Cidade Nova (Marabá)

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Cidade Nova
—  Distrito do Brasil  —
Praça São Francisco, centro econômico e financeiro do distrito.
Praça São Francisco, centro econômico e financeiro do distrito.
Estado Pará Pará
Município Marabá
Criado em 1926
Área
 - Total 2104 km²
População (PMM/2000[1])
 - Total 55 232
    • Densidade 37,21 hab./km²

Cidade Nova é um distrito urbano do município de Marabá. É o mais populoso dos distritos do município e o segundo mais densamente povoado.[2] O distrito apropria-se do nome do bairro homônimo (Cidade Nova), que é o mais importante centro comercial do distrito e um dos mais importantes do município.

É a segunda área de ocupação regular mais antiga de Marabá, tendo este processo iniciado ainda na década de 1920. O povoamento da área da Cidade Nova está ligado aos fenômenos de enchente que atingem a cidade de Marabá desde os primórdios de sua fundação.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A primeira povoação da área da Cidade Nova que está registrada historicamente, foram os acampamentos montados pelo coronel da Guarda Nacional, Carlos Leitão em 1894. O coronel preferiu estabelecer seu primeiro acampamento nesta área, por considerar a área onde hoje está assentada a Velha Marabá vulnerável a catástrofes naturais. Ele nomeou o local em que se estabeleceu de "Quindangues",[3] sendo este nome a primeira denominação da Cidade Nova. O coronel Leitão não fixou em definitivo seu acampamento na atual área da Cidade Nova, ficando o local novamente desabitado.

Com o estabelecimento da povoação na Velha Marabá por Francisco Coelho e Francisco Casimiro de Souza em 1898, a área da Cidade Nova é preterida como alternativa de povoação.[4]

Durante a enchente de 1904 é esboçada a primeira possibilidade de povoação da área de Quindangues (Cidade Nova), como alternativa para a Velha Marabá. Conforme o nível do rio subia, mais famílias deslocavam-se para Quindangues. Entretanto com o cessar das chuvas e das cheias, novamente retornaram à Velha Marabá.[5]

Grande enchente de 1926[editar | editar código-fonte]

Somente em 1926, após a grande enchente que atingiu a Velha Marabá e destruiu grande parte desta, é que a área da Cidade Nova foi ocupada, tendo início pelo bairro do Amapá. O intendente municipal, Anastácio de Queiróz, e o governo do estado do Pará, instituíram a "Benemérita Commissão de Soccorros aos Inundados", que dentre outras coisas, organizou a ocupação do bairro do Amapá e prestou assistência às famílias desabrigadas. Após o fim da enchente a maioria das famílias que haviam sido desabrigadas retornaram para a Velha Marabá, mas aquelas que haviam perdido grande parte de suas posses preferiram permanecer no local, formando assim o primeiro grupo de moradores fixos da futura Cidade Nova.[6]

Entre o final da década de 1920 e o início da década de 1940 a população do bairro do Amapá cresceu, conforme crescia a população da Velha Marabá. Neste período a grande safra de castanha e a retomada da atividade gomífera trouxe à Marabá uma grande quantidade de imigrantes, que permitiu a expansão da grade urbana da futura Cidade Nova.[6] A enchente de 1935 também contribuiu para que um contingente populacional razoável se instalasse definitivamente no bairro do Amapá, permitindo ao mesmo, ganhar contornos urbanos mais visíveis.

Em 1947 uma grande enchente atingiu Marabá, e novamente a prefeitura precisou organizar a retirada das famílias flageladas, removendo-as para o bairro do Amapá e para a recém-criada vila de São Félix de Valois (atual distrito urbano de São Félix). Em consequência das contantes enchentes, a prefeitura de Marabá elabora os primeiros projetos para fixar novas famílias na Cidade Nova (ainda sob o nome Quindangues) em 1951, estimulando a instalação de agricultores, como forma de garantir o abastecimento básico de alimentos para o município. Concentra-se neste período na área da Cidade Nova, atividades ligadas à construção e reparos de barcos e também a alguns serviços urbanos.[7]

Em 1957, coincidindo novamente com uma grande enchente, formula-se o plano de desativação e retirada da população da Velha Marabá, transferindo-os para a área onde atualmente se assenta o Aeroporto João Correa da Rocha, ao lado do bairro do Amapá. A área foi limpa, demarcada e preparada para receber os novos moradores, entretanto houve forte resistência da população, que preferiu permanecer nas áreas vulneráveis.[7]

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Praça do Belo Horizonte, localizada no bairro do Belo Horizonte.

