Artrite reumatoide

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Artrite reumatoide
Mão afetada por artrite reumatoide
Classificação e recursos externos
CID-10 M05-M06
CID-9 714
OMIM 180300
DiseasesDB 11506
MedlinePlus 000431
eMedicine article/331715 article/1266195 article/305417 article/401271 article/335186 article/808419
MeSH D001172

Artrite reumatoide é uma doença autoimune de longa duração que provoca dor e inflamação nas articulações sinoviais. A dor e rigidez muitas vezes agravam-se a seguir ao descanso. É mais comum nas articulações do pulso e das mãos, afetando geralmente as mesmas articulações dos dois lados do corpo. A doença pode também afetar outras partes do corpo e causar diminuição do número de glóbulos vermelhos, inflamação à volta dos pulmões e inflamação à volta do coração. Pode também verificar-se febre e falta de energia.[1] Muitas vezes os sintomas começam-se a manifestar gradualmente ao longo de semanas ou meses.[2]

Embora a causa de artrite reumatoide não seja ainda clara, acredita-se que tenha origem numa combinação de fatores genéticos e ambientais. O mecanismo subjacente envolve o ataque das articulações por parte do sistema imunitário. Isto causa inflamação e rigidez da membrana sinovial e afeta o osso e cartilagem próximos.[1] O diagnóstico tem por base os sinais e sintomas da pessoa.[2] As radiografias e análises laboratoriais podem apoiar o diagnóstico ou excluir outras doenças com sintomas semelhantes.[1] Entre as doenças com sintomas semelhantes estão o lúpus eritematoso sistémico, artrite psoriática e fibromialgia, entre outras.[2]

O objetivo do tratamento é diminuir a dor, diminuir a inflamação e melhorar a mobilidade geral da pessoa. Podem ser recomendadas medidas como o equilíbrio entre descanso e exercício e o uso de ortóteses ou de outros aparelhos de apoio. São frequentemente prescritos medicamentos para o alívio de sintomas, como analgésicos, esteroides e anti-inflamatórios não esteroides. Para atrasar a progressão da doença pode ser administrado um grupo de medicamentos denominado drogas antirreumáticas modificadoras de doença (DARMD). Entre este grupo estão medicamentos como a hidroxicloroquina e o metotrexato.[1] Os DMARD biológicos são usados nos casos em que a doença não responde a outros tratamentos,[3] uma vez que apresentam uma proporção significativa de efeitos adversos.[4] Em algumas situações pode ser necessária cirurgia para reparar, substituir ou fundir articulações.[1] Não há evidências que apoiem a eficácia de maior parte dos tratamentos de medicina alternativa.[5][6]

A artrite reumatoide afeta entre 0,5 e 1% dos adultos nos países desenvolvidos, onde em cada ano entre 5 e 50 por cada 100 000 pessoas desenvolvem a doença.[3] O aparecimento da doença é mais frequente durante a meia idade e prevalência é 2,5 vezes maior entre as mulheres.[1] Em 2013 foi a causa de 38 000 mortes em todo o mundo, um aumento em relação às 28 000 de 1990.[7] A primeira descrição conhecida da doença foi feita em 1800 pelo cirurgião francês Augustin Jacob Landré-Beauvais.[8] O termo artrite reumatoide tem origem nos termos gregos para articulações aquosas e inflamadas.[9]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Mãos acometidas por lesões da artrite reumatoide

Frequentemente acomete inúmeras articulações tais como punhos, mãos, cotovelos, ombros, e pescoço; podendo levar à deformidades e limitações de movimento permanentes. É geralmente simétrica e as articulações afetadas podem apresentar sinais inflamatórios intensos, tais como: edema, calor, rubor e dor, além de rigidez matinal. Os sintomas extra-articulares mais comuns são: anemia, cansaço extremo, perda de apetite, perda de peso, pericardite, pleurite e nódulos subcutâneos.

