Mulheres na ciência

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Mulher ensinando geometria. Ilustração de uma tradução medieval dos Elementos de Euclides, 1310).

As mulheres têm contribuído para a ciência desde o seu princípio. Historiadores interessados em estudos sobre gênero e ciência trouxeram à luz as contribuições e realizações científicas femininas, as barreiras por elas enfrentadas e as estratégias implementadas para que seus trabalhos fossem revisados e publicados em grandes revistas científicas e outros meios de publicação. O estudo histórico, crítico e sociológico dessas questões tornou-se uma disciplina acadêmica própria.

O envolvimento das mulheres no campo da medicina ocorreu em várias civilizações antigas e o estudo da filosofia natural na Grécia antiga era aberto às mulheres. As mulheres contribuíram para a proto-ciência da alquimia no primeiro ou segundo séculos d.C. Durante a Idade Média, os conventos foram um importante lugar de educação para as mulheres, e algumas dessas comunidades forneceram oportunidades para que as mulheres contribuíssem para a pesquisa acadêmica. Enquanto o século XI viu o surgimento das primeiras universidades, as mulheres foram, na maior parte, excluídas da educação universitária.[1] A atitude em relação à educação das mulheres na área médica na Itália parece ter sido mais liberal do que em outros lugares. A primeira mulher a ganhar uma cadeira universitária em um campo científico de estudos foi a cientista italiana do século XVIII, Laura Bassi.

Embora os papéis de gênero tenham sido bem definidos no século XVIII, as mulheres protagonizaram grandes avanços na ciência. Durante o século XIX, as mulheres foram excluídas da maior parte da educação científica formal, mas começaram a ser admitidas nas sociedades eruditas durante o mesmo período. No final do século XIX, a ascensão da faculdade de mulheres proporcionou empregos para mulheres cientistas e oportunidades de educação. Marie Curie, a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel em 1903 (física), recebeu novamente o Prêmio Nobel em 1911 (química), ambos por seu trabalho sobre radiação. Quarenta mulheres receberam o Prêmio Nobel entre 1901 e 2010, das quais dezessete foram em física, química, fisiologia ou medicina.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

O envolvimento de mulheres no campo da medicina foi registrado em diversas civilizações antigas. Uma mulher do Antigo Egito, Merit Ptah (2.700 a.C.), além de Peseshet, era descrita "médica chefe", correspondendo ao registro mais antigo de uma mulher cientista na história da ciência. Agamede foi citada por Homero como uma curandeira na Grécia Antiga antes da Guerra de Troia (1194–1184 a.C.). Agnodice foi a primeira mulher médica a exercer a profissão legalmente em Atenas no século IV a.C.

O estudo da filosofia natural na Grécia Antiga era aberto às mulheres. Exemplos incluem Aglaonice, que previa eclipses lunares; e Teano, matemática e física, pupila e possivelmente também mulher de Pitágoras, da escola de Crotona, na qual estudavam muitas outras mulheres.[3] Temistocleia, filósofa, matemática e alta profetisa de Delfos, foi mestra de Pitágoras e o introduziu aos princípios da ética.

Durante o período da civilização babilônica, por volta de 1200 a.C., duas perfumistas chamadas Tapputi-Belatekallim e -ninu (a primeira metade de seu nome é desconhecida) obtiveram essências de plantas usando procedimentos de extração e destilação. Se definirmos a química como o uso de equipamentos e processos químicos, então podemos identificar essas duas mulheres como as primeiras químicas. Mesmo durante a época da dinastia egípcia, as mulheres envolveram-se na química aplicada, como a fabricação de cerveja e a preparação de compostos medicinais. [4] Há muitos registros de mulheres que contribuíram para a alquimia. [4] Muitas das quais viveram em Alexandria por volta do século I ou II d.C., onde a tradição gnóstica valorizava as mulheres.

A mais conhecida, Maria, a Judia, foi a inventora de vários equipamentos para a química, incluindo o banho-maria (de onde o nome Maria, em homenagem) e um tipo de alambique ou aparelho de destilação simples. [4][5] Tais equipamentos de destilação foram chamados de kerotakis (simples) e tribikos (complexo).[4]

Hipátia de Alexandria (370-415) era filha de Teão de Alexandria, acadêmico e diretor da Biblioteca de Alexandria. Ela escreveu textos sobre geometria, álgebra, astronomia, e credita-se a ela a invenção do hidrômetro, de um astrolábio e um instrumento para destilar água.

Europa Medieval[editar | editar código-fonte]

A educação universitária era disponível para algumas mulheres na Idade Média européia. A física Trotula supostamente ocupou uma cadeira na Escola de Salerno no século XI, aonde ministrou aulas a mulheres da nobreza italiana, um seleto grupo por vezes referido como "as senhoras de Salerno". Inúmeros textos que se referem à medicina feminina, em obstetrícia e ginecologia, entre outros tópicos, também são a ela creditados. A Universidade de Bolonha permitia às mulheres assitir aulas desde o começo em 1088; Dorotea Bucca ocupou uma cadeira em medicina no século XV[6]. De uma maneira geral, eram excluidas das universidades[7].

Conventos medievais foram outro ambiente de educação para mulheres, e algumas dessas comunidades ofereciam oportunidades para que as mulheres contribuissem para a pesquisa acadêmica. Um exemplo foi a alemã Hildegard de Bingen, cujos inúmeros e prolificos escritos abrangiam os mais variados assuntos científicos, como medicina, botânica e história natural.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Whaley, Leigh Ann. Women's History as Scientists. Santa Barbara, California: ABC-CLIO, INC. 2003.
  2. «Nobel Prize Awarded Women» 
  3. «Time ordered list» 
  4. a b c d Rayner-Canham, Marelene. Women in Chemistry: Their Changing Roles from Alchemical Times to the Mid-Twentieth Century. Washington, DC: American Chemical Society; Chemical Heritage Foundation. pp. 1–2 
  5. «Reframing the question» 
  6. JS Edwards (2002). «A Woman Is Wise: The Influence of Civic and Christian Humanism on the Education of Women in Northern Italy and England during the Renaissance». Ex Post Facto: Journal of the History Students at San Francisco State University. XI 
  7. [Whaley, Leigh Ann. Women's History as Scientists. Santa Barbara, California: ABC-CLIO, INC, 2003.]
  8. Hildegard von Bingen (Sabina Flanagan)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]