Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
UNIFESSPA
Fundação 15 de outubro de 1971 (44 anos) como CAUSP;
5 de junho de 2013 (3 anos) como UNIFESSPA.
Tipo de instituição Pública e Federal
Mantenedora Coat of arms of Brazil.svg Ministério da Educação
Localização Brasão de Marabá.png Marabá, Pará Pará
Docentes 230 (2015)[1]
Reitor(a) Carlos Renato Lisboa Francês[2]
(Decano do Consun)
Vice-reitor(a) vago
Funcionários técnicos administrativos 203 (2015)[1]
Total de Estudantes 4236 (2015)[1]
Graduação 4169 (2015)[1]
Pós-Graduação 67 (2015)[1]
Campus Marabá
Santana do Araguaia
São Félix do Xingu
Rondon do Pará
Xinguara
Orçamento anual 81 891 134,75 (Exercício 2015)[3]
Página oficial www.unifesspa.edu.br

A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) é uma instituição de ensino superior pública, multicampi, sediada na cidade de Marabá, com campi em Santana do Araguaia, São Félix do Xingu, Rondon do Pará e Xinguara.[4] [5] A lei nº 12.824, que criou a instituição, foi sancionada em 5 de junho de 2013 pela presidenta Dilma Rousseff, tornando-se vigente somente a partir de 6 de junho de 2013, com sua publicação no Diário Oficial da União.[6]

A Unifesspa é o resultado do desmembramento do campus de Marabá da Universidade Federal do Pará[7] . A instituição é de médio porte, e abrigava, em 2015, um total de 32 graduações, sendo 27 em Marabá, 1 em Santana do Araguaia, 1 em São Félix do Xingu, 2 em Rondon e 1 em Xinguara.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Campus avançado da USP[editar | editar código-fonte]

A primeira experiência com um campus universitário no sul e sudeste do Pará se deu com a instalação em 15 de outubro de 1971 do "Campus Avançado da USP" na cidade de Marabá (CAUSP). O campus era uma extensão da Universidade de São Paulo fora de sua área geo-educacional, e caracterizava-se pela presença permanente de universitários e professores executando atividades que visavam o desenvolvimento da microrregião onde se estabelecia. O trabalho realizado nas áreas prioritárias definidas pelo governo militar buscava integrar e desenvolver a região. O campus inseria-se de certa forma nos objetivos do Projeto Rondon, que se encontrava em sua segunda fase no momento da instalação da estrutura em Marabá.[8]

O CAUSP funcionou, inicialmente, em uma casa particular, na área central da Velha Marabá. Em 1972, a prefeitura construiu, ao lado, uma outra dependência, destinada a servir de escritório e residência dos diretores do campus. Estas edificações funcionaram por dez anos como refeitório, dormitório, sala de estudos, biblioteca, entre outras funções para as equipes integradas por professores e alunos que permaneciam - em sistema de rodízio - por trinta dias em Marabá. Em 1982, foi construída a sede própria do campus com recursos da Fundação Projeto Rondon, em um terreno com área de cinco hectares, onde hoje está localizado o Campus I da UNIFESSPA.[9]

O campus USP teve grande relevância no estabelecimento do ensino universitário no sul e sudeste do Pará, pois os primeiros cursos da região foram estabelecidos por esta instituição[10] , sendo os de Letras e Pedagogia em 1972, e de Ciências Sociais em 1977, sendo precursores em certa medida de algumas das atuais faculdades da UNIFESSPA.[11]

O CAUSP enfim funcionou até 1988, e seu trabalho de maior relevância se deu na formação e reciclagem de professores e educadores de Marabá e das localidades vizinhas.[12] O CAUSP também teve particular participação no planejamento urbanístico da cidade, que culminou no projeto da Nova Marabá.[13] Alguns professores e técnicos da USP acabaram por colaborar e incentivar a criação da Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM), principal instituição de pesquisa e resgate histórico da região. O diretor da FCCM, Noé von Atzingen, foi um dos coordenadores do CAUSP.[14]

UFPA campus Marabá[editar | editar código-fonte]

Campus I (folha 31), construído em 1982 para servir ao CAUSP, hoje campus da Unifesspa.