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

Existem várias hipóteses para seu surgimento (infecciosa, hereditária, endócrina, imunológica, psicogênica…) porém sua verdadeira origem permanece polêmica. Provavelmente existem fatores genéticos pois há um risco 6 vezes maior em parentes de primeiro grau e 30 vezes maior em gêmeos monozigóticos comparado com o resto da população (~1%). A hipótese infecciosa aponta o efeito cronificador que a rubéola, a hepatite B e arbovírus e a quantidade elevada de antígenos de Epstein-Barr nos portadores. Essa doença é resultado do auto-ataque das células imunológicas que entram nos tecidos, e no líquido sinovial causando um intenso processo inflamatório e produzindo enzimas, citocinas e anticorpos.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Para se fazer o diagnóstico de artrite reumatoide é necessário que estejam presentes quatro ou mais dos seguintes critérios.

  • Rigidez matinal (dificuldade de movimentação ao acordar)com duração superior a uma hora por dia.
  • Artrite de três ou mais áreas, com sinais inflamatórios
  • Artrite das articulações das mãos ou punhos (Pelo menos 1 área com edema em punho, metacarpofalangeana ou interfalangeana proximal)
  • Artrite simétrica - Envolvimento simultâneo bilateral (para as metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximais, não precisa haver simetria perfeita)
  • Nódulos reumatoides
  • Fator reumatoide sérico positivo
  • Alterações radiográficas, tais como: erosões ou descalcificações articulares.

Para que os 4 primeiros critérios sejam válidos, é necessário que perdurem por, no mínimo, 6 semanas.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Normalmente é instituído precocemente para impedir a progressão da doença evitando assim possíveis deformidades permanentes. Os objetivos do tratamento geralmente são: prevenir lesões articulares, melhorar a qualidade de vida e diminuição da dor.

O tratamento medicamentoso baseia-se no uso de medicamentos para alívios dos sintomas e as drogas que modificam o curso da doença, as chamadas DARMDs. Com relação aos primeiros é possível citar os antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) e os corticoides, e no segundo caso: hidroxicloroquina, cloroquina, sulfasalazina, metotrexato, leflunomide, azatioprina, ciclosporina e outros.

O diagnóstico e a instituição de um tratamento precoce sob a orientação de profissionais capacitados permite que o paciente tenha uma vida normal e sem limitações na grande maioria dos casos.

Cirurgias podem ser feitas mesmo nos estágios iniciais da doença. Tem por objetivos principais alívio da dor e recuperação da funcionalidade.

Tratamento fisioterapêutico[editar | editar código-fonte]

Diversos recursos da Fisioterapia podem ser utilizados como a termoterapia, a eletroterapia, a cinesioterapia (principalmente exercícios e alongamentos) A hidroterapia é um dos principais recursos utilizados, através de diversas modalidades como o Método Bad Ragaz, a balneoterapia e a talassoterapia. Terapias manuais aliviam a dor e proporcionam bem estar ao paciente. A indicação de órteses pelo fisioterapeuta é importante para manter a funcionalidade e alinhar corretamente as estruturas acometidas.

Tratamento terapêutico ocupacional[editar | editar código-fonte]

O terapeuta ocupacional pode utilizar técnicas cinesioterápicas, associadas as atividades funcionais e intencionais (cinesioatividades) para melhorar a autonomia do paciente com artrite. Esse tratamento tem como objetivo a manutenção e/ou o aumento da mobilidade articular, aumento da força muscular e das habilidades funcionais para o desempenho de atividades da cotidianas, destacando a integração dos elementos: motor, cognitivo, psíquico, sensitivo e perceptivo. Proporcionando ações intencionais, reais e aprendidas, que favorecem a consciência e domínio corporal. Esse tratamento é baseado nas necessidades de cada indivíduo, o que diferencia a prática e conduta do profissional.

