São Félix do Xingu

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Município de São Félix do Xingu
"SFX"
Vista aérea da cidade

Vista aérea da cidade
Bandeira de São Félix do Xingu
Brasão de São Félix do Xingu
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 10 de abril
Fundação 20 de novembro de 1900 (116 anos)
Emancipação 29 de dezembro de 1961 (54 anos)
Gentílico xinguense
Prefeito(a) João Cleber de Souza Torres[1] (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de São Félix do Xingu
Localização de São Félix do Xingu no Pará
São Félix do Xingu está localizado em: Brasil
São Félix do Xingu
Localização de São Félix do Xingu no Brasil
06° 38' 42" S 51° 59' 42" O06° 38' 42" S 51° 59' 42" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008[2]
Microrregião São Félix do Xingu IBGE/2008[2]
Distância até a capital 1 050 km
Características geográficas
Área 84 212,426 km² (BR: 6º)[3]
População 120,580 hab. IBGE/2016[4]
Densidade 0 hab./km²
Altitude 220 m
Clima Am (Koppen)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,594 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 724 488,824 mil (PA: 18º) – IBGE/2012[6]
PIB per capita R$ 7 251,78 IBGE/2012[6]
Página oficial

São Félix do Xingu é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se a 1050 quilômetros da capital do estado. Possui área de 84 212,426 km².

História[editar | editar código-fonte]

Av. Rio Xingu.

A História do município de São Félix compreende tradicionalmente o período entre a colonização no início do século XX e os dias atuais.

Anteriormente á colonização o território do município de São Félix do Xingu era habitado por diversos povos indígenas, dentre os quais destacam-se: Caiapós, Araras, Arauetés, Paracanãs e Assurinis.[7] Segundo o Museu Goeldi, sua presença, e de diversos outros povos tradicionais nestas terras, data de muito tempo, ao menos 9.500 anos.[8]

Estes povos, muito embora ainda possuam grandes áreas sob seus domínios, foram pilhados, mortos e forçados ao trabalho pelo elemento colonizador que atravessou pela área do município ao longo do tempo.[9]

Colonização[editar | editar código-fonte]

A primeira colonização efetiva de São Félix do Xingu, isto é, aquela que procurou estabelecer-se nesta região foi encabeçada pelo coronel da Guarda Nacional, Tancredo Martins Jorge. O coronel Martins Jorge deslocou-se da Bahia com seus familiares em busca de oportunidades econômicas. Seu grupo aportou primeiramente em Altamira, depois continuaram a subir o Xingu até chegar á jusante do Rio Fresco.[10]

De frente a confluência destes rios o coronel decidiu erguer seu acampamento e em 20 de novembro de 1900 inaugura uma pequena capela em homenagem á Félix de Valois na Ilhota São Félix (pequena ilha no rio Xingu), orago do qual era devoto.[10] Tal data que é reconhecida como a fundação do povoado.

O povoado da Ilhota desenvolveu-se basicamente graças ao extrativismo vegetal, com destaque a extração efetuada na Hevea brasiliensis e na Castilla ulei.[11] Era o período áureo da borracha e a casa comercial do coronel Martins Jorge funcionava como um barracão de aviamento.

Transferência da colônia e emancipação[editar | editar código-fonte]

Em 1914 os seringalistas mudaram a colônia da Ilhota para a margem esquerda do rio Xingu na confluência com o rio Fresco, na região denominada de Boca do Rio. A localidade passou a ser conhecida pelo nome de "São Félix da Boca do Rio".

As atividades relacionadas á borracha tiveram uma forte queda com a crise que atingiu o setor durante a década de 1910, deixando assim a vila em sérias dificuldades econômicas. Tal fato deu espaço ao surgimento de outros segmentos como o da exploração da castanha-do-brasil, da extração de gemas e metais preciosos e da pequena pecuária.[12]

Com o crescimento populacional e econômico de São Félix, em 31 de dezembro de 1936 foi elevado á condição de distrito do município do Xingu (hoje Altamira).

