Monumento Eldorado Memória

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Reprodução do Monumento Eldorado Memória gravada numa parede do Campus I da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.

O Monumento Eldorado Memória foi um monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em alusão ao Massacre de Eldorado do Carajás, sendo inaugurado no dia 7 de setembro de 1996 em Marabá, no Sudeste do Pará.[1]

Niemeyer doou o projeto do monumento enquanto participava da VI Mostra Internacional de Arquitetura em São Paulo, em julho de 1996.[2]

O monumento foi rapidamente construído contando com recursos advindos do próprio Niemeyer, de movimentos de defesa dos direitos humanos, da prefeitura de Marabá (prefeito à época, Dr. Geraldo Veloso) e do governo brasileiro[3].

O monumento que imitava um arado de terra com uma mão o segurando, dividindo na horizontal por um par de olhos[4], foi destruído 15 dias depois de inaugurado por latifundiários da região.[5]

Antecedentes e construção[editar | editar código-fonte]

Clamando por mais ação do governo pela reforma agrária, 1.500 sem-terra que estavam acampados na região de eldorado decidiram em 19 de abril de 1996 fazer uma marcha em protesto na antiga rodovia PA-150 (atual BR-155), bloqueando a via nos dois sentidos. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local; poucas horas depois receberam ordens do governador do estado Almir Gabriel de "usar força necessária e inclusive atirar". A ação da polícia custou 19 vidas de trabalhadores rurais.[5][6]

O clima na região estava muito tenso desde o massacre, quando Niemeyer resolveu durante a VI Mostra Internacional de Arquitetura em São Paulo, em julho de 1996, doar um monumento a ser instalado para homenagear os trabalhadores mortos.[2]

O arquiteto dispôs parte dos seus recursos para erguer o monumento, encontrando apoio financeiro de organizações de direitos humanos e do campesinato, além de apoio do governo federal. A prefeitura de Marabá, na figura do prefeito Geraldo Veloso ofereceu um local de grande fluxo no entroncamento das rodovias BR-230 e BR-155 (antiga PA-150), local popularmente conhecido como "Rotatória do Km 06", para ser erguido o monumento[3]. A escolha de Marabá para a construção do monumento, vinha porque da cidade partiu a cobertura da imprensa, o velório dos trabalhadores mortos, e também sediou as instâncias judiciais e policiais responsáveis pela abertura dos processos criminais e investigativos contra os autores do massacre.

Rapidamente as obras começaram, sendo finalizadas na semana que antecedeu o feriado de 7 de setembro. Então, no dia 7 de setembro, vários movimentos sociais[7] fizeram marcha na cidade para lembrar o massacre. Ao final do desfile, o prefeito e autoridades inauguraram o monumento.

Destruição[editar | editar código-fonte]

Enfurecidos, os proprietários latifundiários e os setores ultraconservadores da região começaram a proferir ameaças de que destruiriam o monumento e também contra as entidades que o patrocinaram[3].

Na madrugada de 22 de setembro de 1996 um grupo de pessoas reuniu-se ao redor do monumento com picaretas e marretas e destruíram o monumento. Não houve nenhuma ação da polícia (o quartel do 4º batalhão da Polícia Militar fica a 1 km do local) para conter os vândalos e a depredação do Monumento Eldorado Memória.[8][9] O monumento foi a única obra arquitetônica de Niemeyer no interior da Amazônia.[10]

Um clima de medo espalhou-se pela cidade, visto que a ação foi muito truculenta e cercada de ameaças[3].

Perguntado sobre o ocorrido, Oscar Niemeyer respondeu o seguinte[11]:.

A prefeitura de Marabá ou qualquer outra entidade governamental (inclusive o governo do Pará, que deu ordem ao massacre) nunca se dispuseram a reerguer o monumento[3].

Monumento das Castanheiras Mortas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Monumento das Castanheiras Mortas

O Monumento das Castanheiras Mortas é um monumento em Eldorado do Carajás, que foi inaugurado em 17 de abril de 1999. São 19 castanheiras queimadas e mortas que foram erguidas na curva do S da BR-155, local onde ocorreu o massacre, em homenagem tanto aos trabalhadores mortos[12], quanto ao monumento de Niemeyer derrubado em 1996.[13]

Referências

  1. Campanha de Solidariedade - MST
  2. a b A vida e a obra de Oscar Niemeyer: Conheça os momentos marcantes de um dos arquitetos mais renomados do mundo - Revista Época, 2012
  3. a b c d e Informações de fontes primárias coletadas em entrevistas na cidade de Marabá.
  4. Rascunho original do Monumento Eldorado Memória - Fundação Niemeyer
  5. a b DUARTE, M. M.. Entre enigmas, rupturas e identidades. Tese de doutorado em Ciências Sociais. São Paulo: PUC-SP, 2005.
  6. BORTOLOZZI Junior, Flávio. A Criminalização dos Movimentos Sociais como Obstáculo à Consolidação dos Direitos Fundamentais. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2008.
  7. ROLIM, Marcos; GENRO, Luciana. Relatório Azul 1996 - Porto Alegre: Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, 1997.
  8. CHOMSKY, N.; ACHCAR, G. (et. all.) MARX 2000: La Hegemonia Norteamericana - América Latina: Los Nuevos Sujetos Sociales - Vol. III. Buenos Aires: Kohen & Asociados Internacional, 2000.
  9. MAGALHÃES, Leandro Henrique; CASTELO BRANCO, Patrícia Martins.. Patrimônio, Memória e Turismo. Rev. Perspec. Contemp. Campo Mourão, v.1, n.1, jan./jul., 2006
  10. OTRANTO, Patrícia. 104 anos (parte 2). Blog Nossa Arquitetura, 2013.
  11. «Um exercício do olhar». Revista Grupo Integrado [ligação inativa]
  12. Ato lembra morte de 19 sem-terra - Agência Folha, 1999
  13. FIA CINEFRONT: "Será um grande festival educativo por meio do cinema", diz Evandro Medeiros Portal UNIFESSPA, 2015

Ligações externas[editar | editar código-fonte]