Terapeutas ocupacionais podem avaliar, prescrever e treinar o uso de órteses e adaptações, que podem ser de alta ou de baixa tecnologia dependendo da necessidade e de questões financeiras. O treino e uso de órteses tem como objetivo a manutenção ou melhoramento da condição funcional (autonomia no dia-a-dia), corrigir a postura, alinhar a estrutura comprometida, prevenir deformidades e diminuir a dor.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

Fatores relacionados a mau prognóstico:

  • Idade precoce de início
  • Altos títulos do Fator reumatoide e anti-CCP
  • Provas de função inflamatória elevadas persistentemente
  • Artrite em mais de vinte articulações
  • Comprometimento extra-articular: nódulos reumatoides, síndrome de Sjogren, episclerite, esclerite, doença pulmonar intersticial, pericardite, vasculite sistêmica
  • Erosões detectáveis radiograficamente já nos dois primeiros anos de actividade da doença

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A artrite reumatoide é uma doença que acomete mais os indivíduos do sexo feminino (de 3 a 5 vezes mais do que os do sexo masculino). E tem seu pico de incidência entre 40 e 70 anos. Afeta de 0,6% a 2% dos adultos representando entre 90% e 100% dentre as artrites.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b c d e f «Handout on Health: Rheumatoid Arthritis». National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases. August 2014. Consultado em July 2, 2015. 
  2. a b c Majithia V, Geraci SA (2007). «Rheumatoid arthritis: diagnosis and management». Am. J. Med. [S.l.: s.n.] 120 (11): 936–9. doi:10.1016/j.amjmed.2007.04.005. PMID 17976416. 
  3. a b Scott DL, Wolfe F, Huizinga TW (Sep 25, 2010). «Rheumatoid arthritis». Lancet [S.l.: s.n.] 376 (9746): 1094–108. doi:10.1016/S0140-6736(10)60826-4. PMID 20870100. 
  4. Singh, JA; Wells, GA; Christensen, R; Tanjong Ghogomu, E; Maxwell, L; Macdonald, JK; Filippini, G; Skoetz, N; Francis, D; Lopes, LC; Guyatt, GH; Schmitt, J; La Mantia, L; Weberschock, T; Roos, JF; Siebert, H; Hershan, S; Lunn, MP; Tugwell, P; Buchbinder, R (16 February 2011). «Adverse effects of biologics: a network meta-analysis and Cochrane overview.». The Cochrane database of systematic reviews [S.l.: s.n.] (2): CD008794. doi:10.1002/14651858.CD008794.pub2. PMID 21328309. 
  5. Efthimiou P, Kukar M (2010). «Complementary and alternative medicine use in rheumatoid arthritis: proposed mechanism of action and efficacy of commonly used modalities». Rheumatology international [S.l.: s.n.] 30 (5): 571–86. doi:10.1007/s00296-009-1206-y. PMID 19876631. 
  6. «Rheumatoid Arthritis and Complementary Health Approaches». National Center for Complementary and Integrative Health. Consultado em 1 de julho de 2015. 
  7. GBD 2013 Mortality and Causes of Death, Collaborators (17 December 2014). «Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.». Lancet [S.l.: s.n.] 385 (9963): 117–71. doi:10.1016/S0140-6736(14)61682-2. PMC 4340604. PMID 25530442. 
  8. Landré-Beauvais AJ (1800). La goutte asthénique primitive (doctoral thesis) (Paris [s.n.]).  reproduced in Landré-Beauvais AJ (2001). «The first description of rheumatoid arthritis. Unabridged text of the doctoral dissertation presented in 1800». Joint Bone spine [S.l.: s.n.] 68 (2): 130–43. doi:10.1016/S1297-319X(00)00247-5. PMID 11324929. 
  9. Paget, Stephen A.; Lockshin, Michael D.; Loebl, Suzanne (2002). The Hospital for Special Surgery Rheumatoid Arthritis Handbook Everything You Need to Know. (New York: John Wiley & Sons). p. 32. ISBN 9780471223344. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]