Em 29 de dezembro de 1961, durante o governo de Aurélio do Carmo, por meio da Lei nº 2.460, foi criado o município de São Félix do Xingu, com área desmembrada do município de Altamira. O município só foi formalmente instalado em 10 de abril de 1962, data em que é comemorado seu aniversário.

Abertura da PA-279[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: PA-279

Na década de 1970 é pela primeira vez proposta a ligação rodoviária de São Félix com o restante do território nacional, como parte da doutrina de segurança nacional e de ocupação dos vazios demográficos, vigentes durante a ditadura militar no Brasil. A proposta culminou na inauguração em 1976 da rodovia estadual PA-279, ligando Xinguara á São Félix do Xingu, além das localidades ao longo do percurso.[11]

A inauguração da rodovia trouxe um imenso fluxo de pessoas para a região, que causou dentre outras coisas uma intensa especulação em torno da posse da terra. Vários conflitos entre posseiros e grileiros, pequenos proprietários rurais e latifundiários se sucederam em consequência da abertura da rodovia.[11]

Várias atividades econômicas foram trazidas no âmbito da PA-279, entre as quais vale destacar a exploração madeireira e a agropecuária.[11] Ambas tornaram-se desde a década de 1980 o motor econômico do município.

Fatos recentes[editar | editar código-fonte]

Em 2011 São Félix participou ativamente com todo o sudeste do Pará, da consulta plebiscitária que definiu sobre a divisão do estado do Pará. Desde a sua fundação São Félix insere-se como parte da proposta do estado do Carajás, tanto que o município é filiado aos dois principais organismos de luta pela causa na região, a "Comissão Brandão" e a "AMAT Carajás".[13]

Embora a expressiva votação favorável no plebiscito em São Félix, tendo alcançado entre a população local mais de 90% de aprovação pela criação do estado do Carajás,[14] o peso da região de Belém se fez maior, e se sobrepôs ao anseio local. Entretanto, mesmo com a derrota na votação, o município continua, juntamente com a região, a pleitear a separação para criação do estado do Carajás.[15]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Praia localizada no Rio Xingu
Praia do Porco.

Localiza-se a uma latitude 06º38'41" sul e a uma longitude 51º59'42" oeste, estando a uma altitude de 220 metros.

Sua população estimada em 2014 era de 111.633 habitantes.

Possui uma área de 84607,39 km².

Atualmente, além da sede, o município é constituído por quatro distritos: Taboca, Nereu, Lindoeste e Ladeira Vermelha.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

São Félix do Xingu e rodeado por vários rios. Os dois principais são os rios Fresco e o Xingu que são atrações turísticas do município.

Estes também são usados para pesca e transporte no período da cheia.

Clima[editar | editar código-fonte]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1972 a menor temperatura registrada em São Félix do Xingu foi de 8,6 °C em 29 de julho de 1975,[16] e a maior atingiu 38,4 °C em 23 de setembro de 2011.[17] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 377,9 mm em 2 de setembro de 1991. Alguns outros grandes acumulados foram 317,7 mm em 3 de setembro de 1991, 174 mm em 8 de março de 1987, 138,2 mm em 6 de janeiro de 1996, 133,2 mm em 25 de janeiro de 1989, 130 mm em 16 de abril de 1988, 129,2 mm em 3 de fevereiro de 1995, 117,8 mm em 28 de fevereiro de 1978, 109,8 mm em 28 de março de 1991, 103,4 mm em 23 de abril de 1978, 101 mm em 11 de fevereiro de 1992 e 100,4 mm em 26 de abril de 1994.[18] O índice mais baixo de umidade relativa do ar ocorreu nas tardes de 9 de junho de 1976 e 10 de agosto de 2010, de 22%.[19]

