Ode

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Antero de Quental (1842-1891), membro da Geração de 70, autor das Odes Modernas.
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Ode (do grego antigo ᾠδή ōidē) é um tipo de poesia lírica. É um poema de estilo particularmente elevado e solene, elaboradamente estruturado, que louva ou glorifica um indivíduo, objeto, ideia ou lugar, ou exortando a que se realize uma ação, descrevendo intelectual e emocionalmente a natureza.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Ode vem do grego antigo "ōidē", que significava "canto", e era o nome dado às composições em verso de linguagem elevada e solene. Na Hélade antiga, incluía-se na poesia lírica, isto é, na poesia destinada a ser cantada, em coro (lírica coral) ou só por uma pessoa (lírica monódica), muitas vezes acompanhada de lira (um dos instrumentos mais reverenciados pelos gregos antigos), que deu o nome a este género poético. Na tragédia ateniense, eram obrigatórias as odes corais, longos trechos cantados pelo coro, em conforme a estrutura tripartida: estrofe, antístrofe e epodo.

Píndaro louvou as virtudes dos atletas, heróis e deuses. Anacreonte cantou os prazeres do amor e do vinho. Alceu dedicou-se a compor poemas sobre banquetes, temas políticos e amorosos. Safo escreveu hinos aos deuses e versos de forte carga sentimental.[1]

As odes de Píndaro (tal como as da tragédia) eram estruturadas em três partes maiores - estrofe, antístrofe e epodo. Contudo Safo, Alceu e outros (entre os quais o romano Horácio que neles se inspirou), preferiram a ode homostrófica, em que todas as estrofes possuem a mesma estrutura.

Os Carmina de Horácio constituem o modelo mais influente de odes na literatura ocidental posterior, isto é, grande parte das odes dos séculos posteriores foram inspiradas pelos poemas de Horácio.[2] O poeta de Venúsia inspirou-se em temáticas e metros dos autores gregos acima referidos, adaptando-os à realidade cultural e social de Roma.

Literaturas Modernas[editar | editar código-fonte]

Luís Vaz de Camões (c., 1524 - 1579 ou 1580)

Praticamente esquecida durante a Idade Média, a ode, enquanto forma poética, foi reinventada pelos poetas do Renascimento, que as começaram a escrever não só em latim, mas também nas línguas vernáculas. Com grande pujança se espalhou pelas literaturas europeias, sob a influência do classicismo, tendo como distintos cultores na língua portuguesa António Ferreira e Luís Vaz de Camões.[3] Foi também amplamente explorada no Arcadismo, cujos máximos expoentes, Correia Garção, António Dinis da Cruz e Silva, Reis Quita, Manuel Maria Barbosa du Bocage, Marquesa de Alorna, e Filinto Elísio, foram consumados autores de odes em imitação do estilo de Horácio. Em  1865, Antero de Quental publicou as suas vanguardistas Odes Modernas, tratando de temas filosóficos e sociais. Igualmente, no século XX, Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, resgatou a ode do esquecimento e, partindo de uma base estética e formal horaciana e arcadista, compôs várias odes. Por outro lado, o heterónimo Álvaro de Campos reimaginou este tipo de poesia para a sociedade contemporânea em composições como a Ode Triunfal. [4]

Na língua espanhola destacaram-se Garcilaso de la Vega, frei Luís de Leão,​ Francisco Medrano, Francisco de la Torre, Esteban Manuel de Villegas e Pablo Neruda, entre outros. Em Itália, Francesco Filelfo, Bernardo Tasso (que se pensa ter sido o primeiro a compor odes em língua vernácula), Manzoni, Giousè Carducci, Giovanni Pascoli e Gabriele D'Annunzio. Em França escreveram-nas Ronsard e Victor Hugo. Na língua inglesa (onde foi e ainda é muito popular), Edmund Spenser, Thomas Gray, John Keats, Samuel Taylor Coleridge, William Wordsworth, Percy Bysshe Shelley, Allen Tate e Abraham Cowley. Na língua alemã é famoso Klopstock, tal como é assaz conhecida a Ode à Alegria de Schiller, posta em música por Beethoven.

Temas[editar | editar código-fonte]

Não há forma poética mais lábil do que ode - ela cobre temas tão diversos como o louvor (a uma pessoa, a um país, a uma ideia, a um objecto, etc.), a reflexão intelectual ou sentimental (como as de Camões), a exortação à acção, militar ou civil (patente nas de Correia Garção e do jovem Almeida Garrett), entre outros.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Na poesia portuguesa (tal como na poesia das outras línguas da Península Ibérica e de Itália), tradicionalmente, desde o Renascimento, a composição da ode foi realizada utilizando combinações de decassílabos e hexassílabos. Desde então, foram muito populares:

  • a lira (Esquema de rimas: aBabB, em que as letras minúsculas representam verso de 6 sílabas e as maiúsculas versos de 10 sílabas), foi utilizada por Camões na suas odes nº III, IX, X;
  • estâncias;
  • a estrofe de Medrano (10-10-6-6);
  • a estrofe de La Torre (10-10-10-6);
  • decassílabos brancos.

Menos comuns foram odes compostas em:

  • silvas (a "Ode pela Tomada de Larache" de Góngora é um exemplo);
  • a estrofe de Villegas, 10-10-10-4;
  • oitavas (Antero de Quental utilizou-as amplamente nas suas Odes Modernas).

Links externos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

  1. Rocha Pereira, Maria Helena (1998). Estudos de História da Cultura Clássica, I Volume. Lisboa: Gulbenkian 
  2. «Horace's Odes - Classics - Oxford Bibliographies - obo» (em inglês) 
  3. COSTA PIMPÃO, CAMÕES, Álvaro, Luís Vaz de (1994). Luís de Camões - Rimas. [S.l.]: Almedina 
  4. SARAIVA, LOPES, António José, Óscar (2017). História da Literatura Portuguesa. Lisboa: Porto Editora