A suspensão das atividades de ensino do CAUSP, em meados de 1985, deixou Marabá sem uma instituição de ensino superior no seu sentido mais clássico, já que o campus passou a funcionar somente voltado para a pesquisa e extensão. Rapidamente a prefeitura iniciou as negociações para suprir a lacuna, fato que culminou na instalação do "Campus Universitário da UFPA em Marabá" (CAMAR), em janeiro de 1987. O CAMAR aproveitou boa parte das estruturas do antigo campus USP,[10] adotando inicialmente inclusive o sistema modular de ensino de sua predecessora. Em 1988 o CAUSP foi finalmente encerrado, e todas as suas estruturas foram repassadas ao CAMAR-UFPA.[15]

O CAMAR iniciou suas atividades ofertando os cursos de Licenciatura Plena em História, Letras, Matemática, Geografia e Pedagogia. Todos eram cursos intensivos modulares, ministrados nos períodos de recesso escolar (janeiro a março e julho e agosto). Os professores deslocavam-se do campus de Belém para ministrar as aulas em Marabá.[16]

Em 1992 são criados os cursos de período regular, com professores contratados. Era formado assim o primeiro quadro docente próprio do campus de Marabá. Os primeiros cursos ministrados em período regular foram Letras e Matemática; seguiram estes os cursos de Pedagogia, Direito e Ciências Sociais. Em sua maioria os funcionários e professores já trabalhavam em outros níveis do serviço público (funcionários municipais e estaduais), sendo cedidos para formar o primeiro corpo próprio do CAMAR.[16]

No fim da década de 1990 o Campus II, que até então servia como alojamento de professores vindos da capital, passa a sediar novos cursos de graduação.[16]

Proposta da nova universidade[editar | editar código-fonte]

Desde a retomada das propostas de divisão territorial no sudeste do Pará (com mais força desde a década de 1970), foi esboçado a possibilidade de criação de um universidade pública na região. Foi neste contexto que nos fins da década de 1980 a proposta torna-se uma das principais pautas nas discussões sobre o sudeste do Pará.[17]

O primeiro projeto parlamentar a esboçar a criação de uma universidade no sul e sudeste do Pará, partiu do então deputado federal Haroldo Bezerra, no ano de 2002.[17] A proposta permaneceu por muito tempo arquivada, sem conseguir o aval técnico do Ministério da Educação para poder tramitar na Câmara.

Em 2006 um grupo de parlamentares paraenses apresentou "projeto de indicação" ao então ministro da educação, Tarso Genro. Contudo somente o então ministro da educação Fernando Haddad, deu parecer favorável a criação da universidade, realizando os estudos necessários e acertando detalhes de construção da infra-estrutura com o governo do Pará, no ano de 2010.[18]

Somente em maio de 2013 o projeto conseguiu ser aprovado pelo Senado, indo logo após para a sanção presidencial.[19] A instituição foi criada oficialmente em 5 de junho de 2013, com a sanção da presidenta Dilma Rousseff. Embora já criada, receberá auxílio técnico da "instituição mãe", UFPA, por mais quatro anos, contados a partir da data de publicação no diário oficial, que ocorreu no dia 6 de junho de 2013.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Além de Marabá, a UNIFESSPA tem campi em Santana do Araguaia, São Félix do Xingu, Rondon do Pará e Xinguara. Em Marabá a UNIFESSPA conta com três unidades: Campus I (Folha 31), Campus II (Folha 17), unidades que já se enontravam em funcionamento pela UFPA, e uma terceira unidade que está já está em uso, mas que vem sendo preparada para ser a "Cidade Universitária".[20]

A universidade contará com um parque de ciência e tecnologia, e suas principais áreas de abrangência serão as engenharias[21] , mas também contando com ciências sociais, ciências humanas, ciências da educação, linguística, ciências da saúde, ciências biológicas, ciências econômicas, ciências jurídicas e ciências exatas.

A UNIFESSPA deve oferecer 32 cursos novos, que se somarão aos 16 já existentes que faziam parte da UFPA e outros que foram criados desde a sua fundação. No total, 63 graduações serão ofertadas pela universidade quando for concluída a primeira etapa das obras da instituição. Estima-se que cerca de 12,8 mil estudantes sejam atendidos quando a universidade completar uma década de existência.[20]

Os campi de Marabá[editar | editar código-fonte]

Estacionamento do Campus I da Unifesspa.

Marabá sedia três campi da UNIFESSPA. Todos os campi estão em funcionamento pleno, entretanto o campus-sede (Campus do Tauarizinho) ainda está com a maior parte de suas estruturas em construção.[22] A reitoria, no entanto, já funciona neste campus.