No início da década de 1970 a ocupação do bairro do Amapá já estava consolidava, apresentando inclusive sinais de estagnação. A situação reverteu-se quando se fez necessário a transferência da pista de pouso do município (até então localizada na Nova Marabá) para uma área mais ampla, escolhendo-se o sítio Quindangues, ao lado do bairro do Amapá. A construção da infra-estrutura aeroportuária atraiu novos moradores para a região. No fim da década de 1960 Marabá é finalmente ligada ao território nacional por meio de uma rodovia (PA-70), e em 1972 Marabá recebe o trecho da rodovia Transamazônica.[8]

A rodovia Transamazônica e logo depois a Ponte sobre o rio Iatacaiúnas, foram as peças chave para que o processo de ocupação da Cidade Nova acontecesse de forma mais intensa. A rodovia dividiu o antigo bairro do Amapá ao meio e levou diversas pessoas a se instalarem ao longo da rodovia (no Amapá era feita a travessia de balsas).[8] Com a inauguração da ponte, o trafego de veículos e pessoas em direção à Cidade Nova, cresceu consideravelmente.[7]

Em 1973 foi iniciada a construção do conjunto Jarbas Passarinho, depois chamado de Vila Transamazônica, em função de estar localizado às margens da rodovia do mesmo nome. A Vila Transamazônica acabou sendo popularizada sob o nome de "conjunto Cidade Nova", pois era desta forma que os técnicos da COHAB a denominavam. Aos poucos o nome "Cidade Nova" foi sendo utilizado para denominar toda a área urbana que se localizava na margem esquerda do rio Itacaiúnas.[1]

Em 1974 começaram as construções da sede do INCRA e das residências dos funcionários do órgão. A área do INCRA recebeu a denominação de "Agrópolis INCRA" e atualmente tem a função de bairro administrativo do município, sediando os mais diversos órgãos das esferas federal, estadual e municipal. Paralelamente a prefeitura de Marabá montou um posto avançado e organizou a ocupação dos bairros Parque das Laranjeiras, Belo Horizonte e parte do Novo Horizonte.[1]

Em 1977 é iniciada a povoação que daria origem ao atual bairro Vila São José, junto à barreira militar do Km 08 da rodovia Transamazônica. Esta povoação permaneceu com características rurais até meados da década de 2000, quando o crescimento natural do distrito da Cidade Nova acabou por absorvê-la, tornando-se bairro.

Terceira onda de povoamento[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1980 a população começou a ocupar áreas mais distantes da rodovia, sem muita gestão do Estado, constituindo os bairros periféricos do distrito. O destaque neste processo foi a construção dos atuais bairros da Liberdade, Independência, Novo Planalto, Bom Planalto, Jardim Vitória e da parte sul do bairro Belo Horizonte.[9]

Na década de 1990 ocorreu a consolidação de bairros superpovoados como a Liberdade, Independência e Novo Planalto acontecendo neste período até mesmo a regularização fundiária parcial destas áreas. Neste período também os primeiros serviços urbanos básicos chegam a estas áreas periféricas.[8]

Nos fins da década de 1990 e início da década de 2000 iniciam-se as ocupações do bairro São João (popularmente conhecido como Km 02), do Jardim União e do Jardim Bela Vista.[10] Todos estes bairros nasceram como ocupações irregulares, muito devido à forte especulação imobiliária que há em todo o distrito da Cidade Nova.[8]

Quarta onda de povoamento[editar | editar código-fonte]

O crescimento da especulação imobiliária em toda a cidade de Marabá a partir de 2003, fez com que áreas relativamente "bem localizadas" dentro da área urbana fossem ocupadas irregularmente.[8] Este foi o caso das ocupações do Bairro da Paz, Filadélfia, Vale do Itacaiúnas e São Miguel da Conquista. Uma característica marcante destas ocupações é a vulnerabilidade de algumas de suas áreas, que sofrem os efeitos das enchentes dos rios.[8] Houve grande esforço da prefeitura para regularizar a situação das famílias ocupantes, inclusive fornecendo títulos, como forma de assegurar moradia aos que se fixaram.[10]

Desde 2008 surgiram novas áreas de expansão no distrito, todas como loteamentos residências regulares. Localizam-se nas áreas proximidades do aeroporto e às margens da rodovia Transamazônica, sentido Itupiranga.

