Margaret Burbidge

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Margaret Burbidge
Eleanor Margaret Peachey Burbidge
Nascimento 12 de agosto de 1919 (100 anos)
Davenport, Manchester, Inglaterra
Nacionalidade britânica
Cônjuge Geoffrey Burbidge
Alma mater University College London
Prêmios
Orientador(es) C. C. L. Gregory
Campo(s) Astrofísica
Tese The Spectrum of T Coronae of Gamma Cassiopeiae (1943)

Eleanor Margaret Peachey Burbidge, mais conhecida como Margaret Burbidge (Davenport, 12 de agosto de 1919) é uma astrofísica britânica, reconhecida por seus cargos administrativos, como a direção do Observatório Real de Greenwich.[1]

Em 1957, publicou junto de Geoffrey Burbidge, William Alfred Fowler e Fred Hoyle, um ensaio chamado "Síntese dos Elementos nas Estrelas",[2] demonstrando que a maior parte dos elementos químicos no universo foi sintetizado por reações nucleares dentro de estrelas, como o sol.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Margaret nasceu em 1919, filha de dois químicos, em Davenport, cidade no distrito de Stockport, na região de Manchester. Seus pais eram Stanley John Peachey, professor da Manchester School of Technology, e de Marjorie Stott, estudante da instituição e uma das poucas mulheres na época a estudar lá.[3] A família se mudou para Londres quando Margaret tinha pouco mais de um ano de idade quando seu pai migrou para a química industrial depois de requerer patentes na área de química da borracha.[3] A estabilidade financeira da família permitiu que Margaret pudesse se interessar por ciência.[4]

Começou a se interessar pelas estrelas ainda pequena, quando a família pegava a balsa noturna para a França, nos feriados, de onde era possível observar o céu noturno com pouca influência das luzes da cidade na travessia do canal.[1] Aos 12 anos, já lia os livros do astrônomo e matemático James Hopwood Jeans, parente distante do lado materno.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Começou a estudar astronomia em 1936, no University College London, formando-se em 1939 com honras, concluindo o doutorado na mesma instituição em 1943 em uma cerimonia modesta por conta dos esforços de guerra.[1] Continuou trabalhando na instituição, onde os telescópios tinham sido deixados intactos pelos bombardeios. Os constantes blecautes em Londres foram providenciais para uma série de observações feitas por Margaret na época.[3]

Na época, os principais administradores das instituições de ensino foram convocados pelos militares, então Margaret foi indicada como diretora interina do observatório da universidade, inclusive levantando fundos para consertar telescópios com danos. Começou a estudar astronomia em 1936, no University College London, formando-se em 1939 com honras.[1] Continuou trabalhando na instituição, onde os telescópios tinham sido deixados intactos pelos bombardeios. Os constantes blecautes em Londres foram providenciais para uma série de observações feitas por Margaret na época.[1][3]

Concluiu o doutorado em astrofísica na mesma instituição em 1943 em uma cerimonia modesta por conta dos esforços de guerra.[1] Em 1945, ela recusou uma posição no Instituto Carnegie porque a membresia estipulava que ela teria que fazer observações do Observatório Monte Wilson, que na época permitia apenas a entrada de homens.[5][6] Precisou deixar a universidade devido aos esforços da reconstrução, retornando em 1947 com o fim dos conflitos, onde conheceu Geoffrey Burbidge, estudante da graduação na época. Os dois se casaram em abril de 1948 e tiveram uma filha, Sarah Burbidge (1956).[1][3] Geoffrey Burbidge morreu em 2010.[7]

Em 1950, ela se inscreveu para uma bolsa no Observatório Yerkes, em Williams Bay, Wisconsin, então o casal foi para os Estados Unidos em 1951. Suas pesquisas focavam na abundância de elementos químicos das estrelas. Em 1953, retornou ao Reino Unido onde começou uma pesquisa em colaboração com o marido, Geoffrey Burbidge, William Alfred Fowler e Fred Hoyle. Baseando-se em experimentos e dados de observações coletados por Margaret e o marido, a equipe elaborou a hipótese de que todos os elementos químicos teriam sido sintetizados pelas reações nucleares das estrelas, processo conhecido como nucleossíntese.[2] O resultado da pesquisa, publicada em 1957, ficou conhecida como Artigo B²FH com as iniciais de todos os participantes da pesquisa (Burbidge, Burbidge, Fowler, Hoyle).[8] A teoria se tornaria então a base para todo um campo de pesquisas em astrofísica.[1][3]