Os campi da UNIFESSPA em Marabá são os seguintes:

  • Campus I: está localizado no bairro Folha 31, no distrito urbano da Nova Marabá. É o campus mais antigo da UNIFESSPA, tendo sido construído em 1982 para abrigar o CAUSP; é carinhosamente chamado pelos alunos de "Ilha Cultural", dada sua vocação para as ciências humanas e sociais.
  • Campus II: está localizado no bairro Folha 17, no distrito urbano da Nova Marabá. Também herança do CAUSP, este campus era utilizado como alojamento de professores durante os primeiros anos do CAMAR-UFPA.
  • Cidade Universitária: também denominada Campus III ou Tauarizinho, está localizado ao fundo do bairro Cidade Jardim. Recebe a alcunha "Tauarizinho" em referência ao rio Tauarizinho que delineia a extremidade norte do campus.[23] Já está em funcionamento, inclusive sediando a reitoria, contudo a maior parte de suas estruturas encontram-se em obras; concentrará a maior parte do aparato administrativo da UNIFESSPA. Além deste, prevê-se que receba a maior parte dos cursos. Tem aproximadamente 10 hectares, e foi doado pelo empresariado de Marabá[21] .

Institutos de ensino[editar | editar código-fonte]

Os campi de Marabá sediam os seguintes institutos[1] :

  • Instituto de Ciências Humanas - ICH: Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia (Mestrado acadêmico e interdisciplinar), Doutorado Interinstitucional de Geografia Humana, Faculdade de Ciências Sociais do Araguaia-Tocantins (Licenciatura e Bacharelado em Ciências Sociais), Faculdade de Educação do Campo (Licenciatura em Educação do Campo e Licenciatura em História), Faculdade de Geografia (Licenciatura e Bacharelado em Geografia) e Faculdade de Ciências da Educação (Licenciatura em Pedagogia);
  • Instituto de Linguística, Letras e Artes – ILLA: Programa de Pós-Graduação Profissional em Letras (mestrado profissional), Especialização em Abordagem Culturalistas (lato sensu), Faculdade de Estudos da Linguagem (Licenciatura em Letras-Português, Licenciatura em Letras-Inglês e Licenciatura em Artes Visuais);
  • Instituto de Ciências Exatas - ICE: Programa de Pós-Graduação em Física (Doutorado e mestrado acadêmico e mestrado profissional), Programa de Pós-Graduação em Química (mestrado acadêmico), Faculdade de Física (Licenciatura em Física), Faculdade de Química (Licenciatura em Química e Licenciatura em Ciências Naturais), Faculdade de Matemática (Licenciatura em Matemática);
  • Instituto de Estudos em Desenvolvimento Agrário e Regional – IEDAR: Faculdade de Ciências Agrárias de Marabá (Bacharelado em Agronomia e Bacharelado em Ciências Econômicas);
  • Instituto de Estudos em Direito e Sociedade –IEDS: Faculdade de Direito (Bacharelado em Direito);
  • Instituto de Estudos em Saúde Biológicas – IESB: Doutorado Interinstitucional de Saúde Coletiva, Faculdade de Ciências da Saúde e Biológicas (Bacharelado em Ciências Biológicas, Bacharelado em Psicologia e Bacharelado em Saúde Coletiva);
  • Instituto de Geociências e Engenharias – IGE: Doutorado Interinstitucional de Engenharia Elétrica, Programa de Pós-Graduação em Engenharias de Materiais e Metalurgia (mestrado acadêmico), Faculdade de Computação e Engenharia Elétrica (Bacharelado em Sistemas de Informação, Bacharelado em Engenharia Elétrica e Bacharelado em Engenharia da Computação), Faculdade de Engenharia de Minas e Meio Ambiente (Bacharelado em Engenharia de Minas e Meio Ambiente e Bacharelado em Engenharia Química), Faculdade de Geologia (Bacharelado em Geologia e Bacharelado em Engenharia Civil) e Faculdade de Engenharia de Materiais (Bacharelado em Engenharia de Materiais e Bacharelado em Engenharia Mecânica)

Campus de Xinguara[editar | editar código-fonte]

Neste campus funciona unicamente o Instituto de Estudo do Trópico Úmido – IETU, que tem sob sua responsabilidade o seguinte curso de graduação:[24]

  • História - Licenciatura

Está em implantação o Mestrado Acadêmico em História.

Campus de Rondon do Pará[editar | editar código-fonte]

O campus de Rondon abriga a maior estrutura "fora de sede" da UNIFESSPA. Este campus sedia um único instituto, o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas – ICSA que tem sob sua responsabilidade os seguintes cursos de graduação:[24]

  • Administração
  • Ciências Contábeis

Está em implantação o Mestrado em Gestão de Organizações e Sistemas Públicos.