Grade urbana[editar | editar código-fonte]

Fórum da Subseção Judiciária de Marabá, localizado no bairro do Agrópolis INCRA.
Ver artigo principal: Anexo:Lista de bairros de Marabá

Mesmo tendo uma ocupação espontânea, a Cidade Nova apresenta uma organização urbana razoável, fato que não é observado no distrito da Velha Marabá. Após a consolidação da área da Cidade Nova (juntamente com a Nova Marabá), observa-se uma clara regressão da Velha Marabá, que deixou de ser o centro demográfico, político e econômico do município.[2]

A consolidação da ocupação da Cidade Nova deu-se por diversos fatores, mas principalmente devido à sua topografia, que se distingue da Velha Marabá pela não vulnerabilidade às enchentes anuais e pelo parcelamento em quadrícula.[2][8]

O plano diretor de 2006 estabeleceu uma divisão clara entre suas áreas: central, intermediária e de expansão.[11]

Área central[editar | editar código-fonte]

A área central da Cidade Nova corresponde aos bairros Cidade Nova (homônimo), Agrópolis INCRA e Novo Horizonte, caracterizados pelo predomínio dos usos de comércio, serviços e institucional.[11] A formação do centro comercial da Cidade Nova deveu-se em grande medida à fixação do INCRA, na década de 1970.

Nesta área do distrito concentram-se alguns dos bairros de maior renda de todo o município de Marabá.[2]

Área intermediária[editar | editar código-fonte]

A área intermediária da Cidade Nova corresponde aos bairros Laranjeiras, Bom Planalto e Belo Horizonte e caracteriza-se pelo uso predominantemente residencial, ocupação e arruamento claramente definidos, e provisão parcial de infra-estrutura.[11] Por vezes o bairro da Liberdade também é posto como área intermediária do distrito.

Área de expansão[editar | editar código-fonte]

A área de expansão da Cidade Nova corresponde aos demais bairros do distrito, em meio ao processo de consolidação, e às demais áreas passíveis de urbanização. Há uma relativa divisão entre essas áreas, com as mais antigas dispondo de alguns serviços básicos,[11] como é o caso do Amapá, do Novo Planalto, do Jardim Vitória, da Independência, do São João (popularmente conhecido como Km 02), da Vila São José; e de áreas recentemente povoadas ainda muito carentes de recursos,[11] como é o caso dos bairros Filadélfia, Jardim União, Bairro da Paz, Jardim Bela Vista, Newton Miranda (ou Infraero), os bairros Carajás (bairros I, II e III), São Miguel da Conquista e Vale do Itacaiúnas (os dois últimos geralmente conhecidos como "Invasão do Aurélio").

Ainda constam nesta categoria os empreendimento particulares (loteamentos e bairros residenciais), surgidos principalmente após 2007. Há pelo menos quatro destes na Cidade Nova, sendo os mais destacados os empreendimentos Castanheira e Jardim Imperial.

Referências

  1. a b c ALMEIDA, José Jonas (2008). A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais. [S.l.]: USP 
  2. a b c d «Relatório de Avaliação de PDP – Município de Marabá» (PDF). Ministério das Cidades 
  3. «A Fundação de Marabá». Marabá Online 
  4. MONTARROYOS, Heraldo Elias. «História Social e Econômica da Casa Marabá: Reconstruindo o Cotidiano de um Barracão na Amazônia Oriental entre 1898 e 1906». CEANS/UNICAMP 
  5. DA SILVA, Idelma Santiago. «Migração e Cultura no Sudeste do Pará: Marabá (1968-1988)» (PDF). Pós-História UFG 
  6. a b «A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais (1970-2000)». Universidade Federal da Grande Dourados 
  7. a b c VELHO, Otávio (2009). Frentes de Expansão e Estrutura Agrária:estudo do processo de penetração numa área da Transamazônica. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais 
  8. a b c d e f g «A influência do governo federal sobre cidades na Amazônia: os casos de Marabá e Medicilândia». Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/Periódicos UFPA 
  9. Associação dos Moradores dos Bairros da Cidade Nova (1984). Relatório da situação social da Cidade Nova. Marabá: [s.n.] 
  10. a b «Prefeitura de Marabá entrega títulos fundiários». Jus Brasil 
  11. a b c d e «Lei Nº. 17.213 de 09 de Outubro de 2006: Institui o Plano Diretor Participativo do Município de Marabá, cria o Conselho Gestor do Plano Diretor e dá outras providências.» (PDF). Secretaria de Estado de Integração Regional, Desenvolvimento Urbano e Metropolitano