Dados climatológicos para São Félix do Xingu
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima absoluta (°C) 35,1 34,9 34,6 34,7 37 35,6 36,5 37,8 38,4 36,7 36,5 35,4 38,4
Temperatura máxima média (°C) 30,6 30,6 30,8 31,2 31,8 32,1 32,8 33,4 33 32,2 32 31 31,8
Temperatura média (°C) 24,7 24,6 24,8 25 25,2 24,7 24,6 25,2 25,4 25,3 25,3 24,8 25
Temperatura mínima média (°C) 19,6 19,8 19,8 20,2 19,7 18,3 17,4 18 19,2 19,6 19,8 19,6 19,3
Temperatura mínima absoluta (°C) 12 12 11,3 11,1 11,2 10,5 8,6 9 11 12 12,6 11,5 8,6
Precipitação (mm) 282,7 323,3 317,6 283,4 113,6 38,1 17,5 56,4 104,8 169,1 171,7 230,4 2 108,5
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 20 21 22 18 10 3 3 4 10 14 14 18 157
Umidade relativa (%) 89 88 88 88 86 84 81 81 82 85 85 88 85,4
Horas de sol 82,3 68,6 81,6 105,6 151 184,4 209,4 145,3 125,7 116,9 106,8 88,8 1 466,4
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1961-1990;[20][21][22][23][24][25][26] recordes de temperatura: 1961-presente).[16][17]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

A cidade é servida pela rodovia PA-279, Asfaltada no final de 2013 em boas condições condições de trafegabilidade. Assim como em qualquer Rodovia há acidentes constantes aos que trafegam pela região da PA-279.

O aeroporto de São Félix do Xingu não está mais ativo, não havendo mais nenhum voo comercial.

Educação[editar | editar código-fonte]

O município abriga um dos campus da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), a principal instituição pública de ensino superior do sul e sudeste do Pará.[27]

Economia[editar | editar código-fonte]

A base da economia do município é a pecuária de corte pois possui o maior rebanho do Brasil com mais de 1,7 milhões de cabeças. [28]

Referências

  1. «Eleições 2012: confira quais foram os prefeitos eleitos na região do Carajás». Jornal do Zedudu. 
  2. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  4. «Estimativas de população» (PDF). Estimativas de população. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 01 de julho de 2016. Consultado em 23 de fevereiro de 2015. 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 21 de setembro de 2013. 
  6. a b «PIBMunicipal2008-2012». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 19 dez. 2014. 
  7. Terras Indígenas CD Pará
  8. MAGALHÃES, Marcos P (1994). Arqueologia de Carajás: a presença pré-histórica do homem na Amazônia. 1ª ed. (Rio de Janeiro: Companhia Vale do Rio Doce). p. 96. ISBN 85-85377-12-7. 
  9. LEAL, Aluízio Lins (2001). Sinopse Histórica da Amazônia (Belém: UFPA). 
  10. a b «Breve histórico da paróquia de São Félix». Prelazia do Xingu. 
  11. a b c d CLAUDINO, Lívio Sérgio Dias. «Ocupação dos espaços, gestão e degradação das pastagens entre pecuaristas da microrregião de São Félix do Xingu – PA.» (PDF). UFPA. 
  12. São Félix do Xingu » infográficos: histórico - IBGE
  13. «Sessões marcam a luta pelo Estado de Carajás». Agora Press. 
  14. «Resultado do plebiscito por município - Carajás». Camaléo. 
  15. «Apenas 4 cidades que integrariam Tapajós votaram contra divisão do PA». G1. 
  16. a b «BDMEP - Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Mínima (°C) - São Félix do Xingu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  17. a b «BDMEP - Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Máxima (°C) - São Félix do Xingu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  18. «BDMEP - Série Histórica - Dados DIários - Precipitação (mm) - São Félix do Xingu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  19. «BDMEP - Série Histórica - Dados Horários - Umidade Relativa (%) - São Félix do Xingu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  20. «Temperatura Média Compensada (°C)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961-1990. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  21. «Temperatura Máxima (°C)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961-1990. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  22. «Temperatura Mínima (°C)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961-1990. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  23. «Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961-1990. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  24. «Número de Dias com Precipitação Maior ou Igual a 1 mm (dias)». Instituto Nacional de Meteorologia. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  25. «Insolação Total (horas)». Instituto Nacional de Meteorologia. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  26. «Umidade Relativa do Ar Média Compensada (%)». Instituto Nacional de Meteorologia. Arquivado desde o original em 4 de maio de 2014. Consultado em 14 de setembro de 2015. 
  27. «Histórico». Portal Unifesspa. 
  28. Jornal Folha de S.Paulo, 13 de janeiro de 2008, primeira página

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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