Campus de Santana do Araguaia[editar | editar código-fonte]

Neste campus funciona unicamente o Instituto de Engenharia do Araguaia – IEA, que tem sob sua responsabilidade o seguinte curso de graduação:[24]

  • Matemática - Licenciatura

Campus de São Felix do Xingu[editar | editar código-fonte]

Neste campus funciona unicamente o Instituto de Estudos do Xingu – IEX, que tem sob sua responabilidade o seguinte curso de graduação:[24]

  • Língua Portuguesa - Licenciatura

Reitores[editar | editar código-fonte]

Reitor Mandato Condição Vice-reitor Mandato Condição
Maurílio de Abreu Monteiro 1º de julho de 2013[25] - 18 de maio de 2016[2] Pro-tempore João Crisóstomo Weyl Albuquerque Costa[26] 16 de agosto de 2013 - 10 de maio de 2016 Pro-tempore
Carlos Renato Lisboa Francês[2] 19 de maio de 2016[2] - presente Decano do Consun Vago - -

Referências

  1. a b c d e f Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (2016). Indicadores de Gestão dos Institutos - Ano Base 2015 (Marabá: Unifesspa). 
  2. a b c d «Decano do Conselho Universitário, professor Carlos Renato Francês, assume gestão da Unifesspa». Portal Unifesspa. 
  3. «Gastos Diretos por Órgão Executor em 2015: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará - UNIFESSPA». Portal da Transparência. Consultado em 13 de junho de 2016. 
  4. «Projeto cria a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará». Jornal do Zedudu. 11 de agosto de 2009. Consultado em 1 de setembro de 2010. 
  5. «Projeto de Lei nº 2.206, de 2011». Câmara. 
  6. «Presidenta Dilma Rousseff sanciona lei que cria a Unifesspa». Portal UFPA. 
  7. «Decreto do Congresso Nacional cria a UFSPA e a UFBRES» (PDF). Congresso Nacional: Decretos. 2007. Consultado em 1 de setembro de 2010. 
  8. ANDRELLO, Rubens (1977). Uma experiência de "campus" avançado (São Paulo: GT-USP). 
  9. «Projeto Rondon». Faculdade de Educação da USP. 
  10. a b SOUZA, Nelinho Carvalho de. «Discurso, saberes e identidade do pedagogo: memórias dos egressos do Curso de Pedagogia da interiorização da UFPA/Marabá» (PDF). Dissertação do Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia. Portal PDTSA. Consultado em 17 de junho de 2016. 
  11. TEIXEIRA, M.. (23 de julho de 2015). "Marabá 100 anos: a universidade federal (parte 1)". A Urbe.
  12. PORTO, Maria do Rosário Silveira; FONTANETTI, Irani Garcia Xavier. «Professor Rubens Andrello». Scielo. 
  13. YOSHIOKA, Reimei. «Após 30 anos, uma grata surpresa». Jornal NippoBrasil. 
  14. Projeto Proler. «Os encantos de Marabá: suas 11 bibliotecas públicas» (PDF). Fundação Biblioteca Nacional. 
  15. «Histórico». O antigo site da UNIFESSPA, ativo entre outubro de 2013 e janeiro de 2014, disponibilizava o histórico e o logo da instituição. O site saiu do ar, e quando foi novamente restaurado, não mais disponibilizava tais informações, restando somente capturas de tela de tais informações, gravadas no cache da web. Portal Unifesspa. Arquivado desde o original em 10 de janeiro de 2014. 
  16. a b c «Breve Histórico do CAMAR». Universidade Feredal do Pará - Campus de Marabá. 
  17. a b «Universidade no sul do Pará». Senado Federal. 
  18. «Universidade do sul e sudeste do Pará vai sair do papel». Folha de Carajás. 15 de março de 2010. Consultado em 1 de setembro de 2010. 
  19. «Senado aprova criação da Unifesspa e projeto vai para sanção de Dilma. Parauapebas ficou de fora.». Jornal do Zedudu. 
  20. a b «UNIFESSPA poderá adotar o ENEM». Marabá Notícias. 
  21. a b «Sul e Sudeste do Pará vão ter universidade federal». Proifes. 10 de fevereiro de 2010. Consultado em 1 de setembro de 2010. 
  22. «Informações sobre o CAMAR». CAMAR. 
  23. «Projetando o futuro...». CAMAR. 
  24. a b c d «PS UNIFESSPA 2014» (PDF). Ceps UFPA. 
  25. «PORTARIA Nº 569, DE 28 DE JUNHO DE 2013». Diário Oficial da União - Caderno 2. 
  26. «Diário Oficial da União - Seção 2 de 16 de agosto de 2013». JusBrasil. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]