Dez anos depois, em 1955, ela finalmente obteve o acesso que lhe tinha sido negado no Observatório Monte Wilson, porém tendo que atuar como assistente do marido. Quando a administração descobriu, ela concordou em deixá-la ficar se o casal fosse morar em uma cabana separada do dormitório dos estudantes e pesquisadores, que só admitiam homens.[1][3]

Em 1972, Margaret se tornou diretora do Observatório Real de Greenwich.[1][8] Foi a primeira vez em 300 anos que essa diretoria não era associada ao cargo de astrônomo real, que em vez disso foi concedido ao radioastrônomo Martin Ryle, fato que Margaret atribuiu ao contínuo machismo da área.[1][8] Margaret deixou o cargo em 1974, quinze meses depois de aceitá-lo, devido à controvérsia gerada pela mudança do telescópio Isaac Newton do observatório para uma localidade com maior utilidade.[1][3][9]

Esse tipo de situação tornou Margaret uma porta-voz dentro da ciência e da astronomia no combate à misoginia e ao machismo. Tanto que em 1972, ela recusou o prêmio Prêmio Annie J. Cannon de Astronomia, que por sua vez era entregue apenas às mulheres pela American Astronomical Society.[3]

Doze anos depois, a American Astronomical Society concedeu-lhe sua maior honra, independentemente do gênero, a Henry Norris Russell Lectureship.[3][10] Na Universidade da Califórnia em San Diego, Margaret foi a primeira diretora do Center for Astrophysics and Space Science.[8]

Em 1976, se tornou a primeira mulher a ser presidente da American Astronomical Society (AAS).[11] Em 1977, ganhou a cidadania norte-americana. Em 1981 foi eleita presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência.[11] Em 2003, Margaret foi incluída no hall da fama do Women's Museum of California por sua carreira e contribuições à ciência.[12]

Trabalhando na Universidade da Califórnia, Margaret ajudou a desenvolver o espectrógrafo do Telescópio espacial Hubble. Com esse instrumento, ela e sua equipe descobriram a galáxia M82, em cujo centro encontra-se um buraco negro massivo. Atualmente, Margaret é professora emérita de física da Universidade da Califórnia em San Diego, tendo continuado na pesquisa mesmo após sua aposentadoria. Margaret é autora e co-autora de cerca de 370 artigos científicos na área de astronomia, cosmologia e astrofísica.[1][3]

O asteroide 5490 Burbidge foi nomeado em sua homenagem.[8]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Quasi-Stellar Objects (1967, com Geoffrey Burbidge)
  • The Masses of Galaxies (1975, com Geoffrey Burbidge)

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n Ben Skuse (ed.). «Happy Birthday, Margaret Burbidge!». Sky and Telescope. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  2. a b Burbidge, E.M.; Burbidge, G.R.; Fowler, W.A.; Hoyle, F. (1957). «Synthesis of the Elements in Stars». Reviews of Modern Physics. 29 (4): 547–650. Bibcode:1957RvMP...29..547B. doi:10.1103/RevModPhys.29.547 
  3. a b c d e f g h i j k «Burbidge, E. Margaret». Encyclopedia. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  4. David DeVorkin (ed.). «E. Margaret Burbidge». Oral Stories. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  5. Rubin, Vera C. (1997). Bright Galaxies, Dark Matters. Woodbury, N.Y.: American Institute of Physics. ISBN 1-56396-231-4 
  6. «UCSD Times: Vol. 15, No. 4, Feb. 1–28, 2001». Consultado em 6 de julho de 2017. Arquivado do original em 14 de abril de 2005 
  7. John Faulkner, ed. (18 de fevereiro de 2010). «Geoffrey Burbidge obituary». The Guardian. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  8. a b c d e «The Bruce Medalists: Margaret Burbidge». www.phys-astro.sonoma.edu. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  9. a b Melissa Hulbert (ed.). «Women in Astronomy: The Modern Astrophysicists». Museum of Applied Sciences and Arts. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  10. «Henry Norris Russell Lectureship». American Astronomical Society. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  11. a b Yount, Lisa (1996). Twentieth-century women scientists. Nova York: Facts on File. p. 46. ISBN 0816031738 
  12. «Margaret Burbidge: 2003 Trailblazer». Women’s Museum of California. Consultado em 13 de agosto de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Margaret Burbidge
Precedido por
Jeremiah Paul Ostriker e Grenville Turner
Medalha de Ouro da RAS
2005
com Geoffrey Burbidge e Carole Jordan
Sucedido por
Simon White e Stanley William Herbert Cowley