clássico". Em termos de beleza humana feminina, uma mulher cuja aparência está em conformidade com esses princípios ainda é chamada de "beleza clássica" ou diz-se que possui uma "beleza clássica", enquanto que as bases estabelecidas por artistas gregos e romanos também forneceram o padrão para a beleza masculina na civilização ocidental. Durante a era gótica, o cânone estético clássico da beleza foi rejeitado como pecaminoso. Somente Deus é belo e perfeito, enquanto o homem é falho pelo pecado original e não pode alcançar nenhuma beleza em sua vida se não for através de Deus. Mais tarde, a Renascença e o Humanismo rejeitaram essa visão, e consideraram a beleza como um produto da ordem racional e da harmonia das proporções. Artistas e arquitetos da Renascença (como Giorgio Vasari em seu "Vidas de Artistas") criticaram o período gótico por ser irracional e bárbaro. Este ponto de vista sobre a arte gótica durou até o Romantismo, no século XIX.

A Idade da Razão viu um aumento no interesse na beleza como um assunto filosófico. Por exemplo, o filósofo escocês Francis Hutcheson argumentava que a beleza é "unidade na variedade e variedade na unidade".[9] Os poetas românticos também tornaram-se altamente preocupados com a natureza da beleza, com John Keats argumentando em "Ode a uma urna grega", que

Beleza é verdade, verdadeira beleza, - isso é tudo.
Sabeis na terra, e vós todos precisam saber.

No período romântico, Edmund Burke apontou as diferenças entre a beleza em seu sentido clássico e o sublime. O conceito de sublime de Burke e Kant nos permitiu compreender que, mesmo a arte gótica e a arquitetura não sendo sempre "simétricas" ou aderentes ao padrão clássico de beleza como o outro estilo, não é possível dizer que a arte gótica é "feia" ou irracional: é apenas uma outra categoria estética, a categoria sublime.

Viu-se, no século XX, uma rejeição cada vez maior da beleza por artistas e filósofos, que culminou na antiestética do pós-modernismo. Embora a beleza fosse uma preocupação central da principal influência do pós-modernismo, Friedrich Nietzsche, que defendeu que a vontade de poder era a vontade da beleza.

Na sequência da rejeição da beleza do pós-modernismo, os pensadores voltaram a considerar a beleza como tendo um valor importante. O filósofo analítico americano Guy Sircello propôs sua nova teoria da beleza como um esforço para reafirmar o status da beleza como um conceito filosófico importante.[10][11] Elaine Scarry também argumenta que a beleza está relacionada à justiça.[12]

Beleza humana[editar | editar código-fonte]

Fresco de uma romana em Pompeia, c. 50

Há evidências de que a preferência por rostos bonitos surge no início do desenvolvimento da criança, e que os padrões de atratividade são similares nos diferentes sexos e culturas.[13] A simetria é, também, importante, pois ela sugere a ausência de defeitos adquiridos ou genéticos, como sugere um estudo publicado em 2008.[14]

Pesquisadores têm estudado a percepção de beleza em indivíduos cuja face representava uma média matemática de proporção em condições mais controladas e descobriram que o rosto gerado por computador através da média aritmética de uma série de rostos é avaliado de forma mais favorável do que os rostos individuais.[15] Evolutivamente, faz sentido que as criaturas sejam atraídas por companheiros que possuem características predominantemente comuns ou médias.[16]

Uma característica de belas mulheres que tem sido explorada pelos pesquisadores é a relação cintura-quadril de 0,70. Os fisiologistas têm mostrado que as mulheres com "forma de ampulheta" são mais férteis do que outras mulheres, devido a altos níveis de certos hormônios femininos, fato que pode, subconscientemente, condicionar os homens a escolherem companheiras.[17]

Economistas da Universidade de Texas-Austin analisaram dados de cinco grandes levantamentos realizados entre 1971 e 2009 nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Grã-Bretanha e descobriram que as pessoas consideradas bonitas são, geralmente, mais felizes e economicamente mais bem-sucedidas.[18]

Referências

  1. "beauty, n.". OED Online. dezembro 2011. Oxford University Press
  2. Dicionário UNESP do português contemporâneo UNESP [S.l.] p. 171. ISBN 978-85-7139-576-3. 
  3. Gary Martin (2007). «Beauty is in the eye of the beholder». The Phrase Finder. Arquivado desde o original em November 30, 2007. Consultado em December 4, 2007. 
  4. Mateus 23:27, Atos 3:10, Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, 12.65
  5. a b Euripides, Alcestis 515.
  6. Seife, Charles (2000). Zéro: the biography of a dangerous idea. Penguin. ISBN 0-14-029647-6. p. 32
  7. Phaedrus
  8. Platão, Ética a Nicômaco
  9. An Inquiry Into the Original of Our Ideas of Beauty and Virtue; In Two Treatises
  10. A New Theory of Beauty. Princeton Essays on the Arts, 1. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1975.
  11. Love and Beauty. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1989.
  12. Elaine Scarry. On Beauty and Being Just Princeton University Press [S.l.] p. 97. ISBN 978-1-4008-4735-8. 
  13. Rhodes, G. (2006). «The evolutionary psychology of facial beauty». Annual Review of Psychology [S.l.: s.n.] 57: 199–226. doi:10.1146/annurev.psych.57.102904.190208. PMID 16318594. 
  14. Highfield, Roger. "Why beauty is an advert for good genes". The Telegraph(em inglês)
  15. Langlois, J. H., Roggman, L. A., & Musselman, L. (1994). «What is average and what is not average about attractive faces?» (PDF). Psychological Science [S.l.: s.n.] 5: 214–220. doi:10.1111/j.1467-9280.1994.tb00503.x. 
  16. KOESLAG, J.H. (1990). «Koinophilia groups sexual creatures into species, promotes stasis, and stabilizes social behaviour». J. Theor. Biol. [S.l.: s.n.] 144 (1): 15–35. doi:10.1016/S0022-5193(05)80297-8. PMID 2200930. 
  17. Utton, Tim. «Born mothers have curvy hips | Mail Online». Daily Mail (London [s.n.]). Arquivado desde o original em June 26, 2010. Consultado em 2010-05-31. 
  18. Daniel S. Hamermesh e Jason Abrevaya, Beauty is the Promise of Happiness?, 29 de março
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